Tira Dúvidas: Coletores Menstruais

Em nosso grupo de discussão há várias mulheres que utilizam coletores menstruais. Além de serem uma alternativa ecológica ao uso de absorventes, também são interessantes porque você pode ter contato com seu sangue menstrual, observar quantidade, cor, espessura e descobrir mais sobre seu corpo. Este post é um conjunto de dúvidas básicas, depoimentos e links compartilhados nas discussões do grupo que podem ajudar outras mulheres a conhecerem mais sobre copos menstruais.

Diversos coletores menstruais. Imagem: reprodução Revista TPM.

O que é um coletor menstrual?

É um copinho de silicone ou plástico que é utilizado para coletar o sangue menstrual. Há diferentes tamanhos, cores e marcas. Você pode conhecer mais sobre os coletores ou copos menstruais neste vídeo. E visualize melhor a diferença entre os tamanhos neste vídeo.

Apesar de achar fácil de manusear, ainda não acertei colocar direito, mas mesmo assim estou super confortavel, porque meu fluxo não é muito forte nos primeiros dias e ele é tão imperceptivel quando um absorvente interno.

Ainda tenho alguma dificuldade nos dias de maior fluxo. Porque acho que às vezes ele fica dobrado e não percebo. Mas quando isso acontece, o escape na calcinha é mínimo, nada comparado com manchar calcinha, calça, etc. Só descobrir que a calcinha tem umas gotas de sangue que não deveriam estar ali. Por isso até recomendo, pra quem tem fluxo intenso, enquanto não se adapta, usar um absorvente externo nos dias que o fluxo é mais forte, só pra se sentir mais segura.

O absorvente interno machuca justamente porque absorve a umidade natural da vagina, daí o algodão atrita com o canal. Mas o coletor não faz isso, os fluidos continuam todos lá. Eles só não recomendam o uso no pós-parto.

 Quanto custa?

Em média um coletor menstrual custa de R$65 a R$85 dependendo de marca, tamanho e taxas de importação.

O alto custo de aquisição deve ser encarado como um investimento inicial, pois dada a durabilidade do coletor, o que você economiza em absorventes compensa e muito (claro, isso se você não for nó cega como eu, mas eu explico depois). Tava super empolgada. Comecei a usar e pensava escrever sobre ele aqui assim que terminasse o meu ciclo menstrual. Como tinha lido bastante sobre, já sabia que existe um pequeno desconforto ao tirar até a gente se adaptar, que ele não deve ser colocado muito no fundo como a gente faz com absorvente interno, enfim, tinha algum contato com os macetes. E os primeiros dias não poderiam ter sido melhores. Nenhum problema pra colocar, nenhum vazamento, não o sentia dentro de mim e adeus cheiro desagradável de absorvente usado no lixo do banheiro. A felicidade existe. Continue lendo em O Coletor Menstrual ou pequenos desastres.

Paguei R$ 70 na época já convertido, mas hoje o dólar tá bem mais baixo. Na época, fiz o cálculo que era isso que gastava com absorvente por ano. Então, usando por 10 anos eu economizaria 90%, só que atualmente a quantidade de absorventes por pacote diminuiu e o preço aumentou então se duvidar economizei muito mais do que isso. Aliás até acho o coletor mais seguro porque você mesma estereliza, enquanto o absorvente sabe-se-lá.

Tem variedades de tamanho?

Sim. Porém, cada marca tem suas especificações e tamanhos. O mais comum é encontrar 2 tamanhos, o menor para mulheres que não tiveram filhos e o maior para mulheres que já tiveram filhos. Outras marcas tem 3 tamanhos e copos menstruais com diferentes medidas. Vale a pena pesquisar no site da marca o que melhor se adapta a você.

Comprei o meu tem dois meses e apesar de todas as dificuldades de adaptação que tive prefiro muito mais o meu coletor do que um absorvente. As vezes não tenho certeza que ele ficou no lugar certo e uso um absorvente externo e pronto. Depois da gravidez fiquei super sensivel a alergias com absorventes, o que me fez usar apenas uma marca de absorvente interno, qualquer outro me dava assaduras. Era muito ruim, pois o uso continuado do absorvente interno mesmo trocando com o tempo certo me causava dores de cabeça e à noite eu não podia usar nada só o absorvente externo.

