O estupro nosso de cada dia

Texto de Ana Rita Dutra.

Algum dias atrás recebemos a noticia do estupro de uma mulher, pastora de uma igreja evangélica. Isso mesmo, a líder religiosa de uma determinada comunidade foi estuprada por um dos membros de sua congregação. Fato lastimável, inaceitável, absurdo.

Talvez você possa estar pensando: “Bom, pelo menos ela tem os membros fiéis, cristãos de sua comunidade para lhe apoiar…”  A referida pastora foi AFASTADA de sua congregação por CONDUTA IMORAL, pois segundo as lideranças da igreja, se ela foi estuprada e agredida é porque ela não gritou e se defendeu o suficiente.

O que comentar? Espero que no minimo estas pessoas sejam processadas judicialmente, pois é INADMISSÍVEL este tipo de comentário sobre uma mulher vítima de estupro. A acusação de conduta imoral foi divulgada em toda a igreja, a pastora agredida foi humilhada perante sua congregação. Espero que agressor e congregação — tambem agressora — sejam exemplarmente punidos e que a Pastora tenha forças para seguir em frente, apesar de tamanha violência que sofreu.

Culpar mulheres por estupros, duvidar de sua palavra, alegar que a mesma pode ter seduzido o estuprador, infelizmente, é rotina no Brasil. Existe um senso comum de que nós mulheres somos dotadas de pecado e sedução, assim temos o poder de despertar a “besta” que há dentro de cada homem. “Ele não se controlou”; “Ele estava bêbado”; “Ela estava provocando”; converse sobre casos de violência sexual na sua familia, na sua vizinhança e certamente ouvirá estas frases.

Outra idéia comum é de que existem mulheres estupráveis. Em alguns casos o  estupro é encarado como cortesia, quem sabe um bem para a mulher, ele pode gerar bons frutos. No Orkut, popular site de relacionamentos da internet, temos uma comunidade que faz apologia a penetração corretiva, uma “bem intencionada” ação para que mulheres deixem de ser lésbicas.

Se uma mulher é “solteirona” e considerada feia, o estupro dela toma uma forma de favor, “quem sabe ela até gostou”, é uma frase chavão que aparece nesses casos. Aqui entram também as piadinhas sobre a violência sexual e mulheres fora do dito “padrão de beleza”.

Uma outra questão ainda nesse tema: nada mais estuprável que uma prostituta. Você acha que as prostitutas denunciam as agressões que sofrem durante a realização de programas, ou mesmo quando estão andando pelas ruas? Muitas não denunciam. E, no caso das que conseguem denunciar, você acha que as autoridades dão ouvidos? Não, não dão. A prostituta é estuprável.

O Coletivo Feminino Plural, entidade feminista da qual sou assistente, desenvolveu um documentário chamado ‘Canto de Cicatriz’ falando sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes, onde dentro da proposta de trabalho, foram coletados depoimentos não somente de vitimas de violência sexual, mas também de pessoas nas ruas sobre o assunto.

 

Ao falar sobre violência contra meninas adolescentes, boa parte dos entrevistados levantou a questão da menina que “provoca” o homem: elas usam roupas curtas, elas estão pedindo, elas estão cada vez mais assanhadas. Quão cruel é imputar à vítima a culpa sobre a violência extrema que sofreu. NADA justifica ou minimiza um estupro. Independente da situação da mulher, ela é vitima de uma agressão. Questões circunstanciais não podem servir para amenizar a pena ou culpa do agressor. De forma alguma um homem será menos culpado por causa da vestimenta da vitima, do horário em que ela andava na rua. Não há nada que lhe dê direito a violentá-la.

Na comunidade ‘Feminismo e Libertação’ do Orkut, uma companheira usou o seguinte termo uma vez: “o direito inalienável da foda masculina”. E é isso que vemos, o homem naturalmente tem o direito de “cobrir” todas as fêmeas, ele é o senhor do mundo e pode tudo.

A pornografia esta aí, cada vez mais violenta, criminosa, incentivando a violência contra a mulher, alimentando o fetiche sobre o estupro e o quanto nós gostamos da mistura de sexo e violência. Digitando “novinha sendo estuprada” no google você terá mais de 500 mil referências. E isso alimenta nossa sociedade, alimenta nossos filhos, irmãos, pais, amigos, maridos e colegas. Isso é cruel.

A cada 2 minutos, 5 mulheres sofrem algum tipo de violência no Brasil. Mas podemos ignorar tudo isso, podemos simplesmente continuar culpabilizando aquela que historicamente é tida como serva do demônio, porta do pecado, ardilosa.

No tempo do Brasil colônia, mulheres eram trancafiadas em casa por suspeita de conduta imoral, a Igreja tecia novenas e rezas para controlar os instintos satânicos das mulheres que seduziam os homens. Na Idade Média Européia fomos chamadas a tribunais, fomos mortas por acusações de atos libidinosos incentivados pelo demônio, por compactuarmos com satanás. Hoje, nas igrejas, somos chamadas e excluídas da congregação por conduta imoral, ao sermos violentadas..

Parece que o tempo parou… Ou será que fomos nós?

Ana Rita Dutra

Educadora, especialista em Educação em Direitos Humanos. Blogueira, Childfree e feminista! Defensora dos direitos sexuais e reprodutivos, da liberdade religiosa, dos direitos das mulheres e das juventudes! Lutadora e sonhadora! Acredito sim num mundo melhor agora!!!

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76 thoughts on “O estupro nosso de cada dia

  1. Tenho vontade de bater nos estupradores do mundo e, principalmente, nas pessoas q colocam a culpa na vítima.
    Tive uma amiga próxima q foi estuprada, de manhã, assim do nada… E ir com ela ao IML e afins, assistir sua agonia… não foi legal. A culpa era dela, q tava bem vestida, saindo do trabalho pra ir ao médico?
    Nunca fui estuprada, mas já passei pelo fato de um homem vir atrás de mim com o pau duro de fora, se masturbando, em plena luz do dia… A culpa era minha q tava de casaco, calça, bota… em pleno inverno europeu?
    Ainda temos muito o q mudar neste mundo viu…

  2. Olha, não seria de me espantar se essa pastora, que fazia parte de uma congregação tão… tão… (como eu posso dizer?) preconceituosa e ignorante, não tenha contribuído a formentar mais ignorância.

    O homem chega em casa bebado, espanca a mulher, bate nos filhos? Ele não é criminoso, ele só está possuído pelo demônio e a mulher tem que ser forte (por forte entenda aguentar espancamentos) para ajudar o marido a achar a luz (ou whatever).

    Posso apostar que o desgraçado que estuprou a pastora pode ir em algum culto se dizendo arrependido e que satanás o possui e, depois de uma sessão de descarrego, ele vai voltar a ser incluído na comunidade. Se bobear ele vira um EXEMPLO de pessoa que encontrou Jesus (???) e pode ficar fazendo testemunhos.

    Espero que a pastora não tenha incorporado a culpa que jogaram nela e tome as devidas providências para punir o verdadeiro culpado.

  3. Excelente artigo Ana.
    É doloroso ver cada vez mais relatos deste tipo.
    Os valores estão todos distorcidos.
    É comum vermos este tipo de opinião em pessoas que achávamos inteligentes…
    Mas nada justifica. Nada mesmo.
    Seja santa ou seja puta.
    A justificativa dada por estes cretinos é tão válida quanto a do pedófilo que diz que uma criança o provocou por sentar no seu colo. Ou seja, absurda!

  4. Muito bom Ana Rita, mesmo com criação de dispositivos legais e afins cada vez mais percebemos o quanto o atendimento da mulher em situação de violência é deficitário! Chega a ser cruel como uma mulher é tratada ao registrar um BO por violência sexual, ter que descrever suas roupas, se não flertou e afins.

  5. Aqui em POA nós estamos fazendo um mapeamento de toda a rede de atendimento a vitimas de violência sexual. Um dos hospitais cadastrados para fazer esse atendimento especifico, que segundo consta possui todo um atendimento diferenciado para as vitimas,eu entrei em contato e o setor de emergencia (que obviamente é o setor que recebe a mulher agredida)não sabia que prestava auxilio para mulheres estupradas, nem tinham conhecimento que teoricamente existia ali um “setor” para isso. E essa cena se repetiu em diversas instituições. É de cair o cu da bunda.

  6. Belo post Ana! É bom vê-la escrevendo por aqui.
    Seu post mostra uma realidade desfavorável às mulheres e como ainda somos vistas como aquela que provocou,que deu margem a ser estuprada.

  7. Chega a me dar nojo da sociedade, do ser humano, ao saber das pessoas que têm a capacidade de proferir comentários do nível destes citados nos textos, humilhando cada vez mais as vítimas de violência.

