Blogagem Coletiva – Lei Maria da Penha

Ontem, 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completou 5 anos de existência. Nascida da impunidade que insistia em marcar a violência doméstica no Brasil, a Lei tornou-se instrumento fundamental na luta pelo fim da violência contra mulher. Convocamos esta blogagem coletiva para marcar esta data e apresentar diferentes reflexões sobre o tema. Abaixo, os posts participantes:

Crédito da Imagem: Marcha Mundial das Mulheres

5 anos, por Daniella M.

Pela urgente e constante necessidade de conscientização foi criada uma rede social Maria da Penha, reunindo um grupo de mulheres voluntárias de vários estados do Brasil, com o objetivo de reunir pessoas interessadas em compartilhar informações sobre a Lei e sua aplicação.

Com essa rede, várias mulheres se sentiram fortes e protegidas, denunciando seus covardes parceiros.

A lei selou o destino de milhões de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no Brasil. Trata-se de um verdadeiro estatuto no combate à violência doméstica e familiar. E que nessa sociedade, não cabe o machismo nem o sexismo.

5 anos da Lei Maria da Penha, por Jô A.

A Lei Maria da Penha incorporou ao ordenamento jurídico brasileiro um conjunto de medidas para assegurar à mulher o direito à integridade física, sexual, psíquica e moral. A constitucionalidade de alguns artigos da Lei, porém, ainda é discutida, sob o argumento de que, ao tratar de forma diferenciada homens e mulheres submetidos à violência doméstica, a Lei feriria o princípio da isonomia.

Segundo o Ministério da Justiça, o que a lei faz é tratar de forma desigual aqueles que estão em situações desiguais: a mulher, ao sofrer violência doméstica, está em situação desigual perante o homem. E, por isso, a Lei oferece a ela mecanismos de proteção.

5 anos de Lei Maria da Penha  – Faça valer os seus direitos, por Paula Berlowitz

Claro! É este o mecanismo inicial: o agressor tenta despertar a piedade da vítima, e tenta convencê-la de que teve um momento de descontrole “porque a ama demais”! A vítima, fragilizada pelo ocorrido que provavelmente a fez pensar: “Não pode! Foi engano! Não pode ter acontecido comigo!Eu não merecia isso!”, acaba aceitando, querendo crer que o imbecil “caiu em si” e viu a merda que fez. BULLSHIT!!! Isso é golpe! Faz parte do jogo! O agressor só está criando a dependência emocional da qual precisa para manter a vítima envolta por seu sentimento doentio! E entendida esta dinâmica, foi criada a Lei Maria da Penha, para livrar a mulher deste perigoso ciclo.

5 anos de Maria da Penha, por Cal Bueno

nunca sabemos como as pessoas reagem a determinadas circunstâncias ou como seremos tratadas depois de nos afastarmos de nossa família, a verdade é que o fato de nos calarmos torna tudo sempre pior, por que nos afastamos de nossos amigos e família e nos vemos presas em uma situação onde não conseguimos reagir, ficamos impotentes, nos sentimos fracas, pequenas, humilhadas, a verdade é que a única forma de nos libertarmos disso é falando, seja com a gente ou com algum parente próximo, seja uma amiga que se afastou e deixou a gente morrendo de raiva por não ligar mais, se houver algo errado precisamos falar…

A Lei Maria da Penha vs Os Homens Retrógrados, por Lola Aronovich

Mesmo diante de toda essa injustiça, ainda tem gente que acha que Maria da Penha imaginou tudo. Que ela se tornou paraplégica pelo poder da mente, e que sua insistência para que seu ex-marido fosse preso não era sede de justiça, mas rancorzinho de mulher traída e mal-comida.

Esses homens que nem ruborizam ao escrever essas ofensas são os mesmos que negam que o machismo existe. Eles acreditam que vivemos num mundo de plena igualdade, e por isso consideram injusto não que mulheres apanhem (eles ora negam essa realidade ou inventam que elas merecem), mas que haja uma lei específica para protegê-las. O pior é que muitos policiais, delegados e juristas pensam (modo de dizer) igualzinho a esses neandertais. Mas a reação é parecida à quando foi inaugurada a primeira delegacia da mulher no Brasil, em 1985, em SP. Dizia-se que o atendimento especial discriminava os homens, como se as mulheres vítimas de violência não iriam ser agredidas mais uma vez ao pôr os pés numa delegacia convencional, cheia de policiais machistas sem a menor empatia!

