Chamada para Blogagem Coletiva – Lei Maria da Penha

No dia 07 de agosto, a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que dispõe sobre mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completa 5 anos. Para marcamos essa data de luta pelo fim da violência contra a mulher, convidamos você a participar da Blogagem Coletiva – Lei Maria da Penha no dia 08 de agosto.

Escreva sobre o assunto no seu blog, deixe o link aqui nos comentários ou nos mande por email, twitter, facebook, etc. No dia 08 de agosto (segunda-feira) publicaremos um post linkando todos os textos participantes, com o objetivo de discutir, refletir e fortalecer uma lei fundamental para milhares de mulheres.

Cartaz de divulgação da AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras

[+] Lei Maria da Penha na íntegra

[+] Como especialistas avaliam os cinco anos da Lei Maria da Penha

[+] Dados sobre a Violência contra as Mulheres

[+] Lei Maria da Penha citada como exemplo em relatório da ONU

[+] Vídeo – Programa Profissão Repórter: Violência Doméstica: Parte 1 e Parte 2.

[+] Entrevista – Maria da Penha avalia a aplicação da lei que leva o seu nome

[+] Vídeo – Programa Conexão Repórter: Quando o medo dorme ao lado: Parte 1Parte 2Parte 3 e Parte 4

[+] Reportagem – Maria da Penha, a mulher que sobreviveu à tentativa de assassinato pelo marido e virou nome de lei

[+] Só para mulheres – O sujeito de direito sob proteção da Lei Maria da Penha é a mulher, discordando da abrangência para homossexuais homens. Texto de Debora Diniz

[+] Notícia – Criada para mulheres, Lei Maria da Penha também ajuda homens. No Rio e no Rio Grande do Sul, juízes decidiram aplicar a lei para relações homossexuais. No Mato Grosso, homem conseguiu se proteger da ex-mulher.

Blogagem Coletiva: #MitosFeminismo

Lá no post “Um Guia para você que tem vergonha de se assumir como feminista” fizemos a convocação. E aqui estão os posts participantes da blogagem coletiva que tem como objetivo acabar com diversos mitos sobre o feminismo:

Selo para a Campanha por Tatiana Anzolin Michels

[Blogagem Coletiva] Blogueiras Feministas, por Tatiana Anzolin

Chega de estereótipos, chega de histórias, chega de Cinderela. Feminismo é uma luta plural. Eu luto, ela luta, nós lutamos. Entre quatro paredes, em casa, fora, ali, lá e lá também. Em primeiro lugar precisamos vencer o silêncio, mas nem sempre conseguimos. eu me calo, nos calamos, perdemos todas. Um movimento plural e VIVO, não fazemos caras e bocas, ou fazemos, isso não nos define. Erramos e nos desculpamos publicamente, um movimento onde a palavra de lei é respeito. Livre expressão, o debate é rico, carinhos nascem, distâncias desaparecem e não estamos mais sozinhas.

Casada, depilada, maquiada, de unhas feitas, medo de lagartixa, ama a cozinha e… FEMINISTA?, por Mari Moscou

Se você acredita que as diferenças entre homens e mulheres não podem ser usadas nem pra oprimir e limitar as mulheres, nem pra oprimir e limitar os homens, então, surpresa amiga, você já é feminista. Pode escolher não dizer isso, usar outra palavra, enfim. Mas que você é feminista, isso é. Se você acha que o fato de engravidarmos não pode significar um salário menor (já que a outra metade do bebê é do homem né?) ou uma “baixa” na carreira – a não ser que nós mesmas escolhamos isso – então você é feminista. Se você acha injusto que um homem seja massacrado por outros homens porque decide resolver as coisas sem violência, então você é feminista. Se você acha um absurdo um homem ou mulher deixar de fazer qualquer coisa, seguir qualquer plano de vida, simplesmente porque lhe dizem que aquilo não é adequado a um homem/mulher, então, voilà, você é feminista. E infelizmente essas “sutilezas” da desigualdade ainda acontecem no nosso cotidiano. Se você acha injusto que você nunca deu uma cantada pedreira ofensiva em ninguém na rua mas já levou várias e se sentiu constrangida, você é feminista sim. Se você acha injusto ter que limitar seus horários de sair de casa simplesmente pela possibilidade de ser estuprada (e saiba que isso não acontece com homens), você é feminsta. Se você acha que ter filhos ou não ter deve ser uma escolha e nenhuma mulher deve ser crucificada porque quis ou porque não quis ter filhos, bem-vinda ao clube. 😉

Cozinhando com Feministas, por Barbara Lopes

O mito é: Feministas não têm senso de humor. A prova contrária é o vídeo abaixo, com a participação de Jane Fonda e Gloria Steinem no programa de Steve Colbert. Elas estavam lançando uma estação de rádio voltada para mulheres. Infelizmente, o projeto funcionou por menos de um ano.

