Flexão de gênero no diploma

Pode parecer uma coisa simples e boba, mas tem peso simbólico. Em 3 de abril deste ano a presidenta Dilma Rousseff sancionou uma lei de autoria da então senadora Serys Slhessarenko, que torna obrigatória a flexão de gênero nos diplomas. Isso significa que as milhares de mulheres desse país que cada vez mais acessam o ensino superior, vão ter no seu diploma  a flexão feita de acordo com seu gênero.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Algumas pessoas argumentaram que trata-se de uma lei boba, que mais uma vez a presidenta se preocupava com assuntos “menos importantes” ao invés de lidar com questões sérias. Não sei que tipo de lógica é essa, como se a aprovação de uma lei impedisse outras de serem aprovadas. Para mim é significativo que algumas universidades ainda insistissem em usar o masculino como termo “neutro” para designar as profissões, mesmo quando a maior parte dxs estudantes se formando eram mulheres.

Não acredito em termos neutros. Acredito numa linguagem que também está estruturada pelas relações de gênero na nossa sociedade e, que em vários exemplos, reflete uma série de machismos. Aos que acreditam que essa é uma posição radical, é só lembrar quantas vezes os homens se incomodam quando são tratados no feminino, mesmo que num determinado contexto eles sejam minoria em relação às mulheres. Não se trata de uma simples regra gramatical.

Na discussão do nosso grupo sobre o assunto, alguém resgatou a seginte citação:

“Não sabemos se atrás da palavra homem se está pretendendo englobar as mulheres. Se for assim, elas ficam invisíveis e se não for assim, ficam excluídas” (FRANCO, Paki Venegas; CERVERA, Julia Pérez. Manual para o uso não sexista da linguagem (pdf). PROTECA, 2006).

 Para não dizerem que isso é blábláblá de feminista, vale a pena resgatar a citação de Paulo Freire, no texto “A pedagogia dos sonhos possíveis”:

 

“É preciso, então, que nós, educadoras – quero dizer aos homens presentes que não duvidem muito da minha virilidade, mas concordem com a minha postura ideológica de rejeição a uma sintaxe machista que pretende convencer as mulheres que dizendo ‘nós, os educadores’ eu esteja incluindo as mulheres. Não estou. E para provar que quando digo ‘nós, os educadores’ estou falando só de homens, porque não entro nessa mentira macha, eu agora disse, de propósito, ‘nós, as educadoras’, para provocar os homens. E espero que eles se sintam incorporados ao ‘educadoras’ no feminino, para ver como é ruim. Quer dizer, não como é ruim ser mulher. Como é ruim a mulher ser envolvida numa mentira, numa ideologia que pretende explicar sintaticamente, como se a sintaxe não tivesse nada a ver com ideologia – uma falsificação.” (FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis, p. 100)

Saramago traduziu esse sentimento de exclusão em duas passagens (que me lembre), em “A Jangada de Pedra”:

“Quando se encontram vestígios humanos antigos, são sempre de homens, o Homem de Cro-Magnon, o Homem de Neanderthal, o Homem de Steinheim, o Homem de Swans combe, o Homem de Pequim, o Homem de Heidelberg, o Homem de Java, naquele tempo não havia mulheres, a Eva ainda não tinha sido criada, depois criada ficou, Você é irónica, Não, sou antropóloga de formação e feminista por irritação”.

No “Conto da Ilha Desconhecida”, também de Saramago, tem um diálogo em que a “mulher da limpeza” diz assim, ao “homem que queria um barco”:

“… o filósofo do rei, quando não tinha que fazer, ia sentar-se ao pé de mim, a ver-me passajar as peúgas dos pajens, e às vezes dava-lhe para filosofar, dizia que todo homem é uma ilha, eu, como aquilo não era comigo, visto que sou mulher, não lhe dava importância” .
A Lei garante que se uma pessoa quiser corrigir a flexão de gênero do seu diploma, ela pode pedir a reemissão. Parece bobo, né? Mas é o tipo de coisa que faz a gente pensar como o machismo está mega incorporado na nossa sociedade, de várias maneiras e, de como a nossa luta ainda tem muito o que avançar para alcançar uma igualdade substantiva.

