Um guia para você que tem vergonha de se assumir como feminista

Você é feminista? Opa, opa, não responda. Antes de qualquer coisa, deixa eu te falar que entendo o quanto essa palavra traz um fardo enorme por trás dela. Não é a mesma coisa de dizer “ah, sou socialista”. Ser socialista é bonito e justo. Ser feminista é ser implicante e falar de assuntos polêmicos. Ou você não sabe, que sendo feminista, rola a maior tensão no meio de um papo quando as pessoas começam a falar sobre mulheres? Todos olham para você com uma cara de medo esperando começar a terceira guerra mundial.

Crédito da Foto: The Justified Sinner no Flickr em CC.

Carla Rodrigues fez uma entrevista com Maitena, a autora do livro “Mulheres Alteradas” e questionou se ela é feminista. A resposta foi a seguinte:

“Bem, o termo feminismo foi muito degradado ultimamente, mas não gosto de dizer que não sou feminista, por que acredito que se não fosse pelo trabalho que este movimento realizou nos últimos cem anos, ainda estaríamos todas passando roupa.”

Na entrevista, Maitena fala diversas vezes sobre como o feminismo é importante, mas nessa fala podemos perceber que o feminismo é reconhecido sim, mas ainda há um medo de simplesmente se colocar como feminista justamente por mitos que foram criados com o passar do tempo. Afinal, quem degradou o termo feminista? Por que um termo que já foi revolucionário para muit@s é visto hoje como “o contrário do machismo”?

Em outro texto de Carla Rodrigues, “Feministas são bacanas”, ela mostra algumas pesquisas sobre o que as pessoas acham do feminismo.

“Algumas respostas podem ser encontradas na visão negativa que 33% homens – e 20% das mulheres – têm do feminismo. Para 19% dos homens e para 12% das mulheres, ser feminista é defender a superioridade da mulher sobre o homem. Já 16% dos homens e 8% das mulheres associam feminismo a autoritarismo das mulheres.”

Muitas pessoas ainda associam o feminismo com a superioridade da mulher perante o homem e podemos associar com o velho mito de que a o feminismo quer acabar com os homens. O feminismo conta hoje com vários homens no movimento e, lutamos também para mostrar como o  machismo também prejudica os homens. Se queremos acabar com os homens, por que os queremos ao nosso lado nessa luta?

Carla Rodrigues ressalta que muit@s acham que feministas são donas da verdade, arrogantes que não aceitam a “verdade”. Pensando sobre isso, podemos questionar o motivo de tanto estranhamento para o termo feminista. Bem, não fomos educad@s para entender o feminismo, a mídia não mostra o que realmente aconteceu (nas muitas manifestações feministas não fica claro qual é o motivo de estarem ali, isso quando alguma manifestação é mostrada), ou seja, não visualizamos em quase nenhum lugar o que é realmente o tal feminismo. Normalmente, quando as pessoas ouvem falar sobre o movimento é carregado de piadas e preconceitos e com aquela frase “lá vem a chata inventar machismo onde não existe”.

Muitas pessoas manifestam opiniões sobre o feminismo sem saberem ao certo o que é o movimento e o que ele significa. Por ser desconhecido, o feminismo acaba despertando um certo receio nas pessoas. Além disso, o feminismo luta por mudanças e alterar o status quo também gera medo. Como viver de forma diferente? O objetivo dessa campanha é mostrar o que é o feminismo para que o movimento deixe de ser algo estranho para as pessoas e mostrar a que veio o feminismo, mostrando que mudanças são bem-vindas e que podem beneficiar a tod@s. O que fazer para desmitificar, para fazer com que as pessoas entendam que feministas são seres humanos acima de qualquer coisa e por isso tem escolhas individuais? O fato de ser feminista não me faz ter obrigação de não me depilar, não passar maquiagem ou não assistir novela e me divertir. Ser feminista não me faz ter ódio de homens ou ser uma mal comida. Enfim, ser feminista me faz ter uma visão de mundo que vai de encontro à igualdade entre as diferenças não só das mulheres, mas dos homens também.

Por isso pensamos em fazer uma campanha para desmitificar o feminismo. A intenção dessa campanha é chamar todas as pessoas que são feministas e também aquelas que não são. Você pode falar de um mito especifico, como por exemplo: Feminista não usa maquiagem e falar um pouco sobre, tentando falar sobre como essa afirmação incomoda e não é verdadeira. Pode falar sobre os mitos de uma forma geral e pontuar sobre a importância de acabar com eles e levantar a bandeira do feminismo. Ou seja, a intenção é desmitificar de alguma forma. E pode ser através de posts no blog, vídeos, desenhos, músicas, twitter, facebook, Google +, tumblr, as redes sociais como um todo.

