Blogagem coletiva: repúdio ao caso de estupro e assassinato como presente de aniversário

Acompanhando os casos de violência contra a mulher no Brasil, já vimos inúmeros casos horríveis. Porém, a notícia de um estupro coletivo na cidade de Queimadas, Paraíba, deixa qualquer pessoa perplexa e angustiada. A violência de gênero ganha contornos de filme de terror. E a impunidade ainda é grande. Lembramos que há sites que ensinam como estuprar uma mulher. Mulheres são estupradas em metrôs e ônibus das grandes cidades.

Imagem: Campanha da ONU

Inúmeras dúvidas surgem em nossa perplexidade. E mesmo parecendo ingênuas, é preciso fazê-las: Por que esses homens acharam que podiam violentar essas mulheres dessa maneira? Como dez pessoas se associam para cometer uma atrocidade dessas? Apenas crueldade individual não explica esses crimes. Vivemos em uma sociedade que tornou célebre frases como: “estupra, mas não mata”.

Convocamos uma blogagem coletiva em conjunto com as mulheres do LuluzinhaCamp porque não é possível falarmos sozinhas de um crime tão abominável cmo esse. Precisamos divulgar que não aceitamos a violência de gênero que mata mulheres todos os dias. E que no domingo, dia 12 de fevereiro, matou Michele Domingues da Silva e Isabela Pajussara Frazão Monteiro.

Confira os posts participantes:

Por ter ouvido e lido muitas histórias de mulheres que sofreram abusos sexuais, sei que há um fator de fragilidade que atinge a todas nós, mulheres: é a vergonha. Mesmo para uma mulher madura ciente de seus direitos denunciar um estupro é um ato de coragem, na nossa cultura.

A racionalidade patriarcal, se é que nesse contexto de hoje posso chamá-la de racionalidade, ensinou e ensina por todos esses anos que conceitos como os acima esboçados estão bem próximos ou seriam próprios do homem. A mulher, apêndice, acessório e propriedade masculina, nunca recebeu devidamente o seu quinhão nessa história e, pelo contrário, foi e tem sido condenada toda vez que pretende exercer sua liberdade.

Imagine só. Você vai a uma festa com amigos pra dançar, curtir, se divertir e, se quiser e quando quiser, ficar com alguém. De repente seus conhecidos e amigos que estão lá entram mascarados, armados, simulando um assalto. Você e as outras amigas que estão na festa são amarradas. Amordaçadas. Uma a uma, são estupradas por diferentes homens. Eles riem do desespero. Vocês choram, desesperadas.

A mídia não disse, ninguém quase disse, então é nosso dever dizer. Um crime de gênero contra mulheres – esse mecanismo tão cruel de cercear a liberdade de nossos corpos.

A festa em Queimadas, na Paraíba, foi um presente de ódio para todas as mulheres. Aqueles homens não tiveram um pingo de empatia, não pensaram nem por um momento em suas mães, irmãs, filhas… Nem por um segundo qualquer dos malditos pensou que poderia ter nascido mulher e que isso não o faria menos gente. Ninguém pede para nascer, muito menos para nascer homem ou mulher, branco, rico, cristão, brasileiro, corinthiano.

Já está tudo errado aí, mas o que mais me choca e me assusta é que tudo isso foi obra de um cara que quis dar isso de presente para o irmão mais novo. Agora estupro é presente. O que houve com o mundo para chegarmos nisso, num ponto em que estuprar 6 mulheres é um presente para alguém querido?

Apesar de saber que vivemos em uma sociedade machista, que naturaliza o estupro, nunca deixarei de me chocar com crimes tão cruéis como esse, eu não quero acreditar que 10 homens normais (nada de tarados psicopatas desconhecidos em becos escuros), amigos e familiares das vítimas, se sentiram tão merecedores de seus corpos que planejaram os estupros como “presente” de aniversário.

Confiando na amizade ou no amor dos laços de sangue, as vítimas não tomam “precauções” contra esses estupradores. O caso de Queimadas foi um exemplo extremo, brutal, dessa lógica. Mas estupros e abusos partindo de conhecidos infelizmente acontecem a todo momento, em qualquer lugar.

É muito comum que mulheres vítimas de estupro sejam consideradas como que “culpadas” pelo que lhes aconteceu. Por outro lado há uma noção errônea de que o homem que estupra faz isso por sentir um “desejo incontrolável”. Este caso tem características que deixam muito claro que não se trata de nenhuma coisa nem outra.