    O mais triste é que, nós mulheres, muitas vezes contribuímos para este tipo de comentário, quando eles não saem de nós mesmas. Digo isso pois já vi muitas vezes outras mulheres alegando que uma vítima de estupro “provocou” o seu agressor. Ora essa, coitadinho, então ele não pode ver mulher que sai por aí atacando? E com a mãe dele, como devia ser, ela também é uma mulher, não? É lamentável ter de reconhecer que o incentivo a ser machão vem de dentro da própria casa, pela própria mãe, mulher.

    É de perder as esperanças ver que, quando mais a tecnologia avança, mais o ser humano volta ao estado mental mais primitivo e antiquado na forma de tratar o próximo. Lamentável

  8. acho que existiu um exagero aí. nenhum filme pornô vai fabricar estupradores por aí e querer que prostitutas não fiquem a mercê de homens violentos é como mandar soldados pra guerra e pedir para que eles não matem ninguém. é triste porém REAL.
    sinceramente deveria ter focado como os evangélicos tem visto o mundo de forma hipócrita e no exemplo de forma criminosa. quanto as outras informações está ligado ao conservadorismo exarcebado do país que não sei de onde saiu. no carnaval tudo pode, depois vamos a missa. de resto só foi discurso entediante.
    quanto a estupradores merecem ser presos, para aí INEVITAVELMENTE serem estuprados na cadeia.

    • Luciano, não se trata de filme pornô “fabricar estupradores”, mas sim de toda uma cultura que alimenta e incentiva a violência contra a mulher. No caso da pornografia, ela o faz através dos “fetiches” que, no caso, ela fabrica, sim. O problema não é ter sexo filmado, nem é uma questão moral. O problema é colocar atitudes violentas (como bater na mulher, ser agressivo, jogá-la com força, gozar na cara, deixá-la imóvel, simular estupro etc etc) como coisas “ok”, feitas ali para excitar a pessoa que assiste ao vídeo, que o consome sem nenhum questionamento, afinal é “só diversão”. Mas a pornografia é só mais uma coisa dentro de toda essa cultura do estupro. Outro exemplo é o fato de imediatamente pensarmos na culpa da mulher quando ela é estuprada: que roupa vestia? tomou cuidado? saiu sozinha? pareceu “disponível”?

      E como a Ana, acho totalmente errado homens serem presos para serem estuprados na cadeia. Devem ser presos e punidos pelo que for cabível na lei, sem sofrer nenhum tipo de violência adicional.

    • Meu, não dá pra cobrar um enfoque de crítica à religião num blog cujo foco é a crítica às violações dos direitos da mulher.

      Quanto às agressões a prostitutas, não consigo encontrar nenhuma justificativa para agredir ninguém, a não ser a legítima defesa. Prostitutas estão incluídas. É uma questão de direitos humanos.

      Vale lembrar que prostituição não é crime, mas estupro é.

  9. Luciano, acredito que o texto demonstra claramente que o estupro está aí e é uma constante para as mulheres.
    Dizer em que assunto a autora do post deveria ter focado é um pouco prepotente, né?! Ela escreveu o assunto sob a ótica que ela quis.
    Também discordo da postura de que os estupradores merecem ser presos para aí serem estuprados na cadeia. Merecem ser presos pois cometeram um crime. Ponto.
    A analogia das prostitutas com os soldados, não entendi. Acho completamente díspare os assuntos.

  10. Maia: os fetiches estão aí e não precisam de pornografia para existirem, principalmente os que você citou(excessão à simulação do estupro o que acho uma tremenda idiotice e não sei ao certo o que quis dizer com ser agressivo) pode ser considerado apenas… questão de gosto da pessoa. e isso inclui (muitas!) mulheres. até aí a questão está sendo moral, porque senão a mulher que goste de ver sexo entre homens será vista como alguém violenta o que no caso se resolve com a máxima, porém clichê: o que um não quer, dois não fazem.(por clemência não entender que estupradas poderiam querer isso!)
    quanto ao resto não existe espaço para essa de mulher que foi estuprada ‘pediu por isso’, ‘não tomou cuidado’ ou ‘se vestiu inadequadamente’. estamos em 2011, com leis pesadíssimas contra a violência contra a mulher. a sociedade pode até ser machista, mas no final não é hipócrita.
    e quanto ao estupradores não disse que mereçam ser estuprados na cadeia, mas que simplesmente SÃO estuprados na cadeia. é só um fato.

    • “estamos em 2011, com leis pesadíssimas contra a violência contra a mulher. a sociedade pode até ser machista, mas no final não é hipócrita.”
      Temos penas altas, sim. Agora, pra ser condenado precisa ser processado (há chance de o acusado ser absolvido). Pra ser processado, a vítima tem que ir à delegacia pra fazer o BO (há vítima que não vai). Enfim, tem muito estupro e violência dos quais as autoridades não têm notícia, apesar de hoje existirem delegacias da mulher e tudo o mais.
      Por que isso? Porque muita moça tem medo de ser maltratada, o que não deixa de ter fundamento, porque tem muita autoridade que não leva a palavra dela em consideração, tanto delegado quanto magistrado, e isso se dá em razão da cultura machista, que pressupõe que a moça provocou, e alimenta a cultura machista, e mais moças não procuram as autoridades, é um círculo vicioso.
      Não é simples assim como parece.

      2. A violência sexual cometida contra os presidiários não tem que ser vista como punição pela conduta deles aqui fora. É um crime cometido contra eles. Estupro é estupro, quer a pessoa seja criminosa quer não, quer a pessoa seja promíscua quer não. O mesmo argumento que se usa pra proteger a prostituta do estupro tem que usar pra proteger o presidiário (e, na minha opinião, ainda mais o presidiário, que está sob a custódia do Estado e tem ainda menos meios de se defender).

      • mas eu não disse que é uma punição. é um fato. os caras apanham todo dia na cadeia. é uma coisa quase natural. quanto ao processo é o mínimo que possa ocorrer em qualquer país justo. erros acontecem ? todos os dias. mas que vocês se focaram no moralismo e generalismo ah se focaram. o maior erro de toda a história e deixar essa comunidade evangélica sair impune. porque o estuprador tem chances tremendas de não sair.
        o estupro não ocorrem porque as mulheres nasceram pra saciar os homens, porque a pornografia nos incita a novas posições ou porque não é passível de crime. mas provavelmente nesse caso porque essa igreja aí reprimiram tantos seus fiéis que um deles tinha que enolouquecer. os que não enlouqueceram provavelmente são infelizes sexualmente. liberdade sexual para homens e mulheres e cadeia para estupradores: isso sim deveria ser citado aqui.

    • Luciano, a pornografia produz e reitera os fetiches sim, não tenha dúvidas disso. Obviamente eles existiriam em maior ou menor medida sem a pornografia, mas o que quero dizer é que ela é de uma cultura que reforça a violência contra a mulher. As fantasias são, em geral, agressivas contra a mulher,e são o que mais são de destacados na pornografia. Na minha opinião, a pornografia abarca só uma parte mínima da sexualidade humana, ficando nesse mesmo padrão massificado e industrializado de fantasias prontas. A maioria mostra a mulher no papel de dominada, submissa, enquanto o homem comanda, domina, é autoridade. Homens e mulheres têm essa fantasia sim, porque estão inseridos nessa mentalidade, assim como todo mundo. Inclusive, há uma tese de que mulheres costumam fantasiar com essa dominação porque assim elas não precisam tomar a “atitude” e serem donas de seus próprios desejos. Por quê? Porque são ensinadas a se reprimirem e a serem recatadas de tal forma, que não conseguem expressar a sua sexualidade senão por meio dessa fantasia de ser dominada. Isso as libera, por assim dizer. Isso, que fique bem claro, no plano da fantasia.
      O problema não é haver fantasias do tipo, e sim que a nossa cultura enxergue isso como o padrão e como o inquestionável. O problema não está em gozar na cara, em ficar de quatro, mas sim no que estas coisas representam, hoje em dia, para a sociedade: você não concorda que para muitos homens, é humilhante a idéia de eles ficarem de quatro? Que os gays são associados às mulheres e, conseqüentemente, vistos como inferiores, “bichinhas”, passivos? Tem até quem diga que gay é quem é penetrado (passividade, o que marca o gênenero feminino), e não quem penetra (porque é atitude do dominante, o masculino).
      Espero que tenha ficado claro o que quero dizer. Quanto às leis, existem, mas o que não falta são juízes questionando a sua validade e preferindo não aplicá-la no tribunal. Afinal, a lei tá aí, mas ninguém garante que ela será realmente cumprida ou sempre interpretada como se intencionou no começo. É um começo, mas o que precisa mudar é a mentalidade da sociedade em geral.

    • Entendo seu ponto de vista e concordo neste aspecto.
      Filmes nao fabricam estupradores. O problema ja esta lá no indivíduo.
      Fetiche por fetiche, tem estuprador que violenta senhoras de 70 anos.
      Nao tenho formacao em psicologia mas sei que sempre que generalizamos algo acaba ficando margem para analises em contrario.