Priscilla Caroline

Tem problemas de concentração, mas entre as milhões de coisas que pensa ao mesmo tempo sempre tem alguma coisa feminista.

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Sobre: Priscilla Caroline

Tem problemas de concentração, mas entre as milhões de coisas que pensa ao mesmo tempo sempre tem alguma coisa feminista.

47 Comentários para: “Flexão de gênero no diploma

  1. Uma dúvida: no caso da flexão do nome no singular, de fato ela deve ser realizada e apoio totalmente esta nova lei (nem tinha conhecimento que existia esse tipo de erro na confecção de diplomas). Mas e no plural? considerando que no grupo considerado tenham homens e mulheres, como ficaria? Não estou querendo com essa pergunta insinuar que nesse caso alguém tem que ceder e que devemos manter o plural em masculino ou feminino… apenas me veio esta dúvida na cabeça… alguém tem alguma sugestão?

    no meu caso, eu sou analistA de sistemas, então não haverão diplomas a serem reemitidos para minhas 2 colegas de curso hehe.

    • Fernando, no plural o melhor é que se use as duas formas: “doutores e doutoras”, por exemplo. Isso não está previsto na lei porque até onde sei não existem diplomas coletivos de graduação, mas é algo que já vem sendo usado por muitas pessoas em discursos, por exemplo.

  2. Aqui na França(muito mais que no Brasil) o uso do masculino como termo “neutro”pra designar as profissões é tão comum,que qdo a mulher passa a exercer ela continua a ser tratada como doutor e não doutora,professor e não professora ,médico e não médica etc. Praticamente não existe o termo feminino para essas profissões.Os que existem(rarissimos) não são utilisados. As unicas profissões que encontramos com termos exclusivamente femininos,são aquelas consideradas com inferiores e que são exercidas em sua grande maioria por mulheres:Caixa (caissière),faxineira,empregada doméstica,secretaria etc. Tive muitas surpresa no incio,ao chegar aqui,esperava encontrar um médico e era uma médica ou o contrario. Aqui o sobrenome vem antes do nome. Questão de polidez. O que provocava em mim a confusão. O que se pode esperar senão um homem ao ver escrito Doutor Dupont ou Mercier etc? E nunca doutora,como eu tava acostumada no Brasil? Td isso ja passou,mas me incomoda (como mulher e feminista) a forma como o termo masculino abocanhou todas essas profissões. Sobretudo hj,que nos mulheres somos maioria nas universidades. Abraço,Priscila. Muito bem ecolhidas as citações.

  3. Que interessante, eu não sabia disso. Eu acho que faz grande diferença, ja que a maioria da linguas latinas não tem um neutro. Vamos distinguir entre os dois para reconhecer o trabalho das mulheres. O próximo paso é de perguntar para cada aluno como ele/ela se identifica, para que possamos incluir pessoas que não identificam com seu sexo.

  4. Bem Priscilla, quero fazer uma pergunta, essa flexão de gênero pode ser feita por todos né? Como por exemplo no caso do próximo homem a ser Presidente também querer, assim como a Dilma, sair da neutralidade da letra “e”, que quando no final de quase todas as palavras com exceção de algumas de nome próprio não indica gênero mas sim tem uma função unissex, para afirmar seu gênero sexual escrevendo e falando presidentO?

