Blogueiras feministas contra a homofobia

Texto de Bia Cardoso.

O que é Homofobia?

Homofobia é a aversão, o ódio ou a discriminação contra homossexuais e, consequentemente, contra a homossexualidade. Significa não aceitar ou não respeitar pessoas apenas por sua orientação sexual. É a palavra que dá nome ao preconceito sofrido por gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. A palavra homofobia também representa a não aceitação da cultura LGBTTT, a aversão a comportamentos, aparências e estilos de vida. A homofobia funciona muitas vezes da mesma maneira que o machismo e pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação.

Atualmente, a homofobia tem aparecido nas falas cotidianas, na mídia e sua discussão está tomando uma dimensão maior. Porém, a religiosidade, o conservadorismo e o preconceito trabalham para mascarar a gravidade da homofobia. Há situações e mecanismos sociais relacionados a violência e discriminação que compõe o caldeirão cultural da homofobia. Porém, o que a torna mais grave é a violência que existe em decorrência do ódio e as restrições aos direitos de cidadania. A homofobia pode impedir pessoas de estudarem e trabalharem. Também pode cercear seus direitos à saúde, segurança e aos direitos humanos, apenas porque uma pessoa gosta de outra pessoa do mesmo sexo. É por isso que homofobia deve ser crime.

A Reação e o Preconceito

Vivemos num mundo heterocentrando. Todos os valores e fundamentos difundidos em nossa sociedade ajudam a reforçar a sacralidade do casal heterossexual. Qualquer coisa que fuja disso não é vista como normal ou comum. Não existem vidas sexuais plurais, há somente a vida dentro da heterossexualidade.

Toda vez que uma determinada minoria social começa a se organizar, ganhar voz, exigir direitos e combater preconceitos há a reação conservadora. Há a reação de quem quer ver gays apenas em seus guetos. Confinados em mundos subterrâneos e notívagos paralelos. De quem afirma que o cara pode até ser gay, mas não pode ser afeminado. É nessa hora que surgem na boca das pessoas palavras extremamente cruéis como: heterofobia, ditadura gay, privilégios. Queremos respeito aos homossexuais por serem quem são. Queremos que ofensas e violências sejam punidas. E as pessoas vem dizer que queremos privilégios sociais. Veja bem, querer respeito significa ser privilegiado? Numa sociedade em que qualquer criança ouve desde pequeno que menino não pode ser bicha, que menina não pode fazer coisas de menino, querer o fim do preconceito significa privilégio?

Não existem piadas nem zombarias sobre a heterossexualidade. Um hétero não precisa temer perder o emprego por ser hétero, ou ter medo de ser espancado por andar de mãos dadas com alguém na rua. Não existem olhares, risinhos ou comentários sussurados para a heterossexualidade, não existem igrejas pregando contra e nem grupos específicos que matam apenas heterossexuais. Porém, chega uma hora em que é preciso reagir. É preciso esfregar na cara das pessoas o preconceito diário. O gueto torna-se pequeno demais. E a cada passo e direitos conquistados a intolerância vem em avalanche. É um Bolsonaro aqui, um Rica Perrone acolá, mostrando que o caminho é longo e a sociedade ainda não percebeu seu papel fundamental na consrução dos direitos humanos.

Apesar de você, estamos reagindo. Quando um jogador de vôlei é violentamente xingado num jogo, inclusive por crianças numa turba enfurecida, a mídia começa a estampar a homofobia. E o grupo que apoia Michael reage fazendo uma das coisas mais belas que poderiam ser feitas, pinta a reação com as cores do arco-íris e levanta bem alto a bandeira pelo fim do preconceito. Então, acertadamente, a Maria Frô pergunta: Entre o Brasil de Bolsonaro e o Brasil do Vôlei Futuro, de que lado você quer estar? Porque agora estamos reagindo também, não tem mais volta.

Foto de Tom Giebel no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Crimes de Ódio e o PL 122

Na sexta-feira (15/04) a travesti, Daniel de Oliveira, foi morto a facadas em Campina Grande. Neste mês, Adriele Camacho 16 anos, foi morta pelo pai da namorada. Um homossexual é morto no Brasil a cada 36 horas. Os crimes de ódio contra homossexuais e transexuais no Brasil se acumulam a cada dia nos noticiários. Por isso o PL 122, que prevê sanções às práticas discriminatórias em razão da orientação sexual das pessoas, torna-se fundamental no combate a violência.

