Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas

A data é comemorada no dia 27 de abril. No Brasil, a profissão é exercida por 6,2 milhões de pessoas. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, em 2008, a categoria das trabalhadoras domésticas representava 15,8% do total da ocupação feminina, o que correspondia, em termos numéricos, a 6,2 milhões de mulheres. Entre as mulheres negras, 20,1% das ocupadas eram trabalhadoras domésticas. Dentre as mulheres brancas, amarelas e indígenas ocupadas, o trabalho doméstico correspondia a cerca de 12% do total da sua ocupação.

Pensando nessas questões, propomos uma blogagem coletiva sobre Trabalhadoras Domésticas entre as integrantes do Blogueiras Feministas para marcar esse dia. Os posts participantes são:

[+] 27 de abril – Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Texto da Iara.

[+] Carta Aberta ao Grupo Antiterrorismo de babás. Texto da Luana dos Santos.

[+] Dalva, uma mulher sem vida. Texto da Sara Joker.

[+] Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Texto da Srta. Bia.

[+] Seja empregada doméstica ou terceirizada a sina é a mesma: invisibilidade. Texto da Luka.

[+] Trabalho Doméstico: faça sua parte. Texto da Denise Rangel.

Feministas na cozinha!

Para você que pensou que o feminismo ia abandonar as trincheiras da cozinha, venho anunciar um novo empreendimento das Blogueiras Feministas, o blog Feministas na Cozinha. Não é espaço gourmet, é cozinha com avental, forno e fogão. E a comida fica ainda mais gostosa quando feita por várias mãos.

Na Cozinha. Foto de Barbara Lopes, com autorização.

Um lugar para apreender o melhor dos sabores, dos temperos, das cores e perfumes que correm pelas panelas, tachos, colheres e raladores. Apanhe agora seu livrinho de receitas, pois essas feministas vão lhe ensinar que mulher pode tudo, inclusive gostar de cozinhar.

No post de estréia a Luciana vem borboletear nossos sentidos com camarões:

Abre a geladeira e vê o que tem. Camarões. Se foi sabida, reservou uns descascados. Pega o camarão nuinho e tempera com sal, curry e canela. Deixa o danado descansar e abre a torneira da banheira. Acende velas e coloca um disco (tangos imortais é uma excelente pedida). Abre uma cerveja. Vai bebendo. Depois de acompanhar o nível da água em relaxante nada pensar, coloca sabonete líquido e manda brasa na hidromassagem. Quando tiver fazendo bolhinhas e espuma, desliga e vai tratar o camarão.

Já a Sara Joker vai te ensinar receitinhas vegetarianas e ainda nos presentear com tirinhas bem humoradas:

A cada nova receita vocês verão bastante bom humor e comidinhas saborosas para todos os paladares. De duas em duas semanas você conhecerá uma nova receita divertida e em toda última semana de Sara Joker no mês, vocês se deliciarão com uma receitinha vegetariana. Essa semana teremos uma receita fácil, a preferida da mãe de Sara Joker: Cebolas a Dorê.

Não deixem de acompanhar o blog e de exercitar os sentidos na cozinha. Conhecer os alimentos, aprender a prepará-los e saboreá-los bem frescos é uma receita ideal para aprender sobre quem somos, qual nosso paladar, do que gostamos,  além de desenvolver novas habilidades. Então, todo mundo já pra cozinha!

Quem quiser compartilhar receitas pode entrar para o grupo de emails das Feministas na Cozinha.

Mercado de trabalho: o que pode mudar?

Este é um post coletivo, feito a partir de reflexões dentro do nosso grupo, principalmente com idéias e falas da Iara e da Cecília, colocado em texto por Bia Cardoso e pela Barbara Lopes. A Thayz já fez um post bem bacana sobre A Mulher e o Mercado de Trabalho. Porém, sempre há o que falar.

No Parlamento Europeu, deputadas levam seus bebês para o local de trabalho. À esquerda, a deputada italiana Licia Ronzulli. À direita, a deputada dinamarquesa Hanne Dahl. Fotos de Vincent Kessler/Reuters.

O feminismo é um movimento que não se limita a lutar por melhores salários para as mulheres, mas também quer influenciar e modificar a realidade do mercado de trabalho que temos atualmente. Um mercado que foca nos indivíduos e não apóia mães e pais que precisam dedicar tempo a seus filhos.