    Eu quero começar ou recomeçar, afirmando que achei essa lei interessante sim e bem coerente, só achei desnecessário no caso da Presidente, reconhecendo que é um direito dela, pois como eu já disse acima a letra “e” é unissex, não indica gênero e quando indica em nomes próprios é o feminino mas tudo bem. Quanto ao grande patrono da educação, e lógico que ele sabia que se ele quisesse abranger ambos os sexos ele poderia sem problema algum falar: Nós, educadores. A letra “e” é neutra sim e não precisamos também sempre estar dizendo e escrevendo “os” e “as” quando desnecessário até porque concordamos que não á diferença entre um educador homem e uma educadora mulher né, ninguém é melhor que ninguém, então porque sempre, quando no geral, iremos especificar um ou uma quando podemos sim abranger todos e todas sem nenhum prejuízo a nenhum gênero como é no caso de doutores por exemplo, afinal quando no masculino se fala e escreve Doutor e quando no feminino ou “feminina”, Doutora.

    Abraço a todas e todos.

    • Oi, Manuel!
      Eu entendo que a terminação “es” seja mais “neutra” que “os”, por exemplo, mas ela não deixa de ser masculina não.
      Se não, não haveria necessidade de uma forma feminina, né? “Doutoras”, “Educadoras”, “Professoras”, existem porque o “es” é masculino mesmo.
      E como foi dito no texto, isso tem uma implicação importante para a questão de gênero, pois invisibiliza as mulheres, mesmo quando elas são maioria.

      • Eu não acho, em alguns nomes próprios mesmo como Aline, ele chega a ser feminino não é? em outros ele pode até ser masculino mas como no caso de “Aline” só eventualmente, exceção. Será mesmo necessário a perca de tempo de sempre dizer e escrever, professores e professoras quando se pode dizer professores? e é preciso ter bom senso, no caso da palavra e profissão também ARTISTA por exemplo, sinceramente eu continuaria achando muito desnecessário se algum movimento masculinista cobrasse a flexão de gênero ai também para poder dizer que é um “ARTISTO”.

        • Manoel,
          Acho que você está se confundindo… Tem palavras que não tem flexão mesmo, é o caso de Artista, como você citou. Não precisamos mudar nossa língua a princípio e não é essa a proposta. Mas não é perda de tempo ter o cuidado de incluir também as mulheres, quando o substantivo não as contempla necessariamente. Não dói, é só uma palavra a mais a revela a preocupação com a questão de gênero. Já em relação aos nomes, é outra coisa. Quanto aos nomes próprios que você citou, de fato nomes dificilmente são neutros, geralmente se dividem entre feminino e masculino mesmo, mas não entendi qual a relação com a nossa discussão…

          • A relação é de exemplo, artista não é uma profissão também? não se pode se formar em Arte? Só dei num exemplo de que á ocasiões que não se precisa mudar e isso não significa´necessariamente exclusão ou será que os homens são excluídos só por causa disso no caso dessa palavra? Mas quando foi que eu disse que é perda de tempo incluir as mulheres? por favor Priscilla eu NUNCA DIRIA ISSO, eu disse que era perda de tempo sempre falar duas palavras com dois gêneros diferentes quando se pode falar só uma que abrange os dois até porque mulher e homens são igualmente importantes não é mesmo? Não precisamos ter diferenças onde não á nem nos separar sem necessidade, mesmo em algo simples como isso.

            Abraço Priscilla.

            • desculpa os erros, escrevi com pressa rsrsrs.

            • Entendi. Bom nos casos que não precisam mudar, estamos ok. A argumentação, no entanto, é que quando você tem uma plural que possa ser flexionado para o feminino, porque não usá-lo também? Nem todas as mulheres se sentem contempladas com esses plurais que são sempre masculinos, não é? Dei alguns exemplos dos textos do Saramago que ajudam a demonstrar isso. A idéia não é separar, mas incluir, e acho que em relação a isso estamos de acordo ;)

              Abraço.