O Felipe Shimaka fez um post bem bacana sobre o PL 122, resgatando seus caminhos:

Se a proposta virar lei, qualquer ato discriminatório de origem homofóbica será passível de condenação penal no Brasil. Na prática, a medida apenas complementa a chamada Lei das Discriminações, que além de já proibir e criminalizar manifestações de discriminação por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, acrescenta: gênero, sexo, por orientação sexual, por identidade de gênero.

A então relatora da Comissão de Direitos Humanos, senadora Fátima Cleide (PT/RO), apresentou voto favorável à aprovação do projeto e discorda daqueles que vêem na proposta uma ameaça aos direitos de liberdade de expressão e de liberdade religiosa. Segundo ela, “não há inconstitucionalidade na proposta, do ponto de vista formal. Esse argumento é uma estratégia dos movimentos religiosos, no Senado, que querem que o projeto sofra modificações para voltar à Câmara e ser derrotado”. Referência: Da janela vemos o óbvio, mas será que queremos ver?

A verdade sobre o programa Escola Sem Homofobia

Apelidado de “kit-gay” é vendido pelos homofóbicos como um kit que vai incentivar nossos filhos a virarem gays. A afirmação é tão absurda que para retrucá-la basta afirmar que nossa sociedade inteira incentiva as pessoas a serem héteros, mas nem por isso gays, lésbicas e bissexuais mudam suas orietações sexuais. Na verdade, o projeto Escola Sem Homofobia organizado pelo MEC em parceria com instituições LGBTTT prevê a formulação e utilização de material didático, além da capacitação de professores, para abordar o tema em sala de aula. É essencial ler, viralizar e disseminar o ótimo artigo de Karla Joyce no Eleições Hoje e assistir os vídeos do projeto para se informar melhor:

Por isto da importância do kit! É uma iniciativa que vem para discutir a questão da diversidade sexual no ambiente escolar. É mostrar para nossos jovens que é normal ser diferente. Você pode questionar: mas tem tanta coisa que a escola pública precisa (como carteiras, livros, equipamentos, etc) e por que vão se preocupar logo com isso? A minha resposta a você que faz este questionamento é que essa ação é válida sim, pois pretende a construção de uma boa educação pública que forme cidadãos capazes de lidar com as diversidades e o resgate muitas alunas e alunos que são expulsos da escola devido ao preconceito. Ou vai me dizer que o combate ao bullying também é desnecessário?

O termo “kit gay” foi criado para confundir as pessoas, tanto leigos quanto conhecedores do assunto, que já são carentes de informações a respeito disso. Nos comentários que vi, a primeira impressão que o termo passa às pessoas é que ele está ensinando as crianças e/ou adolescentes a virarem gays, uma apologia ao “homossexualismo” ou à promiscuidade. Todas as informações que postei aqui vem para mostrar que nada disso é verdadeiro. O kit pretende fazer uma abordagem responsável do que vem a ser a realidade do jovem LGBT, que são seres humanos e merecem respeito para viverem da forma que realmente são. Referência: Digo NÃO ao “Kit Gay”!.

Blogueiras Feministas Contra A Homofobia

Nosso coletivo é contra qualquer tipo de preconceito e nos preocupamos com a morosidade com que a sociedade brasileira e o Estado vem tratando os direitos dos homossexuais e transexuais. Para isso, lançamos a campanha “Blogueiras Feministas Contra A Homofobia”. Por um mundo mais justo e igualitário. Por um mundo em que possamos reescrever a música do Tim Maia e cantarmos que “também vale dançar homem com homem e mulher com mulher”. Pegue seu selo aí embaixo e espalhe a mensagem. (O crédito dos selos é da Claudia Gavenas).

Autor: Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

33 pensamentos em “Blogueiras feministas contra a homofobia”

  1. Bárbaro o texto…. é com educação e respeito que chegaremos numa sociedade justa e plural…

    parabéns!