Após 5 anos, Lei Maria da Penha ainda é ignorada, por Lis Lemos

A discrepância entre o número de queixas e o número de medidas pode ser explicada pela forma como a Deam vem registrando os casos de violência doméstica. Quando questionada pela reportagem sobre os dados reais de vítimas que se enquadram na lei, uma escrivã respondeu: “Pode pegar esses números que estão aí, que 99% é Lei Maria da Penha”, demonstrando que a delegacia não faz diferenciação entre os casos.

A advogada Ana Carolina explica que para um crime ser qualificado como violência doméstica é necessário que além do artigo no Código Penal, conste no Boletim de Ocorrência (BO) o símbolo “C/C” e o número do artigo ao qual se refere dentro da Lei. O tal símbolo significa “Combinado Com” e é a “diferença entre a vida e a morte de uma mulher”, sentencia Ana Carolina.

Cinco anos da Lei Maria da Penha, por Sirlanda Selau da Marcha das Mulheres do Rio Grande do Sul

Pesquisas recentes de monitoramento da aplicação da Lei Maria da Penha, indicam que há um reconhecimento da população quanto às sanções cabíveis contra os atos de violência contra mulher. Outrossim, deste período de cinco anos de aplicação da Lei, depreende-se que é através da determinação de medidas protetivas e de urgência, que a Maria da Penha obtém maior eficácia. Dito de outro modo, as medidas determinadas pelo judiciário, diante das situações concretas de manifestação da violência, são capazes de romper a violação que a mulher que recorre à justiça está sofrendo.

Embora colocadas a prova, e tendo dado respostas efetivas, nos piores momentos em que as mulheres que vivem sob a égide da violência familiar necessitam a atuação judicializada, para o tratamento da violência, sempre incidirá sobre o problema quando ele já se efetivou. Logo, quando o processo de violência doméstica já atingiu seu ápice, restando ao poder judiciário intervir, mediar e fazer cessar a violação.

Neste sentido e como já dissemos em outro momento, o enfrentamento desta forma específica de violência, não se encerra com a existência de uma previsão e sanção legal. Sendo que as sanções trazidas pela Lei Maria da Penha, devem ser compreendidas como mais um instrumento no combate a violência contra a mulher.

Cinco anos de Lei… O que temos a comemorar?, por Isabela

Primeiramente, acho importante discutirmos a violência doméstica e familiar. Já ouvi de pessoas desinformadas a seguinte afirmação: “Ora, mas a violência é uma realidade que atinge a todos, independente da idade e do sexo, basta ver a quantidade de homens assassinados. Pra que uma delegacia só da mulher? Se as feministas lutam por igualdade, por que um privilégio desses?”

E a resposta é muito simples: sim, infelizmente é uma realidade que atinge todos e todas e deve ser discutida e combatida por todos e todas. Contudo, não devemos esquecer que é uma discussão ampla e complexa. A violência, portanto, não deve ser uniformizada. A lei se volta para uma especificidade, que é histórica e desigual: a violência de gênero. E não há nada de privilégio em ser violentada pelo simples fato de ser mulher.

Estamos apenas começando, por Niara de Oliveira

Mas assim como após a criação das delegacias sentimos que faltavam outros instrumentos e assim surgiram os albergues para mulheres vítimas de violência e em situação de risco de vida e a própria Lei Maria da Penha, após a criação da Lei e passados esses cinco anos de sua aplicação, sentimos que ainda falta muito para coibir, prevenir e combater a violência doméstica, de gênero.

Foram pensadas as Varas Crimimais de Violência Doméstica que geraram alguma polêmica no próprio movimento feminista, se fortaleceriam ou enfraqueceriam a Lei Maria da Penha. Mas o que tenho percebido (e é impressão mesmo, não tenho dados ou pesquisa que comprove isso) é que a Lei Maria da Penha aflorou o machismo do judiciário. Muitos juízes que antes até decidiam em favor das mulheres por opção ou convicção diante dos casos e na interpretação do código usado, passaram a questionar a Lei Maria da Penha como que numa rebelião jurídica por terem agora uma Lei que os obriga de certa forma a uma interpretação que antes consideravam um favor, uma concessão particular.

