Campanha 2@Vermelha – Celebrando a Menstruação!

Texto coletivo das Blogueiras Feministas.

Divulgação da Campanha 2@Vermelha. Crédito da Imagem: Bia Fioretti.

A menstruação na nossa sociedade é vista como algo sujo, que deve ser escondido. Geralmente quando se fala de menstruação só se comenta sobre a TPM – Tensão Pré-Menstrual, sempre com um viés negativo. Todas as mulheres em algum momento de suas vidas vão menstruar, o que podemos fazer para que nossa relação com a menstruação e a menopausa seja diferente? Como podemos mudar maneira com a qual enxergamos nosso corpo e nossos fluídos?

É claro que não estamos dizendo que se você decidiu parar de menstruar, você é menos mulher. Óbvio que não. Queremos que as mulheres sejam livres para tomar suas próprias decisões em relação ao seu corpo. Porém, também queremos que as mulheres conheçam melhor seus corpos, sintam e explorem sensações. Busquem maneiras de compreender o que significa menstruar. Neste dia 02 de maio, milhares de mulheres estarão celebrando sua menstruação na Campanha 2@ Vermelha. Se você mora em São Paulo, acontecerão palestras e mesas-redondas, confira a programação.

A campanha tem como mote a valorização da menstruação em vários aspectos, para incentivar as mulheres a cuidar de sua saúde íntima e reprodutiva, dando-lhe maior visibilidade no cinema, nos meios impressos, na arte, em outras mídias e redes sociais. Algumas perguntas irão nos nortear esse ano:
Quais mudanças ocorreram e, se ocorreram, para onde estamos indo? Existem mais mulheres valorizando sua menstruação? Ou as mulheres que já valorizavam antes é que estão mostrando a cara? As mulheres que (ainda) não gostam de sua menstruação, continuam acreditando nisso? Algo mudou? Faz e fez diferença se ter acesso a formas de segurar o sangue menstrual (absorventes reutilizáveis e coletores) ? O que isso efetivamente traz para saúde física, emocional e política da mulher? As mulheres estão mais responsáveis por seus corpos? Se sim, por que ainda tem tanta gente, que não seja a mulher, falando com autoridade sobre o corpo dela? As mulheres que escolhem parar de menstruar escolheram isso ou alguém escolheu para ela? Se ela escolheu, existe produção cientifica sobre os danos a longo prazo na saúde emocional e física da mulher com relação a essa escolha? Seria reversível?

Pensando nessas questões, propomos uma blogagem coletiva sobre menstruação entre as integrantes do Blogueiras Feministas para marcar esse dia. Os posts participantes são:

[+] Campanha Vermelha da Priscilla Carol

[+] Há quem trabalha e sangra todo mês da Luka

[+] Menstruação – Campanha 2@Vermelha da Srta. Bia

[+] Menstruação e achismos de alguém que quer quebrar (seus próprios) tabus! da Sara Joker

[+] Mulher é bicho esquisito. Todo mês sangra. da Suely Oliveira

[+] Segunda Feira Vermelha, Pêlos e outras Vergonhas da Mexy

[+] Segunda Vermelha, menstruação e misoginia da Cynthia Semiramis

[+] Sexo durante a menstruação: uma questão de auto-estima da Mari Moscou

[+] TPM? da Tica Moreno

[+] Viva a Menstruação! Já os anúncios pra menstruação… da Lola

Autor: Blogueiras Feministas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.

19 pensamentos em “Campanha 2@Vermelha – Celebrando a Menstruação!”

  1. Não fiz um post pra blogagem porque, olha, não tenho nadinha pra dizer. Menstruar pra mim nunca foi um problema, não me lembro de TPM, nunca deixei de transar (meus parceiros também nunca tiveram problemas com isso), não tenho cólicas regulares, também nunca dei um sentido especial (talvez devesse) de renovação e talz. È uma coisa que acontece, como suar, urinar, etc. É do meu corpo e eu curto.
    Mas a blogagem coletiva tá linda.

  2. Nossa, nunca tinha parado pra pensar na menstruação a partir desse ponto de vista. Não sei nem mesmo dizer como me coloco sobre a questão pq faz quase dois anos que não menstruo. No meu caso, menstruação foi sempre associado a dor, eu sofria de cólicas terríveis desde uns 15 anos e só com 23 anos um médico fez os exames necessários pra descobrir que eu tinha endometriose. Desde a adolescência eu frequentava médicos, fazia exames e nenhum suspeitou disso, o que pra mim tb revela como certas questões da saúde feminina são menosprezadas, como se eu tivesse que me acostumar a sofrer (os remédios pra cólica não surtiam efeito pra mim. Já tive que ouvir de uma ex-chefe que cólica não era desculpa pra faltar ao trabalho, mas eu chegava a vomitar, ter diarréia, dores terríveis). Agora tomo pílula direto pq não posso menstruar e foi a melhor coisa que podia ter me acontecido.

    1. Ana, você tem todo direito de parar de menstruar. A medicina está aí também para melhorar a vida das mulheres.
      Nossa proposta é encarar a menstruação de outras maneiras. Talvez se desde cedo não tivermos um pensamento tão negativo em relação a menstruação as cólicas e problemas decorrentes melhorem.

    2. Vou me intrometer!
      Eu tb tenho ovários policísticos, sofria dores terríveis, ficava inchada, retinha líquido, era ruim mesmo.
      Um ginecologista até falou que eu precisaria fazer tratametno pra engravidar, e acreditando nisso, está aí minha filha linda pra contar a história, mas voltando às cólicas, eu mudei, pois pior ue cólicas era tomar anticoncepcional direto, então parti pra medicina chinesa e acupuntura, meu ciclo ficou reguladinho, sem dores nem nada!
      Fica mais uma ideia!