A entrevista se dá em uma cozinha cenográfica, dentro do quadro fictício “Cozinhando com Feministas”. Além de falar sobre a rádio, Jane Fonda e Gloria Steinem aproveitam para combater alguns preconceitos associados ao feminismo. Por exemplo, Colbert pergunta como diferenciar uma feminista de uma mulher que apenas está zangada. Ele mostra uma imagem de Steinem como coelhinha da Playboy. Ela explica que naquela foto, ela estava zangada, mas tinha que sorrir. E diz que uma feminista é uma mulher que sorri ou fica zangada sem precisar disfarçar seus sentimentos.

Dos Mitos e dos Esclarecimentos, por Iara

Mas nem é esse o principal problema, na verdade. O complicado é preencher a frase “você é feminista, logo___” com um estereótipo qualquer. E sabe qual o problema dos estereótipos? Eles no geral, não são mentirosos, mas tendem a ser muito limitados. “Você é feminista, logo não usa maquiagem” pode ser muito válido. Há feministas que não usam maquiagem não só porque não querem, mas porque vêem a exigência social das mulheres usarem maquiagem como uma opressão. E concordo também que exigir isso das mulheres é uma exigência social bem sexista com nossa aparência. Mas uso porque gosto e quando quero, não porque me sinto obrigada.

“Ah, mas então se eu gostar de tudo na minha vida, não tenho porque ser feminista, né?”. Não, não é por aí. É preciso sair do lugar comum. É preciso ao menos questionar suas escolhas, tentar entender o porque você gosta de algo, principalmente se sustentar este gosto te traz problemas. Nossos gostos não são inerentes, mas resultados de uma construção cultural, e não há nada de errado com isso. O problema é quando nossas escolhas nos oprimem, nos fazem sofrer, e a gente não se dá conta disso. Daí entra o feminismo. Não pra dizer que “feminista não usa batom”. Mas pra te alertar que se você perde minutos preciosos de sono toda manhã pra se maquiar porque se acha feia, talvez se maquiar não seja exatamente uma escolha. E que se você não tem dinheiro pra voltar de táxi e é obrigada a aceitar carona com aquele cara pegajoso porque sua grana foi gasta na cabeleireira e na manicure pra ir pra balada, talvez você esteja refém do papel social que está desempenhando.

Faça você mesma!, por Tica Moreno

Mas, a gente tá falando de orgasmo. Que tem que fazer parte do sexo, mas que você também pode alcançar sozinha. E, aliás, é sempre bom dizer que conhecer seu próprio corpo e sua cabeça facilita muitíssimo chegar lá com outra pessoa.

 Assim, foi muito importante pro feminismo separar sexo de reprodução (a Igreja ainda não separou). Sexo antes do casamento também foi outra coisa boa que já avançamos nesse mundo. Separar sexo do amor ainda tá num processo, porque o tempo todo ficam empurrando pra cima da gente um ideal de amor romântico, e dizem que sexo é muito melhor quando é com quem você ama. Funciona pra algumas pessoas, mas pelo que eu vejo por aí, o amor tá longe de ser um pré-requisito pra um bom sexo.

Feminismo faz bem, por Bete Davis

Resumindo de forma meio curta e grossa o que passei a entender por feminismo desde então foi a necessidade de colocação da mulher em todos os setores da vida (casa, trabalho, sexo e política) de forma que a mulher tivesse os mesmos direitos que os homens têm (porque quanto aos deveres me parece, que temos bem mais – cuidar da casa, da família, de sermos lindas E magras, doces, amorosas etc., etc., e por aí vai). Direito de sermos igualmente competitivas no mercado de trabalho, direito de dividir os cuidados de família e casa com os parceiros e não a falsa benção de –“ que fofo, ele lava a louça! Aos domingos…”.