              • Bem, há cursos como Enfermagem e Pedagogia que no diploma não se faz flexão, mas não deixa de haver tabus sociais na formação do homem para isso.
                Não seria valido como forma de combater estes tabus que houvesse também a flexão de gênero para o masculino?
                Tanto porque, culturalmente, ao se falar do coletivo destas profissões, habitualmente se faz a flexão para o feminino, não por serem trabalhos socialmente vistos como de menor importância (não mais ao menos), mas por serem trabalhos tradicionalmente femininos.
                Conheço homens nos dois, não os vejo reclamar ao serem engrupados coletivamente como Enfermeiras e Pedagogas, mas já vi algumas piadinhas machistas serem soltas sobre eles…

                • Huan,
                  A lei tem um peso simbólico, mas ainda temos muito o que fazer para alcançar uma igualdade de fato, não é? A nossa sociedade ainda é excludente, machista, homofóbica, e a lei não muda isso.
                  Os casos que você citou são alguns exemplos de como a gente não se preocupa com as generalizações no cotidiano. Simplesmente reproduzimos execlusões, nesse caso linguísticas. Isso muda se a questão for melhor debatida e se começarmos a superar alguns preconceitos ;)

                • Acredito que o nome do ou da profissional formado/a em enfermagem seja enfermeiro e enfermeira. Seus diplomas estariam escritos assim, como o caso de psicólogo/a, pedagôgo/a, etc.

  5. ps: Logo Doutores abrange os dois sexos sim, como professores administradores, contadores…

    • Manuel, creio que aqui está havendo uma confusão sintática. Existem adjetivos uniformes e biformes. Os adjetivos uniformes são aqueles que apresentam uma única forma para os dois gêneros (masculino e feminino). Exemplos: capaz, competente. Não há flexão nesse caso: ele é competente, ela é competente.
      Os adjetivos biformes são aqueles que apresentam duas formas para os dois gêneros (masculino e feminino). Exemplo: o homem burguês (masculino)/a mulher burguesa (feminino).

      Quanto aos substantivos, temos também várias divisões. Os substantivos comuns-de-dois ou comuns de dois gêneros são os que designam os indivíduos dos dois sexos mantendo a mesma forma. O gênero é indicado pelo artigo ou pelo adjetivo que a tais substantivos se referem: o acrobata, a acrobata; o agente, a agente; o artista, a artista; o consorte, a consorte; o herege, a herege; o intérprete, a intérprete; o lojista, a lojista; o mártir, a mártir; o patriota, a patriota; o viajante, a viajante; o dentista, a dentista; o jornalista, a jornalista; o suicida, a suicida; o estudante, a estudante; o cliente, a cliente; o colega, a colega; o indígena, a indígena; o pianista, a pianista; o gerente, a gerente; o camarada, a camarada; o imigrante, a imigrante; o mártir, a mártir o fã, a fã; o médium, a médium; o reporter, a repórter.
      Aqui entra seu exemplo: O ARTISTA, A ARTISTA. Não faz sentido a palavra ARTISTO, já que o substantivo não aceita esse tipo de flexão.

      Mais uma informação: a letra ‘e’ não é ‘unissex’. O que essa letra representa está intimamente ligada ao contexto no qual se insere. Alguns substantivos terminados em -e formam o feminino com a substituição desse -e por -a, como em mestre/mestra, elefante/elefanta, infante/infanta, monge/monja e parente/parenta, PRESIDENTE/PRESIDENTA. Observe que nesses casos o ‘e’ aparece de forma explicitamente masculina, de forma que é necessário que ele seja substituído por ‘a’ na formação dos seus relativos femininos.

      Um abraço.
      Kenia

      • Kenia Bahr, bela explicação, muito didática.

        Bem eu to longe de ter esse conhecimento sintático que a senhora tem, muito provavelmente a senhora trabalhe na área não? Mas o que eu quis passar foi que podemos principalmente nesses casos quando se usa a letra ‘e’ no final da palavra, cita-las assim mesmo já que a gramática já permite que se use essa palavra globalizando os gêneros como no plural quase sempre, como em EDUCADORES e em várias palavras no singular também, como HEREGE e INTÉRPRETE. A letra ‘e’ não tem gênero ela só APARECE, como nos exemplos da senhora, de forma masculina assim como em nomes próprios como: Aline, Daniele, Gabriele ela aparece na forma feminina mas não é como as letras ‘o’ e ‘a’ que, fora exceções do tipo que a senhora também deu exemplos, sempre define gênero sim, por isso eu a considero uma letra neutra ou unissex.

