Mulan: idéias feministas e ênfase no machismo

Depois de escrever aqui sobre as princesas disney surgiu na lista de discussão a sugestão de falar sobre Mulan. Vou assumir que todo mundo já assistiu o filme, Mulan (1998) se comparado a Branca de Neve (1937) e Cinderela (1922), é uma criancinha cinematográfica. Eu sinceramente antes de pensar em escrever sobre o filme nunca tinha o assistido inteiro e não faltaram oportunidades. Lembro do lançamento no cinema, e eu que sempre fui fã de desenhos animados, por que não fui assistir? Não lembro, mas depois disso nesses mais de 10 anos desde o lançamento ele passou várias vezes na televisão, dava para ter visto na TV ou pego na locadora de vídeo. Era estranho nunca ter conseguido assisti-lo  inteiro, fiquei curiosa, e fui assistir. Neste texto eu vou falar das minhas impressões sobre o filme e vai ter muito spoiler, eu não sei fazer suspense e se alguém ainda não viu o filme desculpa.

Imagem do filme Mulan da Disney.

Logo que comecei a assistir, entendi que não era um mero acaso, eu tinha um bom motivo para nunca ter assistido o filme completo. A primeira parte do filme é tão machista que chegou a me incomodar, engraçado ter apagado isso da memória. Essa parte mostra Mulan tentando ser enquadrada no modelo de mulher da China imperial, submissa, silenciosa e eficiente serva da casa e do marido. Mostra Mulan se esforçando, à sua maneira, para conseguir ser aceita pela sua família e pela sociedade. E ao falhar se entristece por levar a desonra para sua família. Essa parte não é fácil  de aturar, mas continuei e então depois que ela sai de casa para substituir o pai no campo de batalha e salvá-lo da morte certa, o filme melhora consideravelmente tem partes bem engraçadas sobre estereótipos masculinos, a aceitação de Mulan pelo grupo, das palhaçadas  do dragão desmiolado que é seu único aliado e que mais atrapalha que ajuda, além da superação de Mulan  durante o treinamento físico.

Pintura à óleo sobre seda: Hua Mu Lan vai à guerra. Fonte: wikimedia commons

O filme segue assim até a hora da primeira batalha quando Mulan tem uma ideia estratégica para conter o exército do Unos que excede em número e força o seu regimento. Ela toma a frente de seu regimento sem explicar nada a ninguém toma a iniciativa e põe em prática seu plano, contra todos, inclusive o dragãozinho seu aliado.

Na verdade o regimento de Mulan, pelo menos no filme, é o único a vencer uma batalha com os Unos, nesse combate Mulan se machuca e depois de causar uma avalanche que destrói a maior parte do exército inimigo e salvar seu comandante da morte, o machucado fica evidente e  ao ser tratada, ela é descoberta. Ela é humilhada e senteciada à morte, que só não acontece pois seu comandante lhe deve a vida. Ela então é deixada para trás, expulsa do exército, que graças a ela, se salvou para colher os louros da vitória.

Ao descobrir que seu plano não foi o suficiente para derrotar todo o exército Uno ela segue para a cidade imperial para avisar seus colegas. Ninguém a escuta, e são tomados de assalto pelos inimigos quando festejavam a vitória. Ela persiste e com suas idéias derrota finalmente o que sobrou do exército dos Unos e salva definitivamente o império e o imperador. O imperador reconhece sua força e valor, agradece seu trabalho e lealdade.

O filme tem um bocado de méritos em mostrar uma mulher em um papel exclusivmente masculino e que, apesar de ir contra tudo e todos, consegue se sobressair, vencer e ser reconhecida por seus pares, seus superiores,  pela multidão que a vê em ação. É reconhecida e aceita por todos, menos por sua família.

Talvez o filme Mulan fosse muito mais feminista, se no final, o foco da felicidade de sua família ficasse no seu valor e nas suas realizações e menos na ideia implícita do casamento com o jovem líder do seu regimento.

Autor: Liliane Gusmão

Feminista, sim eu sou!

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