  2. Ontem eu assisti ao filme que a Lola indicou: For the bible tells me so.
    E, olha, doeu. Daquele tipo de choro doído, sabe? Só de perceber como tudo é distorcido, o absurdo que é a maioria da sociedade viver em função de um livro escrito por homens há tanto tempo, seguindo um Deus que nada mais é do que o medo mascarado que eles sentem de tudo que foge do padrã, cheio de culpa e punição. Medo de sair da zona de conforto.
    E então defendem Deus, família, pátria com mensagens de ódio, não faz sentido.
    Se querem acreditar na bíblia, se querem ser bons cristãos, então sigam o preceito maior: amem uns aos outros.
    Ao mesmo tempo, a mensagem do doc também é de esperança, os comentários contra a homofobia da igreja vem de dentro da igreja, o que eu vejo como a mudança mais eficaz, porque aí é de dentro pra fora. E tem famílias militantes mostrando que o mais importante é a aceitação. Me desanima muito ver toda essa ignorância, apesar de eu, até certo ponto, ser uma pessoa sortuda, pois sou bissexual, tenho aceitação dos amigos, colegas de trabalho, família e não preciso viver uma mentira, pelo contrário, posso viver feliz do lado da pessoa que mais amo: minha namorada, apesar de viver numa região conservadora que é o sul do Brasil. Mas sabe, não é só por eu ter esse “privilégio” que aí tá tudo bem e melhor seguir minha vida, porque é uma luta muito importante e eu não vou sossegar e vou continuar fazendo o que posso, dando minha voz pra quem não pode gritar…

    1. Kori, acho que nos casos de religiões e pastores específicos que vociferam contra homossexuais, a questão é que igreja e religião tornam-se algo maior que a espiritualidade. E infelizmente é assim que eles arrebanham fiéis, dizendo o que é certo e errado, ao invés de propor a reflexão.
      E você falou muito bem, não é por ser privilegiada que vou fechar os olhos para a realidade de quem não é.

  3. Maravilhoso o trabalho, eu vocês, nós, com união, amor ao próximo, vamos lutar pelo amor, a nossa luta não é pela agressividade mas sim pelo amor, preconceitos, torturas, crimes de ódio, vão ser coisas do passado, uma sociedade se contrói com amor e respeito ao próximo. Vamos nesta aliança formar um País melhor..

  4. Parabéns, texto didático, simples, objetivo, focado, sem demagogia ou apologia. Precisamos de posicionamentos assim.

  5. Amei o texto e fiquei feliz por vocês terem citado meu texto a respeito do kit anti-homfobia (sim, sou eu mesma a autora do texto).

    Peço para que reproduzam todas as informações a respeito dos LGBT’s, do PLC 122 e do kit para que o preconceito dos fundamentalistas religiosos e extremistas não colem na população. É isso que eles querem. Depois que o preconceito cola, fica mais difícil livrar. Os opositores estão temerosos pois seu mundinho cheio de regras está ruindo.

    Recomendo também que divulguem o site do PLC 122/2006: http://www.plc122.com.br
    No momento ele se encontra em manutenção, mas em breve voltará
    🙂

  6. Muito legal,vou botar o selo no blog.Só acho que falta por parte de nós feministas passarmos a falar o óbvio:A homofobia não anda lado a lado com o machismo,ela É o machismo.Essa estória de que gay é discriminado por ter relações “não naturais” é balela.É a desculpa dos religiosos pra não dizerem por que de fato odeiam a homossexualidade.Os gays são discriminados por que as pessoas acham que o homossexual ao fazer sexo com outro (leia-se ser penetrado pelo todo-poderoso pau) se rebaixa a condição de mulher.É por isso também que as lésbicas são invisibilizadas.Se não tem pênis,não tem sexo.
    O ódio ao homossexual é o ódio ao feminino.
    No meu blog tem um texto falando sobre bullying e patriarcado,chama-se “Bullying e a sociedade falocentrica”

    1. Raiza, com certeza falta falar de mais questões. Meu objetivo nesse primeiro momento foi apenas explicar de forma simples o que é homofobia. A ideía agora é que tenha pelo menos um texto por mês sobre o assunto. Aí devemos tratar dessas questões. Também estamos querendo mais feministas lésbicas e bissexuais escrevendo sobre o assunto.

  7. O seu texto está muito bom. Lá no meu blog, os dois últimos posts refletem essa questão. Quando puder, dá uma passadinha por lá. Ainda não estou muito solta para postar os meus próprios textos, embora o faça de vez em quando, ou ao menos quando vou apresentar um post reproduzido de outro blog, sempre com os devidos créditos. De qualquer forma, o blog está ficando a minha cara, reflete o que penso e as causas que defendo, entre tantas, a da não violência contra as mulheres e os homossexuais e a da abertura dos arquivos da ditadura. Um grande abraço e parabéns por este blog.