        Usei a palavra ARTISTA para dar um exemplo de que também não se precisa sair mudando qualquer coisa pois nem sempre será preciso.

        Quanto a PRESIDENTA, sei que nos dicionários já era aceita essa forma então provavelmente já é gramaticalmente é também né? Bem sei que a palavra PRESIDENTE, também pelo dicionário significa: S. 2 g. 1. Pessoa que preside. 2. Pessoa que dirige os trabalhos duma assembleia ou corporação deliberativa. (AURÉLIO), logo quando fizeram essa flexão, fizeram desnecessariamente, fazendo assim como já discordei, uma separação e especificação de gênero, de sexos, sem motivo tendo a partir dai uma palavra específica para representar o gênero feminino e apenas uma que generaliza os sexos sem nenhuma que especifica o gênero masculino, ou seja, não foi alcançada a igualdade nesse caso. Por isso eu até repito a pergunta para a senhora, a título de informação, se o próximo presidente homem quiser, ele também poderá fazer essa flexão de gênero para afirmar seu gênero sexual e assim escrever e falar PRESIDENTO?

        Só acredito meninas que não á problema em usar tais palavras que terminam com a letra “e” no plural ou singular que já lhes são permitidas gramaticalmente a abrangência de gêneros, sendo que a letra “e” sozinha de fato não define sexo mas sim em casos e casos como aqui foi citado, pois assim se evitam educadores e educadoras, doutores e doutoras, professores e professoras…, que separam para poder juntar a não ser que seja feita num sei como, um tipo de reforma ortográfica para criar ou modificar uma letra ou artigo para que assim se abranja a todos sem precisar fazer distinção de sexo, sei lá, não sei como funciona isso mas com certeza seria bem mais complicado. Minha intenção é só unir, espero que tenham me entendido.

        Um abraço.

        • Para mim, que nem formado sou ainda, uma reforma que poderia ser feita seria a de afirmação e reafirmação, manutenção e inserção da própria letra ‘e’ como definidamente de gênero indefinido. Seria como: menines ao invés de meninos e meninas, e criançes ao invés de crianças, palavra essa aliás que não pode ter nem o ‘seu artigo” flexionado para o gênero masculino. Mas é claro que é a sugestão de um LEIGO, por favor me desculpem se eu tiver uma bobagem muito grande rsrsrs.

          Abraço a TODAS E TODOS, rsrs, :).

          • Bem, Manuel, acho melhor esquecermos os as, os e es e nos atermos às questões feministas, pois, pelo que vejo não há linguistas aqui (não sou da área também não) e nem o objetivo da discussão é esse. O que importa acima de tudo é observar que num país machista, onde as pessoas utilizam uma linguagem machista como a nossa, sempre há muito blá blá blá em cima de qualquer mudança para o empoderamento feminino. E isso perdurará até que as pessoas consigam concordar em descer dos seus altares retóricos. Um abraço!

            • Ok Kenia, e o objetivo do feminismo é a IGUALDADE social entre os sexos, e que assim seja.

              Abraço Kenia.

  6. É impressionante algumas pessoas dizerem que são coisas menos importante, sempre que uma lei é criada em beneficio das mulheres, tem esses comentários, infelizmente a impressão que tenho é que para uma grande parte dos brasileiros, as mulheres são segundo plano e qualquer coisa em beneficio delas é bobeira, mesmo quando não atrapalha ninguém não deveria ser criada, o mais triste é quando vejo algumas mulheres com esse pensamento, parece que o machismo da nossa sociedade contaminou até muitas mulheres, mas vai uma reflexão, alguns países que criaram varias leis “bobas” para a igualdade das mulheres, suécia, noruega, Islândia, como podemos ver se preocupar com “detalhes” não atrapalha em nada, esses países tem excelente educação e IDH, já os países machistas, os quais são praticamente a totalidade do terceiro mundo, não estão tão bem assim.
    Eu acredito que os detalhes faz diferença sim, infelizmente esse país chamado Brasil tem muito que evoluir, mais qualquer degrau que subir já é alguma coisa, e se não atrapalha ninguém, não porque nós homens ficarmos reclamando.