Não se passa um só dia sem que os jornais noticiem mais um femicídio. Sem contar todos aqueles que não são divulgados, as violências que não matam mas resultam em profundos ferimentos físicos e psicológicos, o exercício do poder tirânico de subjugar as mulheres moral, econômica, psicológica e fisicamente.

Uma sociedade que aplaude uma piada de estupro, culpabiliza a mulher quando estuprada por causa de seu comportamento sexual e suas roupas, uma sociedade que vê o estupro como um vacilo da mulher e uma oportunidade para o homem é uma sociedade que produz crimes bárbaros, mas toda essa barbárie não é fruto de um monstro ou de um animal. É fruto de um ser humano que conhecia as vítimas e que agiu como se as mulheres fossem apenas meros objetos.

Enquanto isso a gente se arrepia ao pensar em mulheres sendo amarradas, vendadas, amordaçadas e estupradas em uma festa. De caso pensado. Ok, eles estão presos. A delegada que investiga o caso parece estar cumprindo seu papel lindamente. E as moças que sobreviveram? Como fica a vida delas?

Com frequência inacreditável, ouve-se coisas como: “se ela não fosse tão vadia”, ou “se ela não ficasse galinhando e se alisando”, ou “com uma roupa daquelas com o cú de fora”, ou “tá na hora de pegar a bitchs”, ou “deu mole, eu pego mesmo”. Isso sai da boca de homens e mulheres e essas acrescentam: “porque se ela se desse ao respeito”, com a mão no coração e olhando o céu, como cantando um hino.

quando uma poeta se cala, tudo o mais está morto. pois língua é a linha, lugar onde me fortaleço, trincheira de escaramuças entremeadas de estupros e navalhadas escondidas na liga. onde atraio teus sonhos mais azuis celestes e os transformo em verdades.

A primeira lembrança que me veio à mente ao ler as notícias do terrível caso dos estupros coletivos como presente de aniversário em Queimadas, Paraíba, foi um episódio que poucos sabem, porque não foi noticiado. Aconteceu, de verdade, há três anos e meio. Uma blogueira, depois de um mês saindo com um carinha que conheceu pela internet, aceitou o convite de ir com ele pra um churrasco.

Isabela e Michele foram assassinadas por terem reconhecido os agressores após o estupro.

Mulheres em choque. Este é o único jeito de descrever as nossas reações ao estupro coletivo que aconteceu na cidade de Queimadas, Paraíba, no dia 12 de fevereiro. Se o mundo ainda não acabou, por favor, encerrem as atividades agora.

Vivemos numa sociedade que enxerga o estupro como nada mais do que sexo. Estupro não é visto como ódio às mulheres, nem como violência. É visto como um pequeno descontrole, algo puraramente biológico (é o instinto do macho que o leva a isso! –- se eu dissesse algo assim eu seria misândrica, mas como são os homens que falam, tudo bem), e as mulheres não perdem muito no processo, é só sexo, não tira pedaço.

Muito se fala em como evitar ser estuprada. A gente recebe conselhos pra evitar locais ermos, não falar com desconhecidos ou não usar a roupa tal. Mas nada disso impede um estupro. A única maneira de evitar o estupro é simples: Homens, não estuprem. Simplesmente não. Se a moça está bêbada, não a estuprem. Se ela está de saia curta, não a estupre. Em nenhuma circunstância o estupro é certo, justificável ou aceitável.

Aí você me pergunta o que essas cenas tem em comum: pois na minha cabeça, julgue você exagerada ou não, elas tem em comum essa coisa de não se enxergar no outro. Aqueles homens não enxergavam a si mesmos naquelas mulheres e então elas se tornaram objetos, coisas a serem usadas para seu prazer.

Reclamar depois que um grupo de jovens (e menores de idade) entra numa festa e estupra várias mulheres e mata duas, também é fácil. Qual o papel dos pais, escola e sociedade neste resultado nefasto? Qual o tamanho do machismo e da irreponsabilidade que passamos para a formação dessas pessoas ainda na infância, em casa, na sociedade e na escola?

Ensinando aos nossos filhos que o corpo das pessoas é só delas. Que ninguém, nem pai, nem mãe, nem professor, nem namorado, nem marido – pode bater, pode machucar, pode passar a mão na bunda de outra pessoa se ela não quiser. “Querer” não é usar decote, não é usar saia curta, calça apertada, salto alto, maquiagem. Que “querer” é paquera, é diversão, é dar risada, é sorrir.