  8. Me sinto uma blogueira mas ainda aqui no país principalmente NO ESTADO onde vivo.
    Assasinados de travesti e comum sem nenhuma resposta da sociedade trabalho somente com fontes já publicada devido a pressão com rravestis aqui no meu estado PR COMO TODOS VCS SABEM PONTO FINAL …….

  9. Ação democrática legitima (a de afirmar que os homossexuais são perseguidos) de pessoas de grande habilidade de Mídia; a qual cito no Blog que vou sugerir no seguimento para conhecimento e avaliação.
    Quando digo grande habilidade no saber como tratar Notícias e Informações; isto decorre do fato da maneira ruidosa e coerente como conseguem transformar um fato (lamentável é claro) em um factóide (fato maximizado, ampliado acima da sua real razão de ser) de grande repercussão, como é feito diversas vezes que ocorre algum tipo de agressão a homossexuais; cujos números estão muito aquém das agressões contra a mulher e as mútuas entre torcedores, pelo fato fútil de serem torcedores de Times diferentes… Comento isto aqui como elogio à forma inteligente como os homossexuais trabalham os Meios de Comunicação, reproduzindo aqui e ali elementos de Merchandising para aprovar o PLC 122.
    É estranho e difícil para eu entender como os homossexuais e a Mídia que têm dentro da sua comunidade ─ hoje e no decorrer da história ─ pessoas inteligentes semelhantes aos filósofos gregos homossexuais: o grande retórico Lísias e o inteligentíssimo Aristófanes, autor do Mito do Andrógino, ver, obra O Banquete da Platão ─; também artistas, intelectuais, pessoas de várias formações acadêmicas e principalmente as da área das Letras; não atentem para o que chamo de estupidez lingüística, que é o chavão acusativo HOMOFÓBICO (de homo-fobia), sabendo-se que homo (latim, homem), homo (grego; igual, semelhante; que é usado em homofobia) e fobia (grego, φόβος ─ medo com decorrente ação retro-ativa de fugir). Do que se conclui que: ao chamarmos alguém de homofóbico estaremos dizendo exatamente ser aquele que tem o sentimento de medo (fobia) a vítima desse (o criminoso no exato entendimento do termo) que lhe infunde medo.
    Não tenho nada absolutamente nada contra os reais direitos dos homossexuais; entretanto tenho tudo contra O PLC 122 OU A DITA LEI HOMOFÓBICA (este é o título do meu Blog), cujo endereço é http://www.verdaderespeitoejustica.blogspot.com , no qual, demonstro ser esta lei, não aquilo que defende os direitos dos homossexuais e sim, um odioso instrumento de Censura; como também está de maneira sintética (sinopse) em outro Blog meu, endereço  http://www.sinteserespeitoejustica.blogspot.com .
    P.S.: Apenas para reforçar como lembrete e gerar interesse ou curiosidade com relação ao Blog citado. CLAUSTRO + FOBIA, FOTO + FOBIA e algumas outras fobias têm plena assertiva nas suas construções, pelo fato óbvio de que quem está enclausurado ou diante de uma forte luz, desesperadamente busca fugir. O que aconteceu com as pessoas que têm conhecimento lingüístico, as quais, ainda não viram este erro absurdo do uso de fobia (grego, φόβος)? E o bom senso, o que foi feito dele (no não haver cuidado com o que se escreve e veicula), quando se mantêm o absurdo chavão chamado HOMOFOBIA, que é exatamente contra aquilo que se quer defender?.. Obrigado e parabéns pela dignidade democrática de respeitar opiniões.
    Atenciosamente JORGE VIDAL

    1. Uma dica: ajudaria muito se você organizasse o seu texto em parágrafos, estando dentro de cada parágrafo um argumento ou assunto diferente. No seu commentário são citados um monte de dados que nada acrescentam ao que pretende dizer, produzindo uma imensa incoerência textual e dando a impressão de que quer ostentar uma erudição que não possui.

      Ademais, chamar os gregos de homossexuais soa no mínimo ingênuo, considerando-se que na pólis grassava uma cultura onde a idéia de gênero (sexual) é inexistente.