  7. Aqui na Alemanha é difícil achar um texto que nao contenha os nomes flexionados ao se referir a grupos de pessoas em geral. Quando eu recebo informativos da universidade p. ex. sempre vem – Studenten (masculino, plural) e Studentinnen (feminino plural). No singula o sufixo -in significa feminino. As profissoes todas tem feminino – Ärztin (médica), Fahrerin (motorista), Ingenieurin (engenheira) e assim vai. Ah… e a chanceler Angela Merkel é sempre chamada de KanzlerIN Angela Merkel.
    Quando a pessoa tem o título de doutor(a) se designa como Frau Doktor (feminino) e Herr Doktor (masculino).
    E de fato assim é mais abrangente!

  8. Quando se quer entender, uma palavra é suficiente. Quando não se quer, todas as palavras do mundo não convencem.

  9. Só para reafirmar que eu NÃO discordo dessa lei de flexão de gênero como já disse no primeiro texto que escrevi. Eu só fiz algumas ressalvas sobre alguns casos quanto a “necessidade” de distinção de gêneros.

  10. Isso realmente é muito importante!
    Homens também devem lutar contra essa opressão.
    DentistO;
    AlalistO de SistemOs;
    MotoristO;
    CisclistO.

  11. Haja paciência, heim minha gente… Por mais que muita gente discorde, discutir feminismo com quem não tem a mínima idéia do que isso seja, é gastar vela com santo ruim. Axé zurungundum, tá doido!

  12. Eu que, ao pegar meu diploma de graduação, após 5 anos de esforço, com aquela felicidade radiante que só um recém formado sabe expressar, me depara com “confere o título de Engenheiro Civil à Juliana…”, só eu (e as meninas aqui presentes) sabem o quanto aquilo foi um balde de água fria, aquele momento que a vida nos lembra, que a guerra é toda hora, full time, que por mais longe que você vá, sempre estará lá, o machismo assombrando suas conquistas e sonhos…
    Fiquei muito contente com tal lei, ouvi piadinhas de colegas de profissão em grupos de discussão online, sobre ser algo “banal e ridículamente falta do que fazer”, exatamente como dito no texto, como se uma aprovação impredisse a outra…
    É aos poucos, que vejo as coisas mudando, confesso que ao ler tal lei, um sorriso de orelha a orelha ganhou meu rosto, agora sim vou ser engenheirA!!!

  13. Sou a favor da igualdade de gênero, e que muitas das ações para isso partam das autoridades e instituições governamentais. Todavia, me preocupa a bipartição gênero masculino versus gênero feminino, onde não são considerados outros gêneros (dissossiado do sexo). A luta das feministas tem de ter o cuidado de não se tornar discriminatória. Sou a favor de substantivos neutros em diplomas, e quando não houver tal substantivo neutro que seja utilizado o substantivo que sintaticamente englobe todos os gêneros, ainda que seja a utilização de “/” para isso, como por exemplo enfermeira/o; técnico/a; etc.

    • Perfeita a sua colocação Iara, é justamente o que penso. Tem que se ter o cuidado para não “fazer do giro um giral”. Também me preocupo muito e luto contra isso de masculino vs feminino que muitas vezes acontecem até de forma inconsciente na luta por direitos e igualdade mas tem que ser conscientemente observada e corrigida quando for o caso, e por vezes sou mau interpretado por isso. Não gosto de coisas como “guerra dos sexos” que acaba acontecendo mesmo quando sem querer ou de forma boba. Temos que somar e não dividir. O que for pra incluir eu apoio mas o que acabar separando eu descordo categoricamente. NÃO estou dizendo e afirmando de que de fato é o caso e a intenção, só estou atentando para essa questão e o cuidado que deve se ter com isso pois é importante sim.

