As mulheres de Game of Thrones

Texto de Fernanda Marinho.

Estreia neste domingo a 3º temporada de “Game of Thrones”, série de TV do canal HBO baseada nos livros: “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin. Milhões (sim, milhões) de fãs, como eu, aguardam ansiosamente esse momento.

A série faz parte daquele gênero de fantasia que tem como inspiração a idade média, apresentando reis, senhores, sacerdotes, vassalos e escravos, castelos e disputas por territórios travadas em batalhas e guerras épicas. Juntam-se a isso elementos mágicos e místicos, além de raças e criaturas. Geralmente, nas disputas entre o bem e o mal há uma participação feminina ínfima. Mas é aí que “Game of Thrones” começa a se diferenciar.

A história gira todo em torno da disputa pelo poder dos “Sete Reinos”, que foram reunidos há algumas gerações, quando a história começa. Várias famílias se julgam no direito a tal trono, por motivos de herança, religiosos ou ganância. É quase possível definir vilões e mocinhos, mas nem sempre. Há muita intriga, manipulações e alianças que se realinham.

Porém, vamos falar nas mulheres. Vou tentar dar poucos spoilers das duas primeiras temporadas, e nenhum dos outros livros.

As personagens Catelyn, Sansa, Arya, Cersei, Brienne e Melisandre. Fotos: Helen Sloan / HBO.

As personagens Catelyn, Sansa, Arya, Cersei, Brienne e Melisandre. Fotos: Helen Sloan / HBO.

Quando começa a história, ficamos conhecendo a Casa Stark, que parece inicialmente ter os mocinhos da série. Papai, mamãe e filhinhos, todos bonzinhos (apesar da figura de um filho bastardo entre eles), o que parece que vai lhes garantir um destino vencedor. Parece.

A cabeça da família é Eddard Stark. Sua mulher, Catelyn Stark, recebe o sobrenome do marido ao se casar e passa a fazer parte da sua casa, como acontece no nosso mundo mesmo. Não gosto muito da personagem, mas é preciso respeitá-la. Firme, decidida, correta e muito ligada aos filhos.

A família tem ainda duas meninas, que não poderiam ser mais diferentes uma da outra.

Sansa é uma pré-adolescente sonhadora e romântica, que corresponde ao padrão feminino da época. É bonita e educada. É uma das personagens mais odiadas, mais até do que os vilões. É curioso já que ela se comporta como o esperado dela, com alguma ingenuidade, exatamente igual ao seu irmão Robb, mas o papel masculino típico é valorizado, não é? O feminino não.

Sua irmã mais nova já é bem diferente. Arya é rebelde, quer aprender a lutar e a empunhar armas, e não a bordar. Durante o decorrer da história, lutar deixa de ser uma escolha. Arya é ainda uma criança, mas é inteligente e corajosa. Sobrevive se escondendo, se disfarçando, fugindo e… Não vou contar mais para não estragar as surpresas.

Se os Stark são os mocinhos da série, os Lannister são os vilões. A Casa é conhecida por sua riqueza e por sempre pagar suas dívidas. Está ligada ao trono pelo casamento de Cersei Lannister com o Rei Robert Baratheon.

A Rainha descobriu cedo o que significa ser mulher naquele mundo, quando percebeu as diferenças de tratamento entre ela e seu irmão gêmeo.

“Quando éramos jovens, Jaime e eu, éramos tão parecidos que nem nosso pai conseguia nos diferenciar. Eu não entendia porque nos tratavam de forma diferente. Jaime era ensinado a lutar com a espada, a lança e a clava, e eu era ensinada a sorrir, a cantar e a agradar. Ele era o herdeiro do Rochedo Casterly, e eu fui vendida para um estrangeiro como um cavalo para ser montado quando ele desejasse.”* (Tradução minha, não a oficial.)

Cersei passa então a usar sua beleza como principal arma, e a influência que tem através dos filhos para comandar.

Já Brienne de Tarth não tem beleza física. É extremamente alta e considerada feia. Mas ela quer lutar. Espanta a todos quando vence um torneio e, ao tirar o capacete, revela ser mulher. Só assim ela consegue ser reconhecida como guerreira.

Do outro lado do oceano, se preparando para entrar na “Guerra dos Tronos”, está minha personagem preferida: Daenerys.

Daenerys Targaryen. Foto: Keith Bernstein / HBO.

Daenerys Targaryen. Foto: Keith Bernstein / HBO.

Herdeira da Casa Targaryen, que foi deposta do trono, a menina começa o seriado cheia de incerteza, manipulada e vendida pelo irmão para se casar em troca de um exército. Percebendo sua força, resolve ir atrás do trono renegado. Mas logo de cara vai percebendo que o mundo não é fácil para mulheres. Ao longo dos livros ela vai crescendo e errando também. Encontrando muitas dificuldades e machismo. Em dado momento, quando passa a ter que discutir com um conselho de homens que a menosprezam, passa a ser irônica e a dizer “Eu sou apenas uma jovem garota inexperiente em guerras, mas se a gente fizesse o seguinte…”. A frase só funciona porque ela, na verdade, é quem decide.

Há ainda a Asha Greyjoy (no seriado, foi chamada Yara, não me perguntem por quê), que na falta de seu irmão Theon assumiu os exércitos do pai. Melisandre, feiticeira e líder religiosa que influencia o Rei Stanis. A selvagem Osha que tem um papel fundamental quando a guerra começa a ficar feia. Meera, a caçadora que conduz um grupo de fugitivos. Ygrite, a selvagem biscate que vive a dizer “Você não sabe nada, Jon Snow”.

São várias e diferentes mulheres, vivendo suas vidas, fazendo o melhor que podem no contexto em que estão inseridas, cada uma do seu jeito. Agindo num mundo tão limitador para elas quanto na nossa Idade Média. E a questão de elas agirem, nesse contexto, faz toda a diferença em relação a tantas obras de fantasia e ficção científica, em que as mulheres são decorativas ou apenas pares românticos dos mocinhos e bandidos, quase sempre jovens, belas e despidas.

Na Guerra dos Tronos elas são sujeitos, influenciam tanto quanto os homens, mas de maneiras diferentes. São crianças, jovens e maduras, heroínas e vilãs, belas e deslocadas, sedutoras e guerreiras. Todas lutando e sobrevivendo num contexto que não lhes é amigável, que as coloca como propriedade dos homens.

Apesar do autor não reconhecer, creio que isso seja do que o feminismo se trata, muito mais do que uma obra em um universo que se pretende sem machismo.

É uma obra que mostra as mulheres sobrevivendo e lutando como podiam, vencendo limitações. Fico imaginando quantas mulheres ao longo da história não tiveram papéis tão decisivos como essas da ficção, mas que foram apagados dos livros de história, principalmente por se desenrolarem nos bastidores e de maneira informal. Quantas mulheres como essas não puderam contar suas historias.

—–

*“When we were young, Jaime and I, we looked so much alike, even our father couldn’t tell us apart. I could never understand why they treated us differently. Jaime was taught to fight with sword and lance and mace, and I was taught to smile and sing and please. He was heir to Casterly Rock and I was sold to some stranger like a horse to be ridden whenever he desired.”

Para saber mais:

[+] Sobre Feminismo e as Crônicas de Gelo e Fogo por Lizzy.

[+] “Game of Thrones is more brutally realistic than most historical novels” por Tom Holland.

[+] “In Defense of Sansa Stark” por Rhiannon.

Fernanda Marinho

Redatora profissional, tenista amadora e minimalista em construção.

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Redatora profissional, tenista amadora e minimalista em construção.

61 Comentários para: “As mulheres de Game of Thrones

  1. Amei o post, Fernanda! Amei…amei…amei… =)

    As mulheres de The Game of the Thrones foi um dos motivos que me fez apaixonar pela série. Pela primeira vez um conto mostra mulheres como seres ativos, protagonistas de suas histórias e nao aquele estereótipo nauseante de “boneca de porcelana sofredora por que prescisa de marido/filhos”.