Vamos encher a internet com a hashtag #mitosfeminismo e mostrar que o feminismo vai além dessas histórias que são plantadas por aí. Vamos mostrar do que o feminismo realmente trata!

Campanha: 29/07 a 05/08. Participe e cole o selo em seu blog!

Selo para a Campanha por Tatiana Anzolin Michels

Alguns posts sobre o assunto:

[+] Dominar os homens? O impacto de uma mentira sobre feminismo – Texto da Cynthia Semíramis

[+] Feminista não tem vida pessoal? – Texto da Cynthia Semíramis

[+] Feminista só sabe falar sobre feminismo? – Texto da Cynthia Semiramis

[+] Nós ódiamos Feministas!!! – Texto da Ana Rita Dutra

[+] Por que ser Feminista? – Texto da Catarina Correa

[+] 5 mitos sobre o feminismo – Texto da Thayz Athayde

Autor: Thayz Athayde

Nasci para fazer um musical na broadway e um filme do Tarantino. Enquanto isso, dou uma de psicóloga e pesquisadora na área de gênero. Sou a Rainha da Copacabana Feminista. Delicada e nervosinha. Mas, eu posso, sou a Vossa Majestade.

25 pensamentos em “Um guia para você que tem vergonha de se assumir como feminista”

  1. Excelente iniciativa. Em tempos de alguém ir em Slutwalk e não se dizer feminista, se tem muito a desmistificar, mil muros a derrubar, o que aliás este blog faz com primor.

  2. Adorei a idéia de desmistificar o feminismo, tento fazer isso no dia-a-dia, conversando com meus amigos e amigas, até mesmo familiares, quando eles cismam em falar sobre feminismo ser o contrário de machismo, acredito que já me fiz entender. A maioria que achava que o feminismo era isso, pensava assim somente pela falta de conhecimento do movimento.

    Tô montando um blog com uma amiga, vou até sugerir essa temática e usar a hashtag pra divulgar a possível postagem.

    Excelente texto, mas apesar de estar muito interessada em desmistificar o feminismo e desconstruir o esteriótipo de uma feminista, realmente fico preocupada quando nós feministas afirmamos que nós usamos maquiagem, depilamos e etc. Sinto que soa como um feminismo bonzinho, algo meio “olha só, eu luto pelo direito das mulheres, mas minha perna é lisinha e sou gatinha, nem vem reclamar, viu?” e eu não vejo muita coisa boa nisso. Quem vem de fora, lê apenas um texto ou outro, pode até pensar que há um certo preconceito com as pessoas que não se depilam e não usam maquiagem e etc. Acredito que esse preconceito não existe por parte de quem afirma isso, nesse blog, pelo menos menos, mas dentro do discurso, soa sim como uma forma de marginalização das mulheres feministas que escolhem não ter essas práticas, pois parece que o discurso deposita parcela da culpa da má interpretação do feminismo pra quem não se depila, não usa maquiagem, afinal, elas são as que ousam não serem “femininas”. Eu, particularmente, admiro muito as mulheres que não se rendem tanto ao padrão, quanto eu, sabe? Acho uma atitude política e linda de luta contra a objetificação da mulher e a força da pessoa de não tentar se submeter tanto assim ao padrão de beleza. E imagino que a maioria das feministas também, então acho que na hora de desmistificar o feminismo, a gente não pode esquecer de que a gente que usa chapinha, usa maquiagem e se depila, não é porque a gente gosta, sabe?! É porque, no geral, a gente só gosta da gente, se gosta, com o resultado de todos esses produtos.

    Fica aqui a minha crítica, espero ter me feito entender, um abraço!

    1. pequeno erro: “…objetificação da mulher e admiro a força de vontade da pessoa de não tentar se submeter tanto assim…”

    2. OI Thaís! O feminismo é um movimento plural, não é mesmo? E quando alguém afirma que feminista não se depila ou não usa maquiagem não está falando pelo movimento e sim por algumas pessoas específicas. E eu não acho que o fato de uma feminista ir no salão faz com que ela seja menos feminista do que não vá. É tão difícil falar o que é construído ou não, mas o que podemos fazer é usar de forma consciente, não é mesmo? Então, o objetivo dessa campanha é não julgar, não rotular. Não importa se depila, se usa maquiagem, se usa salto, se usa tênis, não importa! O mais importante aqui é o movimento feminista. O que quero é quebrar mitos e fazer com que as pessoas entendam que não tem receita de bolo pra ser feminista.

