#BlogFem entrevista candidatas feministas: Cibele Ferreira

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Cibele Ferreira é candidata a vereadora pelo PSOL na cidade de São Carlos/SP.

Coligação: PSOL – Partido Isolado. Página no Facebook: Cibele Ferreira.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Comecei a minha militância no movimento estudantil da USP de São Carlos, quando tive a oportunidade de participar do centro acadêmico CAASO e do DCE, fazendo sempre oposição as políticas que queriam tirar direitos dos estudantes de permanecerem na universidade e que cada vez mais privatizam o ensino público. Participei da fundação do Juntos! São Carlos, em 2011, coletivo que milito até hoje defendendo os interesses da juventude e que aqui na cidade participa ativamente da luta pelo transporte justo.

Ao longo dos meus primeiros anos de militância, percebi o quanto nós mulheres sofremos dentro dos espaços políticos, e ainda muito mais fora deles. Por isso, vi a importância de organizar também a luta feminista junto com todas as minhas companheiras, o que fazemos a partir do coletivo Juntas!, criando espaços de formação dentro das universidades para o combate do machismo, atuando no combate a violência contra a mulher, participando do fórum municipal de enfrentamento a violência doméstica, mas nunca deixando de mostrar a interação entre o combate do machismo e com a luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

No ano passado, as mulheres se mobilizaram pelo Fora Cunha e fizeram uma verdadeira Primavera Feminista, ocupando cada vez mais as lutas em cenário nacional. Mas ainda vemos que nossa representação na política é muito pequena! Somos quase 5% no congresso nacional e aqui na câmara dos vereadores apenas duas no total de 21. Isso nos mostrou a necessidade de ter mais mulheres ocupando a política e nos motivou a lançar essa candidatura, que é construída coletivamente por várias mulheres. Vamos tornar São Carlos feminista!

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Sabemos que nós mulheres sofremos diariamente com o machismo praticamente em todos os níveis, seja na esfera pública ou na esfera privada. Sofremos tanto com os pequenos detalhes, como corte de fala e cantadas na rua, como também com problemas mais graves que levam a morte de mulheres todos os dias.

A violência de gênero e a cultura do estupro são ainda os principais problemas que enfrentamos. As mulheres ainda são vistas constantemente como culpadas quando sofrem algum tipo de violência. É necessário que essa visão seja combatida, incluindo as discussões de gênero de volta nos planos de ensino e incentivando ações de desconstrução do machismo. Também é necessário que o Estado se comprometa com políticas públicas que garantam a segurança das mulheres que sofrem violência doméstica. Precisamos de delegacia da mulher 24h, casa abrigo com vaga para todas as mulheres que necessitarem, amparo jurídico e legal, dentre tantas outras!

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Aqui em São Carlos temos uma deficiência muito grande de políticas que garantam a segurança da mulher, tendo que ser feita muita luta para que os instrumentos que já existem, como a casa abrigo (que está fechada no momento) e a delegacia da mulher não retrocedam, mas também para que avancemos!

Queremos combater as notícias que parecem nunca diminuir sobre mulheres que são assassinadas diariamente pelos seus parceiros, como tantos outros casos de feminicídio. Por isso estamos propondo que exista na cidade a delegacia da mulher 24h, funcionando inclusive em fins de semana e feriados, com funcionárias preparadas e formadas para prestar esse atendimento. Outra proposta que achamos importante para garantia da segurança é o botão do pânico, em que é disponibilizado para as mulheres que sofrem violência de gênero. Para além da violência doméstica, a garantia da segurança também passa por aumentar a iluminação nas ruas, aumentar a linha e horários do transporte público, terrenos limpos e árvores podadas.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

Desde pequenas, nós mulheres não somos ensinadas a ocupar espaços públicos e principalmente para não falar de política. Somos sempre incentivadas a ficar com os cuidados do lar, das crianças, sendo muito difícil romper essa ideia no imaginário coletivo. Mesmo nas melhores situações, em que se entende a necessidade da representatividade de mulheres na política, somos colocadas muitas vezes para debater apenas questões “de mulher”, como a necessidade de creches, de direito ao próprio corpo e combate da violência de gênero. Claro que estes temas são de extrema importância para nós, mas não só! Também temos muitas propostas para a economia, transporte público, educação, saúde.. temos muita análise sobre conjuntura nacional e internacional. Mas sempre estes temas são vistos como principais nas campanhas políticas e são mais tratados por candidaturas de homens. Na Primavera Feminista mostramos muito bem que mulher pauta política nacional, tanto que o Cunha, inimigo numero um não só das mulheres, como também da juventude, da negritude e de todos os brasileiros com seus inúmero casos de corrupção, caiu pelas nossas mãos, a partir das nossas mobilizações!

Além disso, ainda vemos as mulheres sendo tratadas como sem direitos nas campanhas e nossas reinvindicações históricas para garantia de maior igualdade como privilégios. As mulheres continuam a ser objetificadas, sendo utilizadas mulheres de acordo com o padrão de beleza da mídia para fazer campanha para inúmeros candidatos homens.

E é por isso que queremos ocupar a política! Queremos combater todas essas dificuldades e obstáculos que se colocam na trajetórias de todas as mulheres, para que cada vez mais a gente tenha nosso empoderamento e emancipação. Lugar de mulher é na rua, na praça, fazendo luta, fazendo política!

Autor: Blogueiras Feministas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.