      Abraços.

      • Iara,

        Acho que excluir seria se a proposta fosse por colocar tudo no feminino ou tudo para o masculino, simplesmente. Não é esse o caso.

        • Verdade Priscilla, mas pelo o que eu entendi a preocupação da Iara é quanto a separação entre os gêneros sem necessidade podendo simplesmente adotar um termo que abranja os dois como na escrita temos o próprio exemplo de “o(a)”, como Doutor(a), Professor(a), ou qualquer outra forma que abranja os dois sexos ao invés de separa-los.

          Abraços.

        • Priscilla, a proposta diz que quem nasceu mulher é do gênero feminino, e quem nasceu homem é do gênero masculino (dado que o gênero do diploma se baseará na certidão de nascimento/RG), quando na verdade as combinações na vida real são diversas. Generalizar no masculino, como antes, era discriminatório. Do jeito que está a generalização continua. Porém, não deixa de ser uma mudança, e se é dando um passo de cada vez que se atinge o objetivo, que assim seja.

          Ps: gosto desse arranjamento para as possibilidades de identidade de gênero: http://www.plc122.com.br/orientacao-e-identidade-de-genero/entenda-diferenca-entre-identidade-orientacao/#axzz1szsaufLT

    • Yara,
      Se já vai digitar o nome do formando porque colocar enfermeiro/a, qual o problema em fazer a flexão? Ninguém esta colocando tudo no feminino, se houver um terceiro genero para profissões (eu desconheço) deveria ser escrito, discordo de /a ou (a), uma vez que já sabemos que será médico(a), o que continua com o masculino como “padrão”.

      • Então que se procure instaurar outra forma, outro termo.

        • Mas sim realmente, nesse caso não tem problema nenhum em especificar o gênero pois se trata da formação daquela pessoa específica, justo.

      • Juliana, é justamente essa associação entre sexo e gênero que não deve ser feita. Um João, nascido homem, pode se sentir/ser mulher (transexual ou diversos outros gêneros existente, por exemplo). Por isso deve-se colocar de forma neutra ou abrangente, mas não categórica.

        • Iara, sonho com o dia em que o João, nascido homem mas que se sente/é mulher poderá escolher se irá querer ser chamado de Médico João ou Médica João (ou Joana), como ele achar melhor…
          Mas acho difícil em um diploma (o que é o escopo da lei) não se enquadrar ou ser categórico quanto ao gênero, deveria-se dar ao formando o direito de escolher o que ficará fixado em sua sala por anos… Porque colocar, título de Bacharel em Medicina, em Enfermagem, creio que tenha restrições legais (sinceramente, desconheço).
          Fiquei muito feliz com a flexão aprovada, meu diploma não vai ser mais de engenheirO.
          O importante é caminhar, mesmo que estejamos longe do objetivo, já me alegra o fato das coisas estarem progredindo…

            • Iara,
              Que notícia fantástica vindo de nosso vizinho.
              Concordo plenamente com seu comentário sobre a realidade brasileira, um país que só é laico para você, se professar a fé vigente…
              Mas já é um começo…

    • Concordo Plenamente, sou transexual e utilizo, inclusive, nome social na instituição em que estudo. Não acredito que deva existir sobreposição de um sexo a outro, como creio todos aqui concordem, mas também não acredito que deva existir a sobreposição do sistema binário(homem/mulher) enquanto existem diversos sexos fora da caixa.