Conversando com um amigo sobre o caso, ele acredita que além da punição, a sociedade deveria fazer esses CRIMINOSOS ressignificarem seus crimes. Não sei se continuo acreditando nessa possibilidade. Estou me tornando meio cética quanto a evolução da humanidade. Preciso de tempo para absorver mais essa barbárie e reavaliar conceitos.

Felizmente eles foram desmascarados e ao todo 9 foram detidos, sendo que 3 são adolescentes. Os seis adultos presos podem ser autuados por homicídio qualificado, roubo, sequestro, formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Eu estou completamente chocada, indignada, perplexa. E eu realmente espero que esses monstros sejam julgados e condenados aos 30 anos de prisão permitidos pela legislação brasileira.

Como mulher, minha revolta atinge graus extremos. Como algo assim pode acontecer? Não há mais amor ao próximo e nem bom senso? Entretanto, a brutalidade do crime não foi tratada à altura. Nós que moramos na Paraíba sabemos que o presídio para o qual os bandidos foram transferidos, o PB1 (presídio de segurança máxima), localizado no litoral norte, é inadequado para eles.

A nossa sociedade está doente, não cuidade si, de suas crianças, se alimenta de aparências e consumo. A mulher é tratada como mercadoria. Os auto-intitulados “machos” acham que nos possuem. O Ter não pode ser mais importante que o Ser.

E realmente, faz bem pouco tempo que mulheres se tornaram gente. Já fomos coisas, objetos em propriedade do marido, do pai, ou do senhor de escravos. A vida – inclusive sexual – das mulheres estava vinculada à vontade desses homens. A lei mudou, mulheres hoje são gente e têm direitos, mas ainda brigamos pra não sermos mais tratadas como coisas.

Eles não o fizeram por serem psicopatas nem por serem bandidos. Eles são homens que acham certo o que fizeram pois não veem mulheres como pessoas. São homens que acham que um estupro é uma oportunidade, ou que isso não é o fim do mundo, nem tira pedaço de ninguém. São homens que acham que as mulheres os provocaram e por isso levaram o que mereceram.

A opressão sobre as mulheres é estrutural, não tenho a menor dúvida sobre isso. Já está edificada sobre tantas crenças e preconceitos que alguém chega mesmo a pensar que pode dar mulheres como presente. Alguém realmente deu essas mulheres como presente. O que se passa na cabeça de uma pessoa pra achar que tem esse poder, pra achar que pode fazer isso e para, de fato, fazê-lo?

Imaginam o sofrimento que essas mulheres vivenciaram momentos antes de terem suas vidas ceifadas por covardes nojentos? Imaginam como está a família delas? Imaginam como irão viver, de hoje em diante, as mulheres que sobreviveram? Será que estes criminosos serão punidos efetivamente?

O ponto principal é que duas vidas foram tiradas e mais quatro violadas. Ninguém faz ideia de como um estupro deixa marcas inimagináveis e inesquecíveis na cabeça de uma pessoa. O nojo, a dor, a humilhação, a depressão.

Dos detalhes sórdidos dessa história de terror, dois deles chamam mais a atenção. O fato de não ter entre os dez homens nenhum que achasse errado estuprar mulheres por diversão e o segundo é o relato das mulheres de que eles riam com o choro e o desespero das vítimas.

Não considero nada radical julgar a periculosidade de qualquer homem de acordo com a quantidade de machismo que ele deixe transparecer em sua fala, em seus modos e, sobretudo, em suas ideologias. Um homem que passa cantadas reificantes em mulheres na rua está inebriado no mesmo sistema de valores que esses cidadãos de Queimadas, porque ambos partem do pressuposto de que o corpo da mulher é um bem público, do qual ele dispõe para a obtenção de seu prazer másculo.

O fato de que a sociedade trata os estupradores como psicopatas, monstros e indivíduos que não pertencem à sociedade é, no mínimo, hipócrita. Os homens que violam e violentam os corpos das mulheres estão apenas reproduzindo os padrões disseminados pela sociedade. Padrões que colocam os nossos corpos como mercadorias, objetos de desejo, sem que nós sejamos protagonistas desse desejo. Sempre representadas como incitadoras da violência, como se fosse nossa vontade não sermos donas de nós mesmas e nossos corpos sendo apenas objetos que estão lá para satisfazer vontades de outros, sonhos de outros, vidas de outros.

Dois aspectos do caso me chamaram muita atenção: dos homens que não não participaram de forma efetiva, nada fizeram, não as defenderam, não denunciaram. A outra coisa foi que duas mulheres que também estavam na festa foram separadas das outras e não foram tocadas. Essas eram as namoradas dos dois mandantes do crime.