    Ainda nao li os livros (no momento sem dinheiro para compra-los e ninguém para emprestar) mas assim que puder vou ler com certeza.
    Daenerys Targaryen e Arya Stark sao minhas favoritas. Também tenho muito respeito e admiracao Catelyn Stark que no decorrer da séria se tornou muito importante.
    Brienne merece uma homenagem a parte. (Spoilers) A cena que ela vinga a morte das três prostitutas é f*dástica (“two quick deaths”). o/
    Cersei merecia estar no trono de fato, apesar de nao ser “boazinha”. Ela é muito mais parecida com o pai do que seus irmaos. Por sua condicao de mulher, Tywing Lannister nao reconhece que sua filha é tao boa política e estrategista quanto ele.

    Roendo as unhas de ansiedade pela 3° temporada!!!!

    • Que bom que gostou, Fran!

      Também me surpreendeu muito! Se não fosse por elas, eu provavelmente não teria assistido ao seriado todo, e muito menos lido os livros.

      A Arya e a Daenerys também são as minhas personagens favoritas. Sempre fico torcendo para chegar os capítulos delas, nos livros. Gosto muito dos capítulos do Jon Snow também. Adoro a muralha! Hehe… Eu lembrei agora dessa cena da Brienne! É super empolgante mesmo!

      Não tinha pensado sobre a Cersei desse jeito. Tem razão. Eu queria comentar mais coisas sobre ela, mas não quero dar spoiler. Então depois a gente continua essa conversa. Hehe…

      A terceira temporada, se seguir o que aparece no livro, vai ser a melhor até agora :)

  2. adorei o texto. sou louca por Game of Thrones (daquelas que está fazendo contagem regressiva para a nova temporada desde que a última acabou), e obviamente apaixonada pelas incríveis personagens femininas.
    nunca fui muito fã da Sansa e da Cat, mas essa semana compartilharam uns posts pelo facebook que abriram um bocado meus olhos:
    http://feministfiction.com/2012/05/10/in-defense-of-sansa-stark/
    http://feministfiction.com/2012/08/09/in-defense-of-catelyn-stark/
    acho que eles ampliam ainda mais a discussão do seu post. (:

    • Oi, Bia!
      Pois é… O link do texto da Sansa eu até coloquei no fim do meu post. A Cynthia tinha me dado a indicação uns dias atrás. O da Catelyn eu não tinha lido. Eu respeito a Catelyn e sempre entendo as razões dela. É mais uma questão de simpatia mesmo. E eu acho que ela, assim com o Ned e o Robb, mete muito os pés pelas mãos. Vou ler o link dela. Obrigadinha ;)

  3. Lendo o livro “O Cavaleiro de Westeros e outros contos” que se passa cerca de um século antes da trilogia “Canção do Gelo e do Fogo” (ao menos O Cavaleiro de Westeros se passa ao contar a história de Sor Duncan http://wiki.gameofthronesbr.com/index.php/Duncan) notei que nem o personagem de lendas mais insignificante é alguém com uma psique plenamente formada a exemplo dos primos da Casa Fossoway que dividiram a casa aqui em a Maça Verde e a Maça Vermelha por motivos que não falarei para não estragar esta leitura.

    Martin já se pronunciou alegando não usar o feminismo na obra dele, mas ele é permeado pela ideia de que homens e mulheres são humanos dignos de nota, com vontades, personalidades e necessariamente independentes enquanto indivíduos. Isso é igual a quem alega não ser machista mas o é. Ele não é militante, mas fico feliz em ver que o feminismo teve bons frutos, afinal, como fã de literatura do gênero e de RPG (começarei a jogar um jogo do RPG de GoT lançado pela Jambo esta semana) já estava farto de princesas em castelos e bikinemail x_x

    • Oi, Sonado!

      Eu ainda não li esse livro. Só os 5 mesmo das “Crônicas de Gelo e Fogo”. Vou procurar. Vale a pena? É bom mesmo? Fiquei receosa de ser um caça-níqueis se aproveitando do sucesso da série.

      Eu li o pronunciamento do GRR Martin sobre o feminismo. E pensei o mesmo que você escreveu no seu comentário. Há obras que podemos dizer que são feministas porque têm um discurso e retratam uma situação de busca pelos direitos das mulheres. Há ainda aqueles de universo alternativo que buscam retratar um mundo sem machismo (mas eu acho que falham, pois sempre se baseiam no mundo real, e ele é machista). Mas se considerarmos que o feminismo é a crença na igualdade dos gêneros e não somente a luta por direitos que o garantam, os livros deles também são feministas, pois mostram mulheres que, mesmo em situação de desigualdade, são sujeitos com atributos equivalentes aos homens.

      Morri de rir com o “bikinimail”. Hehe… Eu comprei o jogo de cards da Galápagos, sabe? E é bem legal. O RPG deve ser muito bom também, mas não tenho tempo para me dedicar, infelizmente.

      • Recomendo dar uma lida nas 114 primeiras paginas, garanto que não vai se arrepender: http://www.saidadeemergencia.com/files/products/Cavaleiro_de_Westeros.pdf

        Bikinimail é algo que qualquer jogador de RPG com o mínimo de maturidade sente vergonha em saber da existência.

        Não cheguei a conhecer esses cards da Galapagos, lamentavelmente sou novo, de origem pobre do interior, dai não tive a felicidade de por as mãos no material, mas já ouvi falar dele. RPG é algo magico por si só que na verdade não precisa de tanto tempo. Se um dia tiver a oportunidade recomendo, principalmente pelas experiencias antropológicas. ^^

        • Eba!!! Vou ler!!!

          Eu já joguei muito RPG na adolescência e começo de vida adulta. Jogava AD&D e um pouquinho de Vampire. E parei por causa de tempo. A gente não conseguia dia e horário bons para reunir o grupo.

          O card é bem legal. O bom é comprar dividido com alguém, já que vem com as cartas das 4 casas principais. Se você dividir com 4 pessoas, fica me conta. Foda é achar gente pra isso.

          Muito obrigada :)

  4. Li até o 5º livro e posso dizer que todas as mulheres são punidas, sofrem tanto com violência física quanto simbólica.
    SPOILER

    Aliás, a série está bem diferente e aquém dos livros. Nenhuma mulher conquista seus objetivos, até então. Nem a grande esperança que é Daenerys

    Quem inaugura a guerra entre os tronos é a Catelyn, uma mulher, que desestabiliza uma frágil aliança existente.

    Todo o restante é sempre essa relação de morte, sofrimento, violência contra mulheres.

    Na minha concepção RR Martin é misógino.

    • Jura que você acha isso?

      Também li os 5 livros da série.

      Sobre a violência física e simbólica, ela é sofrida por quase todos os personagens, homens e mulheres, em um momento ou outro. Há algumas mais simbolicamente ligadas ao feminino mesmo como, por exemplo,… SPOILER… o que fazem com a Cersei no final do 5o livro. ACABOU O SPOILER. Mas isso acontece justamente porque o universo do livro é machista, assim como o nosso, assim como o usado como inspiração pelo Martin que é o do começo da idade média. Na verdade, historicamente, a coisa fica pior para as mulheres ainda no decorrer da idade média, com inquisição, caça às bruxas e tudo mais.

      Sobre nenhuma mulher conquistar seus objetivos, para começar nenhum personagem conquistou seus objetivos, mesmo porque a série ainda não acabou e todas as histórias estão em andamento. Tanto homens quanto mulheres. Todos estão se dando mal, mas se superando. Veja os Stark, por exemplo. O Jaime. O Tyrion. O Jon Snow. Aliás, no caso dos Stark, as mulheres até se saíram melhor que os homens, não é?

      Eu gosto muito da Daenerys. Acho que a história e o personagem dela e da Arya são os mais legais.

      Quanto à guerra, quem inaugura na verdade é o Ned, ao burramente ir contar pra Cersei que sabe do segredo dela. Aí, para piorar, vem a Sansa e burramente delata que o pai ia voltar pro norte. Aí vem o Joffrey e burramente mata o Ned, desagradando o norte. Aí a fofoca da dúvida sobre a paternidade do Joffrey se espalha e faz com que os Baratheon digam que ele não é herdeiro do trono, e passam a lutar pelo trono. A atitude da Catelyn, que eu também julgo muito equivocada e burra, é mais periférica. Não é ela que desestabiliza a aliança.