  14. O gênero masculino também será contemplado com a tão justa inclusão nessas ocupações ?

    Aeronauta, Arquivista, Artista, Atleta, Contabilista, Economista, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Jornalista, Massagista, Nutricionista, Radialista, Zootecnista, Oculista, Dentista, Maquinista, Analista de Sistemas…

    E quando se trata de ocupações que denotam neutralidade, como Assistente Social e Despachante, os diplomas vão conter apenas a flexão feminina ou também a masculina ?

    Não vejo igualdade nem inclusão nessa lei, na verdade, vejo igualdade e inclusão apenas para alguns que são mais iguais que os outros. O ideal então, seria trocar o final de todos os adjetivos ou substantivos terminados em “E”, por “A” ou “O” de acordo com o gênero. E as profissões que sua escrita apresenta exclusão de um dos gêneros, como as primeiras que eu citei, assim como engenheiro e biólogo, deveriam apresentar a flexão de gênero de acordo com a pessoa, dessa maneira um homem formado em nutrição seria NutricionistO, e uma mulher formada em engenharia seria EngenheirA.

    Essa seria a maneira totalmente inclusiva. Já que é pra “mudar” a gramática por decreto, que faça isso direito e de maneira que contemple a todos.

    • Heleno,

      O genero masculino já é contemplado a séculos!
      E ninguém está mudando a gramática. Se informe!
      Lamentável!

  15. Passei mais de vinte anos estudando e me obrigaram a aprender as regras de sintaxe, morfologia, gramatica … e não as aplicam nos documentos públicos, é só seguir a regra…

  16. Parabéns pelo site. Lamento pela forma como algumas pessoas abordam o tema, menosprezando, às vezes, um tema tão importante, especialmente, para aquelas pessoas que se sentiram prejudicadas, até mesmo decepcionadas, ao receber o diploma e ver escrito um gênero que não é o seu. Basta que os homens se coloquem do outro lado, como eu fiz, para ver que é necessário essa mudança. Imagine se no diploma que irei receber, após cinco anos de dedicação, vier escrito BACHARELA EM DIREITO, eu jamais iria aceitar.
    Então porque as mulheres tem que ser obrigadas a continuar aceitando isso. São pequenas, porém, importantes essas mudanças, pois se fundamentam no princípio da dignidade da pessoa humana.
    Pela discussão abordada nas redes sociais, pelos e-mails, em blogs, parece até que a nova lei impõe a obrigatoriedade de nos diplomas constar apenas o gênero feminino, quando, na verdade, a imposição é para que conste o gênero daquele cujo diploma pertencerá.
    Aos poucos, este país chegará lá, democraticamente e respeitando suas filhas e seus filhos, cidadãs e cidadãos.
    Abraços,

  17. A questão é, em algumas palavras existe um gênero neutro, enquanto em outras, o é o gênero neutro.
    Presidenta não deveria ser correto, e sim A presidentA, pois teria a flexão de gênero quando usasse o artigo, sendo o presidente ou a presidente, deixando presidente como elemento neutro.
    O certo não está em mudar a gramática, mas sim a mente das pessoas, deixar claro que aquilo é neutro, que não é porque o O define o masculino que em outra situação ele não pode ser neutro.
    Usar presidenta nos casos que deveriam ser neutro, só vai afirmar mais ainda que quando acabamos uma palavra com O, não poderiamos estar sendo neutros, e como não iremos mudar outras palavras pelo simples costume que temos, seria mais facil definir que o termo é neutro, mesmo com o O no final, do que forçar uma mudança desnecessária.

  18. A flexão do gênero, percebe-se, enfatiza a posição da mulher, diante de uma categoria profissional ou uma posição social. Neste caso, como ficam as palavras terminadas em A para profissionais do sexo masculino, tipo jornalista/jornalisto; motorista/motoristo; dentista/dentisto etc. Neste caso, creio, não é uma condição machista, até porque o artigo o/a antes da profissão é que vai definis os sexos. Se eu disser: Jornalistas reprovam lei que obriga flexão de gênero em diplomas. estarei me referindo aos jornalistas homens ou às jornalistas mulheres?