Feliz Aniversário Maria da Penha, por Flavia Lages

Aí está a equidade… A mulher sofre violência por ser mulher. Sofre uma violência específica do gênero e até 2006 esta era tratada (sic) de forma “igual” e a mulher continuava apanhando sem ter proteção efetiva da lei… Porque a autoridade do homem sobre a mulher é o “x” dessa equação e a mulher só se tornou igual na Lei brasileira com o advento da Constituição de 1988, essa mesma que usam para negar direitos a nós.

Aí eu pergunto: se fomos, enquanto nação, positiva e conscientemente responsáveis pela criação, manutenção e aumento da desigualdade social no país como podemos achar que esta desigualdade vai passar com “dane-se” e nada fazer porque se um negro não se dá bem na vida é porque ele não quer? Como achar que a desigualdade imposta por milênios à mulher é tarefa dela como indivíduo (porque em grupo não pode porque feminismo é “feio”, né tio? Humpf) mudar? Como achar que leis que buscam minimizar as desigualdades ferem a igualdade indicada pela Constituição?

Lei Maria da Penha – 5 anos, por Srta. Bia

É triste constatar que os números da violência doméstica são crescentes. Cada vez mais os casais se agridem, tanto homem quanto mulheres. Porém, a violência doméstica é basicamente uma violência contra a mulher. Quando dizemos isso não negamos que existem homens que sofrem, fisicamente e psicologicamente, mas a grande maioria das vítimas são mulheres. A violência doméstica e familiar é um crime bem específico. Ainda hoje é um crime acobertado, pois a instituição familiar deve ser preservada. As mulheres tem receio de denunciar e as pessoas que sabem do caso não querem se envolver.

Algumas pessoas defendem que violência não é uma questão de gênero. Porém, há crimes em que a vítima preferencial são mulheres e há crimes que afligem mais os homens. No caso da violência contra a mulher contamos com o fato de que culturalmente a mulher é vista como uma posse do homem, ele tem poder sobre ela. Os principais algozes das mulheres são parentes e cônjuges. Toda violência é ruim, isso é fato. Porém, precisamos criar mecanismos de defesa para diferentes tipos de crimes. No caso da violência doméstica a vítima convive diariamente com o agressor, divide a mesma casa, muitas vezes há dependência financeira. Antes da Lei Maria da Penha, o marido agressor poderia receber como pena o pagamento de cestas básicas. A violência contra a mulher era um atentado contra os costumes. A mulher agredida não possuia direitos.

Lei Maria da Penha e a igualdade entre homens e mulheres, por Cynthia Semiramis

Mesmo com todas as mudanças na legislação, a mentalidade continuou patriarcal e contrária às mulheres. Praticamente todos os agressores de mulheres estão ligados a elas por relações afetivas ou familiares e abusam dessa posição para submetê-las a uma relação de dominação. Eles as consideram como propriedade, e não têm escrúpulos de se valer do ius corrigendi, através de violência psicológica, espancamentos, estupro e até morte para submetê-las a suas ordens.

E o Estado, que deveria proteger todas as pessoas, acabou acobertando os agressores. A atuação das autoridades estatais (incluindo-se aqui policiais, promotores, juízes e advogados – profissões até recentemente exclusivamente masculinas) era prejudicial à vítima. Agiam sempre no sentido de considerar a agressão a mulheres uma questão menor, privada, que não merecia sequer investigação, quanto mais um processo judicial.

Nota-se que há uma violação flagrante da igualdade de direitos nesses casos: embora a lei inicialmente não fizesse distinção em razão de sexo nos casos de lesões corporais ou homicídio, os costumes fizeram essa diferenciação, dificultando o acesso das mulheres à proteção do Estado. Em outras palavras, o Estado acabou por acobertar a violência praticada contra mulheres ao permitir que seus agentes ignorassem a violência sofrida por elas.

Lei Maria da Penha: um caso, por Mulheres no Poder

A 5ª agressão é apensada à 4ª, e uma nova audiência de justificação está marcada para breve. Pelas reiteradas agressões, o Ministério Público tomará para si a responsabilidade de prosseguir com o inquérito.

Infelizmente, para este caso, assim como para tantos outros, ainda não se tem um desfecho.

Moral da história, a eficácia da Lei Maria da Penha, mesmo com as suas limitações, só se fará valer se houver, também, uma modificação no paradigma cultural das mulheres brasileiras.

Marias, Teresas, Gabrielas… Todas “Maria da Penha”, por Renata Oliveira

Dez da noite. Chega a primeira ocorrência.