Nunca achei que o feminismo era esquecer que existem diferenças óbvias genéticas entre mulheres e homens, e essas diferenças não fazem um melhor que o outro, mas simplesmente diferentes. Nunca achei que feminismo fosse ser melhor ou pior que os homens; sempre achei, e acho, que feminismo é ter uma sociedade com direitos iguais para homens e mulher, lembrando que a noção jurídica mais atual de direitos iguais para todos é tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais, isto é, procurar entender as diferenças entre posições que não são iguais e minimizar ao máximo as diferenças, com o objetivo de se buscar uma igualdade efetiva.

Feministas são Mulheres que lutam por seus direitos, por Liliane Gusmão

Acho que esses são os mitos mais frequentes que eu pessoalmente encontro por perto de mim: feministas odeiam homens, feministas são radicais. Mas também há os que dizem que feministas não se maquiam, ou não se depilam, ou não se casam, ou não tem filhos e que ainda são abortistas. Ou mais montes de outras besteiras possíveis.

A realidade não é assim, odiar homens ou ser radical não é pré-requisito para ser feminista. Feministas são gente, e gente é tudo diferente entre si, podem existir feministas misandrias ou radicais, mas isso não é o que nos une como grupo. O que nós feministas temos em comum é o desejo da liberdade e da igualdade e da autonomia das mulheres.

#MitosFeminismo, por Srta. Bia

O Feminismo está por aí lutando pela igualdade. Homens e mulheres são diferentes. O que queremos não é que sejamos iguais perante nossos corpos, mas que coloquemos um fim na desigualdade social que existe entre os gêneros masculino e o feminino. Feministas, mulheres ou homens, estão por aí lutando contra a violência que aflige as mulheres, contra a falta de creches, contra a divisão sexual do trabalho, por igualdade nos salários, educação para todos e saúde. Lutando para que a sociedade não tenha papéis de gênero rígidos e que as mulheres não sejam vistas como mais um bem patrimonial dos homens.

Então, quando você ver alguém comentando sobre um bando de mulheres rindo num programa de tv porque um cara teve seu pênis decepado pela esposa, saiba que isso não é feminismo. Quando você ver alguém citando apenas Valerie Solanas como a única feminista verdadeira, saiba que isso não é feminismo. Quando você ver alguém repetindo que as feministas não aceitam que mulheres façam sexo em determinadas posições sexuais, saiba que isso não é feminismo.

#MitosFemininos: Sou feminina e não feminista?, por Clara Guimarães

O feminismo nasceu dessa tensão da identidade sexual construída, assim ser feminista é ter o entendimento que existem diferenças anatômicas entre homens e mulheres, todavia, ter a certeza que não deve existir diferenças nos papéis sociais, uma mulher deve ter os mesmos direitos civis que os homens.

 Ser feminista não significa achar que as mulheres são melhores que os homens, pois essa é uma atitude preconceituosa, mas sim entender que apesar das diferenças temos direitos iguais, pois somos todos seres humanos.

 Nem toda mulher é feminista, assim como nem todo homem é machista. Acredito que devemos trabalhar em conjunto por um mundo mais justo e tolerante, ser feminista é ter o entendimento que as diferenças podem ser positivas, afinal todos somos diferentes, mas apesar delas, todos temos o direito de construir a nossa felicidade e não existe felicidade sem respeito.

O que é Feminismo?, por Luka

O feminismo é um pensamento científico, explicativo e transformador da sociedade. É uma revolução, talvez a maior revolução dos tempos modernos. Uma estranha revolução na qual não se derramou uma gota de sangue, pelo menos de sangue estrangeiro, no entanto, como bem apontam Gallizo Almeida ” é a revolução que mais mudou coisas na vida diária das pessoas, e acima de tudo, produziu mudanças irreversíveis “.

A revolução feminista é e tem sido a resposta das mulheres ao poder patriarcal, sem esquecer que as mulheres têm promovido outras revoluções desde a era cristã, além de sua própria e, periodicamente, saem delas de mãos vazias. A alegação de que durante séculos tem motivado a luta das mulheres e caracteriza o feminismo é a igualdade. Igualdade também tem direito aos direitos, tem alimentado a teoria, ou melhor, as teorias que inspiraram a revolução feminista e movimento de mulheres em geral. Assim, podemos dizer que o feminismo é a doutrina da igualdade de direitos para as mulheres, com base na teoria da igualdade dos sexos. Para não mencionar que a igualdade está intrinsecamente ligada a outros direitos como a liberdade, por exemplo, porque, tal como expresso no artigo 19 da Constituição, os direitos humanos são indivisíveis, inalienáveis ​​e interdependentes em seu exercício.