  11. O que mais me enojou foi a postura da Igreja, que dizia algo como “Ela foi estuprada porque quis”, “Se ela não quisesse, teria se defendido” entre outras boçalidades.

    Sobre essa questão de denúncia e tudo mais, a pessoa que denuncia acaba marcada por conta de nossa sociedade altamente machista. Não é a toa que poucos casos do tipo vem realmente a tona (principalmente quando comparamos com a quantidade divulgada).

  12. PELOAMORDEDEUS Michelle R., não critique o devido processo legal!!!

    • Natahca! Longe de mim! Que me caia um raio na cabeça!
      Meu problema é com essa maldita “cifra negra”!
      É certo que acabamos no domínio do “achismo” ao falar disso, mas não dá pra negar que existe um hiato monstruoso entre a quantidade de relatos de violência, sexual ou não, dos quais a gente tem notícia informalmente, e a quantidade de condenações que a gente vê na nossa vida profissional.
      Essa é a percepção que eu tenho.
      Em razão da atividade que eu exerço, muitas vezes vi mulheres vítimas de violência em situação de grande constrangimento. Se uma dessas moças voltar a ser agredida, duvido que volte a procurar as autoridades. Se alguma mulher que ela conheça vier a ser vítima, aposto que ela vai recomendar que fique quieta. Parece-me que, se não houver uma mudança de postura no sentido de não se hostilizar a mulher vítima de violência, a cifra negra destes crimes tende a aumentar!
      Foi isso que quis dizer anteriormente. Devo ter me expressado mal. O devido processo legal é o máximo e eu sou fã. O problema é o que não aparece nos autos.

  13. Acredito que a questão da impunidade não é privilégio de estupradores e sim problema do nosso judiciario que atinge a população como um todo.

  14. Olá, respeito seu posicionamento, também sou contra qualquer tipo de violência contra a mulher, mesmo de uma profissional do sexo. Muito bem, mas, acredito que qualquer pessoa deve evitar situações que possam colocá-lo em risco, por exemplo, mesmo um homem que sai durante à noite sozinho corre um sério risco de ser assaltado e, tragicamente ser morto, alguém que saque uma quantia vultosa em um banco e saia com esse dinheiro por aí corre sério risco de ser assaltado e, no pior das hipóteses ser sequestrado. Alguém, que escale o monte everest sabe dos riscos e pode morrer na empreitada. Em fim, muitos são os riscos que nos colocamos diariamente na vida, esses riscos poderiam ser facilmente evitados caso mudássemos nosso posicionamento ou comportamento, a violência, infelizmente, sempre existirá e, sempre haverá uma vítima, isso porque, a mentalidade do ser humano tende para o mal. Eu estudei em uma faculdade que possui uma grande extensão em área, os institutos ficam muito longe um do outro e, os estudantes precisam fazer longas caminhadas, muitas vezes em locais ermos, escuros, algumas meninas, infelizmente, foram estupradas e rapazes foram assaltados, a comunidade acadêmica ficou estarrecida, e, a solução para o infortúnio foi a de que as meninas e os rapazes sempre andassem acompanhados e, evitassem de andar sós à noite, acontece que, alguns deles não aceitaram isso, e não mudaram seu hábito, e, tragicamente, aconteceu de novo.
    Transformar o homem no grande vilão e monstro da história não é a solução, nossa sociedade alimenta a idéia da mulher objeto, da mulher como uma grande peça de carne em exibição nas vitrines. Um exemplo disso é o carnaval, os ensaios fotográficos, a indústria pornográfica, programas como o BBB que exalta isso na mulher como sendo uma mera peça de desejos voluptuosos. A sociedade como um todo está doente nesse sentido, e, a própria mulher também alimenta isso, pois, tanto a mulher como o homem devem ser reeducados quanto a mentalidade nesse sentido, quanto ao respeito mútuo, quanto o senso de igualdade e etc. Deveríamos exaltar mulheres como a ministra Ellen Gracie, Dilma Rousseff, Martha Rocha (delegada no Rio de Janeiro), em fim, e tantas outras que se sobressaem e tem papel relevante e que podem ser um exemplo para homens e mulheres. No meu entender, a educação da mentalidade de homens e mulheres a começar do seio familiar, passando pelas escolas, até os meios de comunicação em massa, ajudaria a mudar muita coisa, tenho certeza que a violência diminuiria significativamente, porque mudaria os hábitos e comportamento inadequado, tanto de homens quanto de mulheres.

    • Mathias, acredito que no texto da Ana Rita ela não coloca o homem como o grande vilão da história. E esse nem é um dos maiores objetivos do feminismo, afinal também existem mulheres que tem atitudes machistas.

      A questão é que mesmo tomando cuidados, uma mulher é mais vulnerável que um homem, pois o crime de violência sexual contra a mulher é “aceito” culturalmente, é uma prática conhecida. Um homem que sai do trabalho a noite e volta para casa terá medo de sofrer um assalto, mas dificilmente terá medo de ser assaltado e estuprado, entende?

      Achei muito interessante sua visão de que a mudança começa na base até os meios de comunicação. Porém, a violência tem várias faces, especialmente a violência doméstica e o estupro. Pois suas vítimas são em grande maioria as mulheres e muito antes dos atuais programas de tv, haviam dados alarmantes de violência contra a mulher.

      • não dá pra acreditar que ainda se fala em ‘aceito’ culturalmente!
        estupro é crime ! ponto.
        só que para ser crime é mais que necessário colocar-se a disposição de uma denúncia.
        faz parte de todo o processo.
        não existe mais ambiente para um estupro ser colocado como algo aceitável. e começar a achar esse tipo de coisa é dar cartas brancas a estupradores.

        • Luciano, você pode até achar que esse “aceito” culturalmente não existe mais, mas ele está aí. Sim, o estupro é crime. Porém, sabia que há mulheres que chegam em delegacias para denunciar um estupro e ouvem: “Duvido que ele tenha estuprado você, ninguém estupra mulher feia!”? Há policiais que dizem isso.
          Há lésbicas que sofrem “estupros corretivos” muitas vezes estimulados pela família, que não aceita suas preferências sexuais. Mulheres crescem sendo violentadas pelos pais, será que é tão simples denunciar? Não estou dando carta branca aos estupradores, estou dizendo como a violência sexual é extremamente presente no cotidiano de muita gente.

          No caso das prostitutas não existe uma rede de apoio que as incentive a denunciar estupros. Porque estupro é um crime complicado, envolve muita vergonha das vítimas, não é tão simples denunciar, não é simples não ter um apoio para tudo que vier depois, ameaças e tudo mais.

          • Lei Maria da Penha, Ministério Público, Ouvidoria da Polícia Militar.
            O que estou lendo aqui parece ser de países africanos/terras de ninguém.
            Ok que talvez em algumas cidades do interior do Brasil talvez isso possa acontecer. Mas a internet está pra divulgar casos como esse !
            Se um mulher chega numa delegacia e ouve uma coisa dessa ela tem que denunciar 2 crimes.
            O caso aí de estupros coletivos é novo para mime não sei do que se trata ainda mais com aval de família.
            Não EXISTE nada que impeça colocar estupradores na cadeia. NADA ! Quem acredita nisso dá cartas brancas SIM para estupradores. O pastor aí do texto pode ser absolvido pela comunidade evangélica. Mas o trabalho do promotor do caso não será tão bonzinho. Acreditemos no sistema porque ele é que nos auxilia(sim porque não?).

  15. Concordo com boa parte do que está descrito no texto. No entanto é importante notar o seguinte: dezenas de vezes ouvi falar de casos de mulheres que se julgaram estupradas, sem necessariamente o terem sido. Não falo de roupas, modo de andar nem coisa do tipo. Mas por exemplo recordo-me bem do caso do jogador Robinho, que supostamente (hoje já negado pela justiça inglesa) teria abusado de uma jovem inglesa. Após o fato ao se colher informações com os demais convidados da festa, descobriu-se que a jovem teria chegado com o intuito de “conhecer” Robinho e o próprio segurança da casa disse que ela teria saído de lá sorrindo e brincando com as colegas, o que não é exatamente a reação de uma estuprada, suponho eu. Culpa? Arrependimento? Interesse? São vários motivos possíveis. Não defendo estuprador nenhum, acho esses criminosos da pior qualidade, mas tem que se tomar cuidado com o modo como as coisas são postas, pois uma acusação que muitas vezes sequer fundamentos tem, podem acabar com a vida de uma pessoa.

    E quanto a questão de ficar de quatro ou gozar na cara como a jovem acima falou, eu discordo totalmente. Tudo depende da relação dos dois individuos em questão. A posição de quatro é uma das que as mulheres mais gostam e muitas vezes parte dela o interesse em fazê-lo. Só será uma tentativa de subjulgar a mulher, se a mulher se sentir subjulgada e se essa for a intenção do homem.