      E todo o livro fala de morte, sofrimento e violência mesmo. Não só contra mulheres, mas também e de um jeito bem específico contra elas. Afinal, é uma guerra, em um mundo baseado na nossa idade média. Não tinha como ser diferentes. Apesar disso, as mulheres estão aí demonstrando seu valor, fazendo o que podem. Lutando, se disfarçando, influenciando, umas conduzindo, outras sendo conduzidas.

      Na minha concepção, o autor retrata bem a realidade do começo da idade média, acrescentando seus elementos mágicos. Os acontecimentos se baseiam num fenômeno muito importante da era pós expansão romana que é a tentativa de unificação de reinos, sempre sob a justificativa da manutenção da “paz do reino”. Me parece uma espécie de retrato mesmo dos costumes dessa época, incluindo os estupros (ligados aos saques), o valor da mulher em ser educada para ser dama, o preconceito contra as que não são (Arya, Brienne, cujos apelidos remetem a coisas feias, cara de cavalo, donzela não sei do que), etc.

      Obrigada pelo comentário :)

    • TONELADAS DE SPOILERS

      Olha, ninguém esta conseguindo realiza objetivo nenhum. Quem esta conseguindo mais ou menos é a Daneris que cá entra nós, provavelmente é a reencarnação de sabemos quem e o centro de toda a Canção do Gelo e do Fogo.

      Periga o Príncipe do Dorne estar sendo o mais bem sucedido dentro dos 7 reinos e todos sabem que com o estagio da gota dele o infeliz não dura muito, sendo a filha dele quem vai assumir o poder (pela lei do Dorne não importa o sexo do filho mais velho, é ele quem assume o trono). E é interessante que toda a trama do sul esta correndo baseada ao fato da Montanha que Cavalga ter matado os filhos da Elisa Martell (esposa do ultimo Cavaleiro do Dragão), depois a estuprado e por fim a ter matado. Uma vingança bem apimentada, onde os personagens de ambos os gêneros são bem fortes, presentes e marcantes.

      • Sim! Sim! Sim!

        Adoro a história de Dorne e todas as reviravoltas que vem com ela. Estou doida para chegar essa parte no seriado. Dá até vontade de ler os livros de novo :)

        E não aguento mais de ansiedade pelo próximo livro. O final do quinto deixa a gente doido!

  5. Amei o post, Fernanda! Também sou muito fã de GoT, e a Arya, a Asha e a Brienne são minhas personagens favoritas. Eu amo os livros principalmente por causa das personagens femininas, elas são muito bem escritas e tão reais que a gente acaba se identificando com cada uma em algum momento. Como você disse, algo assim é raro de se ver na ficção, as “mocinhas” são sempre frágeis e indefesas, e isso cansa! Tanto os livros quanto a série estão retratando essas “mulheres de verdade” muito bem.

    Só um adendo: o nome da Asha Greyjoy foi mudado para Yara na série porque os autores pensaram que o público poderia confundir o nome dela com o da selvagem Osha, por causa da pronúncia. É estranho, mas foi o que eles decidiriam.

    • Ahhh… Faz todo sentido. Eu sempre confundo a Asha com a Osha no livro. Na primeira vez que escrevi esse post, por exemplo, eu troquei. Hehe… O problema é que Yara ficou muito parecido com Arya, né? Fugiram de uma confusão e causaram outra, eu acho.

      Pois é.. Gosto muito das mulheres e de ter não apenas as mocinhas, mas as más, as fodonas, as burras, as biscates, as guerreiras, as crianças. Tem de tudo. E o mundo é assim, não? Então eu curto muito.

      Acho muito legal também que tanto as mulheres quanto os homens erram umas vezes, fazem burrada, são brilhantes em outros momentos, têm todos os tipos de sentimento, fazem maldade e bondade e sofrem consequências mais realistas de seus atos. Por exemplo, não é só porque um personagem é bonzinho que ele vai vencer todos os desafios, ainda mais porque ser bom e correto em um mundo em guerra não é fácil. Gosto muito :)

      • São muitos Jon/Johns para minha cabeça…tem Jon Ayrin, Jon Snow, Sir John, o Violinista, John Mudd…

        No fim das contas perder-se em nomes de personagens é algo totalmente habitual nessa história toda’-’

        Alias, também sou fã da Arianne Martell e estou bem curioso para ver a Obara Sand (filha bastarda mais velha do Oberyn Martell, a Vibora Vermelha e lider das Serpentes da Areia) sentada no conselho de Porto Real com todo o gênio temperamental…o Doran Martell sabe como me cativar como leitor em por ela naquele posto.

        • Hahahha.. Verdade… Eu chamo Fernanda, né? E estou acostumada a ter um monte de outras Fernandas onde quer que eu vá.

          Pelo menos tem os sobrenomes para ajudar, não? Mas é muito personagem. Quando muda de um ponto de vista para outro, eu sempre tenho que fazer todo um esforço mental para lembrar quem são os personagens daquele capítulo, onde eles estão e tal. Nesse ponto, o seriado facilita, porque junta o nome com a cara da pessoa.

          Adooooro as Serpentes da Areia! Eu achava que o Doran era um bobão passivo no começo do quarto livro, até que ele vai revelando seus motivos. Ai ai… O Martin podia lançar o próximo livro logo!

  6. Discordamos mesmo. O que acontece com o Martin é que ele escreve bem, constrói personagens bem caracterizados e com eles a trama se desenvolve.

    A trama se passa , se fosse pensar na Idade Média, no final dela, no séc XV, pois o autor numa entrevista, afirma ter se baseado na Guerra das Rosas, que ocorre na Inglaterra, por disputas dinásticas, nesse século. Nesse momento a caça à bruxas tinha abrandado na Europa.

    Esse séc é o de transição para a Idade Moderna, em se pensando na historiografia européia, onde já se questiona o sagrado, há o Renascimento e uma nova concepção de homem.

    SPOILER.

    As mulheres Stark perdem muito. A Catelyn ficou mutilada, impedida de falar, sem forçar sua mão na garganta. (ele a matou e o Thoros de Myr a trás à vida, ou seja um homem a reviveu).
    Quem sequestra o Tyrion foi ela, o que dá o motivo que os Lannisters queriam, para quebrar o poder dos Stark no norte. Ela nem esperou chegar em Porto Real, mas acreditou na mentira de sua irmã ( que havia matado o ex-marido, pelo amor de Mindinho).

    A Arya, desde o final do 1º livro só se dá mal. Vive na caminhada p a Patrulha da Noite, disfarçada de menino, quase estuprada muitas vezes. Tem um histórico de sofrimento ininterrupto, mesmo quando ela vive na Casa do Deus de Muitas Faces.

    A Sansa, fica por duas vezes refém, uma vez com os Lannisters e outra com o Mindinho ( que a quer como mulher-objeto e não como filha, como a apresenta).

    A Cersei, que de fato questiona não poder governar mesmo sendo rainha, o pai lhe tira o poder, como mão, num primeiro momento, e depois é presa pela “Santa Fé”. Desfila nua, passando por toda cidade, tem dejetos jogados nela, é humilhada pela população. E tem de pedir (antes) perdão pelos crimes que, veja, Jaime também cometeu. Ela queria ter nascido HOMEM, nunca defendeu a emancipação da mulher.

    A Brienne de Tarth, uma guerreira, é fato, mas que é quase morta e estuprada várias vezes. Tem o rosto comido por um algóz. É enforcada e volta à vida, o Martin não diz como.

    A Asha Greyjoy,uma mulher de ferro, não é reconhecida pelo pai como herdeira, por ser mulher. Embora lute bem e seja corajosa. Nesse “momento” está presa junto com o Satannis.