Quais marcas existem?

Inúmeras. Algumas das mais conhecidas são: Diva Cup, Lunette e Meluna.

Eu tenho um DivaCup já tem uns quatro ou cinco anos e, apesar de adorá-lo, não é sempre que tenho paciência pra ele. Acho a colocação difícil e, quando a inserção é incorreta, só se fica sabendo quando começa a vazar, o que é bem chatinho, por motivos óbvios. Tirando essa dificuldade, ele é sensacional, muda até sua relação com o fenômeno da menstruação. Já vi por aí algumas mulheres que sentiram nojo ao pensar na ideia, o que é uma pena – usando-o é fácil perceber que ele é uma opção muito mais limpa, prática e consciente do que a maioria das disponíveis.

Eu tenho o meu lunette há uns 2 ou 3 anos. odeio ter que usar absorvente, tenho alergia, acho anti-higiênico e tudo mais. O que eu acho mágico e você ter noção de quanto sangra, porque o absorvente engana demais.  Não tenho problemas em saber se o lunette tá mal posicionado. acho que já me acostumei com a posição certa para mim (que é até meio tortinha) então quando não está no lugar certo eu acho estranho e recoloco. O lance é que não é tão simples quanto colar um absorvente na calcinha, né?  Acho que é mesmo um aprendizado, mesmo com o absorvente eu tive que aprender a posição melhor para colocá-lo, então não vai ser diferente com o coletor.

Comprei o Meluna porque tem outros que só vendem por sites internacionais, daí tem que ter conta no paypal e demora pra chegar. Além disso, o Meluna é colorido. Eu tenho uma certa impressão que esses incolores podem manchar pelo contato com o sangue com o passar do tempo, mas não confirmei com ninguém. Daí comprei um Meluna cor-de-laranja porque acho que não vai manchar. Mas foram só esses os critérios.

Eu, por exemplo, adquiri o MissCup. Cortei a hastezinha dele, porque me incomodava. Tb tive a sensação de que seria bom ter ficado com o tamanho A, por ser menor, já que tenho o corpo de mulher pequena. E também achei o silicone dele não tão flexível, sei lá, tenho a sensação de que talvez outra marca teria o silicone mais flexível. Mas não tenho outro para comparar. Nas primeiras vezes eu sentia que estava usando, mas agora esqueço mesmo. E, finalmente, ele cumpre o que promete e não vaza.

Olha o Diva Cup que é o que eu tenho é transparente e com o tempo ele ficou meio amarelado, nada que água sanitária de vez em quando não deixe como novo. A flexibilidade dele é boa e a haste no tamanho certo (pra mim pelo menos).

E o cheiro?

Nunca. Nada. Nem no corpo, nem no banheiro. Se você usa absorvente externo, sabe aquela coisa de chegar em casa cansada numa noite fria e entrar no banho morrendo de preguiça só porque está menstruada e sente o cheiro desagradável? Então, não tem mais.

Uma das vantagens do coletor é justamente evitar que o sangue entre em contato com ar. Então a gente vê o sangue, mas não sente cheiro ruim. Aliás, como não se descarta um absorvente no cesto, não há cheiro algum no banheiro.

Super recomendo passar por um processo de adaptação antes. Pode te fazer se sentir mais a vontade com ele. Mas depois que você acostuma, não quer outra vida. E acho que até a relação com o sangue menstrual muda mesmo, porque a gente deixa de associá-lo a sujeira por conta do cheiro.

Pode dormir com o coletor?

Problema nenhum. E ainda pode dormir sem calcinha.

Antes de dormir, esvazio e dou uma boa higienizada, depois faço a mesma coisa logo quando acordo.

É difícil tirar e colocar? Tô tão acostumada com a cordinha do absorvente interno.