    • Renato, acho importante dizer que quando defendemos a questão do estupro e da mulher como vítima de violência, não estamos abarcando as nuances que podem ter alguns casos como esse do Robinho que você citou. Você concorda que esses casos são excessões? O que nós queremos mesmo é chamar a atenção para uma violência que é diária e muitas vezes mascarada, por aquela idéia “entre marido e mulher não se mete a colher”. Ou que torna-se justificada porque “ela não gritou tanto”.

      Não queremos dizer que mulheres são vitimizadas o tempo todo, nem transformá-las em coitadinhas, pois é preciso muita coragem para denunciar um agressor num país em que sabemos que nem sempre as leis são cumpridas. O que queremos é justamente trazer o debate a tona, mostrar o quanto as mulheres ainda são culpabilizadas por uma situação de violência que é muito comum.

    • Renato, tem um filme muito bom que aborda um pouco isso, “Acusados”, com a Jodie Foster. Vale a pena. Nesse filme ela é estuprada por um grupo de homens e o filme é sobre o esforço e a luta dela pra provar em júri que eles s˜åo culpados.

      Tem uma cena que eu não esqueço que é quando o advogado dos caras vai interrogar ela. Ele pergunta: “Quando você estava sendo estuprada, o que disse?”. Ela responde: “Não”. E ele continua: “Você não disse ‘socorro’ ou ‘parem’, você só disse ‘não’”. Ela responde: “isso mesmo”.

      Quer dizer, não tem uma cartilha de como uma vítima de estupro deve se comportar. Talvez no caso do Robinho nem tenha sido mesmo. Mas imagina só dar escândalo numa festa chique, na frente do povo, etc. às vezes certas pressões sociais falam mais alto, às vezes a vítima n˜åo consegue lidar com o que aconteceu, finge que não aconteceu. Basta ouvir relatos reais de mulheres que foram estupradas pra concluir que não existe um tipo de comportamento que prove que a mulher sofreu mais ou menos.

      • Bia e Marília.

        Concordo totalmente com vocês, cada caso é um caso. É exatamente isso que eu queria mostrar. O texto colocar muito o homem como um lobo selvagem atrás de chapeuzinhos-vermelho por aí. Estupradores são uma patética minoria do total de homens que existem. Achar que um elemento qualquer, como a pornografia, possa tornar os homens (em sua generalidade) é como achar que qualquer pessoa que vê um filme violento vai querer violentar alguem. Existem por exemplo muitas mulheres que tem fantasias em que são dominadoras ou são dominadas. E novamente: cada caso será um caso. O estupro está aí a milenios será que a inústria pornografica é de fato tão responsável assim pela “brutalização” do sexo, a suposta necessidade masculina de subjulgar mulheres? Ou pior ainda, estuprá-las?

        No caso de robinho, o que eu quis apontar é que um estupro é um estupro. Não é arrependimento, não é tristeza. É violação sexual agressiva e não consentida.

        Mas fico feliz em conversar com vocês, feministas de verdade. A maior parte das “feministas” que falo, não escutam um argumento que seja diferente das delas sem me chamar de machista, dar as costas e sair andando. Ou tentam apelar pra o “você é homem nunca vai entender” ou “não venha discutir feminismo, você é um homem”, quando na verdade o pensamento deveria ser exatamente de discutir, argumentar.

        • Renato, acho que a questão é que quando a Ana Rita fala no texto sobre “o homem” ela não está se referindo a esse ou aquele homem, ela está abarcando o conceito do homem dentro de uma sociedade machista.
          Quando ela diz: “o homem naturalmente tem o direito de “cobrir” todas as fêmeas” não está falando apenas dos estupradores, mas da cultura que estimula o cara a ser um garanhão, a pegar muita mulher, a maneira como isso é positivo socialmente. O homem não é um lobo selvagem, mas quando se trata de violência sexual (não só estupro) ele está na imensa maioria dos casos no papel de agressor.

          A proposta em relação a pornografia é discuti-la, porque hoje temos uma pornografia cada vez mais brutalizada ao alcance de qualquer adolescente na internet. A playboy hoje é praticamente uma revista carola. Ela pode não ser a responsável direta por um estupro, mas é preciso pensar num momento em que está ao alcande de qualquer pessoa. Então, precisamos pensar como a pornografia (que está presente em todo lugar atualmente, pois sexo vende, e claro que não falo apenas do corpo da mulher, mas também do homem), está influenciando nossas práticas sexuais e nossa sexualidade.

  16. Escrevi isso no Sedentário, aonde li esse artigo pela primeira vez:

    Não sou a favor do feminismo radical (esse ódio contra a pornografia é um dos pontos com os quais eu discordo), principalmente, pela vitimização excessiva da mulher. Antes que me taxem de machista eu já arrisquei minha vida defendendo uma desconhecida de ser estuprada aqui em minha rua (sozinho, às altas horas da madrugada) e condeno veementemente o machismo, as suas práticas e suas babaquices. E, claro, também acho repulsivo essa condenação moral imposta às mulheres pela igreja e esse ato nojento cometido por essa congregação brasileira em relação à essa pastora.
    No entanto, eu sou negro. E sinto na pele como buscar conforto na figura da vítima é prejudicial para nós “minorias”. E, pô, eu vivo na realidade, eu tenho mães, primas, namorada e ex-namoradas, amigas (uma até prostituta) e essa linha de pensamento “homens são criaturas deploráveis e crueis e as mulheres são donzelas indefesas” não corresponde à realidade. É a mesma coisa do negro que procura racismo em todo lugar, um dia ele acha.
    Eu vou ser sincero, o dia em que eu vi a garota quase ser estuprada em minha rua eu senti o quanto deve ser complicado para as mulheres: o mero ato de sair em um local deserto à determinada hora da madrugada é algo que pode trazer sérias consequências. Mas, saibam que muitos de nós homens estamos com vocês, do seu lado, contra esses covardes. A cisão não é necessária, a vitimização tampouco, e por favor, deixem a pornografia (lícita, não a ilegal) em paz. Nós, homens não-retardados e não-machistas agradecemos.

    • Felipe, acho que a pornografia tem que ser discutida, você não acha? Temos cada vez mais uma pornografia violenta e cada vez mais cedo meninos e meninas são expostos a pornografia por meio de internet. Hoje a Playboy é praticamente uma revista carola perto do que vemos em vídeos na internet. Não estou falando de proibir, mas será que não cabe uma discussão sobre qual mensagem a pornografia atual está passando?

      Nós (e acho que o texto da Ana Rita não diz isso) não estamos aqui dizendo que homens são deploráveis e mulheres são donzelas indefesas. Até porque praticamente todas as Blogueiras Feministas convivem com homens no seu cotidiano familiar. A questão é a que você realmente levantou, que é muito complicado para várias mulheres estar simplesmente sozinha na rua e não só de madrugada. Que um homem sozinho na rua tem medo de ser assaltado, mas uma mulher tem medo de ser assaltada e estuprada. Também acho que não estamos fazendo um panfleto da vitimização da mulher, estamos mostrando como a violência contra a mulher tem números altos, como ainda culpabilizam mulheres por serem estupradas. Isso é mostrar quem são as vítimas reais de um crime que é praticado todos os dias. Não vejo cisão entre homens e mulheres e fico muito feliz de ver homens lutando pelo fim da violência contra mulher.

    • e não é por isso que existe um processo legal para um homem ser acusado ?

  17. A Pornografia CELEBRA a violência contra a mulher! Sim, ela exerce grande poder sobre muitas pessoas. Eu simplesmente não consigo achar natural e sem importancia filmes que mostram pessoas simulando estupro, os mais diversos tipos de violencia contra a mulher. Essa tara é manifestação de algo mto mais profundo, a naturalização da violencia contra a mulher na sociedade. Recomendo o livro Pornland, da Gail Dines, nessa entrevista ela aborda um pouco sobre a relação pornografia e violência contra a mulher.

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4614275-EI6594,00-Pornografia+celebra+violencia+contra+mulher+diz+sociologa.html

    Não vi no texto referencia de que todos os homens são agressores e influênciaveis, mas é fato que existe toda uma construção encima da erotização da violência contra a mulher, é fato de que grande parte das mulheres são violentadas por seus pais, irmãos, maridos, as mais de 30 mil mulheres assassinadas no Brasil nos ultimos anos, foram assassinadas por homens. Devemos refletir sobre isso, sobre o macro, não o individuo homem, mas o “ser homem” e o que a sociedade trás disso. A internet pulverizou a pornografia, meninos de 12 anos ja consomem, e a quantidade de material relacionando mulher com violencia não é brincadeira. Devemos pensar o que significa essa relação entre porno e violencia contra a mulher e o pq defendemos e consumimos isso.