É triste quando esquecemos que as pessoas são pessoas e passamos a tratá-las como objeto de diversão. E não, o discurso de que a sociedade é culpada não justifica. Para além de tudo temos a idéia de certo e errado, do que machuca e faz sofrer, que, obviamente, não faz parte da realidade destes rapazes.

O plano não saiu como o previsto. Durante as violações sexuais, Michele, 29, e Isabela, 27, (duas das mulheres que foram agredidas) lutaram com os estupradores e os reconheceram: eram seus amigos e, pasmem, o ex cunhado de Isabela e o aniversariante. Por terem reconhecido os agressores, foram levadas da festa e mortas em seguida.

Resolvi me juntar ao movimento, porque não entendo como um caso desses pode ser tão ignorado pelas pessoas. Na verdade tenho a sensação de que, se não fosse pela morte de duas das mulheres, o caso não teria chegado nem aos portais da internet. Como as pessoas podem baixar batido um caso desses?

Isso quer dizer o quê? Que sou especial? Ou que as outras mulheres inventam e se vitimizam? Não. Não. Não. Isso quer dizer que é possível. Que não são “os homens” que estupram “as mulheres”, que não há uma lei natural que determine que “isso sempre aconteceu e sempre vai acontecer”. Isso quer dizer que não é um fenômeno imutável sobre o qual devemos lamentar em voz baixa e rezar para que não aconteça com ninguém que a gente conhece.

Sabemos que vivemos numa sociedade em que as mulheres ainda são vistas como posse. Vivemos numa sociedade que ensina mulheres e cobra delas que não sejam estupradas, ao invés de dizer aos homens: não estupre! O estupro é um crime de poder e humilhação, de violação máxima do corpo. Sabemos de tudo isso. Porém, é espantoso que dez pessoas decidam promover um estupro coletivo.

Compartilhe!Share on Facebook322Tweet about this on Twitter26Share on Google+10Pin on Pinterest0Share on TumblrEmail this to someone

Blogueiras Feministas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.

More Posts - Website - Twitter

Sobre: Blogueiras Feministas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.

20 Comentários para: “Blogagem coletiva: repúdio ao caso de estupro e assassinato como presente de aniversário

  1. Pingback: A gente não aceita violência. Ponto

  2. ótimos textos! parabéns pelo trabalho de utilidade pública feito aqui!

  3. Pingback: Ser paga ou ser pega – a lógica da propriedade e o estupro de Queimadas | Renata Corrêa

  4. Essa foi, sem dúvida, uma das semanas mais pesadas de que eu tenho lembranca.
    Primeiro foi esse caso horrendo – estupro se tornando presente de aniversário – de fato nao há mais limite para a coisificacao das mulheres.
    Hoje abro a o jornal on-line e vejo que o advogado do caso Eloá vai justificar o assassinato como “defesa da honra” (acho engracado que “defesa da honra” nao pode ser questionado mas pairou muitas dúvidas sobre a cosntitucionalidade da lei Maria da Penha).
    Depois, em um blog feminista americano, eu quase caio da cadeira ao ver que os republicanos impediram que mulheres testemunhassem a audiência em que julgariam sobre se os planos de saúdem devem ou nao cobrir a contracepcao.


    Acho que todas nós já ouvimos que o feminismo nao é necessário, que está tudo ok! Esses acontecimentos dessas semanas sao a prova cabal de que NAO, NAO ESTÁ OK…
    Enquanto formos consideradas “pacotinhos de presente” e enquanto homens nos negam o direito sob nossos corpos, nada vai estar ok…

  5. Pingback: Feliz aniversário. | Casa da Gabi

  6. Pingback: Mulher é gente, não é presente « Cynthia Semíramis

  7. Pingback: Biscates em luto, na luta pela liberdade sempre |

  8. Essa semana foi mesmo muito difícil! Tem gente que acha que o feminismo não é mais necessário só por que parece que as coisas mudaram. Parece que a mulher finalmente conquistou seu espaço. Balela, ainda há muita luta pela frente!

  9. Pingback: Fim da humanidade

  10. Boa noite! Ótima iniciativa essa blogagem coletiva sobreo caso de Queimadas. Um caso que nao pode calar! Ainda estou em estado de choque. Conhecia muito Michele, uma das vitimas. Uma garota tão boa,batalhadora, ajudava a família, sonhava em fazer faculdade! Tantos sonhos brutalmente interrompidos! Tanta maldade! Tanta torpeza! Nao consigo entender! O fraude violência e tortura foi muito grande! Conversei com a Promotora de Justiça de Queimadas ( moro na cidade vizinha, Campina Grande, e trabalho no fórum ) e também com o assessor do juiz,e osdetalhes do crime são assustadores! Não quero relatar aqui para não parecer apelativo, mas vcs não tem idéia, a mídia nao divulgou nem metade de tudo q fizeram com essas meninas! E eram amigos, conhecidos. Michele foi à missa e em seguida, ao aniversario! Que o caso nao fique impune! Que nao caia no esquecimento, como tantos outros!