A mulher, com um hematoma no supercílio e marcas nos braços, por onde fora segura pelo companheiro e sacudida. Na frente dos filhos, de cinco e oito anos.

Chegou embriagado, agressivo.

Os militares, já na expectativa de ficar horas aguardando a lavratura do flagrante.

A mulher, assustada mas decidida: queria que ele ficasse preso.

Duas outras situações na frente do registro da agressão. Tráfico e roubo.

Flagrantes demorados.

A mulher, vamos chamá-la de Teresa, começou a ficar preocupada com os filhos em casa, com vizinhos. Não podia chamar ninguém da família, esse tipo de coisa se resolve em casa, não na polícia, não incomodando os vizinhos, dando motivos para falatório.

Finalmente, por volta das duas da manhã, começa o flagrante.

O agressor já estava mais calmo, passara o efeito da cachaça de sexta-feira.

A vítima já estava envergonhada, afinal, tudo não passara de um grande mal entendido.

Números que berram, que levam as mulheres a marchar, por Marcha das Vadias – Campinas/SP

– Razões que levam uma mulher a continuar a relação com o agressor

Falta de condições econômicas para viver sem o companheiro – 24%

Preocupação com a criação dos filhos – 23%

Medo de ser morta caso rompa a relação – 17%

Falta de auto-estima – 12%

Vergonha de admitir que é agredida / apanha – 8%

Vergonha de se separar – 6%

Dependência afetiva – 4%

Acha que tem a obrigação de manter o casamento – 4%

Temos a Lei Maria da Penha , agora é preciso que invista e faça funcionar, por Luka

Porém eu não acredito que hoje seja dia de comemorarmos nada, pois apesar de haver a Lei Maria da Penha o investimento no Pacto Nacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres vem sendo estrangulado por cortes e mais cortes de verbas, não apenas no estado de São Paulo, mas no Brasil inteiro. As delegacias especiais de atendimento à mulher não contam com capacitação de seus profissionais para poder lidar com tema tão delicado quanto a violência doméstica, não é raro ouvirmos casos de mulheres que arranjaram forças para ir até as delegacias denunciarem seus companheiros e serem cobertas de questionamentos sobre se irão dar continuidade ou não a denúncia, colaborando com o fortalecimento da insegurança destas mulheres que muitas vezes acabam indo a delegacia e desistindo de denunciar.

Todos dizem eu te amo, por Maria Julia

E aí que você pára e pensa: Espera aí, eu já fui vítima desse tipo de violência? Aquilo que muitas vezes parece existir somente nas estatísticas? Como que eu não sabia? Como eu não percebi?

Pois é. É claro que eu não achava que o comportamento do meu então namorado era normal, muito menos aceitava tranquilamente. Me incomodava, me fazia mal, e era um relacionamento repleto de brigas. Mas entre sentir-se mal e reconhecer que é, de fato, uma violência, e uma violência exercida pelo fato de você ser mulher, existe um abismo que precisa ser superado. No caso, o abismo foi um tempo de nada menos que 4 anos.

Crédito da Imagem: Tatiana Anzolin

Chamada para Blogagem Coletiva – Lei Maria da Penha

No dia 07 de agosto, a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que dispõe sobre mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completa 5 anos. Para marcamos essa data de luta pelo fim da violência contra a mulher, convidamos você a participar da Blogagem Coletiva – Lei Maria da Penha no dia 08 de agosto.

Escreva sobre o assunto no seu blog, deixe o link aqui nos comentários ou nos mande por email, twitter, facebook, etc. No dia 08 de agosto (segunda-feira) publicaremos um post linkando todos os textos participantes, com o objetivo de discutir, refletir e fortalecer uma lei fundamental para milhares de mulheres.

Cartaz de divulgação da AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras

[+] Lei Maria da Penha na íntegra

[+] Como especialistas avaliam os cinco anos da Lei Maria da Penha

[+] Dados sobre a Violência contra as Mulheres

[+] Lei Maria da Penha citada como exemplo em relatório da ONU

[+] Vídeo – Programa Profissão Repórter: Violência Doméstica: Parte 1 e Parte 2.

