Não precisamos ser inimigas

Texto de Priscila Messias para as Blogueiras Feministas.

Entendo, por experiência própria, que um processo de separação é muito complicado e doloroso, e dependendo das circunstâncias acabamos carregando mágoas por um longo período de tempo, ou, em alguns casos essas mágoas ficam para sempre.

Assim como tenho direito de viver um novo relacionamento, meu ex também vai fazer o mesmo – isso se ele já não o estiver fazendo enquanto estamos juntos como um casal – e, surgirá uma mulher entre eu e meu ex companheiro, caso essa antiga união tenha gerado filhos, será essa nova pessoa que irá se relacionar diretamente com nossos filhos, pois afinal, o pai precisa estar presente na vida dos filhos e a nova namorada estará junto em alguns passeios e momentos, se não em todos.

Desde criança ouvi das mulheres que me cercavam e pela TV que era impossível manter um relacionamento amigável com a mulher atual de um ex-marido.

Quando passei por esse doloroso processo recebi logo a notícia que meu ex cônjuge estava namorando e isso pra mim inicialmente foi um choque, confesso, mas minha maior preocupação mesmo foi como meus filhos reagiriam a essa notícia. E, para minha surpresa, ela logo os conquistou por sua simpatia e carinho com eles. Mas, minha relação com ela não começou bem, e qual seria o motivo? Simples! O indivíduo que fizera parte de longos anos da minha vida e me conhecia como ninguém, fazia de tudo para que eu a odiasse. Dizia coisas que ela fazia (que sabia que me irritaria), falava coisas que ela havia comentado sobre mim mesmo sem me conhecer, e deixava claro como a família dele a amava. E pasmem! Eu acreditava em tudo.

Pesquisei sobre a vida da moça, descobri que ela era uma boa pessoa, e com o passar dos meses e já cansada desse jogo de leva e trás, a própria me procurou e propôs que tivéssemos uma conversa franca sobre como nós duas iríamos lidar toda essa história, a moça me surpreendeu! Tivemos uma conversa bem franca na qual descobrimos que quem estava criando todo aquele desconforto era o homem em questão, ele manipulou histórias e situações para criar uma rivalidade entre nós duas. A partir dessa conversa nossa relação mudou por completo.

A moça e meu ex-marido continuam juntos, meus filhos a adoram, e nós temos algo que eu diria ser uma amizade. Prova disso é que ela sempre aparece nos momentos festivos da família como páscoa e natal, além de podermos conviver em paz e harmonia nos eventos que envolvem os nossos filhos. Sim, os nossos filhos, pois os trata como seus e recebeu o titulo de vice-mãe, usado quando as crianças se referem a ela.

Sei que não são todas as irmãs que têm o privilégio de ter uma boa relação com a atual do ex, mas eu sugiro que nos demos a oportunidade de conhecer essa outra pessoa, que não precisa ser nossa rival, e quem sabe talvez até alertá-la de possíveis perigos. É necessário sororidade até nesses momentos de tensão. Pense nela, não como sua inimiga, mas na nova amiga de seus filhos e antigos familiares.

Autora

Priscila Messias é professora, esposa, mãe, poetisa e pesquisadora; formada em PEDAGOGIA pela UNESA e pós-graduada em GÊNERO E SEXUALIDADE pela UERJ. Militante pelo direito das mulheres e procuro promover momentos de reflexão sobre sexualidade, feminismo e religião. Escreve no blog: Papo Di Minina.

Créditos da imagem: Ilustração de Laura Callaghan/NYT.

Autor: Autoras Convidadas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. A gente continua essa história do Feminismo nas ruas e na rede.