Sim, sou Feminista!, por Asa Heuser, uma atéia de bom humor

Uma pergunta comum é porque há poucas mulheres no ateismo, por exemplo. Uma das explicações é que socialmente ainda é mal visto quando uma mulher bate pé por suas opiniões e posicionamentos. Espera-se que a mulher ceda, seja diplomática, não confronte. Ser afirmativa e sustentar as suas opiniões é considerado “não-feminino” muitas vezes, até mesmo em ambientes ateistas.

Ser tachada de feminista no Brasil muitas vezes equivale a ser vista como pouco feminina, raivosa, uma mulher que odeia homens, etc. Por isso acredito que muitas mulheres independentes financeiramente não se assumem como tais.

Tentativas, por Ana Rusche

aí lembrei agora da festa que não fui

que queria vestir uma máscara de gorila

igual uma guerrilheira-girl, mas não ia ficar

pelada, tenho vergonha, ia vestir o vestido

rosa choque que comprei da menina

que a faculdade inteira apontou “puta! puta!”.

e o vestido é de rosa e de choque pq não é fácil

(viu que faculdade também tem f de fácil?)

embora todo esse rosa me enjoe, pink stinks,

– pobre das meninas sempre para sempre princesas.

Criação de Tatiana Anzolin, @Labucaneira

7 Fatos do Machismo Diário

Este post foi originalmente publicado no Papo de Homem a convite de seus editores, com o título  “7 Mitos Machistas que eu e você reproduzimos”. Ele está sendo republicado aqui na íntegra como foi enviado. Outro post nosso que também foi publicado lá é o “Conselhos a um machista em redenção” que em breve terá o original republicado aqui.

Machista parece uma palavra tão distante. Às vezes soa como um xingamento tão ingênuo e ofensivo quanto “cabeça de melão”. Outra vezes, parece meio fora de contexto. Datado. Mas o que é machismo?

 Machismo […] é a crença de que os homens são superiores às mulheres.” (Wikipédia)

Ler a citação acima torna tudo um tanto agressivo demais. Porque define que um machista é alguém que crê que homens são melhores que mulheres. E, obviamente, ninguém vai sair por aí falando isso seriamente. A questão aqui não é se rotular ou apontar para as pessoas acusando quem é ou não machista. O que importa é assumir a existência do machismo presente na sociedade que oprime mulheres e homens.

"Não sou machista, tenho mãe!" - Carlos Maçaranduba, personagem do humorístico Casseta e Planeta.

Antes de tudo, é bom deixar claro que vivemos numa democracia. E é esta democracia que permite a expressão da nossa opinião a hora que quisermos. Temos o poder inclusive de ofender uns aos outros, porém, quem ganha com isso? A democracia é constituída pelas pessoas com suas idéias, preconceitos e diferenças. Se falo o que bem entendo sem pensar no outro, quem ganha com isso? Então, vamos lutar até o fim pelo direito de livre expressão, mas também lutar pela democracia mais ampla e justa para todos.

“Ela [Marinor] não pode ver um heterossexual perto dela que sai batendo. Ela não pode ver um macho que fica louca. Tem que ter um projeto para criminalizar o preconceito hetero.” Jair Bolsonaro

O título desse texto é direcionado para quem acha que o machismo não existe, mas as pessoas que acreditam no machismo também deveriam lê-lo. O machismo não está na cabeça de uma ou duas pessoas. Assumir a existência de um problema social é o primeiro passo; conhecer suas consequências e entender por quê isso é um problema são os passos seguintes. Há mais do que 7 fatos que poderiam ser citados, mas vamos ficar com este número cabalístico para começo de conversa.