    A Daenerys, filha da tormenta e mãe de dragões, sofre o tempo todo, mesmo conseguindo sair das situações mais caóticas, A última, por em quanto, foi caminhar como bolhas no corpo, diarréia, menstruada, famélica, quase morta, e subir no Drogon e comer carne de cavalo torrada em loco.

    Para citar as mais importantes.

    O Mindinho e a Aranha alcançaram seus objetivos (aquele de poder voltar ao poder e este em entronar a casa Targaryen, se o Martin não mude isso).

    Concordo quando você diz que tudo pode mudar, e acabo torcendo para isso.

    Esse livro, repito, tem personagens muito bem construídos, sólidos cuja história prende a atenção. Mas não é um livro FEMINISTA, nunca!!

    Para sê-lo deveria dar protagonismo às personagens femininas que discordassem, questionassem o papel da mulher. Pelo contrário, todas as mulheres importantes passam por um calvário de dor e sofrimento.

    O fato de vivermos numa sociedade machista não subsidia um livro machista, ainda mais de ficção.

    • Discordamos mesmo, pelos motivos que eu já explicitei.

      Sobre a época retratada, na verdade ele usa uma mistura de fatos históricos, não só a Guerra das Rosas. Tem até um link sobre isso no fim do post, mas está em inglês.

      Sobre se ferrar, todos se ferram. Você fala das mulheres, mas os homens também sofrem pra caramba.

      E a diferença fundamental de entendimento é que eu não acho que um livro feminista seria um livro que retrataria um mundo ficcional sem machismo (teria que ser ficcional, e não ter nada a ver com o nosso), mas também um que retrata um mundo machista como o nosso em que as mulheres não são inferiores, são sujeitos e protagonistas. Se as mulheres do livro fossem mais burras, mais fraquinhas, inferiores aos homens, aí sim seria um livro machista. Ou então não estivessem presentes na história, ou subrepresentadas, que é o que acontece na maior parte das obras do gênero. Mas, não, elas não são. E elas se fodem porque o mundo é machista, como a maioria das mulheres ainda se fodem hoje em dia no mundo real, o que inclusive é contra o que as feministas lutam.

    • Se feminismo é a revolucionária ideia de que mulheres e homens são gente, então a obra é feminista. Claro que a obra não é ativista, esta mais para algo passivo.

      Uma regra sobre o Martin: “você gosta de um personagem…que pena, vamos torturar e matar ele de formas humilhantes para mostrar como nosso mundo é injusto.”

      (SPOILER ON)

      O que me faz lembrar do primeiro conto do O Cavaleiro de Westeros e outros contos onde os 7 deuses dos andalos mostram claramente a face perversa deles, prendendo uma pessoa em tormento eterno, só em uma dimensão paralela, imortal e sempre sendo curada da própria insanidade da solidão para poder continuar sofrendo para sempre…ele mesmo mede o tempo pela cor que o sol teve, o que remete a uma existência inconcebivelmente longa.

      (SPOILER OFF)

      Caso qualquer obra onde mulheres são humilhadas, mortas ou até antagonizadas for machista, então temo que somente livros de caráter totalmente utópicos poderiam ser feministas e dai falamos de algo paradoxal, pois até onde sei o feminismo existe para combater essas situações, logo, em tal obra, o feminismo teria se tornado algo obsoleto.

      Alias, quem diabos é o protagonista dos livros do Martin? Eu já li dezenas de foruns com as teorias mais diversas e ninguém tem certeza de quem é a verdadeira reencarnação de Azor Ahai (qhttp://wiki.gameofthronesbr.com/index.php/Azor_Ahai), se é que a profecia não é mais uma das pegadinhas do Martin. A verdade é que a maioria das teorias apontam Danerys como a reencarnação dele, sendo assim, a maioria das teorias alega que ela é a protagonista da história…

      Concordarei que o livro não abarca o necessário para ser tido por feminista contudo, o próprio autor deixa claro a não intenção disso. Assim como no RPG Lobisomem o Apocalipse não é uma obra feminista, pois o rei é um homem, humano e russo da tribo dos Prezas de Prata(http://livrodosespelhos.com/os-presas-de-prata/) chamado Jonas Albrecht…mesmo que tenha ao seu lado uma personagem declaradamente feminista da tribo das Fúrias Negras chamada Mari Cabrah (http://livrodosespelhos.com/as-furias-negras/) e que questões sociais sejam altamente valorizadas no decorrer das dezenas de livros da série.

      PS.: as autoras do Livro dos Espelhos são declaradamente feministas

      Alias, meu primeiro contato com o feminismo foi justamente por conta deste RPG, motivo pelo qual sempre tento abordar meu joguinho como uma ferramenta de transformação social :P

    • Citia, olha só:

      ~ULTRA SPOILER ALERT~
      O Thoros é um sacerdote vermelho e ele não ressuscita só a Cat. Na verdade, não foi ele que ressuscitou ela, foi o Beric.
      Quando ela sequestrou o Tyrion foi por acreditar que ele tinha tentado matar o Bran e não pela Lysa. Embora ela tenha acreditado na mentira da Lysa, só rolou isso pq ninguém gosta muito dos Lannisters.
      Quem causou a guerra não foi a Cat, embora muitos acusem ela disso. Foi o Ned. Se ele fosse razoavelmente esperto não teria falado tudo aquilo para a Cersei.

      E o Balon totalmente ama a Asha e cria ela para ser a herdeira de pyke. Quem não quer ela como herdeira são os outros homens da família, que se aproveitam da queda do Balon para tirar um direito que era dela.

      E não são só as moliéres que sofrem lá… todos os personagens pagam pelos erros que cometem e são recompensados pelos acertos. Pensa:

      O Stannis só se fodeu o tempo todo, mesmo sendo (pelas leis de westeros) o rei legitimo
      Todos os reis no trono de ferro e suas respectivas mãos foram assassinados
      O Theon… bom, esse acho que foi quem mais sofreu em toda a história
      O Jaime perdeu a mão, o Tyrion perdeu o nariz e o pai negou casterly p/ ele
      O Kevan também se deu mal….

      Acho que a questão da igualdade no livro é a seguinte: A sociedade é podre e cruel. Mas homens e mulheres tem importância. Homens e mulheres sofrem, aprendem e progridem. Obvio, as mulheres sofrem mais porque a sociedade do livro é machista. Mas no geral, se for falar de morte e mutilação, todo mundo ali passou por algo assim. Ninguém foi poupado do sofrimento.

  7. Fernanda, não disse que para um livro ficcional ser feminista não haveria machismo. O que eu disse foi que deveria ter protagonistas que questionassem o machismo. As mulheres fortes do livro queriam ter nascido homens (Brienne inclusa, só a menina Arya que não). Coisa bem diferente.

    Somente no mundo da Disney as mulheres são burras, frágeis e fúteis. Imagine como eram as camponesas/servas, na Idade Média?

    O link em inglês que você cita é o da HBO? Por que o da wikipedia fala da guerra das rosas e de ivanhoé (publicado no séc XIX).

    • O link do The Guardian, lá no final. Este aqui olha: http://www.guardian.co.uk/tv-and-radio/2013/mar/24/game-of-thrones-realistic-history.

      As mulheres fortes queriam ter nascido homens pela posição social dos homens, porque elas queriam não sofrer com o machismo, queriam ter o poder e as possibilidades masculinas.

      Não entendi o comentário da disney e das camponesas.

      Os demais comentários desse tópico também tem considerações importantes sobre esse assunto, principalmente os do Sonado. Dê uma lida. Eu já estou me repetindo aqui.
      ;)

  8. Parabéns pela postagem! Você resumiu com muita propriedade as mulheres de westeros, de pyke e de tarth, e são tantas… e ainda sem estragar o livro/seriado de ninguém. Um tempo atrás eu postei sobre isso no meu blog. Minhas personagens favoritas da série são Arya e Daenerys, e não por acaso são duas destemidas.