Há diferentes formas de dobrar seu coletor menstrual para melhor inserí-lo. Para retirá-lo a dica é tentar apertá-lo na base para o vácuo sair. Importante lembrar que a vagina não desemboca no colo do útero. O canal vaginal não é vertical, ele é inclinado em direção as nossas costas e continua um pouco depois da entrada do colo do útero (ou cervix). Você pode procurar a entrada do colo do útero com os dedos, ele é mais duro do que o resto do canal, como uma bolinha firme. Ele se abre pouco pra deixar a menstruação passar. se você colocar bem em cima da saída do sangue não ficará bem posicionado. O copo menstrual deve ficar mais embaixo para coletar o sangue todo.

Lembre-se de cortar o rabo do copinho de um tamanho confortável. Porque quando você coloca mais embaixo é capaz dele ficar num lugar incômodo. O meu primeiro tirei a metade e ficou bem bom, mas depois deu a louca e eu cortei quase tudo. Mas é porque acho fácil achar e retirar o copo sem ele.

Para tirar é mais fácil usar a força da musculatura vaginal e empurrar o coletor pra baixo, e depois apertar o copinho para sair o vácuo e retirar o coletor. O anel e a bolinha (nos modelos de bolinha) acabam sendo só enfeite.

Tirar pode ser um pouco chatinho sim, porque forma vácuo. É legal você testar um pouco antes de ficar menstruada, para não se assustar. O ideal é, com os dedos, alcançar a borda e quebrar o vácuo, pressionando levemente. Não é nada difícil, mas uma dica importante: pra usar coletor, o ideal é estar com as unhas razoavelmente curtas, pra não se machucar. Teve um mês em que eu estava com elas mais longas e além de ser pouco higiênico, ficava me arranhando.

Olha, coletor é muito legal, mas exige tem um período de daptação. recomendo que, pelo menos nos dias de maior fluxo, você use um absorvente externo junto (pode ser dos mais fininhos) até se sentir bem segura, porque pelo o que já observei de relatos, é bem normal não colocá-lo direito das primeiras vezes e vazar um pouco. Mas pelo menos comigo nunca houve nenhum grande acidente, só pequenos escapes mesmo. Aos poucos a gente logo pega o jeito e percebe quando não colocou direito.

O coletor menstrual aguenta o dia todo? Porque saio de casa às 07h e às vezes volto depois das 22h. E não dá para trocar no trabalho e lavar na pia!

 O ideal é não ficar com ele mais de 12 horas sem esvaziar. Além disso, se seu fluxo é forte, você vai sentir necessidade de esvaziar mais vezes, mais ou menos com a mesma frequencia com a qual trocaria o absorvente.

Para fazer isso no trabalho não há muito segredo: você pode levar um copinho, encher com água da pia, e dar uma enxaguada no vaso mesmo com o coletor entre as pernas, pode usar um daqueles lenços umidecidos íntimo e, em último caso, pode só esvaziá-lo no vaso e limpá-lo com papel higiênico. Daí, quando chegar em casa, você capricha mais na limpeza. Como ele só vai ter contato com o seu corpo não é muito problemático. A minha única ressalva é que ele demanda (na minha opinião), um banheiro mais limpinho, em que você possa sentar no vaso para poder manipulá-lo com o mínimo de higiene.

A assistente de produção Maria Clara Villas, 20, confessa que a questão ambiental não foi o principal motivo para experimentar o coletor reutilizável. “Usava absorvente comum porque me sentia melecada com o interno. O coletor é mais higiênico e só preciso colocar de manhã e tirar à noite, no banho”, comemora ela. Para a vendedora Nathalia Vicari, 23, não é simples assim: “Costumo esvaziar o ‘copinho’ de três a quatro vezes ao dia. Derramo no vaso sanitário e lavo na pia”, diz a vendedora. “As mulheres têm muitos tabus em relação a seu corpo. Menstruar é algo natural”, completa Nathalia. Continue lendo em Incomodada ficava sua avó.

Esvaziar, enxaguar com água e pôr de volta é anti-higiênico? Como é que vocês fazem? Eu teria que ter dois?

