#BlogFem entrevista candidatas feministas: Ivone Pita

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Ivone Pita é candidata a vereadora pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro/RJ.

Coligação: PSOL/PCB. Página no Facebook: Ivone Pita.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Descobri a política na adolescência, logo depois vieram as manifestações das Diretas Já, fui para as ruas na primeira candidatura do candidato operário, o Lula, depois vieram os protestos sobre Collor, paralelamente, o engajamento estudantil na minha escola, depois a participação na coordenação do diretório acadêmico da faculdade, as reuniões e os movimentos promovidos pelo DCE, as marchas, as passeatas, os protestos.

A descoberta do feminismo, da lesbianidade, o engajamento nas manifestações feministas, no ativismo LGBT, a militância nas redes, as rodas de conversa, os textos, as páginas no Facebook, as ações conjuntas, o desejo de participar da política institucionalizada, a candidatura à deputada estadual em 2014. Tudo isso se constitui num processo de construção de identidade, de força, de amadurecimento. Tudo isso me trouxe até onde estou agora: tentando a vereança para ocuparmos os espaços de poder, os lugares decisórios e termos uma cidade pensada também por e para as mulheres.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Discriminação e violência. Ambas se atravessam e abrangem vários aspectos de nossas vidas. Ambas se dão também no âmbito simbólico. Somos tratadas como seres inferiores, como pessoas secundárias. Sofremos com a desigualdade de gênero, enfrentamos, cotidianamente, descaso, assédio, machismo, misoginia, em meio a cidades que não são pensadas para nós. Somos segregadas, silenciadas, cerceadas. São tantos os desdobramentos: um sistema de saúde que nos agride e trata com descaso, locais de estudo e trabalho que não consideram nossas particularidades, que ignoram as mães, um sistema educacional que em vez de discutir seriamente questões de gênero, produz e reafirma discursos machistas. Esses que enfrentamos todos os dias, o tempo todo e em todos os espaços.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Todos os dias as mulheres que vivem no Rio de Janeiro enfrentam vários problemas: a insegurança das ruas mal iluminadas, o transporte que passa e para longe de casa, a desigualdade de gênero, a representatividade política quase inexistente e a falta de oportunidades de qualificação profissional. Mulheres enfrentam, cotidianamente, o assédio e a violência nos transportes públicos e nos espaços da cidade, o machismo, a misoginia, a discriminação de gênero, o descaso do sistema de saúde, a passagem cara que não permite levar os filhos à escola, e em meio à cidade que não lhes é segura. Portanto, essas são principais propostas que pretendo defender na Câmara Municipal:

– políticas de prevenção e combate ao machismo, à misoginia, à violência e à cultura do estupro;
– projeto de educação que combata a discriminação de gênero e a lesbofobia, e que promova o respeito à diversidade;
– campanhas permanentes e mecanismo de combate à desigualdade de gênero em diferentes esferas públicas;
– programas permanentes de incentivo à participação de mulheres na política;
– implementar a apoiar programas de qualificação profissional voltados às mulheres;
– atenção à segurança da mulher, promovendo mobilidade segura, com iluminação das vias públicas e integração dos transportes;
– atenção especial às mulheres em situação de rua;
– combate ao assédio e à violência nos transportes públicos;
– transporte gratuito dos responsáveis em acompanhar as crianças até a escola;
– criação de uma rede de atendimento, assistência e fortalecimento de mulheres adolescentes, jovens e adultas, relacionados a estudo, trabalho e desenvolvimento social;
– prevenção e combate à exploração sexual infanto-juvenil, trabalhando em parceria com Estado e Federação;
– atenção à saúde integral da mulher;
– plano de enfrentamento à feminização do HIV?AIDS e outras DSTs;
– ações voltadas para prevenção e cuidados na gestação na adolescência.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

A cultura machista. O fato de termos majoritariamente homens em postos de comando e ocupando lugares que por muito tempo pertenceram somente a eles, o que faz com que mesmo de forma inconsciente sejam reconhecidos como os mais legítimos a assumirem determinadas posições. O machismo estrutural que segrega e afasta a nós mulheres de posições sociais estratégicas. Mas nós mulheres temos lutado muito para superar essas barreiras e vamos efetivamente mudar esse quadro. Não é sem razão que o lema da minha campanha é Não abra mão da sua força. Não podemos abrir mão da nossa força individual, que vamos forjando durante toda a nossa vida, diante de tudo que enfrentamos, que se transforma em força coletiva, quando juntamos nossa força à força de outras pessoas, e a força coletiva que transforma e nos retorna em forma de apoio a fortalecimento. É isso: não abra mão da sua força! Vamos vencer essas eleições e mudar essa cidade! #NãoAbraMãoDaSuaForça o/

Autor: Blogueiras Feministas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.