    No meu post eu falei o seguinte: “Em Westeros, vigora a lei do fogo e da espada. Entre brigas de reis, banhos de sangue e batalhas, estão as mulheres. E elas são o fio condutor da mudança, do amor, e da coragem, mas também do ódio e da dor. Elas que sentem tudo, enquanto os homens tragam a terra em guerras vermelhas. E tem mulher pra todo tipo de perfil: tem a rainha Cersei Lannister, intolerante, ambiciosa, fria, mas que defende seus filhos como uma leoa. Daenerys Tangaryan, filha de reis e exilada, obrigada a casar com um guerreiro em troca de um exército, e que se torna a mãe dos dragões. Arya Stark, filha dos lobos, que aprende desde muito criança a sobreviver no mundo asqueroso da morte. Recomendo ler todos, e saborear cada trama que se desenrola no feminino da história. No poderoso e frágil”.

    Beijos e parabéns!

    • Obrigada, Lyra!

      Eu só não acho que as mulheres monopolizam os sentimentos. Hehe… Os homens também passam por provas, sofrem, sentem inveja e raiva, amor e tudo o mais. E é legal ter a Brienne para nos representar nas batalhas também, não? O livro é bem plural. Gosto disso.

      Beijo!

  9. Fernanda, li o artigo e as citações das referências históricas que o Martin tenha usado e, excetuando o fogo grego cujos bizantinos faziam uso,o resto é pelo final do XIV e XV. Achei bem interessante o artigo, obrigada.

    Falei da Disney porque você referiu-se ao fato de SE o Martin fizesse mulheres burras, fraquinhas e tal, consideraria o livro machista. O que eu quis dizer é que mulheres comuns, ao longo da história, são bem diferentes dessa visão idiota (da Disney) de mulher.

    Bem, discordamos e não vejo problema nisso. Pelo contrário dialogar é sempre bom.

    Sonado, discordo dessa concepção de feminismo que você apresenta, ou seja, “Se feminismo é a revolucionária ideia de que mulheres e homens são gente, então a obra é feminista.”

    Entendo feminismo como a luta contra opressão feminina. Os homens que se virem, se quiserem caminhar conosco tanto melhor (meu filho caçula é feminista, p.e., já o mais velho, bem… já é um longo caminho). Obviamente, considero que o fim dessa opressão contra a mulher libertará aos homens, também. Afinal a realidade é dialética.

    Outro lance, o Martin não constrói protagonistas, você está certo, mas eu também não disse que o fazia. Disse que um livro de ficção, que bebesse na fonte histórica que quisesse, para ser feminista, deveria ter protagonistas que discutissem, discordassem do papel social da mulher. E, na minha opinião, o Martin não faz isso.

    Cara, todas as mulheres, todas, dos livros “dançam”, já os homens não, nem todos.

    Enfim, ia escrever mais um lance mas esqueci, então fica isso.

    • Peguei a charada. A nossa diferença de opinião é esta:

      “Sonado, discordo dessa concepção de feminismo que você apresenta, ou seja, “Se feminismo é a revolucionária ideia de que mulheres e homens são gente, então a obra é feminista.” Entendo feminismo como a luta contra opressão feminina.”

      Eu concordo com o Sonado. Minha concepção é essa dele. Eu acredito que a crença já é feminismo. Há a luta feminista, e a militância feminista também, mas isso é um passo além. Eu penso assim.

      Discordo também que todas mulheres dançam e os homens não. Mas já falamos sobre isso.

    • Sou libertário (se você invocar Misses juro que vai rolar baixaria) e toda forma de opressão me é inimiga, incluindo o machismo. Se luto contra o machismo por ser uma forma de opressão me tornar feminista, ótimo, abraço a ideia de igualdade, mas se para isso eu tiver de levantar a bandeira do feminismo…olha, foi mal, não me importo de por mais um ou dois anátemas em meu caderninho.

      Concordo que mulheres devem ter protagonismo na causa como a Eva do Livro dos Espelhos bem me disse um meio milhão de vezes, mas discordo sobre essa de “andar junto ou adaptar-se” porque acho uma puta groselha soltar essa e dizer que depois os homens também vão ser libertados. É tipo eu dizer que a anarquia é o caminho para a humanidade evoluir e que só depois disso vocês mulheres vão conseguir ter suas demandas feministas atendidas…

      Também concordo com seu ponto, a obra do Martin não é feminista (assim como eu também não, nem o jogo Lobisomem o Apocalipse, tão pouco a Ada Lovelance era, ou a líder militar catarinense do contestado Maria), mas ainda insisto que existe feminismo permeado indiretamente no pensamento dele. Como disse, a obra dele é fruto do feminismo, uma mostra de que os bons autores já não criam esteriótipos machistas bizarros.
      O que me deixou um pouco incomodado foi justamente alegar que era uma obra machista. Nada contra, tem quem ache que a tradução de Jon Snow para Jon Neve no livro de RPG (o meu chegou hj, ainda não resenhei) é um atestado de incompetência da editora, outros estão erguendo as mãos aos céus…vai entender esse povo.

  10. Fernanda, gostei muito do post, posso só xingar o tanto de spoiler nos comentários, e aí eu não pude ler? :p (estou na metade do livro 5 e tô cozinhando a vontade de escrever sobre as mulheres quando acabar).

    Eu acho difícil classificar o Martin como feminista ou misógino. Se a gente for pensar que as mulheres sofrem PACA e têm seus objetivos frustrados, ora, os homens também. A saga é cheia de histórias de gente que dá com os burros n’água, e sinceramente ficou ansiosa em saber onde vai parar, o que vai restar ao final.

    A obra toda tem inspiração medieval então a gente pisa em ovos: porque se ele representa as mulheres de acordo com a imagem-padrão de mulher na Idade Média, aí é cruel pra chuchu, mas se ele foge desse padrão (que não necessariamente representa as mulheres de todos os grupos sociais do período) soa como anacronismo – mulheres assumindo papeis que enxergamos como sendo assumidos por mulheres contemporâneas. Mas minha aposta é que os conflitos e problemas das mulheres do “Crônicas de Gelo e Fogo” são, em grande medida, atemporais.

    Eu acho que ele constrói, na verdade, toda a sorte de personagens, tanto femininos quanto masculinos, e nem todos são intrinsecamente bons ou ruins. Gosto da forma como ele cria pessoas multifacetadas, como ele desenvolve seus dilemas.

    Óbvio que eu me interesso pelas mulheres que ele cria, eu gosto de prestar atenção nas mulheres em todas as obras, sobretudo essas grandes sagas. Acho a trajetória da Cate extremamente interessante, gosto de como a Dany caminha pela história e, claro, acho a Arya sensacional.

    Daí que a Cynthia Semíramis compartilhou essa semana um texto bem bem legal sobre a Sansa, com quem eu tenho uma relação de simpatia e raiva. Desde que li esse texto tô aqui ruminando minhas ideias a respeito dela, porque como comentei lá no facebook, é fácil gostar da Daenerys e da Arya, que são fodonas, que falam grosso, que matam no peito. A Brienne, que é uma das mulheres mais interessantes da série. Mesmo da Cate, que é uma mulher extremamente corajosa. Duro é mesmo lidar com a menina que vai sendo levada daqui pra lá pelas circunstâncias, pelas mãos alheias, e que nos deixa indignadas pela falta de agência, de assertividade. (o texto tá aqui http://feministfiction.com/2012/05/10/in-defense-of-sansa-stark/)

    Bão. É isso então, mais uma vez parabéns pelo post! Beijo!!

    • Obrigada, Deh!

      Pode xingar sim. Hehe… Eu tentei evitar, mas é complicado avançar a discussão sem entrar nos detalhes de toda a história. Pelo menos no post eu consegui, né? Quando terminar os livros, vem aqui discutir com a gente.

      Eu também acho difícil descrever o GRR Martin como feminista, misógino ou qualquer outra coisa. Na verdade, eu acho até meio inútil. Mas eu acho que a obra, os 5 livros que eu li, apresentam essa igualdade de atributos entre homens e mulheres que o feminismo defende. É só isso que eu estou falando. E que eu os adoro e me divirto com eles por isso.

      Concordo com o que você falou sobre a época em que é baseada a história e tudo o mais.