Não tem nada de anti-higiênico. O único cuidado é lavar bem as mãos quando manuseá-lo.

Já teve vezes que eu passei só papel higiênico e coloquei de novo, sem nem jogar água nem nada. Não é o ideal, mas pra quem passa o dia inteiro fora de casa, não é grave. É só lavar com mais cuidado quando chegar em casa que tudo bem. No mais, desencana do medo de deixar cair. O coletor é de silicone, não escorrega da mão, e quando você estiver nessa operação de limpeza, tá concentrada e tal. Não é o tipo de coisa que a gente faz sem cuidado.

Comprei o coletor, coloquei ele numa boa, fez o vácuo e tudo, mas sempre vaza um pouquinho. Um saco! Acaba me obrigando a usar absorvente de qualquer maneira. Alguém sabe o que pode estar acontecendo?

Será mesmo vazamento?  Porque antes de colocar o copo menstrual você já está sangrando, pode ser esse sangue que sobrou na parede do canal vaginal. Se for mesmo vazamento, verifique o ângulo de inserção.

Lembre-se que a vagina não é um canal vertical, mas inclinado para trás. quando inserir imagine que o fim do caminho é seu ‘osso rabinho’.

Verifique se o copinho está totalmente aberto: enfie o dedo e sinta a borda do copinho tentando perceber se ele está aberto como fica do lado de fora; você pode girar (ou fazer um movimento de sobe-desce) o copinho pra confirmar o vácuo, outra forma de fazer isso é apertar a borda ou o lado do copinho pra que um pouco de ar entre e refaça o vácuo (você vai ouvir o barulho, é bem engraçado).

Pode ser que você tenha colocado o copinho muito pra dentro da sua vagina. tente colocar um pouco mais embaixo, porque quando a gente menstrua o cervix (por onde o sangue sai) incha e dá uma ‘abaixada’, se você colocar o copinho passando a porta do cervix o sangue não vai ser contido pelo copinho. Pode ser também que você tenha colocado muito em baixo, e ele esteja deformado pela pressão do seu osso pélvico, não fazendo o vácuo propriamente.

Verifique se os buracos do seu copinho não estão obstruídos, porque se estiverem não farão o selo. É importante verificar se eles vieram bem feitos de fábrica e também atentar a eles quando lavar o copinho: encha o copinho de água, coloque sua mão na borda, vire de cabeça para baixo e pressione o copinho. isso fará a água passar com força pelos buracos desobstruindo eles. Continue lendo em Copas Menstruais.

Onde encontrar mais dicas:

[+] Coletor Menstrual, post da Deborah.

[+] Dobras para o copo menstrual, post da Alice Gabriel.

Blogagem Coletiva: Dia do Orgulho LGBT.

Em 28 de Junho de 1969, gays, lésbicas e travestis que estavam no bar Stonewall Inn em Nova York decidiram reagir à constante perseguição de policiais. Diariamente a polícia invadia clubes e casas que funcionavam de forma praticamente clandestina mas eram tradicionais pontos de encontro LGBT. As pessoas tomaram as ruas, tombaram e incendiaram carros, levantaram barricadas e transformaram o Stonewall Inn em “marco zero” da luta contra a homofobia.

Em 05 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal do Brasil reconhece por unanimidade a união estável homossexual. Muitos saíram às ruas para comemorar entre amigos, o reconhecimento dos direitos humanos que um parlamento retrógrado teima em negar.

Em 23 de junho de 2011, durante a Marcha para Jesus, o reporter Ricardo Galhardo do IG entrevistava pessoas quando Jovelina das Cruzes, evangélica, mostra a humanidade que falta a tantos religiosos:

“Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. “Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego.”

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. “Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja”. E Jovelina respondeu. “Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema.”