    Bele texto. Parabens pelo blog como um todo.

    renata

    • meninos de 12 anos consumindo pornografia !?!?!?
      não acredito !
      o que eles pensam que são ???
      pré-adolescentes ???? eles tem que jogar aqueles games de violência extrema e não se interessar por essa coisa chamada sexo, que dizem ser normal na vida.
      e é inaceitável esse número de mulheres assassinadas por homens já que homens não matam outros homens por camaradagem.

      eu nunca vi argumentos tão fracos como o da Renata.
      se algum homem bate em mulher (e se essa mulher não o denuncia ela é culpada!) é porque é um criminoso e não um um filho da pornografia.
      foi de um moralismo digno de Bolsonaro nossa amiga agora.

      • Luciano, não foi bem isso que a Renata disse. As pessoas se interessam naturalmente por sexo, inclusive crianças começam a se masturbar porque dá prazer. A questão é que hoje por meio da internet adolescentes, tanto meninos quanto meninas tem acesso a qualquer tipo de pornografia. Hoje a playboy é uma pornografia leve. Uma pessoa que consome pornografia não necessariamente irá violentar outra pessoa, porém, até que ponto uma pornografia violenta que não respeita a mulher é prejudicial para a sexualidade das pessoas? Até que ponto a pornografia hoje influencia nossas práticas sexuais? Não há um controle hoje sobre a maneira como a pornografia entra em nossas vidas, pois sexo vende e está por todos os lados.

        E a Renata foi bem clara, ela não está falando de indivíduos homens, mas da entidade “o homem” que é construída socialmente por meio dos estereótipos da pornografia.

        Mulheres são em sua grande maioria assassinadas apenas pelo fato de serem mulheres. São crimes de ciúmes, homens que não aceitam fins de relacionamento, mulheres estupradas. É um crime diferente de um assalto. Quando você rouba e mata uma pessoa é um crime, porém, quando você rouba, estupra e mata uma pessoa é outro tipo de crime.

        • os argumentos dela continuam fracos mesmo com sua observação srta bia.
          o que deve ser debatido nesta questão é a segurança de mulher. o que o Estado faz para protege-las e se homens tem a mesma proteção porque porque não ?
          agora influenciar óbvio que influencia ou acha realmente que a descoberta do sexo para todo mundo é como na ‘lagoa azul’ ?
          antes não eram nossos pais indo atrás de profissionais do sexo ?
          e se as prostitutas tem quem as defenda porque não as atrizes pornôs ?
          e se existir algum comentário aqui dizendo que Simone Beauvoir influencia de modo errôneo a sexualidade das mulheres ? a Renata vai vir aqui combater ?
          a falta de liberdade sexual, como o do povo religioso aí, provoca todos esses efeitos violentos.

          • Concordo que a repressão sexual religiosa é prejudicial para os indivíduos. Mas não explica tudo, pois existem casos de violência doméstica e sexual praticados por pessoas que não são reprimidas sexualmente.

            O Estado protege mulheres e homens igualmente. Porém, há crimes em que a questão de gênero tem que ser observada por causa de sua questão histórico-cultural. O caso de violência doméstica é um deles.

            As prostitutas possuem sindicatos e ongs porque se organizaram e receberam apoio, pois são extremamente marginalizadas. a grande maioria das prostitutas não é de luxo, trabalha nas ruas. Também defendemos que atrizes pornôs devem se organizar para requerer seus direitos e cobramos melhores condições de trabalho. Há OnG’s que denunciam a falta de camisinha em sets de filmagem e alertam para os problemas das DST’s. As pessoas não aparecem defendendo as minorias do nada, é preciso que a própria minoria se organize e cobre por seus direitos.

            Mas e então, se é lógico que a pornografia influência o que você acha que deveria ser feito? Que medidas deveriam ser tomadas? Proibir determinados tipos de filme? Cobrar mais transparência dos realizadores? Vigiar melhor o conteúdo pornô da internet? Essas são algumas idéias que podem dar certo ou não, mas o importante é discutir. Pois a indústria pornô atual faz mal a quem assiste e a quem trabalha nela.
            http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/880189-autoridades-e-industria-porno-travam-guerra-de-camisinhas.shtml

            • o link que você deixou é uma questão de saúde. sexo sem camisinha é melhor. fato. usar camisinha é sempre um saco, porém mais do que necessário, sem hipocrisias. no caso dos atores pornôs a coisa fica fora de controle pelo alta rotatividade de filmes. é um problema. mas não que influencie as pessoas a não usar camisinhas. as pessoas já estão influenciadas a isso naturalmente.
              acredito que sem a pornografia ou maior liberação sexual estupros não deixaram de existir, óbvio, mas teremos menos doentes por aí. porque coisas que foram defendidas aqui foram sim dignas de bolsonaro e inocentes ao ponto de lagoa azul.

              • Mas e se, por exemplo, todos os filmes pornográficos fossem feitos com uso do preservativo masculino ou feminino, será que as pessoas não iam internalizar melhor o uso do preservativo e sua importância? Acredito que sim, porque se o homem é um ser tão visual, acostumá-lo a uma determinada visão pode influenciar suas práticas sexuais.

                • visualmente pode ser influenciado, mas fisicamente e e perante seu psicológico seria muito mais prazeroso se não precisasse ter que pensar em usar camisinha. tanto que para sexo oral ninguém usa, nem homens e nem mulheres. que mulher aqui abre uma camisinha ao meio para seu parceiro fazer sexo oral de forma segura ?

                  • Muitas mulheres podem abrir a camisinha, usar um plástico filme, ou uma luva cirúrgica de silicone cortada. É preciso se proteger no sexo oral, porque o maior perigo nesses caso não é AIDS, mas sim DST’s. Eu já usei várias vezes camisinha feminina para sexo oral, por exemplo.
                    E inclusive existem várias cartilhas sobre sexo seguro para lésbicas.

      • Como professora tanto de fundamental como médio posso garantir que meninos de 9, 10, 11, 12 e maiores do que isso vêem pornografia e consomem pela internet vídeos e fotos, em alguns casos com o apoio dos pais. E não é só a pornografia visual, tem aquelas em forma de música, como o funk erótico, onde meninas de 5, 6 anos – eu VI isso, não estou dizendo que me disseram, pois eu vi essas meninas – dançando funk de maneira “sensual” (visto que elas não compreendem o que é isso) ao som de “músicas” cujo refrão era “relaxa a bucetinha”. Agora me fala, que tipo de informações essas meninas e meninos estão recebendo? Não vá me dizer que isso não influencia de alguma maneira a cabeça e o caráter ainda em formação destas crianças, pois influencia sim, tanto que em um dos meus estágios ainda na faculdade, eu tive a oportunidade de assistir a uma aula de educação sexual da 5ª série e um menino perguntou se as mulheres na vida real gozavam como nos filmes e se elas gostavam de apanhar. Então a questão é muito mais sombria do que parece.

  18. vale lembrar que não existe só pornografia onde as mulheres são as ‘vitimas’ das simulações de estupro, violência, etc. existe também onde o ‘homem’ é a vitima e não é menos comum, muito pelo contrario (só pesquisarem por men in pain, Forced Bi Cuckold entre outros).

    alem disso culpar o pornô em si pela violência, ainda aumento da mesma, contra a mulher é o mesmo que dizer que videogames influenciam comportamento violento, e isso pra mim é de um preconceito e ate estupidez sem tamanho. quer dizer há casos em que isso é verdade? possivelmente, mas essa pessoa já não era mentalmente estável pra começo de conversa e portanto qualquer outro estimulo poderia ter dado no mesmo.

    e na verdade eu acho até é que pornos desse tipo são é muito saudáveis, tendo em vista é claro, que são simulados e de comum acordo entre as partes, pois eles servem o proposito de uma quase realização da fantasia, um escape sexual. por exemplo uma mulher com fetiche de ver duas mulheres transando, mas que por motivos ‘n’s não pode realizar tal fantasia, pode usar a pornografia como substituto. e qual o problema nisso? a mesma logica vale pra qualquer outra fantasia sexual(alias, muitos especialistas sexuais dizem que não existe fantasia errada, mesmo estupro, que é por muitos reprimida por ser um crime, mas que não há nada errado em fantasiar ou simular com a/o parceira/o)

    completo dizendo ainda que, apesar de ser popularmente dito como mito ou fantasia sexual, existe o estupro de homens ou mulheres onde o estuprador é mulher, e se vocês acreditam que o tratamento das vitimas femininas é ruim, pros homens é pior ainda, primeiro porque praticamente nenhum deles vem a tona já que o coitado seria ridicularizado e/ou ninguem acreditaria nele já que ser abusado por uma mulher é praticamente o sonho sexual do homem médio. segundo mesmo que a vitima preste queixa, novamente não encontra suporte nos proprios centros de ajuda pra vitimas de estupro já que provavelmente vão dizer que o coitado tá indo la pra se aproveitar das verdadeiras vitimas.

    links pra quem fala inglês (e que dizem basicamente o que eu disse acima):
    http://en.wikipedia.org/wiki/Rape_by_gender#Non-statutory_female-on-male_rape
    http://en.wikipedia.org/wiki/Rape#Other

    lógico que eu não falei essas coisas pra dizer que concordo com estupro/violência contra as mulheres, longe de mim, por mim, estupradores deviam ser no minimo castrados em praça publica, alem de presos.