[+] Entrevista – Maria da Penha avalia a aplicação da lei que leva o seu nome

[+] Vídeo – Programa Conexão Repórter: Quando o medo dorme ao lado: Parte 1Parte 2Parte 3 e Parte 4

[+] Reportagem – Maria da Penha, a mulher que sobreviveu à tentativa de assassinato pelo marido e virou nome de lei

[+] Só para mulheres – O sujeito de direito sob proteção da Lei Maria da Penha é a mulher, discordando da abrangência para homossexuais homens. Texto de Debora Diniz

[+] Notícia – Criada para mulheres, Lei Maria da Penha também ajuda homens. No Rio e no Rio Grande do Sul, juízes decidiram aplicar a lei para relações homossexuais. No Mato Grosso, homem conseguiu se proteger da ex-mulher.

Blogagem Coletiva: #MitosFeminismo

Lá no post “Um Guia para você que tem vergonha de se assumir como feminista” fizemos a convocação. E aqui estão os posts participantes da blogagem coletiva que tem como objetivo acabar com diversos mitos sobre o feminismo:

Selo para a Campanha por Tatiana Anzolin Michels

[Blogagem Coletiva] Blogueiras Feministas, por Tatiana Anzolin

Chega de estereótipos, chega de histórias, chega de Cinderela. Feminismo é uma luta plural. Eu luto, ela luta, nós lutamos. Entre quatro paredes, em casa, fora, ali, lá e lá também. Em primeiro lugar precisamos vencer o silêncio, mas nem sempre conseguimos. eu me calo, nos calamos, perdemos todas. Um movimento plural e VIVO, não fazemos caras e bocas, ou fazemos, isso não nos define. Erramos e nos desculpamos publicamente, um movimento onde a palavra de lei é respeito. Livre expressão, o debate é rico, carinhos nascem, distâncias desaparecem e não estamos mais sozinhas.

Casada, depilada, maquiada, de unhas feitas, medo de lagartixa, ama a cozinha e… FEMINISTA?, por Mari Moscou

Se você acredita que as diferenças entre homens e mulheres não podem ser usadas nem pra oprimir e limitar as mulheres, nem pra oprimir e limitar os homens, então, surpresa amiga, você já é feminista. Pode escolher não dizer isso, usar outra palavra, enfim. Mas que você é feminista, isso é. Se você acha que o fato de engravidarmos não pode significar um salário menor (já que a outra metade do bebê é do homem né?) ou uma “baixa” na carreira – a não ser que nós mesmas escolhamos isso – então você é feminista. Se você acha injusto que um homem seja massacrado por outros homens porque decide resolver as coisas sem violência, então você é feminista. Se você acha um absurdo um homem ou mulher deixar de fazer qualquer coisa, seguir qualquer plano de vida, simplesmente porque lhe dizem que aquilo não é adequado a um homem/mulher, então, voilà, você é feminista. E infelizmente essas “sutilezas” da desigualdade ainda acontecem no nosso cotidiano. Se você acha injusto que você nunca deu uma cantada pedreira ofensiva em ninguém na rua mas já levou várias e se sentiu constrangida, você é feminista sim. Se você acha injusto ter que limitar seus horários de sair de casa simplesmente pela possibilidade de ser estuprada (e saiba que isso não acontece com homens), você é feminsta. Se você acha que ter filhos ou não ter deve ser uma escolha e nenhuma mulher deve ser crucificada porque quis ou porque não quis ter filhos, bem-vinda ao clube. 😉

Cozinhando com Feministas, por Barbara Lopes

O mito é: Feministas não têm senso de humor. A prova contrária é o vídeo abaixo, com a participação de Jane Fonda e Gloria Steinem no programa de Steve Colbert. Elas estavam lançando uma estação de rádio voltada para mulheres. Infelizmente, o projeto funcionou por menos de um ano.

A entrevista se dá em uma cozinha cenográfica, dentro do quadro fictício “Cozinhando com Feministas”. Além de falar sobre a rádio, Jane Fonda e Gloria Steinem aproveitam para combater alguns preconceitos associados ao feminismo. Por exemplo, Colbert pergunta como diferenciar uma feminista de uma mulher que apenas está zangada. Ele mostra uma imagem de Steinem como coelhinha da Playboy. Ela explica que naquela foto, ela estava zangada, mas tinha que sorrir. E diz que uma feminista é uma mulher que sorri ou fica zangada sem precisar disfarçar seus sentimentos.