2° Marcha Contra Homofobia - maio/2011. Manifestantes em frente o STF. Foto de Roberto Jayme/UOL Notícias

Posts Participantes da Blogagem Coletiva:

28 de junho: reflexões sobre o toctoctoc do facismo em nossas portas, da Luka

Durante as décadas a história do 28 de junho acabou por se perder, apenas lembrada nos guetos dos guetos da política. Servindo de base para uma disputa contra o machismo e o femismo nas organizações anticapitalistas ou reformistas. É importante lembrarmos que esta data dialoga diretamente com a luta contra a criminalização dos movimentos sociais e o extermínio da juventude negra e pobre tão noticiado por aí.

A eterna parada dos sem noção, da Lola Escreva

Ao invés de competirmos numa espécie de Olimpíada da Opressão para ver quem sofre mais preconceito, temos mais é que nos unir. E mais: precisamos ter orgulho de estar na companhia de outras minorias igualmente aguerridas. Tod@s nós lutamos por um mundo melhor, livre de preconceitos.

A inacreditável Myrian Rios, do Imprença

Pois bem, eis que Myrian Rios, no auge de sua sabedoria e amor ao próximo {{é o que está na bíblia, ou não?!}} resolve demonstrar o motivo pelo qual ela é contra a PEC 23/2007 {{uma espécie de PL 122 do Rio, como diz o vídeo abaixo}} e, bem, saiu isso aqui:

A Nossa KKK, da Mari Moscou

Paralelamente talvez valesse a pena também encontrarmos um termo para aquelas pessoas que não necesariamente tem essa “fobia” gay mas que defendem que gays são inferiores e logo não devem ter os mesmos direitos que heterossexuais. Sexualismo? Heterossexualismo? Que tal? Estabelecer estas categorias similares talvez ajude as pessoas a entenderem a gravidade e a urgência do PLC122. Afinal de contas, se a própria constituição propõe direitos iguais a todos os cidadãos…

Basta estender a mão, da Karla Avanço

Em outras palavras, entre jovens e velhos, brancos e negros, homens e mulheres, cristãos e não cristãos, heterossexuais e homossexuais quem usufrui mais da tão aclamada igualdade? Por outro lado, quem corre mais riscos de perder seus direitos?

Com o microfone: dama Tiely Queen, da Bruna Provazi

Quem circula pelos rolês ativistas e culturais paulistanos com certeza já trombou com esses dreadlocks por aí. Figura conhecidíssima na capital paulista, a rapper Tiely Queen coordena o projeto HIP HOP MULHER, que completa responsáveis três anos de existência. Além de rapper, Tiely é atriz, cineasta, e já jogou muito futebol. Ela também é uma das curadoras do LesFest. Conversamos sobre o festival na feira da diversidade do 15º Mês do Orgulho LGBT.

Dia do Orgulho LGBT, da Barbara Araujo

Hoje é dia do orgulho LGBT e a escalada da homofobia no país e no mundo cresce como nunca. Mas, vejam, a resistência também cresce. Hoje é dia de orgulho porque estamos ocupando os espaços, estamos pautando discussões, já não queremos nem podemos nos esconder.

E se fosse o contrário, da Thayz Sardenta

Preconceito, pra mim, é ignorância pura. E se você é daqueles que não se dizem preconceituosos, mas não deixam a sexualidade do outro em paz, tenho uma novidade: isso é preconceito.

É tão mais fácil amar, da Borboleta nos Olhos

Com precisão ela apontou minha dor, meu choque e minha indignação com a onda moralista, cruel e violenta que tem nos sufocado a todos e, mais especificamente, às pessoas de orientação sexual não heteronormativa. É tão triste ver como as pessoas se encastelam e se defendem magoando, agredindo, diminuindo o Outro.

Eu sou gay e tenho orgulho disso, da Suely

É cada dia mais evidente a necessidade de uma lei que puna a homofobia e a discriminação contra a população LGBT. Certamente uma lei não vai conseguir acabar com o preconceito, mas as manifestações homofóbicas, os xingamentos, os crimes e todos os tipos de violência serão coibidos.

Amor não tem gênero, não tem sexualidade. Algo que ouvi muito durante minha infância, devido ao fato de ter crescido numa igreja evangélica, foi a frase “se Deus me fez assim, assim vou louvar”. Deus (pra quem acredita em Deus, diferente de mim), nos fez homo, bi, hetero ou seja o que for. Somos assim e não é algo que possamos lutar contra. É uma questão de aceitar sua própria felicidade ou decidir ser infeliz pra seguir um padrão que “vai te levar pro céu”.