    • err, no primeiro paragrafo, a frase:
      “…existe também onde o ‘homem’ é a vitima e não é menos comum…”
      deveria ser:
      “…existe também onde o homem é a ‘vitima’ e não é menos comum…”

    • Jack, bem lembrado que a pornografia não é violenta só com mulheres. Porém, acho que o que a Ana Rita quer discutir é justamente essa pornografia violenta. Um tipo de pornografia que hoje está ao alcance de qualquer pessoa na internet. Por que você concorda que um filme pornô com duas mulheres transando sem violência é quase considerado um soft porn hoje em dia?

      Sobre a questão da fantasia é algo mesmo a se discutir, concordo em parte que não há fantasia errada. Porém, minha preocupação é a seguinte: hoje tanto meninos e meninas começam a ter contato cada vez mais cedo com pornografia pela internet. E eles não consomem mais a playboy, eles podem consumir justamente filmes violentos e extremamente misóginos. Você cresce consumindo esse tipo de material, qual será o impacto disso nas práticas sexuais se sexo ainda é um assunto tão pouco discutido abertamente? Crescer consumindo apenas sexo mecanizado pornográfico e violento, sem estimular a sexualidade como algo mais psíquico, de sensações internas, não pode gerar indivíduos mais reprimidos sexualmente ou reprimidos? Porque hoje em dia há muito sexo por todos os lados, sexo vende e como toda essa informação impacta e sequestra nossa sexualidade?

      E achei essa sua frase bem interessante: “ser abusado por uma mulher é praticamente o sonho sexual do homem médio.” porque isso é uma idéia que descede do machismo, do fato do homem ter que ser viril e sexualmente ativo 24h por dia. Infelizmente o abuso sexual sofrido por homens existe e não o negamos quando levantamos a questão do estupro de mulheres, o que chamamos atenção é para a prática cultural que envolve a violência contra a mulher. Atualmente, ainda não é prática cultural comum violentar sexualmente homens fora da cadeia. E quando digo prática cultural não estou dizendo que todos os homens são estupradores, estou apenas chamando atenção para os números dos crimes de estupros de mulheres.

      • as crianças tem contato cada vez mais cedo com sexo? concordo, mas isso não é culpa exclusivamente da internet. você mesmo disse, que o sexo está por todos os lados, pq é uma coisa que vende mas mesmo assim é um tabu e é ai que mora o problema, sendo um tabu ninguem conversa abertamente sobre isso ainda mais com filhos pequenos, mas de certa maneira a internet, ate serve como um substituto pra isso, afinal qualquer um agora tem acesso a wikipedia e google que podem levar tanto aos videos quanto a textos sobre o assunto.
        claro que a curiosidade deles são os videos, mas eventualmente eles vão ler a respeito e lendo a respeito eles podem formar suas proprias ideias/conceitos, que dependem ainda do próprio carater e da influencia externa que eles recebem.
        mas isso(influencia externa) mostra que a internet não é e nunca será a unica influencia de ninguem e portanto culpar a internet como unica e exclusiva vilã da proliferação da violencia sexual, como eu disse antes, é completo absurdo.

        quanto a minha frase do “homem médio” o que eu quis dizer é que sendo o homem a vitima quando ele quiser fazer a denuncia ou quiser desabafar com alguem tanto homens quanto mulheres não vão levar ele a serio e principalmente(mas não exclusivamente) os homens irão o ridicularizar, dizer que ele é uma bicha, que de certo ele não tava comendo ela direito, etc etc
        o que eu NÂO quis dizer com isso é que eu concordo com tal atitude, o que talvez tenha ficado parecendo, e ainda que essa seria uma atitude exclusivamente masculina, o que eu tb não acho que seja.

        agora sobre estupro feminino ser uma pratica cultural e o masculino não, me soa como um absurdo, primeiro pq da maneira como foi dita parece que você concorda com estupro, acho valido, positivo e sei la mais o que, pq faz parte da cultura então “tá tudo certo, tudo legal”.

        E se o fator cultural fosse o unico e exclusivo agente que promove o estupro, não existiria estupradores femininos, já que o fator cultural é, num primeiro momento, o fato da sociedade ser patriarcal, machista e dominada pelos homens.
        mas na verdade o perfil do estupro tem mais relação com poder. o poder/controle sobre a vitima, o fato da vitima parecer ou ser indefesa, etc. o que alias tem muitas semelhanças com o sadomasoquismo, mas não quer dizer que eles saem na rua estuprado todo mundo, ou quer? (alias s&m pode ser considerado como porno violento? ou maleficamente violento? eu acho que não.)
        essa generalização do fator cultural só serve pra promover o odio a todo e qualquer homem, e é o mesmo que dizer que todo branco é preconceituoso em relação a negros(ou qualquer outra “raça”).

        quanto aos numeros dos crimes de estupros de mulheres, é justamente por isso que mencionei os crimes sexuais contra homens, pq não há numeros em relação a isso, primeiro pq quase ninguem denuncia e segundo pq não há ninguem interessado (apesar que isso atualmente vem mudando) em realizar pesquisas/censos sobre o assunto, e menos ainda em discuti-lo.

        • Jack, quando falo de cultura não estou falando de uma coisa inata, que não pode ser modificada. cultura é uma construção social, são conceitos, estereótipos, senso comum que as pessoas repercutem. Culturalmente é aceito que a mulher seja inferior e isso não está mais nas leis, mas esta presente no dia-a-dia. É por isso que existem mais estupros de mulheres do que de homens. Porque culturalmente durante muito tempo o homem é visto como superior e dono da mulher. E é essa mesma cultura que não aceita que ridiculariza o homem que sofre violência sexual.

          Quanto a questão de números na violência sexual masculina com certeza os hospitais catalogam alguns números mesmo sem denúncias. Geralmente números de violência surgem primeiro em hospitais, sem denúncia. Porém, é interessante notar que o homem adulto sofre violência doméstica praticada por parente/conjuge em números muito menores. E acho que dificilmente um número imenso de homens aguentaria isso calados hoje em dia, então é fato, mesmo as mulheres não denunciando os números de mulheres violentadas são muito altos. As mulheres são vítimas em 84,3% dos casos de violência sexual e nem todos esses casos são denunciados, esses dados vem de atendimento hospitalar. E com certeza um homem que sofre violência sexual também precisará receber algum tipo de atendimento, por mais constrangedor que isso seja.

          Não negamos a violência que o homem sofre, porém, a violência contra a mulher já foi um costume e ainda carrega o ranço cultural. Esse é o principal diferencial, isso é incluir a questão do gênero nas relações sociais de violência.

          Para dados vale a pena ler esse artigo, que contempla dados de mulheres, homens e crianças. http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=163&sec=99

          E você falou muito bem ali em cima, os resultados do consumo de pornografia podem depender do caráter e da influência externa. O que temos mais hoje em dia são pais que não conversam com os adolescentes e não se preocupam com o que veem na internet, por isso ela se torna a maior facilitadora no contato com pornografia violenta.

          • sobre a questão do hospital, o estupro no caso do homem pode ser de duas formas:
            1- o homem pode ser estimulado a ter uma ereção, e ao contrario da mulher, a reação ao estimulo é involuntario;
            2- o homem pode ainda ser penetrado por strapons, fisting, etc.

            no primeiro caso, há n ser que o coito se dê repetidas vezes, pode não ser necessario nenhuma intervenção medica ou mesmo que seja, a vitima pode muito bem mentir a respeito

            no segundo caso, é mais provavel de existir a necessidade de atendimento medico, porem a vitima novamente pode mentir a respeito, dizendo ter sido estuprado por exemplo, por outro homem, o que na cabeça dele pode ser menos vergonhoso, não sei.

            sobre a questão de ser menos frequente que o feminino, não sei, novamente digo que não há numeros pra afirmar, os dados mais vastos se dizem respeito a estupro de menores, quando o agressor é a familia ou os professores(note novamente que professor, por exemplo, é uma posição de poder sobre o aluno/vitima)

            e a questão aqui não é discutir qual é o mais importante por ser o mais frequente e numeroso, e sim que ambos são importantes e precisam ser discutidos, e o mais importante de tudo: as vitimas, sejam homens ou mulheres, precisam poder recorrer a programas de ajuda, a policia, sem serem ridicularizadas ou apontadas como causas.