Imagem de Paul Lowy, no Flickr em CC alguns direitos reservados

1. Homem é tudo igual.

 Quantas vezes você já chateou alguma mulher ou contou alguma história sua para uma amiga e ouviu a frase: “Mas homem é tudo igual!”? Você é jogado no mesmo balaio que todos aqueles galinhas sem caráter que só querem enganar as mulheres. Pois saiba que muitas mulheres repetem isso por puro machismo, da mesma maneira que ouvimos tantas vezes no trânsito: “Só podia ser mulher mesmo!” O sexismo padroniza as pessoas, coloca-nos em caixas estereotipadas que afetam a maneira como vemos o mundo. Então, se você é um cara macho de verdade tem que agir igual macho, não pode rebolar ao som de Lady Gaga (a não ser em festas de casamento e formatura, devidamente ‘alcoolizado’), tem que estacionar de baliza de primeira, tem que pegar qualquer mulher que der mole, porque senão sua sexualidade estará em dúvida. Mas e aí, você não vai conseguir agir assim para sempre, um dia vão descobrir sua poker face no seu fone de ouvido. Temos que celebrar as diferenças e acabar com essa história de rosa x azul. Porém, o surpreendente não é o senso comum sobre estas constatações ou as piadas feitas a respeito, mas o espanto das pessoas ao encontrar situações e seres humanos que contrariem este senso – como encontrar uma mulher mecânica na oficina, ou um professor homem em uma creche. Ninguém quer ser pré-julgado por habilidades físicas e psicológicas que são atribuídas antes de nos conhecer. Portanto, comece hoje a observar e estimular a pluralidade das pessoas, não se feche em idéias pré-concebidas. Você não quer ser igual a todo mundo, não é mesmo?

2. “Especialistas dão dicas de como lidar com mulheres na política”.

Sinais básicos a serem atentamente observados, assim que a Presidente ou suas ministras (também superiores a vocês) adentrarem qualquer recinto:

a – terninho e cabelo bem penteado: humor estável, dia tranquilo.

b – terninho e cabelo murcho: humor de cão. Tentem remarcar o compromisso para outro dia.

 Aviso à imprensa masculina, empresários, políticos em geral de Gloria Kalil

Mulheres são minoria na política. Atualmente temos uma presidenta, 9 ministras de um total de 37, 12 senadoras de um total de 54 e 45 deputadas federais de um total de 513 cadeiras. Então, por sermos novatas no local é importante dar dicas de como as pessoas podem adivinhar nossos pensamentos por meio do formato de nossos cabelos. Claro. É como se a gente chegasse às mesmas conclusões sobre os trajes dos colegas de gabinete; analisar a cor da gravata, o nível de brilho da careca, essas coisas.

 Para ler:

 Mulheres na Política

 As mulheres e a reforma política

3. Mulheres preferem chocolate a sexo.

Portais de notícias estão cheios de pesquisas que ninguém sabe como são feitas, mas que afirmam categoricamente: mulheres preferem muitas coisas ao invés de sexo. O mais interessante é que ninguém se pergunta por que isso acontece, não é mesmo? Vamos pensar na educação que é dada a homens e mulheres. A virilidade do macho é uma das características mais celebradas, não é à toa que nos filmes pornôs o momento do gozo masculino tem close e estouro de champagne da vitória. Para mulher, o recato. Até mesmo a ciência do início do século XX assegurava como características femininas, por razões biológicas: a fragilidade, o recato, o predomínio das faculdades afetivas sobre as intelectuais, a subordinação da sexualidade à vocação maternal. Em oposição, o homem conjugava à sua força física uma natureza autoritária, empreendedora, racional e uma sexualidade sem freios. Então, temos mulheres que não desenvolvem plenamente sua sexualidade há muitos anos, dentro de uma sociedade que até hoje é repressora. Não parece ser à toa que existam tantas pesquisas tentando explicar porque não gostamos tanto de sexo como homens, não é o machismo, na verdade preferimos viver eternamente preocupadas com o peso. Já os homens não gostam de lingerie vermelha.

4. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.

Sempre que pensamos em brigas de casal vemos pratos voando pela sala. Porém, há uma realidade interna de gritos, humilhações, maus tratos e ameaças. A maioria dos nossos relacionamentos são baseados em posse e desconfianças. No caso das mulheres há o agravante de serem vistas como parte das propriedades do marido. Então, é muito comum o sujeito que está de mal com a vida, descontar na mulher suas frustrações, ao invés de procurar alguém do seu tamanho na rua. Porque a mulher está ali, indefesa e presa a um relacionamento doentio. De acordo com pesquisa da Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc, realizada em 2010, a grande maioria dos homens diz considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação” (91%). Embora apenas 8% digam já ter batido “em uma mulher ou namorada”, um em cada quatro (25%) diz saber de “parente próximo” que já bateu e metade (48%) afirma ter “amigo ou conhecido que bateu ou costuma bater na mulher”. Dos homens que assumiram já ter batido em uma parceira 14% acreditam que agiram bem e 15% afirmam que o fariam de novo. Brigas de casal implicam num cenário de dominação e humilhação. E nós sabemos qual parte do casal é mais comumente inferiorizada. E se inferiorizar mulheres é machismo, vale acrescentar que se omitir frente a este problema também é tomar uma posição sobre ele.