      1. Com um pouco mais de tempo dei uma lida no seu blog. O senhor se coloca contra a PLC 122 e se dá ao trabalho de escrever cartas as autoridades de um país laico, baseando-se numa leitura teológica do ser humano? Desde quando a religião pode dizer ao Estado sobre quais princípios ele deve se guiar?
        Algo ainda mais triste é vê-lo por meio de um discurso pastoral – pretensamente isento de discriminação – ressaltar os mesmos preconceitos sebosos de sempre: homossexualismo é algo não-natural (ou particular, atendo-me ao seu eufemismo), não estando, pois, colocado nos divinos “Princípios Universais”.
        “Homoafetividade”? Que porcaria é essa? Acaso existirá também um heteroamor? lesbigozo? Ah, por favor, esconda melhor seu racismo ou acabe com ele.

  10. Achei muito bom o post, parabéns. Comecei a frequentar o blog recentemente e estou gostando muito. Só gostaria de corrigir uma coisa, a homofobia não engloba todos os aspectos de discriminação contra pessoas transexuais e travestis, o termo/conceito mais apropriado seria transfobia. Existe uma preocupação quanto a isso devido também a falta de visibilidade que o termo homofobia promove em relação a transexualidade e travestilidade.

    1. Hailey, obrigada pela dica sobre o termo “transfobia”. Há também o termo “lesbofobia”. utilizei para escrever o texto o Manual de Comunicação LGBT, disponibilizado pela Associação da Parada Gay de SP, nesse manual ele explica que homofobia é um conceito guarda-chuva que abarca vários outros, daí preferi usar só homofobia já que ele também é a palavra mais conhecida.
      http://www.paradasp.org.br/linhadireta.php

  11. Parabéns pelo post, matéria completa, clara e necessária…´
    Homofobia (errado ou não), não tira o mérito da causa, não diminui nem restringe um assunto tão complexo, todos sabemos o que significa, sabemos o que defende, eu apoio qualquer movimento contra qualquer preconceito.
    É muito bom saber que hj em dia, nós que defendemos as causas justas somos a maioria…

    Adorei o blog…

  12. Sou contra a homofobia e só me incomoda o ponto do post que fala sobre ‘pode ser gay, mas não pode ser afeminado’. A questão aí, que muitos grupos de minorias buscando direitos esquecem (como os negros que andam com camisetas 100% Negro mas se revoltariam com alguém usando uma camiseta 100% Branco), é que o seu direito termina quando começa o direito do próximo. Todos devem respeitar valore alheios, sim. Mas da mesma forma que um cosplayer não pode sair vestido de Batman pela rua e da mesma forma que um heterossexual não pode sair pelado pela rua, um homossexual não pode agir de forma expansiva e afetada quando em espaços públicos. Se um heterossexual começa a gritar no meio das pessoas ele está errado, pq um homossexual poderia fazer isso?
    Afetação e exageros são ruins em qualquer espécie. O ‘hetero afetado’ (o rapaz que só faz ‘coisa de homem’, cospe no chão, coça o saco, passa cantadas grosseiras em cada mulher que passa, trai a esposa, etc) é um problema social tão grave quanto um gay afetado. O que definitivamente não quer dizer que um gay afetado, que pode (da mesma forma que o hetero afetado) ser um incômodo para todos ao redor seja uma coisa aceitável.

    1. Thiago, usar uma camiseta 100% negro é a afirmação de uma identidade dentro de um universo em que o negro é excluído. Ela não é usada com o intuito de demonstrar superioridade, mas sim a ressignificação da identidade e da subjetividade negra dentro de uma cultura que a marginaliza. Usar uma camiseta 100% branco representa a afirmação de grupos ligados a supremacia branca, porque o mundo é um lugar privilegiado para brancos, usar uma camiseta só reafirma o quanto a pessoa é privilegiada numa sociedade injusta.

      O gay afeminado sofre muito mais preconceito porque possui características relacionadas ao gênero feminino. E pela mulher ser considerada inferior ao homem, a última coisa que um homem pode fazer é ter trejeitos femininos. Afetação não está relacionada a exageros. O cosplayer pode sair na rua vestido de Batman, qual o problema? A questão é você pensar por que o gay afeminado incomoda, o que ele te ameaça? O machão desrespeita mulheres, suja a rua com suas cuspidas, mas o que o gay afetado causa? Falar alto não é o problema, muita gente fala alto sem ser afetado ou não. Gesticular? Prendam todos os italianos. A questão Thiago, é que o gay afeminado incomoda por representar a quebra total de gênero, por ser algo completamente fora do padrão e justamente por aflorar nossa homofobia.

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