      1. É, concordo plenamente, só quis ressaltar que a gente tem que tomar cuidado ao ressaltar essas pluralidades pra que não seja mais uma forma de marginalização! (:

        Repito, excelente texto e ótima iniciativa a hashtag!

      2. “…E quando alguém afirma que feminista não se depila ou não usa maquiagem não está falando pelo movimento e sim por algumas pessoas específicas…”

        Isso era uma coisa que eu tinha dúvida…
        Sobre se depilar.
        Para mim é algo normal, não faço por causa de ninguém, faço pq eu acho mais bonito a pele lisinha, mas achava que se eu fosse dizer “sou feminista” – pq sim, eu concordo com todas as ideologias, se não fizesse X ou Y, seria julgada por quem é e faz, sabe?

        Bobeira minha…Mas, vivendo e aprendendo, né?

        🙂

        1. Pois é, Leticia. O problema é que muitas vezes as pessoas acham que pq uma feminista tem um comportamento, todas devem ter. E é como disse no texto, somos feministas, mas temos nossas escolhas individuais.
          beijos.

  3. Lindo texto, Thayz.
    Feminismo não é bicho de sete cabeças. Acho que não só nós, feministas, soframos com o desgaste de um termo que designa movimento e engajamento. Hoje em dia pensar e questionar tá fora de moda, é coisa de gente chata. Mas aí lendo o seu texto fico mais otimista em relação a isso. 🙂

  4. Eu ainda tenho que ler muito, abrir a mente e entender melhor.
    Que nem, eu achava que feminista não usava maquiagem, hahaha!
    Mas é tem muito mito envolvido.
    Gostei do post!

  5. Adorei! Já pus o selo lá no meu modesto bloguinho, e logo mais escreverei um texto…
    Sucesso para nós!!

  6. Acho que um dos fatores que causam esse certo preconceito contra o feminismo, são as atitudes de algumas que se dizem feministas e teoricamente defendem a causa (além é claro da esmagadora pressão da sociedade machista em continuar da forma como esta e esta certamente tem peso maior que a primeira).

    Já disse aqui antes em outro comentário, mas as primeiras pessoas ( as 10 primeiras para ser mais específico, divididas em grupos de 3 cidades distintas, de estados distintos inclusive) eram pessoas totalmente desleixadas e autoritárias, que não aceitavam nenhum argumento que fugisse do que elas consideravam como certo e que literalmente mudavam o tom da conversa quando tinha algum homem na roda.

    Devido a isso eu mesmo associei o feminismo a um movimento que queria a submissão do homem em relação a mulher, pois era claramente o que elas passavam atraves de suas atitudes e discursos…

    só depois que conheci esse blog que passei a entender que o feminismo não tinha nada a ver com aquilo que aquelas ditas feministas que conheci tentavam passar para a sociedade.

    não tenho como mensurar isso em números, afinal uma amostra de apenas 10 pessoas é muito pequena. Mas imagino eu que devam ter mais mulheres como elas por ai.

    Foi atraves deste blog que aprendi o real significado do feminismo, então qualquer tipo de ação desse genero certamente terão resultados memoráveis. Apoio e vou divulgar o máximo que puder.

    PS: sem querer gerar muita polemica, mas quem disse que ser socialista é bonito e justo?

  7. adorei o post, ficou otimo, já estou divulgando e acredito que tirará dúvidas de várias pessoas.

  8. Oi, Muito bom o texto, sempre que me questionarem o que acho sobre Feminismo a partir de agora vou simplesmente enviar esse link.

    só uma pequena correção, no texto uma das frases diz: “Ir de encontro à igualdade” e deveria ser “Ao encontro da igualdade”

    “De encontro a” significa que você luta pra não existir a igualdade
    “Ao encontro de” Significa que você luta na mesma linha de quem quer a igualdade

    Valeu pelo texto!

  9. Penso o seguinte, antes de feminismo ou machismo todo mundo é igual e tem seus direitos e deveres. Pelo menos, no papel. Procuro respeitar isso e pronto.
    Conflitos são desnecessários bem como quaisquer movimentos separatistas.

    1. Então, Lucas, queremos te contar algo, as pessoas podem até ser iguais, mas não são tratadas da mesma forma por causa do machismo, do preconceito, do racismo, da homofobia.
      É ótimo que você respeite todo mundo, mas é isso que você vê na sociedade? Todo mundo se respeitando? E o movimento feminista, o movimento negro, o movimento LGBT, nenhum deles é um movimento separatista, o que eles querem é justamente a igualdade dentro da sociedade em que vivemos.

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