Faz parte da defesa feminista de liberdade, há muito tempo, o questionamento à heterossexualidade obrigatória e o direito de viver de forma livre e autônoma nossa sexualidade.

Gay, pra mim, é sinônimo de amor, da Daniela Luciana

Minha família nuclear tem gays. Têm talento, competência, sociabilidade, garra, alegria. Ainda tem generosidade, inteligência, amor à família. O blog não daria conta das qualidades, saibam. Temos muito orgulho. Muito amor. Amb@s casad@s. Minha Mãe está na Europa e… para prestigiá-l@s… foi à Parada Gay.

Homofóbicos, o problema está em vocês, da Lia de Lua

Pior é que o preconceito se manifesta tão perto da gente, de formas cruzadas, por parte de pessoas queridas. Às vezes relevamos, porque nos recusamos a limitar essas pessoas a seus preconceitos.

Lésbicas e Bissexuais em Marcha, da Fuzarca Feminista indicação da Tica Moreno

a heterossexualidade obrigatória é reforçada como um dos pilares que sustenta a sociedade patriarcal e capitalista. A sexualidade continua sendo padronizada conforme os papeis ‘naturais’ de mulheres e homens, perseguindo e estigmatizando como “minoria” qualquer um/a que fuja desse padrão – seja por conta da sua sexualidade, sexo ou cor da pele.

Lésbicas Masculinas? da Zaíra Souminha

uma leitora questiona porque algumas mulheres lésbicas se vestem e se portam de forma “masculina”. E tentando responder aos questionamentos dela, acabei escrevendo longamente, e achei que seria interessante reproduzir aqui minha resposta a ela.

LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, da Tainá

Nós homossexuais temos os mesmos direitos que todos os seres humanos, afinal, tendo ou não esta orientação trabalhamos, estudamos, e fazemos o mesmo que todos os outros, não temos doença contagiosa, muito menos somos os culpados pelas doenças sexualmente transmissíveis.

Lost and delirious, da Emanuele

Because love is. It just is and nothing you can say can make it go away because it is the point of why we are here.

Não é só Fervo da Sara Joker

Temos o costume de acreditar que, se não passamos por bullying ou não somos expulsos de casa por causa da nossa orientação sexual, não há motivos para lutar, está tudo bem. Mas não é verdade, não é porque não passamos por preconceito que ele não existe e tudo é fervo e alegria.

Orgulho Gay, da Liliane Gusmão

Eu mudei por que deixei de me achar diferente, melhor do que os outros. Muitos amigos se descobriram homossexuais, e eu quando me descobri feminista entendi um pouco o sofrimento dessas pessoas.

Orgulho pela coragem de lutar, da Aisla Araújo

Já notaram como o machismo está intimamente ligado à homofobia, talvez por depreciarem tudo o que lembre uma mulher, e se um homem mostra um jeito, digamos, ‘feminino’ – já é a escória do mundo.

Porque você não precisa. (uma pequena contribuição ao 28 de junho), da Camilla de Magalhães Gomes

É difícil identificar o pior ou o mais desonesto dos argumentos usados pelos homofóbicos para atacar a luta LGBT ou para mascarar seu preconceito. Mas uma leitura só um pouco mais atenta desses discursos raivosos e infundados pode ajudar a identificar alguns tristes padrões.

Tenho Orgulho da LGBTTT, da Dani Montper

Até que tod@s sejam livres para viverem sua homossexualidade e/ou transexualidade com dignidade, eu apoiarei e terei orgulho da comunidade LGBTTT. E até depois disso também!

Uma “parada” de afirmações e contradições, de Tiago Costa

Muitas pessoas homossexuais já escondem seus sentimentos por medo da violência por parte da sociedade. Alguns apelidos como viado, bicha, baitola, sapatão já me soam como violência, mesmo na brincadeira. Os corpos de homossexuais são frequentemente passíveis a essa violência, que vai desde o toque não consentido das genitais até os casos extremos de estupro!