Dos Mitos e dos Esclarecimentos, por Iara

Mas nem é esse o principal problema, na verdade. O complicado é preencher a frase “você é feminista, logo___” com um estereótipo qualquer. E sabe qual o problema dos estereótipos? Eles no geral, não são mentirosos, mas tendem a ser muito limitados. “Você é feminista, logo não usa maquiagem” pode ser muito válido. Há feministas que não usam maquiagem não só porque não querem, mas porque vêem a exigência social das mulheres usarem maquiagem como uma opressão. E concordo também que exigir isso das mulheres é uma exigência social bem sexista com nossa aparência. Mas uso porque gosto e quando quero, não porque me sinto obrigada.

“Ah, mas então se eu gostar de tudo na minha vida, não tenho porque ser feminista, né?”. Não, não é por aí. É preciso sair do lugar comum. É preciso ao menos questionar suas escolhas, tentar entender o porque você gosta de algo, principalmente se sustentar este gosto te traz problemas. Nossos gostos não são inerentes, mas resultados de uma construção cultural, e não há nada de errado com isso. O problema é quando nossas escolhas nos oprimem, nos fazem sofrer, e a gente não se dá conta disso. Daí entra o feminismo. Não pra dizer que “feminista não usa batom”. Mas pra te alertar que se você perde minutos preciosos de sono toda manhã pra se maquiar porque se acha feia, talvez se maquiar não seja exatamente uma escolha. E que se você não tem dinheiro pra voltar de táxi e é obrigada a aceitar carona com aquele cara pegajoso porque sua grana foi gasta na cabeleireira e na manicure pra ir pra balada, talvez você esteja refém do papel social que está desempenhando.

Faça você mesma!, por Tica Moreno

Mas, a gente tá falando de orgasmo. Que tem que fazer parte do sexo, mas que você também pode alcançar sozinha. E, aliás, é sempre bom dizer que conhecer seu próprio corpo e sua cabeça facilita muitíssimo chegar lá com outra pessoa.

 Assim, foi muito importante pro feminismo separar sexo de reprodução (a Igreja ainda não separou). Sexo antes do casamento também foi outra coisa boa que já avançamos nesse mundo. Separar sexo do amor ainda tá num processo, porque o tempo todo ficam empurrando pra cima da gente um ideal de amor romântico, e dizem que sexo é muito melhor quando é com quem você ama. Funciona pra algumas pessoas, mas pelo que eu vejo por aí, o amor tá longe de ser um pré-requisito pra um bom sexo.

Feminismo faz bem, por Bete Davis

Resumindo de forma meio curta e grossa o que passei a entender por feminismo desde então foi a necessidade de colocação da mulher em todos os setores da vida (casa, trabalho, sexo e política) de forma que a mulher tivesse os mesmos direitos que os homens têm (porque quanto aos deveres me parece, que temos bem mais – cuidar da casa, da família, de sermos lindas E magras, doces, amorosas etc., etc., e por aí vai). Direito de sermos igualmente competitivas no mercado de trabalho, direito de dividir os cuidados de família e casa com os parceiros e não a falsa benção de –“ que fofo, ele lava a louça! Aos domingos…”.

Nunca achei que o feminismo era esquecer que existem diferenças óbvias genéticas entre mulheres e homens, e essas diferenças não fazem um melhor que o outro, mas simplesmente diferentes. Nunca achei que feminismo fosse ser melhor ou pior que os homens; sempre achei, e acho, que feminismo é ter uma sociedade com direitos iguais para homens e mulher, lembrando que a noção jurídica mais atual de direitos iguais para todos é tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais, isto é, procurar entender as diferenças entre posições que não são iguais e minimizar ao máximo as diferenças, com o objetivo de se buscar uma igualdade efetiva.

Feministas são Mulheres que lutam por seus direitos, por Liliane Gusmão

Acho que esses são os mitos mais frequentes que eu pessoalmente encontro por perto de mim: feministas odeiam homens, feministas são radicais. Mas também há os que dizem que feministas não se maquiam, ou não se depilam, ou não se casam, ou não tem filhos e que ainda são abortistas. Ou mais montes de outras besteiras possíveis.

A realidade não é assim, odiar homens ou ser radical não é pré-requisito para ser feminista. Feministas são gente, e gente é tudo diferente entre si, podem existir feministas misandrias ou radicais, mas isso não é o que nos une como grupo. O que nós feministas temos em comum é o desejo da liberdade e da igualdade e da autonomia das mulheres.