Para a mulher sempre existiu a questão: “filhos ou carreira?” Como se as duas coisas não pudessem caminhar juntas. Como se fosse necessário fazer uma escolha entre ser uma boa mãe ou não. E quando vemos mulheres-mães saindo de um emprego formal para montar um negócio próprio com o objetivo de ter mais tempo para ficar com seus filhos, notamos como as coisas estão erradas. Pois, nem todo mundo pode sair de um trabalho, nem todo mundo pode abrir um negócio próprio e fazer seus próprios horários. E ninguém no mercado de trabalho parece pensar com quem fica a filha ou filho dessa pessoa, como irá crescer e se desenvolver.

Qualquer mudança, tanto no mercado de trabalho, como na sociedade, vai ser difícil enquanto pais e mães não forem implicados. Porque se a licença-paternidade for curta como é atualmente, passando a clara mensagem que o papel do pai é buscar mãe e bebê na maternidade, registrar a criança e voltar ao seu papel de provedor, fica muito fácil para as empresas justificarem sua discriminação com motivações da lógica capitalista.

Porém, se os homens tivessem uma licença obrigatória tão impactante pro mercado quanto a das mulheres, ninguém discriminaria mulheres por conta disso. Seria um custo alto paras empresas e a previdência? Claro que sim. Mas a sociedade precisa entender que, se querem prosperar, se querem dali a 25 anos ter gente preparada no mercado, o investimento em educação começa agora.

Imaginem se no Brasil o período de licença fosse de 3 meses para cada um? Os 3 meses iniciais para as mulheres, por conta do parto, depois 3 meses para os homens. Sabemos que muitos homens não iriam cuidar de seus filhos, iriam terceirizar o trabalho deixando com uma babá ou com a mãe/sogra. Muitas mulheres parariam de trabalhar por não confiarem na capacidade de seus companheiros, mas seria revolucionário. Porque as empresas seriam obrigadas a dar licença, então, não teriam porque não contratarem mulheres. E alguns pais que hoje se acomodam no papel social de provedor se dedicariam mais a trocar fraldas sim, porque não? Sabemos que ninguém vira pai presente por decreto, mas muitas mudanças de mentalidade dependem mesmo de estímulos externos.

Sabemos que licença maternidade, creche na “firma”, e outros benefícios são vistos como “benefícios para as mulheres”. E acabam sendo, mas é porque a mentalidade está errada. Fica parecendo que mulheres inventam de ter filho, que a criança é só um capricho. Que somos nós mulheres que demandamos políticas especiais, benefícios extras. Crianças são feitas pelo casal e são futuros cidadãos. Então, qualquer política, seja pública ou privada, que beneficie o cuidado com as crianças é para a sociedade, não apenas para as mulheres.

A mudança de mentalidade vai demorar. Com a precarização dos contratos de trabalho, muitas empresas sequer reconhecem os direitos já estabelecidos. Propostas de pagamento de apenas metade do salário durante o período da licença-maternidade não são raridade. Mesmo assim, é preciso lançar as idéias. As famílias já não são mais as mesmas. Atualmente possuem diferentes configurações que não são necessariamente as tradicionais, tipo pai e mãe, filhinho, filhinha e cachorro golden retriever.

A existência de uma rede social de proteção à mulher que é mãe e trabalha também é importante para muitas mulheres poderem se libertar de um relacionamento opressor. Porém, nada impede um homem de se afastar do trabalho pra cuidar do filho que ele teve com uma namorada. Ou com a ex-mulher. Não precisa morar na mesma casa para ser pai. A rede social de benefícios existente atualmente ajuda a mulher, mas ajuda porque socialmente aceitamos que é a mãe a principal responsável pela criança, logo ela precisa desse apoio pra poder dar conta de outras coisas.

Não fosse assim, o modelo, fosse a cobrança social sobre ambos, pai e mãe, igual, íamos dizer que são benefícios para a família, não para a mulher. Então, lutemos para que a mulher não tenha que escolher entre “filhos ou carreira?” mas sim: “quando devo voltar ao trabalho?” “quais tarefas posso dividir com o pai do meu filho?” “o que a sociedade pode fazer para que as crianças tenham acesso a educação?”

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Este post faz parte da Blogagem Coletiva “Mulher no Mercado de Trabalho”, organizada pela Carolina Pombo do What Mommy Needs.