Viver a Diversidade, da Clara Guimarães

Não interessa que você não entende, porque é diferente, tente se solidarizar com o outro, amor é amor, beijo é beijo, não interessa quem está amando ou beijando quem. Se todos os seres aprendessem a amar incondicionalmente, nós viveríamos em um mundo melhor.

O que queremos no #IIBlogProg?

Texto coletivo das Blogueiras Feministas.

Amanhã começará o II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Ainda não sabemos exatamente como definir quem são os blogueiros progressistas. Muitas de nós fazem careta ao pensar em se identificar como progressistas. Porém, é um evento de articulação política, que conta com a participação de vários blogueiros de esquerda, movimentos sociais e pessoas questionadoras do status quo. Por isso, o coletivo Blogueiras Feministas marcará presença não só no evento, mas também na mesa auto-gestionada Mulheres na Blogosfera, que vai rolar sábado (18/06) à partir das 14h. Confira a programação oficial do evento.

Em nossas discussões e articulações quanto a participação do coletivo no encontro, decidimos fazer posts sobre o assunto e elaborar nossa visão feminista sobre a democratização da comunicação. A Carine Roos publicou na terça o post Desafios da Comunicação na Atualidade. E a Amanda publicou ontem o post Por um marco regulatório que dê voz às feministas! Mas o que queremos? E para que estamos indo ao II BlogProg?

As Blogueiras Feministas Cynthia Semiramis e Clarice M. Scott no Encontro dos Blogueiros Progressistas de Minas Gerais. Foto de Michael Vieira Rosa no Flickr.

Queremos Marcar Presença

É preciso estar para reivindicar. Não basta ser feminista, é preciso ocupar espaços, mesmo que os movimentos sociais mostrem muitas vezes o machismo diário. Pois, como disse a Mary W:

Todo mundo tem problema. E os movimentos sociais também tem. Porque é da vida e tal e coisa. Cada movimento social, imagino, tem seus problemas singulares. O movimento feminista tem um monte. Mas um deles é histórico. Então vou mencionar. Tipo o movimento feminista teve muita dificuldade de se legitimar dentro dos partidos e agremiações de esquerda. Porque o pensamento por lá era assim. Uma vez que nos livrarmos da opressão econômica, nos livraremos das demais opressões. E a libertação das mulheres seria, então, automática. Post do dia 28/09/2010.

Tem algumas coisas que a gente aprende que são raras. Uma amiga me ensinou uma dessas coisas raras. Numa conversa sobre Parada Gay. Foi dito, na ocasião, que os participantes da Parada não nos representavam. Que eram folclóricos e espalhafatosos demais. E essa amiga me disse que pra eu me sentir representada, eu deveria ir. Porque aí teria, né? Uma lésbica como eu por lá. Uma aprendizagem rara essa porque me fez perceber o mundo melhor. E eu no mundo etc. Post do dia 10/08/2010.

Sabemos que essa libertação não é automática. Nem para mulheres, nem para os LGBT’s, nem para os negr@s e outras minorias. Porém, se você não se sente representada dentro de um movimento ou de um grupo é preciso que você vá lá se representar. E é isso que nós vamos fazer. Estaremos lá mostrando a cara de algumas feministas. Buscando representar a diversidade que há dentro do movimento. Iremos marcar presença para contribuir, agregar e mostrar que temos causas em comum.

Queremos Diversidade

Queremos um encontro sobre democratização da comunicação que não pense apenas nos meios, mas também no conteúdo, na representação da mulher na mídia, em pautar a questão de gênero. É importante ter discussões específicas das mulheres na mídia e do uso das novas tecnologias por nós, mas queremos ir além. Queremos representatividade de diversas minorias, mesas sobre o ativismo negro e LGBT nas redes sociais, os movimentos agrários, meio ambiente, inclusão social, indígenas, etc. Queremos diversas vozes num mesmo espaço. Nessa perspectiva, propomos que as falas das minorias não sejam rotuladas, mas que tenham espaço para serem ouvidas e consideradas de modo a construirmos uma rede realmente alternativa ao que está colocado pela mídia tradicional.