      Sobre o texto da Sansa, a Cynthia me mandou também e eu até coloquei o link no final do meu post. Acho que ninguém dá bola praqueles links. Hehe…

      Eu me irrito com a passividade da Sansa, mas também com a do Sam. E tem gente assim no mundo. Então, por mim, normal. Eu gosto mesmo é da Daenerys, da Arya e do Jon Snow. Meus preferidos, com as histórias mais interessantes. Mas tem vários e vários muito legais.

      Muito obrigada mais uma vez!

      Beijo!

      • Geeeente, os links, eu não presto atenção normalmente e num vi esses também! hahahaha me perdoa?

  11. O único ser mais inteligente que o homem é a mulher. Os que duvidam disto vêm em terceiro lugar. ( frase do livro Desaforismos de Georges Najjar Jr )

    • Sou ateu ao topio de inteligencia por gênero, então me coloque em 4º lugar pois prefiro ser o mais burro do grupo a compactuar com o pensamento.

  12. A Asha teve o nome modificado na série porque já tinha a Osha! :D

    Me arrepiei naquela cena em que a Arya está conversando com o Ned, e ele diz que ela vai crescer, ser uma senhora e ter filhos, e ela olha decidida pra ele e diz que não é o que ela quer, rs.

    Acho interessante o fato da Cersei sempre pensar na “falta que um pinto faz”, sempre tentando agir como o pai dela, sempre pensando como a vida dela seria mais fácil se ela fosse um homem -e pensando assim, ela acaba se dando mal.

    Não simpatizo com a Daenerys porque acho ela uma personagem chata (ok, sou a única pessoa no mundo que pensa assim, pelo menos não encontrei ninguém que compartilhe meu pensamento). Minhas favoritas são a Arya e a Asha, porque eu gosto da ação delas

    Enfim, excelente texto! Me controlei pra não ficar tietando aqui, porque senão escreveria um texto longuíssimo, já que é de longe minha série (de livros e de televisão) favorita :)

    ps: Fernanda, você tem acompanhado Vikings, da History Channel? Não sei muito sobre os vikings, portanto não sei até que ponto é licença poética o que tem na série ou não, haha. Se você não estiver acompanhando a série, desculpe o spoiler (caso você venha se interessar), mas achei interessante o fato de uma mulher acompanhar a expedição do marido, e ela impedir que um dos “soldados” (?) estuprasse uma mulher do vilarejo que eles invadiram (e quando ela impede o estupro, o cara tenta estuprá-la, e ela com todo o charme viking, mata o cara).

    • O pessoal tinha me falado sobre a confusão com a Osha (e eu mesma confundia), mas eu acho que Yara ficou parecido com Arya, então deu no mesmo. Hehe…

      Essa cena da Arya é legal mesmo. Ontem eu estava revendo o episódio em que o Ned descobre a espada da Arya e fala para ela “Você será uma lady”. E ela responde que não quer ser uma lady.

      A Cersei se dá mal, mas não acho que seja exatamente por tentar agir como o pai, mas pela fragilidade da posição dela mesmo, e por ela ter ficado meio cega de ódio.

      Eu já achei a Daenerys chata em alguns momentos, mas geralmente curto a história dela e algumas de suas atitudes. Eu acho que o GRR Martin enrola demais em alguns momentos da história e acaba ficando arrastado, repetitivo. Isso para todos os personagens.

      Pode ficar tietando que eu tieto junto. Adoro!

      Não estou vendo Vikings. Nem sabia que existia, mas vou procurar saber. Obrigada pela dica.
      ;)

  13. Sonado, bem se vê que você não é feminista ao desqualificar um pseudo argumento meu, como groselha.

    Nunca sugeri que se adaptasse a nada, essa conclusão foi sua. Como historiador, em formação, deve conhecer o conceito de dialética do processo histórico, ou mesmo de praxis. Muito embora a Nova história abunde nas graduações de história ultimamente.(vai saber qual é a sua). Mas enfim, nossa consciência política é construída a partir da nossa objetividade. Nesse caso específico, sobre feminismo, de acordo com nossa participação concreta na luta contra a opressão sobre a mulher, sejamos quem formos (todxs).

    Já que você não é feminista, mas se entende libertário, poderia indicar-lhe, caso já não tenha lido, os escritos de Emma Goldman sobre o tema. Considero-a excelente: direta, lúcida, profunda e militante.Avalio que não basta pensar o feminismo, faz-se necessária a ação, nem que seja apenas nas suas relações pessoais.

    Quanto ao RPG já li a Máscara e alguns livros de clãs soltos e identifico-me com os Brujah.

    Há uns 10 anos atrás , quando dava aula de história na rede estadual, daqui de SP, montei com os alunos um RPG sobre acumulação primitiva de capitais, com personagens e fichas da África, América e Europa, onde os caras tinham de pesquisar seu personagem e montá-los de acordo com suas “características históricas”. Foi bem legal.

    • Não serei linear, pois seguirei minha própria ordem de prioridades para fazer o recorte ok?

      “Já que você não é feminista, mas se entende libertário, poderia indicar-lhe, caso já não tenha lido, os escritos de Emma Goldman sobre o tema. Considero-a excelente: direta, lúcida, profunda e militante.Avalio que não basta pensar o feminismo, faz-se necessária a ação, nem que seja apenas nas suas relações pessoais.”

      A parte de eu não ser feminismo foi uma sátira. Habitualmente me declaro apenas simpatizante, porque já vi absurdos sobre homens não poderem ser feministas e outros argumentos que por pura falta de saco, prefiro evitar ouvir. Deixo para debater com ativistas que deem abertura.
      Realmente ando carecendo de ler Emma Goldman, soltei um livro dela em algum lugar do meu quarto…mas ando acometido pelo clássico pesadelo de ser soterrado por um mar de papeis não sei quando vou conseguir ler.

      “Nunca sugeri que se adaptasse a nada, essa conclusão foi sua.”

      Então fiz a interpretação errônea de suas palavras. A agressividade de minhas expressão são decorrência de um posicionamento pouco tolerante quanto a imposições diretas ou indiretas…se não há imposições, peço desculpas por alegar que seu argumento era uma “groselha” e retiro totalmente a alegação como um todo.

      “Muito embora a Nova história abunde nas graduações de história ultimamente.(vai saber qual é a sua).”

      Um problema que tenho, pratico dialética entre as varias formas como consigo perceber as coisas ao meu redor. Isso me torna alguém bastante indeciso e como historiador, não alinhado em escolas. Normalmente vejo o pessoal do Materialismo metendo bronca no pessoal da Nova e da Cultural. Tive professores Marxistas, Culturais, da Nova, um que não alegava nada mas me pareceu bem Positivista e até um Neo Liberal declarado que ainda quero saber de onde infernos tiraram.

      “Avalio que não basta pensar o feminismo, faz-se necessária a ação, nem que seja apenas nas suas relações pessoais.”

      Para criar transformações sim e isso cria uma séria de questionamentos em minha mente.

      1-Todos devemos ser agentes de transformação? Seria o ideal.
      2-Todos somos, digo, nós humanos? Lamentavelmente não.
      3-Temos o direito de cobrar dos outros um posicionamento e uma atitude? Tanto quanto elxs tem o direito de apresentar aversão a esta cobrança.

      Com isso vejo que não dá de esperar que cada obra, cada ato, cada individuo, cada analise seja militante do feminismo, ou seja, um agente ativo de transformação, mesmo que isso seja o ideal. Eu queria muito que fosse assim, mas como não é acabo optado por separar em cinco grandes grupos praticamente todas as coisas (quanto ao critério de feminismo).

