Sobre as Paradas da Diversidade: Precisa? SIM!

Texto de William Paranhos para as Blogueiras Feministas.

O senso comum, formado pelas mais variadas identidades, inclusive por LGBTQI’s, sempre traz este questionamento ao falarmos sobre uma Parada da Diversidade. Vigora aquele pensamento de que não é algo necessário, porque expõe, porque é “demais”, porque isso passa uma imagem à sociedade de que seríamos nós promíscuos, pois num ato vamos às ruas cantando, dançando, festejando, beijando, mostrando nossos corpos e nossos seres.

As paradas são um ato político. Político sim, pois somos constituídos pela política; somos seres políticos nas nossas relações sociais. Político também por ser um ato de resistência. Decidimos levar às ruas nossa cultura, nosso jeito de ser, a fim de termos visibilidade.

A sociedade ao longo dos séculos nos levou a ocupar um chamado não-lugar. Nos transformou em não-identidades, visto que não somos dotadas e dotados do desejo de práticas heteronormativas que reproduzam e colaborem com o sistema capitalista. Nossa “minoria” — e aqui uso minoria entre aspas pelo fato de parecer contraditório, visto que somos transversais em nossas identidades, compostos por inúmeras outras categorias sociais (negros, mulheres, deficientes, etc) que numa realidade quantitativa são a maior parcela da sociedade — ocupa hoje uma periferia desconhecida e estigmatizada o tempo todo pela cultura machista e patriarcal, sendo taxados de “desviantes” e até “anormais”. Esse estigma que acarreta uma naturalização de violências contra nossas identidades e valida as mortes e crimes diários, colocando o Brasil entre os países no topo do ranking mundial de violência contra LGBTQI’s.

São Paulo, 2010. Bandeira do arco-íris na Avenida Paulista. Foto de Daigo Oliva/G1.
São Paulo, 2010. Bandeira do arco-íris na Avenida Paulista. Foto de Daigo Oliva/G1.

Beijamos na rua pelo desejo de um dia vivermos num mundo em que nos olhem e não digam “olha, que lindo, um casal gay/lésbico/trans se beijando”, mas sim que só se note “olha, que lindo, um casal se beijando”.

Mostramos nossos corpos pois cremos que eles devem ser tratados desta forma, fluídos, sem estigma de certo ou errado, carregando a beleza que nos faz bem, seja ela da forma que for, mas que não sejam sexualizados o tempo todo.

Lutamos e lutaremos sempre por um mundo diverso, do respeito e da igualdade. Por uma sociedade que não mais se distingua entre A, B, C, X ou Y, mas que lembre que somos iguais em nossa concepção, porém diversos, e muito, em nossas subjetividades.

E as paradas da diversidade têm esse papel, de resistir e desconstruir as visões fóbicas que violentam, não só na forma física, mas muito além, e talvez mais sofrível, na psicológica. É nosso o papel de mostrar ao mundo que somos pessoas, com capacidade, protagonismo, empoderamento, cultivando esta visão de liberdade que desde tão cedo é extinta da vida de nossas crianças, que desde o nascimento já são padronizadas pelo simples fato de possuírem um pênis ou uma vagina.

Vamos além do sexo.

Vamos além do corpo.

Vamos além do desejo.

Vamos além da vida, se preciso for. Pois cremos que só uma sociedade justa, fraterna e igualitária pode ser o melhor lugar para se viver.

Queremos amar, no mais profundo da concepção ontológica, filosófica, dialética, espiritualista, o que quer que seja, desta palavra. Mas, simplesmente, AMAR!

Autor

William Roslindo Paranhos é estudante de Psicologia e Pós-graduando em Estudos de Gênero e Sexualidade pela Universidade Federal de Santa Catarina. Militante em movimentos sociais LGBT, realiza estudos e palestras combatendo os conceitos binários e sexistas.

Autor: Autoras Convidadas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. A gente continua essa história do Feminismo nas ruas e na rede.