Feminismo: uma luta ultrapassada?

Texto de Georgia Faust.

Tem alguma coisa de maldoso no discurso das pessoas que pregam contra o feminismo. Tem sim. Pois elas simplesmente NÃO SABEM DO QUE ESTÃO FALANDO. Entretanto, se você falar isso para elas ficarão profundamente ofendidas. Claro que sabem. Elas sabem tudo contra o qual as feministas lutam: lutam contra a família, a favor do infanticídio (odiamos crianças), a favor da promiscuidade, mas a verdade é que a solução final para nós é o extermínio de todos os homens da face da terra.

Deixa eu contar um segredo para vocês: o que nós, feministas, queremos é igualdade. Só.

Mas essa vontade louca obviamente ofende muita gente (aqueles que estão perdendo o poder, principalmente). Essa gente faz questão de não entender uma idéia tão simples e tão básica, tão auto-explicativa. E ficamos nessa luta diária, de tentar explicar que não, ainda não somos iguais, ainda não temos os mesmos direitos, ainda não recebemos os mesmos salários, ainda não somos tratadas como GENTE, ainda temos que andar acompanhadas por um homem para evitar sermos abordadas agressivamente na rua ou em baladas, ainda apanhamos diariamente, ainda somos estupradas, violentadas, agredidas, ainda somos culpadas pelo nosso próprio estupro, ainda deixamos de receber promoções por causa do risco constante de estarmos grávidas, ainda temos nossa capacidade intelectual posta em questão se formos bonitas (ou muitas vezes independente da beleza), ainda somos taxadas de histéricas toda vez que defendemos alguma coisa com mais assertividade e ainda culpam a nossa TPM por qualquer reação agressiva que tenhamos a qualquer coisa.

Qualquer pessoa que tenha a coragem de dizer que nossa luta não é válida ou está ultrapassada certamente não mora no mesmo planeta que eu.

Aí eu posso pegar exatamente a mesma lista acima e dizer o que nós, feministas, realmente queremos (e que ainda não temos!): queremos ser iguais, ter os mesmos direitos, receber os mesmos salários, ser tratadas como gente, poder andar desacompanhadas sem sermos abordadas agressivamente, queremos não apanhar, não ser estupradas, violentadas, agredidas, queremos receber promoções pela nossa competência, queremos que nossa capacidade intelectual seja valorizada, ser donas de nossos próprios corpos, queremos defender nossas idéias sem sermos acusadas de sermos histéricas. É só isso.

Mas para que isso aconteça, alguém terá que ceder um pouco o seu espaço e, é aí que o calo aperta. É aí que a revolta surge. É aí que começam as reações inflamadas, os boatos e difamações. Quantas vezes ouvi que o feminismo é o machismo ao contrário? NÃO É! Nenhuma feminista tem a intenção de dominar o sexo masculino e fazer dele nosso escravo (como aliás eles fazem conosco desde sempre). Converse com qualquer uma e comprove. Só quem diz isso quem não conhece o movimento. E, provavelmente, é alguém que por algum motivo está com o poder em mãos: tem uma esposa submissa, trata as mulheres como lixo, tira todas as vantagens possíveis dessa situação desigual. E, obviamente, não quer que a situação mude.

Autor: Georgia Faust

Professora de inglês, estudante de Pedagogia, feminista, gateira, cicloativista, vegetariana, revoltada, apaixonada.

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