      1. Olha eu aqui me intrometendo! Cath, pq tomar anticoncepcional direto era ruim pra vc?

        1. Eu me sentia mal, inchava uns 3 kg no período pré-menstrual, ficava mal humorada, mas o pior era a dor de cabeça. Pra mim, anticoncepcional não fazia bem. E como tento ser natureba, parei de me entupir de hormônio! E me sinto bem melhor assim!
          E com acupuntura mensal eu não incho nada!
          Eu acho que é uma alternativa excelente!

          1. Nossa, que barato! Comigo foi o contrário, o anticoncepcional diminuiu MUITO a minha cólica, acabou com a acne, deixou o cabelo mais ”manejável” na TPM, e aliviou até os sintomas emocionais. Só não acabou com a dor de cabeça, mas nada é perfeito.

            Acho que dei sorte, tenho duas amigas que tb largaram a pílula pq gerava uma série de efeitos colaterais.

  3. “Busquem maneiras de compreender o que significa menstruar”

    Significa que a cada mais ou menos 28 dias meu útero descama e solta uma camada de sangue. Sinceramente, tem coisas bem mais importantes na minha vida e na minha personalidade pra celebrar além disso.

    E ”danos na saúde EMOCIONAL” da mulher por abrir mão de um sofrimento mensal que traz consigo cólicas, dores de cabeça, alterações emocionais, e muitas vezes chega a ser debilitante (como conta a moça que comentou pouco antes de mim, que chegava a vomitar de dor?)

    Eu, quando quis interromper esse processo, que sempre me foi desagradável (principalmente no início, pois tinha síndrome do ovário policístico) vi minha ginecologista recusar-se terminantemente a me ajudar, pela simples razão de que menstruar era ”natural” e ”saudável”. Acho que o número de médicos e médicas que nega essa opção a suas pacientes, ou sequer a apresenta, deve ser bem maior do que o número de profissionais ”decidindo por ela”. Eu só desisti dessa idéia pois, depois de um alarme falso, passei a valorizar a menstruação como sinal de que não estou grávida. E nada além disso.

    Na minha humilde opinião, essa enfase de algumas feministas na celebração da menstruação é tão reducionista quanto a enfase de algumas pessoas que insistem em apontar a mulher como alguém que deve ser valorizada ”pq dá a vida”. Como se fizesse sentido focar tanto assim em aspectos biológicos de nós mesmas em lugar de tantas outras complexidades. Eu sou muito mais que meu útero. Não vejo razões para valorizar o fato de que um feto pode se desenvolver nele, e não vejo razões para valorizar o fato de que todo mes ele descama.

    1. Oi Natasha, a menstruação faz parte do corpo feminino. Pensar nela de uma maneira diferente significa pensar em aspectos biológicos femininos de uma maneira diferente. Especialmente no caso da menstruação que possui uma imagem muito negativa socialmente. Não se fala abertamente sobre menstruação e nem sobre seu processo.
      É claro que é um absurdo sua ginecologista se recusar a ajudá-la a parar de menstruar, as mulheres devem ser donas de seus próprios corpos.
      E você com certeza você é mais do que seu útero. Estamos apenas querendo que as mulheres tenham uma outra relação com sua menstruação e também com a menopausa. Sem tantos aspectos negativos, sem tanto nojo do sangue.

    2. Acho que ninguém está celebrando nada aqui, so tentando mostrar para o mundo que menstruação é algo normal. Ninguém está pregando que é errado optar por não menstruar, Natasha… Nós sempre defendemos a liberdade de escolha sobre o corpo, apenas isso.

      1. “Acho que ninguém está celebrando nada aqui”

        O nome da campanha não é ”Celebrando a menstruação?”

        “Ninguém está pregando que é errado optar por não menstruar, Natasha”

        Não disse que estavam pregando que é errado. Disse que achava muito estranho o texto falar em ”danos emocionais” à mulher simplesmente por optar parar de menstruar…principalmente qdo é um processo que muitas vezes vem acompanhado de grande desconforto físico e até emocional (devido às alterações na sensibilidade, irritabilidade, etc, que muitas vezes fazem parte da TPM). E que tb achava estranho perguntar se a mulher optou ou se optaram por ela, já que é bem mais comum profissionais de saúde sequer mencionarem essa opção, ou negá-la quando a mulher pede.

        1. Mas Natasha essa parte do texto que você citou dos “danos emocionais” é justamente uma pergunta feita pela Campanha. Talvez não haja danos.

          1. Entendi, Bia. É que a pergunta sobre se existe produção científica sobre os danos a longo prazo na saúde física e emocional da mulher que opta por parar de menstruar me pareceu conter a premissa de que existem tais danos, ou que ao menos eles são possíveis.

  4. Ei meninas,
    fiquei e ficamos bem feliz com a participação de voces.
    Mas ainda de poder ler os coment’s.
    Isso mesmo, na verdade o que está em jogo é a livre escolha. Mas que tenhamos espaço para falar abertamente, mesmo que sejamos a abençoada de ter uma relação saudável com a menstruação, como é meu caso. Tb nunca tive problemas, nunca tomei anticoncepcionais (por opção), uso absorventes reutilizaveis ha 6 anos.

    enfim, a proposta é que se possa falar de forma aberta. Que se possa escolheer livremente e não pq por falta de informação acabam escolhendo pela gente.
    Trata-se mesmo da autogestaão feminina.

    Obrigada por estarem conectadas,
    gostariamos de poder estar mais por perto.

    bjus

    Sabrina Alves

    1. Sabrina é um prazer participar de uma ação que busca modificar e aprofundar as relações que as mulheres tem com seu corpo 😉

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