            • Jack, há numeros para afirmar, no link que passei há números sobre a violência sexual sofrida por homens e eles são muito menores em comparação ao das mulheres.

              E sim, concordo plenamente que um não é mais importante que o outro, mas a frequência e a quantidade de casos são importantes para criação de políticas públicas específicas.

              Volto a dizer, mesmo que o cara não diga que foi violado sexualmente, o médico vai anotar uma série de características do ferimento e é isso que os pesquisadores tem que ir atrás. Por exemplo, quando você pesquisa aborto no Brasil, você não vai atrás apenas do número de pessoas que declaradamente fez aborto, você vai atrás do número de curetagens realizadas naquele hospital, que é o procedimento padrão em caso de abortos espontâneos ou provocados. Porque o aborto é ilegal na maioria dos casos e é lógico que poucas pessoas vão dizer ao médico o que fizeram.

              Outro exemplo, como sabemos do alto número de estupros nas cadeias? Não é só por denúncias das pessoas violentadas, é também por anotações de médicos e outros profissionais que trabalham lá. Porque geralmente há um padrão para o registro de agressões e outros acontecimentos. Esses registros muitas vezes não tem como objetivo serem usados como denúncia, são registros diários das atividades comuns.

              • quer dizer então que com base em números de uma única cidade de um único país, de um único tipo de violência sexual (familiar) significa que eu posso afirmar sobre todo o estupro como um todo e sobre o mundo a fora?
                meu deus, isso é mais um exemplo de como generalizar é um absurdo.

                e pra ter uma ideia de como é confiavel a base de dados dos hospitais daqui(onde a maioria nem se quer usa um computador pra isso), recentemente eu precisei ser atendido num grande hospital aqui da minha cidade e ao emitir o comprovante de baixa do hospital, tem detalhes relativos a minha consulta pois bem, em primeiro lugar dizia q eu era do sexo feminino, o que, há n ser que eu possua uma anomalia genética identificável a olho nu, não é verdade; segundo que os exames que eu havia feito la assim como o diagnostico estavam misturados com o de uma pessoa que pelo que eu pude entender tinha cancer, enquanto que o meu problema na verdade era um principio de pneumonia e anemia. Preciso ainda falar da vontade do atendente em arrumar o problema?

                no caso do aborto, novamente está generalizado, se utilizar somente esse tipo de dados de hospitais não deve ser nem metade do numero real, está esquecendo de contabilizar por exemplo, clinicas clandestinas, clinicas particulares, ainda dados como por exemplo, o numero de vendas de um determinado remédio que pode causar aborto, entre ‘milhões’ de outros fatores que são contabilizados.

                da mesma maneira que na cadeia, não se utiliza só os dados do medico, mas ainda as fitas de cameras de segurança, relatos dos guardas e dos proprios presos, etc

                • Mas Jack, esses são os dados que as pessoas podem usar para fazer estatísticas. Com certeza não serão iguais em absolutamente todos os lugares, mas a partir deles você compara com outros números do país e até do mundo e obtem uma média se o número de casos é alto ou não.

                  É praticamente impossível se conseguir acesso a dados de clínicas clandestinas de aborto, porque elas são clandestinas, uai. Então, você usa o número de curetagens justamente para estabelecer uma ligação. Há diversos meios de descobrir e os números estão aí. A violência contra mulheres é absolutamente maior que contra os homens, no mundo inteiro.

                  • Sabe de uma boa maneira de descobrir muitas dessas clinicas (clandestinas ou não)?
                    Se informando com ‘qualquer’ grupo feminista. Eu conheço pelo menos 3 pessoas que fizeram aborto cujos locais foram indicados assim, inclusive o pessoal do grupo ainda se oferece pra acompanhar, suporte psicológico e mais um monte de coisa.
                    Não to dizendo se isso é bom ou ruim, só estou dizendo.

                    E ainda to esperando você dizer aonde quer chegar com essa conclusão, baseada numa magnifica amostragem de dados incrivelmente amplos, de que um tipo de estupro é maior que o outro.

                    • Estou explicando a você como se conseguem dados, já que mesmo que você saiba onde há uma clínica clandestina dificilmente eles vão lhe fornecer quaisquer dados que sejam.
                      E não sei onde você quer chegar duvindando que os números da violência contra homens são baixos.

  19. Eu vi o filme Acusados, e muito mais tarde, vim a lembrar dele, quando estuve na situação de vítima.
    Quando a assistente social do hospital onde fui procurar ajuda com medo de ter contraído algo, me perguntou se eu não ia denunciar, lembrei do filme, porque a advogada diz a vítima “eles vão perguntar se você estava usando calcinha, que roupa vestia, se flertou com alguém. Não é justo, mas vão tentar faze-la parecer culpada.” A época me pareceu absurdo, mas quando foi minha vez, eu lembrei e disse “não”. Não queria ser humilhada.
    Além disso, acho mesmo q foi minha culpa.
    Estou dizendo isso não pra ser julgada, por favor. Quero falar pq eu vejo as pessoas olharem estupefatas quando digo isso. E eu posso estar errada, mas quero q as pessoas entendam pq eu sinto isso.
    Eu estava muito chateada por um cara q eu gostava e não correspondia e saí pra espairecer. Um cara me beijou e eu fiquei com ele. Eu dei liberdades, mas me senti mal com isso e quis me afastar. Nisso um segurança nos expulsou da boate por achar q estavamos fazendo outra coisa q não estavamos.
    Eu estava transtornada, chorei muito. Pra ajudar, meus documentos, dinheiro, celular, estavam com um amigo dentro da boate. Então o sujeito disse “venha pra minha casa, você pode usar meu telefone”. Prometeu que não tocaria em mim. Eu caí.
    Eu não gritei, não espernei, não tentei me defender. Eu pedi que não fizesse, que não queria, mas não reagi. Quando acabou eu disse que não queria, ele disse “pode se vestir e ir pra casa então”. Ele não tinha telefone, e eu não tinha como voltar pra casa. Fiquei na mão dele. Fingi q estava feliz, até ele me pagar a passagem de ônibus.
    Então aqui explico pq acredito q a culpa foi minha. Eu fiquei com o cara. Eu fui pra casa dele, mesmo sabendo q não devia confiar em um desconhecido. Eu não gritei, não me debati – (tava meio tonta). Depois, sob medo de ficar sozinha numa vizinhança desconhecida, entrei na onda. Mas não foi consensual, fato.
    Também acho que, apesar do meu óbvio desespero ao chorar, acho q ele pensou q eu estava fazendo joguinhos, fazendo de conta que não queria, como algumas mulheres fazem. Mas eu não estava.
    Eu não contaria jamais essa história numa delegacia. Pra ouvir oq? Que eu de fato estava fazendo joguinho?
    Espero estar errada. Talvez eu seja tão vitima desse sistema PODRE que rebaixa a mulher, que tenha passado a assumir a carapuça que me vestem. Mas sempre q toco no assunto, me pergunto: se eu não sou vítima, por que lembrar disso me faz tão mal?
    Nem sei porque expus tanto aqui, mas o texto tocou numa ferida.
    Realmente muito bom texto.

    • Eles iam querer saber do fatos: você ficou com um cara desconhecido, “deu liberdades” a ponto de um segurança confundir com sexo, saíram de lá juntos, foram pra casa dele com seu consentimento, tiveram relações sexuais, foi embora aparentemente feliz. Se você ao invés de “espairecer” numa boate, se você não beijasse e permitisse intimidades com desconhecidos, se você não tivesse aceitado ir pra casa de um cara que você não conhecia até pouquíssimo tempo atrás, teria acontecido isso tudo? Se você estava mal, porque ao invés de sair pra uma boate, você não leu um livro, viu um filme, foi a casa de uma amiga pra conversar ou quem sabe conversar com sua mãe ou avó mesmo, ou qualquer outra outra coisa e encarar de frente a situação? Por que preferimos sempre fugir dos problemas?

      Agora eu pergunto, o que aconteceu na visão daquele cara? Foi a uma boate e encontrou uma mulher que ele achou interessante. Eles se beijaram e ela permitiu certas intimidades. São forçados a deixar a boate por isso e ele a convida pra ir até a casa dele com o pretexto de usar o telefone. Chegando lá, ele demonstra intenções sexuais (o quão errado ele estaria até aí? uma total desconhecida permitiu beijos e outras coisas mais!). Ele parte pra cima. Ela diz que não quer mas não o impede.

      -Alguém aqui já foi a namorada que não estava afim de sexo com o namorado, pelo motivo que seja, algum dia. E duvido que seria permitido o namorado simplesmente tirar calças/saia e roupas íntimas sem nenhum impedimento da namorada, físico e verbal, e ainda assim a pessoa teria que rasgar a roupa e forçar.-

      Apesar da objeção verbal, ele insiste pra ver se consegue e ela não esboça nenhum ato pra impedir. Ele acha que ela realmente estava se fazendo de difícil e pronto. Esse pensamento se reforça ao fato de ela demonstrar felicidade depois.

