Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho que hoje eu passei batom vermelho

Texto de Nina Spim.

Não sou super vaidosa. Acho que ser vaidosa demais dá trabalho e demanda tempo e eu gosto da praticidade, da economia de minutos, porque sou do tipo que vive atrasada. Mas, quando vivo períodos de estresse extremo e me sinto com a autoestima baixa, recorro de bom humor à maquiagem. Às vezes, um vestido novo quebra um galho na hora de se sentir para cima, mas, no meu caso, nada como melhorar pelo menos um pouquinho o aspecto do meu rosto, que oscila entre o “cansada” e o “cara de panda”. E, para tanto, recorro a um batom.

Foto de Silvana 7 no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Silvana 7 no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Não, não sou maníaca por batons. Tenho o suficiente para não ser a-menina-de-um-só-batom, por exemplo. Mas, ah, eles tingem a nossa alma por fora! Revelam demais como nos sentimos por dentro, acredito. Para as românticas, nada como um tom suave de rosa. Para as “alternativas”, uma cor de vinho manda a sua mensagem. E, para aquelas que precisam de um up no humor, um vermelho.

Vermelho, sim! E não tem nada a ver com chamar a atenção de um homem – acredite, é o que as pessoas pensam. Que as mulheres resolvem passar batom vermelho com o intuito puramente sexual. Afinal, pra que a gente se arrumaria, não é mesmo? Certamente, não é para nos sentirmos melhores depois de uma super semana de provas na faculdade. Mulher vive para o homem. É assim desde que o mundo é mundo.

Eu uso batom vermelho para devolver um tapa na cara da vida, e só. É porque, para mim, nada mais importante do que eu me sentir bem comigo mesma. O efeito de estar em paz consigo mesma é purificador. E não tem nada de errado em querer se sentir um pouco mais bonita. Usar qualquer tipo de maquiagem deveria ser uma escolha, antes de tudo. Porém, há pessoas que são obrigadas, seja pela profissão, seja por pressão social. Conheço pessoas que não usam e muita gente que só quer tomar conta da vida alheia se espanta. Afinal, para uma mulher deveria ser natural se simpatizar com esses artifícios, certo? Toda mulher tem que ser vaidosa e feminina, ponto final. Tem que responder às expectativas das outras mulheres, dos homens e da sociedade. E, num mundo onde sair sem maquiagem a faz parecer “com cara de sono”, aquelas que o fazem tomaram uma escolha, assim como eu, ao usar o meu batom vermelho.

Mulheres continuam sendo mulheres com ou sem a ajuda maquiagens. E não tem nada a ver com um batom vermelho. Mulheres continuam sendo mulheres com ou sem a ajuda maquiagens. E não tem nada a ver com a cor do batom. Nem mesmo quando ele é vermelho.

Autora

Nina Spim tem 22 anos. Cursa Jornalismo na PUC/RS, adora as palavras, mora nos livros, gosta de cinema como um esporte, é seriadora aos fins de semana e escritora compulsiva. Autora dos contos “Heart and Love” e “Coisas, definitivamente, de Amélia” das Antologias: Amor nas Entrelinhas e Aquarela, respectivamente, pela Adross Editora. Dona do blog: Nina é uma.

Autor: Autoras Convidadas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. A gente continua essa história do Feminismo nas ruas e na rede.