      1-Machismo direto (mascus, sanctus, rafinistas…)
      2-Machismo indireto ou machismo reacionário (aquele adolescente que caga regra sobre as garotas da turma mas nem tem noção do porque diz isso)
      3-Indiferentes ou neutros (receita de bolo, todos gostam de receita de bolo, minha noiva fazer um bolo pra min pode ou não ser machismo…apesar de que eu realmente gosto de cozinhar e ela não, portanto o oposto é o mais habitual e recorrente)
      4-Resultado das lutas feministas (coloco GoT aqui, assim como aquele cara bacana que não é feminista mas divide as tarefas domésticas por saber que isso é certo…é um resultado de anos de luta, não um fim, mas um ponto de transformação já decorrida)
      5-Feminismo ativo (todxs aqui presentes exceto os ocasionais trolls)

      Faço essa separação para facilitar minha forma de reação e compreender as pluralidades de necessidades de ação. Sou só um cara magrela no alto de uma serra com problemas financeiros como todo mundo, tem coisas que tenho como mudar, tem coisas que não e tem coisas que já estão mudando sozinhas que eu nem preciso me dar ao trabalho de gastar energia com.
      Concordei com seu posicionamento de que GoT não é feminista e não mudo este apoio, contudo não concordo com a alegação de que a obra é machista. Ela pode ter características machistas (algo que muitx feminista militante por ai já me mostrou ter também…mas deixa por isso, eu também tenho e meu melhor posicionamento é sorrir e refletir sobre o meu comportamento), mas também tem características que não apareceriam em uma obra, por melhor escrita que fosse, se não respeitasse algumas duzias de transformações sociais que nós sofremos (felizmente) em decorrência das lutas feministas, socialistas e humanistas nos últimos séculos.
      Pode até ser errado minha analise e em vez de estar agregado ao grupo 4 na verdade a obra de Martin esteja no grupo 3, mas discordo que ela esteja no 1 ou no 2.

    • “Há uns 10 anos atrás , quando dava aula de história na rede estadual, daqui de SP, montei com os alunos um RPG sobre acumulação primitiva de capitais, com personagens e fichas da África, América e Europa, onde os caras tinham de pesquisar seu personagem e montá-los de acordo com suas “características históricas”. Foi bem legal.”

      Super bacana seu projeto. Fiz algo parecido sobre a economia regional com meus jogadores em um grupo que um amigo pediu para montar com alunos no SESC certa vez. Me odeio por não ter dado tanta importância devida ao fazer notas, poderia ser reutilizado hoje com os conhecimentos científicos que não tinha na época.
      Tens algum material guardado que possa compartilhar? Eu ainda tenho muito interesse em usar o RPG como ferramenta pedagógica e posso vir a usar algum dia.

      “Quanto ao RPG já li a Máscara e alguns livros de clãs soltos e identifico-me com os Brujah.”
      Não só você, hoje é um dos clãs que melhor me encaixo como jogador, bem com o Malkavian, mas isso porque sempre tive um grande interesse por psiquiatria e patologias mentais (trato o estudo disso como mero entretenimento contudo).

      “Como historiador, em formação,(…)”
      Bem, aqui entra um ponto delicado que não lembrei em alterar em meus perfis. Abandonei a academia a cerca de meio ano faltando apenas 3 matérias para a conclusão de minha formação (me condenem). É uma longa história que não me dá nenhuma vontade de relatar, então resumo como insatisfação dos rumos da instituição somado a uma forte desilusão para com o meio acadêmico que coincidiu com minha atual precariedade financeira em temporalidade.
      Se tudo der certo (irei conferir hj) abrirá em outa instituição da cidade uma Licenciatura em história no meio do ano e se isso ocorrer estarei matriculado.

    • Alias, perdão pela ‘verborragia’, mas não consegui achar uma forma mais concisa de responder na integra.

      E também desculpe pelas brincadeiras, ando sendo satírico de forma quase passiva nos últimos tempos alem de debochado e por vezes acido. Minha noite tem me alertado para estes comportamentos e tenho feito algum esforço para conter esse habito, mas ele tem sido um reflexo de minhas desilusões e decepções recentes.

  14. Sonado,

    Obrigada pela resposta de boa. Sou sincera também, e tinha me grilado com a forma que me respondeu. No entanto, entendi tranquilamente seus argumentos sobre.

    Ontem, depois que escrevi, fiquei pensando onde poderia ter posto esse material, e, putz, não tenho a menor idéia. Perdeu-se mesmo. Na época um gde amigo historiador ( sou da Sociais) e eu pensamos em fazer pequenos livros de RPG de alguns momentos da história. Mas, cara, nosso cotidiano engoliu a idéia.

    Daí penso que, já que vc curte e saca de RPG e é da área (meu, estamos sempre em formação ), poderia, sei lá, escrever sobre e mandar para umas editoras. Quem sabe dá certo e entra uma grana?

    Então, sou marxista, como deu para perceber, mas bebo no anarquismo, p.e. Somos assim, contraditórios.

    Gostei da sua divisão, dos níveis de machismo, preciso aprender a selecionar algumas brigas, principalmente quanto ao feminismo. Por que o barato pega na veia.

    Boa sorte na licenciatura e gostei da conversa.

    Saudações feministas e revolucionárias. hehehe

    • Que bom que vocês se resolveram. Muito bom acompanhar a evolução da conversa. Pena que não puder participar mais, mas curti :)

    • Obrigado, irei me esforçar. Mas não iria cobrar por materiais publicados sobre RPG e educação. Muitas coisas que já tive acesso sobre isso são fruto de material cedido por amigos acadêmicos pelo pais ou materiais colaborativos criados pelos blogueiros por ai. Prefiro continuar penando aqui algum tempo e compartilhar o material gratuitamente “^^

      Mas tenha certeza, algum dia pretendo produzir sim, eu insisto nessa ideia :D

  15. eu também fico muito feliz em ter chego a um ponto comum de entendimento, afinal é para apoiar a coisa que estou sempre lendo as matérias aqui (mesmo que normalmente não comente)

    desculpem a grafia…estou resposta…respondendo pelo celular x.x

  16. Acho que quando a gente gosta de alguma coisa, seja o que for, a gente tende a defendê-la com unhas e dentes… E ver as coisas com muita parcialidade mesmo.

    Não sei de onde saiu essa que os livros foram baseados em fatos históricos. Pelo que eu sei da história, são tão baseados no medievo quando campanhas de RPG… ¬¬’

    Mas, não querendo ser injusta, só li parte do primeiro livro – e parei porque além de não ver graça no livro, não deu pra engolir aquelas personagens femininas – portanto, só falarei do que li.

    Catelyn é uma personagem feminina qualquer. Como tantas e tantas outras que há em peças de teatro, filmes, livros, etc. Não há nada de marcante nela. Absolutamente nada. Pelo contrário, pela linguagem do livro, pela forma como é contada, ela nos é apresentada como uma “madrasta malvada” (clichê ambulante) do pobre John Snow. Ela é mais uma personagem que é levada a ser odiada.

    A Sansa é outra. Sempre tem aquela personagem clichê super feminina e linda. E é também construída para ser odiada – a bonitinha burra, fútil, que se interessa pelos caras só pela aparência – não é mera coincidência, nem sem motivo que tanta gente a Odeia. Nada de marcante nela até agora idem.

    Agora, das coisas que acho mais daninhas no início do livro é a relação de Sansa e Arya. Elas são irmãs, mas não há qualquer relação próxima disso entre elas, nem afeto, nem cumplicidade, ou intimidade, nem implicância típica de irmãs.
    Ao invés disso, há apenas uma competição.

    Quando me contaram sobre A guerra dos tronos, eu achei que ia gostar de Arya. Achei que ela era o estereótipo clássico da donzela guerreira. …bem, depois de ler o capítulo dela, peguei um abuso imenso da personagem. Ela fica se comparando a Sansa o tempo todo como se a invejasse por ser tão bonita e fazer tudo direito. Imagino que ela mude no decorrer da história, né, para ser uma das personagens femininas mais populares… Mas o fato é que ela não gosta da irmã. Porque a irmã é bonita e faz tudo direito. …podre.

    Sansa não demonstra má vontade para com Arya, nem parece competir com ela. Quando ela pergunta a Arya o que acha do “príncípe Joff”, ela responde que “John Snow disse que ele parece uma noiva”.
    Ridículo.
    A irmã pergunta o que ela acha sobre um cara que ela antes definiu como “alto e bonito”, mas ela responde com a opinião de um homem aí. Recalque? É muito ruim parecer uma moça…?

