Cinco mitos sobre o Feminismo

Texto de Thayz Athayde.

Ouvimos tantas coisas sobre o que é Feminismo, não é mesmo? Que tal desvendar certos mitos? Será que tudo que você ouve ou lê é verdade?

1. Feminista odeia homem.

Sim, é o único motivo da existência do Feminismo, queimar os homens na fogueira. Inclusive é por isso que as feministas casam, para queimar os homens no fogão. Aliás, é o único momento em que vamos na cozinha. Esse mito é tão absurdo que só merece uma ironia, né? Deixo vocês com Simone Beauvoir (que é muito mais fina que eu):

“… Assim como cabe ao pobre tomar o poder do rico, também  cabe às mulheres tirar o poder dos homens. Significa estabelecer igualdade. Assim como o socialismo, o verdadeiro socialismo, estabelece igualdade econômica entre todos os povos, o movimento feminista aprendeu que ele teria  que estabelecer igualdade entre os sexos tirando o poder de classe que liderava o movimento, isto é, dos homens.”

2. Toda feminista é lésbica.

O que acontece é que dentro do movimento feminista existem homossexuais e heterossexuais, não é necessário ser lésbica para ser feminista, é necessário apenas querer a igualdade entre os sexos e a liberdade de escolha. Chocante, né? E qual o problema de ser lésbica? Desde quando isso é defeito ou doença? Não vou refutar esse tipo de “acusação”, para mim não há problema nenhum ser confundida com pessoas que se amam e, que pelo simples fato de amar pessoas do mesmo sexo são taxadas de tudo que é ruim.

3. Antes do feminismo as mulheres eram mais felizes.

Bem, não vou discutir aqui o que é felicidade, mas, acredito que ser feliz passa pela questão da liberdade, de ter a chance de escolher e efetivar essas escolhas. Felicidade é querer estudar, ter uma profissão e não poder realizar isso pelo simples fato de ser mulher? Ser feliz é querer namorar, sair, morar sozinhar e não poder fazer isso porque seu pai ou irmão mais velho não deixam? Triste é ter a liberdade de lutar dentro de movimentos? É ruim ter o direito de votar e entrar na história do seu país, conquistar sua liberdade sexual? O feminismo luta para que a mulher esteja exatamente no lugar que ela deseja estar. Se isso não é felicidade, não sei o que é. Como diria Clarice Lispector: “liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

4. Feminista quer ser homem, invade áreas masculinas, não gosta de maquiagem, quer ter aparência masculina, etc.

Não vou entrar (ainda) na questão da construção de gênero. Afinal, o que é coisa de mulher e o que é coisa de homem? Definitivamente, as feministas não querem ser homens, o feminismo quer justamente quer a mulher se valorize por ser mulher, tirando essa questão de que certas atividades são masculinas e outras femininas. Isso nada tem a ver com ser homem ou ser mulher, tem a ver com escolhas (de novo). E, já deixamos bem claro aqui que feminista usa maquiagem. O problema não é usar ou não, é não ser taxada de ter aparência masculina por não usar maquiagem ou coisas do tipo.

5. Machismo não existe mais, as feministas lutam contra um inimigo invisível.

Machismo não existe? Ok. Então, vamos ignorar que mulheres são tratadas como mercadoria, que não existe igualdade profissional e salarial entre homens e mulheres. Vamos ignorar também que há um mercado de consumo feito apenas para as mulheres ficarem perfeitas, fora isso, elas estão fora do padrão. Vamos deixar para lá o fato da mulher ser violentada fisicamente e moralmente dentro e fora de casa, por ser tratada como sexo frágil.

Eu poderia passar o dia inteirinho aqui falando de tantas coisas, de todos os nossos “inimigos”, fazer uma construção da violência contra a mulher. O fato é que o machismo está ai na nossa sociedade, disseminando preconceitos, causando desconforto e gerando violência. A pergunta é: você quer fazer parte de uma guerra que não foi criada pelo Feminismo? Insistem em dizer que as feministas fazem uma guerra, mas entender que machismo não é só bater em mulher, que existe uma série de efeitos dominós por trás disso, parece difícil, não é?

Autor: Thayz Athayde

Nasci para fazer um musical na broadway e um filme do Tarantino. Enquanto isso, dou uma de psicóloga e pesquisadora na área de gênero. Sou a Rainha da Copacabana Feminista. Delicada e nervosinha. Mas, eu posso, sou a Vossa Majestade.

Os comentários estão desativados.