Marcha das Vadias Rio de Janeiro 2015: Pra Rua Vadiagem!

Texto da Coletiva temporária Marcha das Vadias Rio de Janeiro 2015.

PRA RUA VADIAGEM!

Com esse grito, a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro tomou as ruas de Copacabana em 2014, lembrando a quem ouvia que lugar de mulher é onde ela quiser e que se o corpo é da mulher, ela faz o que quiser.

Esse ano, a Marcha acontece no sábado, dia 14 de Novembro com concentração a partir de 14:00 no Posto 4 da praia de Copacabana e caminha em direção ao Leme. A previsão era acontecer no dia 08/11, mas devido a previsão de chuva optaram pelo adiamento.

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Trazemos como tema uma retrospectiva do que foi a construção da marcha em seus cinco anos colocando a vadiagem na rua. Falamos sobre a descriminalização do aborto, do combate à cultura de estupro, do acesso a partos sem violência, do reconhecimento da identidade de pessoas trans, da regulamentação da prostituição e da liberdade de transar e amar a quem se quer.

Temos marcado em nossas vidas que ser mulher é resistir — o tempo todo. Somos chamadas de “vadias” porque vivemos numa sociedade machista, racista e centrada na cisgeneridade e na heterossexualidade, que quer controlar a forma como nos vestimos, nos comportamos e até por quem sentimos desejo e a quem amamos.

Ouvimos diariamente que temos que ser “vadias na cama e damas em sociedade”, que “tudo bem ser lésbica, bissexual ou gay, mas não precisa sair na rua de mãos dadas com alguém do mesmo sexo”, que “tudo bem ser trans, desde que seja uma pessoa discreta”. Nos posicionamos contra esse controle e reivindicamos nosso direito à vadiagem pública, que entendemos como nosso direito a viver como queremos. Nos apropriamos e ressignificados o termo “vadias” porque temos direito de ser e de andar como a gente quiser.

Passamos atualmente por tempos difíceis em que absurdos do conservadorismo tem sido ditos sem modéstia alguma e nós, mulheres, continuamos sendo um dos principais alvos.

Em outubro deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei 5.069/2013, de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Esse projeto pode dificultar o acesso a pílula do dia seguinte. impõe medidas que dificultam o acesso ao aborto por mulheres que foram vítimas de estupro, fere princípios da dignidade humana da mulher e nos coloca, mais uma vez, sob crivo da autoridade policial e do judiciário para que se comprove a nossa inocência por um crime do qual somos vítimas. Uma semana depois, mais de três mil mulheres tomaram as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro em protesto ao projeto, pela legalização do aborto e exigindo a saída de Eduardo Cunha: #PilulaFica #CunhaSai.

Está mais do que evidente a necessidade de nos unirmos em uma frente contra o conservadorismo que busca regular nossos corpos e nossas vidas. Por esse motivo mais uma vez vamos às ruas e convocamos todas as pessoas a colocarem suas vadiagens no espaço público conosco. Contra o conservadorismo, contra as imposições do Estado e das religiões em nossos corpos.

Nenhuma mulher merece ser estuprada!

Eu beijo homem, beijo mulher, tenho direito de beijar quem eu quiser!

Eu sou um homem com ou sem pau, quero respeito ao meu nome social!

Meu corpo é laico!

Meu cu é laico!

Se o corpo é da mulher ela dá pra quem quiser!

Sou travesti e sou normal, eu sou mulher de peito e pau!

Se o papa fosse mulher o aborto seria legal e seguro!

Não deixe de lutar por um orgasmo livre, coletivo e popular!

VEM GENTE!!!!

+ Informações: página do Evento no Facebook.

Autor: Autoras Convidadas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. A gente continua essa história do Feminismo nas ruas e na rede.