  11. Pingback: Blogagem coletiva – Caso do estupro coletivo em Queimadas. « O Menestrel!

  12. Belo texto. Muito bem escrito. Curioso que os masculinistas dizem que pregamos o ódio aos homens.

    Um grupo de homens que estupra várias mulheres é um ato de amor ou um ato de ódio?

    Um homem que ameaça uma garota de 12 anos com uma arma para fazer sexo com ela é um ato de amor ou de ódio?

    Sabe, li num livro que um grupo de pessoas diz que outra que o ameaça é tudo que eles, na verdade, são.

  13. 1 MINUTO DE SILÊNCIO ANTES DO CARNAVAL PELAS VÍTIMAS DESTE TRISTE EPISODIO

    Eu fiquei sabendo deste crime vendo a tv e fiquei estarrecida, como pessoas podem se juntar, planejar algo sujo e mórbido. Já havia ficado muito triste com o que aconteceu aqui no rio de janeiro dentro do onibus, onde uma menina de 14 anos foi estuprada também. Estou farta de ver homens achando que podem cometer esse tipo de atrocidade sem serem punidos, onde está você MEU DEUS???

    EU SINCERAMENTE AGUARDO QUE SEJA FEITA A JUSTIÇA AO MENOS PARA ESSES ASSASSINOS FRIOS -covardes e crueis!

    Sandra Lemos

  14. Moro aqui em Queimadas e conhecia as meninas, principalmente Izabella(Jú)que trabalhei o ano passado inteiro com ela. Estamos todos amargurados, nossa cidade jamais será a mesma. No dia 8 de Março faremos um manifesto. Além da dor da perda, ficamos chocados com a violência sexual a qual as meninas sofreram, pois não foi só um estrupo, foram vários e com requintes de crueldade. Se fosse pessoas de fora seria terrivel, mas com moradores da própia cidade não tenho nem palavras. As outras vítimas estão trancadas em suas casas, tem uma que foi violentada na frente do marido que é primo dos “Donos da festa”. Não dá pra entender tanta maldade. Espero que a mídia não esqueça para que toda a sociedade brasileira grite por JUSTIÇA.

  15. Parabéns pela ideia de um diálogo sobre assunto tão duro a uma sociedade que parece ter perdido a capacidade de indignação. Resido em Campina Grande e todos os moradores ainda que anestesiados por tal brutalidade são pegos por outro ato residente na barbárie. Ontem, terça, um esposo assassinou a esposa a pedradas. Isto que vocês estão a ler. Apedrejamento. Em um lapso temporal de 10 dias temos mulheres estupradas como que objetos fossem e outra morta por apedrejamento!!! Alteridade e o Outro foram banidas de nossa sociedade? Perdemos a capacidade de dialogar? Somente conhecemos o debate para provocar o embate? Onde reside a (cons)ciência humana?
    Abraços e parabéns pela blogagem coletiva.
    Júnior

  16. Pingback: Estupro: o que nunca será sexo

  17. Nossa, eu acho que eu não conseguiria nem escrever sobre esse assunto, o sangue ferveu só de ler o acontecido. É simplesmente desesperador. Imagina o que elas passaram, imagina as mães…

    Quem fala que o feminismo não é necessário é porque não entende o feminismo. Muitas coisas mudaram, sim, mas é ilusão achar que o que vivemos hoje é o ideal. Ainda precisamos avançar muito pra chegar nesse ponto.

    Não sei como o caso está correndo, espero que eles sejam punidos, apesar de que sabemos como funciona o sistema no nosso país, e no Nordeste (pelo menos na maior parte) há um resquício muito forte do patriarcado, o que só piora as coisas.

    Só tendo fé mesmo…

  18. estou estarrecida com o caso da diretora, de uma escola publica de sp que proibiu as meninas de entrarem para assistir aula por achar que elas estariam vestidas de forma sensual e provocante por favor divulguem uma manifestação de apoio as estudantes e de repudio a uma atitude retrogada e machista. E oq mais me estarreceu foram os comentários favoraveis a atitude da diretora, isto me deixa preocupada com nosso futuro!