5. Serviço militar obrigatório é coisa de macho.

Todos os homens brasileiros com mais de 18 anos sabem bem o que é o serviço militar. E isso nunca foi uma preocupação para as brasileiras. É mera opção. Tirando os casos dos caras que tem as “costas quentes” ou algum problema físico, todos os homens tiveram o mínimo de preocupação com este fato imutável de suas vidas. Os motivos pelos quais decidiram que apenas os homens comporiam o contingente de nossas Forças Armadas são subentendidos pela maioria das pessoas. Mas você conseguiria listá-los?

Mulheres são mais fracas, alguém tem que ficar em casa cuidando das crianças, etc etc, diríamos nós. Em todos os pontos que pensarmos, vale se perguntar se realmente uma coisa restringe a outra. Porque existem mulheres nas forças armadas do Brasil desde 1980, e elas não são só enfermeiras – soubemos que estão pilotando caças por aí. Mas por que só os homens são obrigados a se apresentar? Qual é o critério que ainda restringe as mulheres da obrigatoriedade do serviço?  O objetivo não é responder exatamente a essas perguntas, como se elas tivessem resposta prontas, mas entender que o machismo prejudica todos nós. As mulheres estão nas forças armadas, todos sabemos que são aptas a cumprir as funções, mas por que só os homens devem se apresentar obrigatoriamente? A questão é biológica ou apenas cultural?

 Para ler:

 30 anos de Mulheres na Marinha

 História das mulheres no Exército

6. Quem Estupra Mulher Feia Merece Um Abraço.

O humor é uma linguagem e como toda linguagem deve ser livre. O humor também possui um discurso ideológico e é destinado a um público específico. Portanto, deve ser passível de crítica. Há uma categoria no humor que podemos chamar de chavão ou clichê. São aquelas piadas do tempo de nossos avós. São as piadas sobre mulheres feias ou burras, bichinhas, pretos pobres e qualquer outra minoria que possa ser estereotipada. Você já ouviu piadas do tipo: O que são 4 homens brancos heterossexuais num fusca verde? Pois é. Piadas estão aí desde que o mundo é mundo, mas o humor funciona mesmo quando subverte nossa lógica e nos tira do senso-comum. Fazer piada com quem está por baixo socialmente é moleza. Reproduzir preconceitos que são passados há gerações na famílias e fácil. Mulher feia tá aí sendo chamada de canhão na rua todo dia. Quero ver é fazer rir sem apelar para ofensa, como a Wanda Sykes faz. Até violência doméstica pode ser piada, quando é um humor que propõe reflexão sobre os estereótipos reproduzidos que estão sendo representados. Num país onde somos ensinados a não deixarmos ser estupradas ao invés de ensinar que estupro é crime, esse tipo de humor tem um valor simbólico imensurável para identificarmos que o machismo está aí, em homens e mulheres, e é tão naturalizado que pode vir em forma de risos.

“Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas.”

Trecho de “Dispenso essa rosa”, de Marjorie Rodrigues

7. Como você concilia carreira e filhos?

Pense nas revistas semanais ou em entrevistas com homens que sejam campeões esportistas, políticos ou cantores famosos, pessoas que possuem uma rotina cheia e com muitas viagens. Alguma vez você viu alguém perguntar como eles conciliam carreira e filhos? Ou o que mais gostam de cozinhar? Conciliar filhos e carreira parece ser um desafio apenas da mulher. Mas espere, todas as mulheres estão tendo seus bebês por meio de fertilização in vitro com doadores anônimos? Então, como será que os pais dessas crianças conciliam carreira e família? Há escolhas que afetam muito nossas vidas, mudança de cidade, um novo emprego. Porém, há escolhas que a sociedade parece fazer por nós. É obrigação da mulher conciliar carreira e filhos, o papel do homem é apenas ser o provedor. Perdem todos nessa relação. A mulher sobrecarregada que não se desenvolve na carreira e o homem que perde a experiência prazerosa de criar os filhos de forma presente. De acordo com dados recentes do IBGE, mulheres ganham 20% a menos que os homens. Por mais escolaridade que tenham há o elevador profissional não chega até a cobertura, há um teto de vidro que impede as mulheres de ascenderem no mercado de trabalho. Uma das respostas para este problema está no fato de que apenas elas tem que conciliar suas ambições profissionais com a família.

Todos perdem com o machismo.