      Ele disse que não tocaria nela. Não cumpriu e está errado. Mas todo mundo tem os mesmos valores morais nessa sociedade que permite tantos absurdos? Esse é o perigo de se relacionar com uma pessoa que nunca havia visto na vida, esse é o perigo de beijar uma pessoa que nunca havia visto na vida e esse é o perigo de permitir intimidades com uma pessoa que nunca havia visto na vida.

      Se uma mulher fala ‘não’ pra mim, eu simplesmente respeito, nunca tentando algo físico caso ela não queira. Ela tem a liberdade de querer ou não, se não quiser eu respeito e considero um absurdo quem não faz o mesmo.

      Mas sejamos sinceros, você foi MUITO imprudente e se sujeitou a isso (aí entra o fato de ter realmente que averiguar os fatos). Você se arrependeu depois e ele agiu de má fé realmente. O que eu quero dizer é que as pessoas atualmente tem uma inversão de valores tão grande que só pensam em sexo, em se divertir tendo atitudes promíscuas, e as consequências disso a gente vê todo dia. As pessoas merecem essas coisas? Claro que não! Só que elas só começam a perceber que elas acabam contribuindo pra isso, depois de conhecer na pele a podridão da sociedade, não só nesse tipo de caso. E o pior é que a grande maioria simplesmente não vai perceber a realidade durante a vida. Viverão no piloto automático até morrer.

  20. Na questão da pornografia, obviamente estou falando do grande referencial à violência contra a mulher que encontramos na mesma. É notório a quantidade de material que fantasia sobre estupro, materiais agressivos pornográficos que temos na internet, por exemplo. Acho que vale a pena a discussão: Pq isso? Pq tão comum essa referência? Pq esse tipo de pornografia adota como “enredo” para as fantasias, etc, a violência contra a mulher? E pq esse enredo é tão consumido?

    Os indices de agressões contra mulheres são muito altos no Brasil e em diversos outros países, seja violencia psicologica, fisica, patrimonial, estupros, etc. No caso da violência doméstica os agressores são normalmente os maridos, os pais.Isso é um dado muito preocupante. E somando nisso ainda temos toda uma concepção, um senso comum muito divulgado de que:

    - Mulher gosta de apanhar
    - O homem pode não saber pq esta batendo, mas a mulher sabe pq apanha
    - Em briga de marido e mulher, não devemos nos meter

    E por ai vai..

    Além disso temos sim crianças, adolescentes cada vez mais cedo entrando em contato com essematerial pornografico que “celebra” essa violência.

    No grupo onde eu trabalho temos uma menina que engravidou com 12 anos, e ela sofreu abusos anteriores pq o namorado queria fazer com ela coisas que ele via em videos, são adolescentes.. Casos como este, temos uma fila enorme com namorados, amigos, pais. É uma realidade que muitas vezes desconhecemos.

    E devemos questionar isso.

    • A questão central nem é culpar a pornografia, culpar a internet, nem é achar culpados. Mas pensar: Na construção do ser homem que temos, no do ser mulher, na nossa cultura, e nesses meios que divulgam, celebram e podem vir a incentivar a violência contra a mulher. Pq isso acontece?

  21. Pingback: Violência Sexual.

  22. sentimos quanto é desafiante continuar lutando por um mundo melhor que sabemos que é possivel, quando nos deparamos com o caso da pastora que foi estuprada e mais uma vez o criminoso ficou impune sabemos que não podemos parar e deixar de denunciar…a violencia contra mulher dói no mundo A internet faz estarmos mais proximas e podemos ampliar nossas denuncias e podemos criar meios e ampliar nossas lutas…Somos maltradadas e assassinadas 24 hs no Brasil.aqui no Ceará e na America Latina…e no planeta terra…um dia seremos livres…temos que entrar nas eleiçoes nas localidades por mais mulheres no poder…temos que assim conquistar nossos espaços por igualdade…isso ja é visivel estamos conquistando e queremos mais…assim seremos todas livres acredito na nossa inteligencia…bjs do Brasil .

  23. “A maioria mostra a mulher no papel de dominada, submissa, enquanto o homem comanda, domina, é autoridade”

    Submissa onde? Quando a atriz aceita fazer o papel dela a é bem paga por isso e ainda sai feliz?

    “O problema não está em gozar na cara, em ficar de quatro, mas sim no que estas coisas representam, hoje em dia, para a sociedade: você não concorda que para muitos homens, é humilhante a idéia de eles ficarem de quatro?”

    Se for em cima da companheira, não. :P
    “O que representa?” Meu Deus, quanta dramatização. Sexo é só sexo e o ideal seria que só acontecesse entre pessoas que se sentem bem juntas, que se respeitam e que se amam. Você acha que alguém fica pensando “há! eu domino essa mulher, sou foda!” por causa de uma prática sexual? Ninguém tem direito de opinar sobre como deve ou não ser o sexo consentido. Se os dois se respeitam, tomam a decisões juntos, fazem a posição sexual ou qualquer coisa que seja se ambos quiserem! E quando uma mulher PEDE essas coisas citadas porque ela quer ou gosta, como fica? É desrespeitoso também?

    “Sabia que há mulheres que chegam em delegacias para denunciar um estupro e ouvem: “Duvido que ele tenha estuprado você, ninguém estupra mulher feia!”? Há policiais que dizem isso.”

    Na onde isso? E porque não abriu um processo contra eles? Ainda mais hoje em dia, que se fala tanto em danos morais…

    “Questões circunstanciais não podem servir para amenizar a pena ou culpa do agressor. De forma alguma um homem será menos culpado por causa da vestimenta da vitima, do horário em que ela andava na rua. Uma mulher pode estar nua andando na frente de um homem, a noite numa rua, isso não dá a ele o direito de violentá-la.”

    É um absurdo e injustificável qualquer tipo de violência. Mas devemos ignorar toda a situação? Vou contar um segredo pra vocês: existe gente anormal, sem escrúpulos, de má fé, mal intencionados, com problemas nas faculdades mentais. Não se assustem, mas é verdade. Agora vamos tomar como exemplo essa pessoa de caráter duvidoso. Ela já é insana normalmente, imagina com “incentivo”? Esse exemplo da mulher andar nua a noite, ela sabe o que pode acontecer com ela e que tem mais chances ainda de acontecer com ela estando assim (se for uma pessoa que tem pleno entendimento do que está fazendo, claro) e ao ignorar isso, ela está se sujeitando sim a isso. As roupas que as mulheres hoje em dia usam, cada dia que passa dá um passo a frente pra não existir nada e se encaixar no caso da mulher nua pela rua.
    Infelizmente, não vivemos nessa sociedade utópica (que, se continuar desse jeito, levará dezenas de milhares de anos pra deixar de ser – ou nem isso) onde as pessoas são respeitosas e são altruístas, sempre colocando o bem do próximo em primeiro lugar. Já que não é assim, existe algo que se chama prudência. A prudência de não sair sem roupa pela rua, de se vestir de maneira adequada, de ter um comportamento decente que não leve à sexualização fora de sua intimidade. Como dizer que as mulheres são as (únicas) vítimas das imposições da mídia se elas (a grande maioria) usam blusas/vestidos com pouco tecido e micro-shorts que são um pouco maiores que as roupas íntimas? É verdade que mesmo se todas as mulheres se vestissem decentemente e tivessem comportamento adequado, aconteceriam casos (afinal, até mulheres vestindo e se comportando adequadamente elas sofrem esse tipo de violência). Mas muito provavelmente diminuiriam e não haveria possibilidade de questionar essas coisas.

    Pergunto mais uma coisa, só existem mulheres santas? Só perfeitas e não manipuladoras? Não. Existem muitas que querem se favorecer onde puderem, e isso é um mal do ser humano, não de um sexo específico. E existe sim mulher que tem relação com consentimento e depois retira esse consentimento por qualquer motivo egoísta que seja pra tentar atacar o que seria a verdadeira vítima no caso.

    Agir contra a vontade de alguém é absurdamente errado, sou totalmente contra. O estupro é um crime terrível e não é justificável. Mas não se pode culpar todo o gênero masculino por algo praticado por uma pessoa anormal e não pode-se esquecer que as mulheres devem agir decentemente para que não possa ser dito que ela “estava pedindo pra isso”, como acaba ocorrendo. A última coisa que não pode ser esquecida é que há também mulheres que usam de má fé e se dizem vítimas depois de ter tido sexo consensual.

    • então… em alguns pontos até entendi possa até concordar. mas o texto em si não tem pé nem cabeça. começa um argumento sem premissas e termina sem conclusões. não sei ao certo o que está defendendo aqui.

      • Releia o último parágrafo. E poderia ter dito no que concorda ou não e por quê.