#MitosFeminismo, por Srta. Bia

O Feminismo está por aí lutando pela igualdade. Homens e mulheres são diferentes. O que queremos não é que sejamos iguais perante nossos corpos, mas que coloquemos um fim na desigualdade social que existe entre os gêneros masculino e o feminino. Feministas, mulheres ou homens, estão por aí lutando contra a violência que aflige as mulheres, contra a falta de creches, contra a divisão sexual do trabalho, por igualdade nos salários, educação para todos e saúde. Lutando para que a sociedade não tenha papéis de gênero rígidos e que as mulheres não sejam vistas como mais um bem patrimonial dos homens.

Então, quando você ver alguém comentando sobre um bando de mulheres rindo num programa de tv porque um cara teve seu pênis decepado pela esposa, saiba que isso não é feminismo. Quando você ver alguém citando apenas Valerie Solanas como a única feminista verdadeira, saiba que isso não é feminismo. Quando você ver alguém repetindo que as feministas não aceitam que mulheres façam sexo em determinadas posições sexuais, saiba que isso não é feminismo.

#MitosFemininos: Sou feminina e não feminista?, por Clara Guimarães

O feminismo nasceu dessa tensão da identidade sexual construída, assim ser feminista é ter o entendimento que existem diferenças anatômicas entre homens e mulheres, todavia, ter a certeza que não deve existir diferenças nos papéis sociais, uma mulher deve ter os mesmos direitos civis que os homens.

 Ser feminista não significa achar que as mulheres são melhores que os homens, pois essa é uma atitude preconceituosa, mas sim entender que apesar das diferenças temos direitos iguais, pois somos todos seres humanos.

 Nem toda mulher é feminista, assim como nem todo homem é machista. Acredito que devemos trabalhar em conjunto por um mundo mais justo e tolerante, ser feminista é ter o entendimento que as diferenças podem ser positivas, afinal todos somos diferentes, mas apesar delas, todos temos o direito de construir a nossa felicidade e não existe felicidade sem respeito.

O que é Feminismo?, por Luka

O feminismo é um pensamento científico, explicativo e transformador da sociedade. É uma revolução, talvez a maior revolução dos tempos modernos. Uma estranha revolução na qual não se derramou uma gota de sangue, pelo menos de sangue estrangeiro, no entanto, como bem apontam Gallizo Almeida ” é a revolução que mais mudou coisas na vida diária das pessoas, e acima de tudo, produziu mudanças irreversíveis “.

A revolução feminista é e tem sido a resposta das mulheres ao poder patriarcal, sem esquecer que as mulheres têm promovido outras revoluções desde a era cristã, além de sua própria e, periodicamente, saem delas de mãos vazias. A alegação de que durante séculos tem motivado a luta das mulheres e caracteriza o feminismo é a igualdade. Igualdade também tem direito aos direitos, tem alimentado a teoria, ou melhor, as teorias que inspiraram a revolução feminista e movimento de mulheres em geral. Assim, podemos dizer que o feminismo é a doutrina da igualdade de direitos para as mulheres, com base na teoria da igualdade dos sexos. Para não mencionar que a igualdade está intrinsecamente ligada a outros direitos como a liberdade, por exemplo, porque, tal como expresso no artigo 19 da Constituição, os direitos humanos são indivisíveis, inalienáveis ​​e interdependentes em seu exercício.

Sim, sou Feminista!, por Asa Heuser, uma atéia de bom humor

Uma pergunta comum é porque há poucas mulheres no ateismo, por exemplo. Uma das explicações é que socialmente ainda é mal visto quando uma mulher bate pé por suas opiniões e posicionamentos. Espera-se que a mulher ceda, seja diplomática, não confronte. Ser afirmativa e sustentar as suas opiniões é considerado “não-feminino” muitas vezes, até mesmo em ambientes ateistas.

Ser tachada de feminista no Brasil muitas vezes equivale a ser vista como pouco feminina, raivosa, uma mulher que odeia homens, etc. Por isso acredito que muitas mulheres independentes financeiramente não se assumem como tais.

Tentativas, por Ana Rusche

aí lembrei agora da festa que não fui

que queria vestir uma máscara de gorila

igual uma guerrilheira-girl, mas não ia ficar

pelada, tenho vergonha, ia vestir o vestido

rosa choque que comprei da menina

que a faculdade inteira apontou “puta! puta!”.

e o vestido é de rosa e de choque pq não é fácil

(viu que faculdade também tem f de fácil?)

embora todo esse rosa me enjoe, pink stinks,

– pobre das meninas sempre para sempre princesas.

Criação de Tatiana Anzolin, @Labucaneira