A representação de gênero, raça e sexualidade na mídia é praticamente um combo do preconceito que precisa aparecer nas mesas principais. Quando se fala de mídia é essencial falar sobre o combate ao racismo, machismo e a homofobia. Eventos de blogueiros devem levar em consideração a diversidade, seja ela de gênero, de raça, de orientação sexual ou cunho político-partidário. E que essa diversidade deve estar presente nas pessoas que compõem mesas, nos temas e nos discursos.

Queremos Trocar Experiências

O Coletivo Blogueiras Feministas começou em outubro de 2010 e vem ampliando suas atividades. Saímos muitas vezes do virtual e participamos ativamente de movimentos como a Marcha das Vadias. Além disso, somos um grupo extremamente democrático, onde decisões são tomadas horizontalmente, com atividades e custos divididos entre as participantes. Qualquer pessoa pode entrar no grupo de emails. E a partir do momento que estiver dentro, pode escrever no blog. Por isso o nome do coletivo é Blogueiras Feministas, porque qualquer pessoa do grupo é uma potencial blogueira.

Os blogs cumprem um papel que só eles podem cumprir, e que não deve ser subestimado e nem jogado nas costas de outra instituição/entidade. Os blogs se constituem em mais uma frente de poder, mais um canal de articulação, uma trincheira a ser ocupada. A blogosfera é a terra dos discursos sediciosos, seja para fazer oposição à grande mídia e estimular a liberdade de expressão, seja para trazer um discurso de direitos humanos mais específico que foge do senso comum e quebra preconceitos (direitos das mulheres, combate ao racismo, à homofobia e a todo tipo de discriminação). Iremos não só pra acompanhar as discussões, mas para nos conhecermos melhor, conhecermos outras feministas e para identificarmos outros pontos que podemos abordar no grupo mais tarde.

Queremos as Mulheres na Roda

Uma coisa é fato: a maioria dos homens não lê blogs escritos por mulheres. Esse é um dos motivos pelo qual há tanta ignorância sobre o feminismo e os movimentos de mulheres na internet. Já vimos alguns episódios em que a ignorância e arrogância de alguns “blogueiros progressistas” causou mal estar entre nós. Além do que, há pessoas que afirmam que não podemos tecer críticas à esquerda, sob o risco de sermos rotuladas de “a esquerda que a direita gosta”. Como estabelecer novos parâmetros para um movimento social sem crítica? Se nós mesmas criticamos alguns pontos do movimento feminista, por que temos que ser chapa branca em relação ao governo? Essa não é a diversidade que queremos. Sabemos que nossas ideias feministas não serão recebidas com flores e vinhos, porque… Não vão! Não dá para esperar educação porque a sociedade foi educada pra ser machista! E se a gente for se calar a cada patada que a gente recebe de fora, como é que fica?

O fato é que não vamos resolver nossa luta feminista num encontro de blogueir@s. Mas também não vamos deixar de estar apresentando nossa pauta. A nossa luta é em todos os espaços, todos os dias. Vamos ocupar o espaço das mesas auto-gestionárias. É preciso refletir sobre a grande maioria dos blog de mulheres, qual a relação disso com a sociedade, pois o mundo virtual não está dissociado do mundo real e, como isso se relaciona a representação das mulheres nas decisões sobre política de comunicação e afins. Mídia e Mulher, Mulheres construindo a mídia, a luta pela democratização da comunicação pelo viés do feminismo, são temas importantes que precisamos colocar. Sem medo de sermos feministas.

[+] Vídeo com a participação da Rachel Moreno no Encontro dos Blogueiros Progressistas de SP, falando sobre representatividade da mulher na mídia.

[+] Mulher na Mídia – Desvalorização e Subjulgamento por Rachel Moreno

[+] ‘É urgente que o poder sobre os meios de comunicação seja democratizado’, diz a jornalista Ana Veloso – Agência Patricia Galvão