    Quanto a Cersei, ela invoca aquele velho estereótipo feminino… A Puta. É mesmo necessário dizer que o maior crime dela nessa história toda foi ela pular a cerca? Com o irmão? E ainda por cima ter vários filhos com ele…?

    Enfim. Não sei onde tá feminismo aí. Um bando de personagens femininas gravitando em torno de personagens masculinos, sem qualquer relação de amizade ou afeto, sem qualquer pensamento crítico sobre sua consciência de ser mulher (desejar ter nascido macho e incorporar estereótipos masculinos Não é posicionamento crítico), isso sem falar nos lugares comuns…

    Se agir e sobreviver fosse o bastante, vários filmes de terror aí com suas protagonistas femininas, loiras, lindas e valentes seriam exemplos de feminismo. E, é, não são né?

  17. À propósito, não é só porque as personagens femininas são burras, fracas e frágeis que a história será necessariamente machista. Do mesmo modo que uma personagem feminina inteligente, forte e ativa não implique numa história feminista.

  18. Amei o post! Sou super fã dos livros e nem tanto da série… mas também gosto de acompanhar, concordo em quase tudo, só que pra mim a Cat é uma personagem interessantíssima porque sabe o papel da mulher na sociedade e consegue manipular ao dizer seus pensamentos sem se passar por insolente, intrometida e tals, é muito comum ver em seus pensamentos: (SPOILER) “Como direi ao meu filho como agir agora que ele é um rei?” e ela consegue dizê-lo sem que eles percebam a sua real intenção que é interferir na opinião do reinado e da guerra. Claro que ela fez burradas assim como todos os personagens (SPOILER) principalmente a maior de todas que foi soltar Jaime do cativeiro, mas é isso que gosto no escritor ele não cria personagens perfeitos, tipo “Ah o cavaleiro medieval valente e galante que conquista a princesa perfeita”. Também estou louca pela história de Dorne! (SPOILER) Adorei a revolução que a princesa de Dorne tenta fazer ao passar o trono para a filha de Cercei, agora esta última eu acho bem burrinha vai… ainda não li o quinto livro mas sei que ela vai se dar muito mal porém ela plantou tudo isso com suas ações negligentes para com o reinado, estava mais preocupada em derrotar a nora e a casa de Jardim de Cima a recuperar um reinado aos fragalhos pelas guerras consecutivas. Bom, agora é esperar para ver quem vence o jogo dos tronos! Ah, ainda tenho esperanças que Sansa vai acordar para a vida, pois é um aprendizado enorme tudo que ela está passando acredito que quase no fim ela vai colocar as unhas e dentes de fora! Amei o post!

  19. Discordo, minha opinião é sobre o seriado, não tive ânimo para os livros. Acho que as pessoas confundem personagens femininas fortes com personagens feministas.Ter um elenco grande feminino não necessariamente torna a obra favorável as mulheres.
    A Cersei é forte, mas é uma machista nojenta. Ela se vê sua capacidade mais como individuo do que como mulher, e tem empatia zero com seu gênero.

    A Cat é forte sim, inteligente, sim, mas faz muita merda por razões maternais. Ela é mãe, se preocupa,ok, mas age de forma impulsiva e desesperada.

    Não entendo a raiva que as pessoas têm da Sansa. Ela é passiva,é; mas na situação ela não tem escolha, ela é prisioneira, não pode confiar em ninguém, não sabe lutar, e mesmo obediente sofre violencias. É irritante a falta de empatia das pessoas com a Sansa. Tem muita mulher que apanha e não sai de casa, tipo a porta tá lá aberta e a mulher fica. São varios fatores que a prendem. Imagina a coitada da Sansa. Ela dança conforme a música, porque até que ela chegue a porta de saída há muitos obstáculos. Ela tenta sobreviver.Não li os livros, mas só o fato dela não usar o sexo para sobreviver já é algo grande.

    GOF me irrita quando praticamente todas as falas incluem piadinhas misóginas, a palavra vadia e seus similares, histórias ou ameaças de estupro. É impossível um episodio que diminua o uso da palavra “vadia” ou “foder uma vadia” mesmo se referindo a homens. Toda vez que aparece uma mulher na cena, eu já presumo que ela vai tirar a roupa, ou esfregar a vagina no cara. Ou sofrer algum tipo de violencia. Todos os personagens sofrem violencia? Sim, mas as mulheres sofrem violencia de gênero.E nunca são cenas questionadoras, são apenas banais como as cenas de sexo ou de batalhas. Não podemos esquecer que cenas são escolhas, se a maioria das cenas com mulheres elas precisem tirar a roupa ou falar/ouvir algo lascivo não é “coisa de Westeros”, é coisa de Martin e companhia.

    Que as cenas de sexo são pesadas todos concordam, mas a misoginia de Westeros é sempre tratada como “mas lá é assim mesmo, o autor só retrata a realidade”, ué sexo é normal em qualquer canto do mundo, mas quantos seriados banalizam o sexo e a nudez? Calma, não sou contra, mas irrita quando as pessoas dão risinhos, tipo:”cara GOF é pesadão, muito sexo, sangue, se prepara”, mas misoginia, não:”é coisa de Westeros,o seriado não tem nada a ver com isso”. Assim como as cenas de nudez explicíta (muito mais das mulheres, o que não é nada “machista”), as falas e a violencia de gênero tbm são escolhas da produção, essas cenas podem existir, claro, mas do modo como são mostradas é misoginia pra mim.

    O enredo é envolvente, mas o trato ás mulheres é bem infeliz. Tem as exceções, mas considerando como as mulheres são representadas de modo geral é impossível falar de uma série feminista.Tem algumas exceções e casos interessantes, é verdade e isso me encanta, mas eu sinto que as personagens lutam contra seu mundo e contra a direção da série. É preciso atenção com o discurso : “mas tal lugar era machista mesmo”,sabe nossa sociedade é machista, quer dizer que toda novela, filme,e etc tem que ter estupros, mulheres apanhando, a palavra vadia ser frequente? acho que não…GOF é foda, é. Foda, mas não é questionador de forma geral. Dá pra pegar uma personagem como Arya e falar de feminismo. O mesmo não pode ser feito com a série toda.

    • Ei, Juliana.

      É curioso como as pessoas fazem leituras diferentes da mesma obra. Acho isso super interessante. Minha visão é contaminada ainda por já ter lido os cinco livros.

      Eu não acho que GOT seja exatamente questionador. Acho que a obra se destaca em relação ás outras pelo nível de representação das mulheres. Tem muitos mais personagens feministas, protagonistas, de diferentes perfis e atitudes do que a grande maioria dos livros, filmes e seriados em geral, e principalmente de fantasia.

  20. Texto muito bom. Ao terminá-lo me perguntei se há aqui um texto sobre os quatro livros d’As Brumas de Avalon, que traz vozes femininas na narração. Os questionamentos, dúvidas, impressões, crescimentos e as relações com os condicionante coercitivos aos papéis de gênero. Sou particularmente suspeita, porque gosto muito, mas é bastante interessante. :D

    • Obrigadinha, Cláudia. Eu li Brumas uns dez anos atras e não lembro muita coisa. Mas boa lembrança. Eu tenho os livros. Vou reler e pensar em um post :)

  21. Não li o livro mas a série é muito atípica. Adorei seu post.

    Estava exatamente pensando no poder conferido às mulheres, na resistência de várias delas, na força da Daenerys.
    A história contada sobre a Idade Média aparece, na maioria das vezes, como um espaço sem resistência feminina, e a série vêm botar isso em cheque!

    Parabéns!

  22. Amei o post.
    Muito bem escrito e o conteudo está maravilhoso, assim como as Crônicas e os personagens conseguem ser.
    Acho que já estava precisando mesmo de representaçoes tão distintas em personagens femininos e sobre a frase abaixo:

    “…Ygrite, a selvagem biscate que vive a dizer “Você não sabe nada, Jon Snow”.”
    concordo em genero, numero e grau.
    Ooooooooo mulherzinha nojenta.
    Salve Jon Snow e seus cachos maravilhosos.