5 vezes em que mulheres quebraram barreiras históricas e conquistaram direitos

Texto de Bárbara Araújo para as Blogueiras Feministas. 

  1. Em 1920, as mulheres da União Soviética conquistaram o direito ao aborto.

O primeiro grande movimento que levou a Revolução Russa foi uma greve de operárias. Quando elas saíram as ruas em março de 1917 para lutar contra a fome, a guerra e as péssimas condições de trabalho provavelmente não imaginavam as conquistas que o movimento provocaria na vida das mulheres russas. Além do significativo movimento das operárias que permanecem anônimas, mulheres como Alexandra Kollontai lutaram no seio do Partido Bolchevique pelas pautas das mulheres. Na Rússia czarista, a condição das mulheres era precária: a lei instituía o marido como “cabeça-de-casal”, devendo ela submeter-se a ele totalmente. Entre as famílias camponesas, era comum o pai da esposa oferecer ao genro um chicote para ser utilizado contra a mulher “conforme necessidade”. Como resultado da luta das mulheres na revolução, a noção de “cabeça-de-casal” foi abolida, o divórcio se tornou acessível, além de uma série de medidas de proteção ao trabalho feminino. Em 1920, a União Soviética se tornou o primeiro Estado do mundo a garantir o aborto legal e seguro para as mulheres. Com o advento do stalinismo, esses direitos foram revogados. Após diversas modificações na lei do aborto durante o século XX, atualmente a prática é legalizada na Rússia até a 12ª semana de gestação.

  • Fontes: https://en.wikipedia.org/wiki/Abortion_in_Russia#1920-1936; ARRUZZA, Cinzia. Feminismo e marxismo: entre casamentos e divórcios. Lisboa: Combate, 2010.
8 de março de 1917, na Rússia.
  1. Até 1948, o corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro nunca tinha tido uma bailarina negra.

Mercedes Baptista nasceu em 1921, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Mulher negra de origem pobre, é considerada precursora da dança afro no Brasil, tendo atuado em diversas apresentações do Teatro Experimental do Negro (TEN), importante movimento político e cultural fundado por Abdias do Nascimento. Antes de ingressar no corpo de baile do Municipal, Mercedes frequentou a Escola de Dança de Eros Volússia, bailarina que tinha como objetivo criar um balé brasileiro erudito, baseado em uma concepção de cultura brasileira “autêntica” em sintonia com a ideologia da democracia racial brasileira, que louvava a miscigenação. Nos anos 1950, após uma temporada nos Estados Unidos estudando dança com Katherine Dunham, considerada a matriarca da dança negra norte-americana, Mercedes retornou ao Brasil disposta a formular uma dança afro-brasileira, para a qual se baseou por exemplo nos movimentos dos candomblés brasileiros, em especial o do terreiro do proeminente Pai de Santo Joãozinho da Goméia. Mercedes faleceu em 2014, aos 93 anos de idade.

  • Fonte: http://museuafrobrasil.org.br/pesquisa/hist%C3%B3ria-e-mem%C3%B3ria/historia-e-memoria/2014/07/17/mercedes-baptista

 

Mercedes Baptista
  1. Até 1971, mulheres eram proibidas de apitar jogos de futebol.

Durante a ditadura militar brasileira, estava em voga ainda um decreto lei de 1941, outorgado na ditadura anterior – o Estado Novo de Getúlio Vargas – que proibia às mulheres a participação em “prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. O futebol, esporte reconhecido pelo status quo como masculino estava aí incluído. Léa Campos, mineira nascida em 1945, se aproximou do futebol ainda na escola, quando atuou como centro-avante em um time clandestino, por conta da proibição. Formou-se em educação física em 1967, tendo a formação voltada especificamente para arbitragem. Seu diploma, contudo, foi bloqueado pela Confederação Brasileira de Desporto (que viria dar origem à CBF), cujo regulamento à lei de 1941 especificava a proibição da prática feminina “de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, pólo, halterofilismo e baseball”. Para agravar o quadro, o contexto era de ditadura militar: Léa conta ter sido detida e encaminhada ao DOPS 15 vezes para “dar explicações” sobre suas atividades “subversivas” – isto é, tentar ser árbitra de futebol. Em 1971, Léa recebeu um convite da FIFA para apitar um torneio amistoso de futebol feminino no México. Para conseguir a aprovação da CBD, recorreu ao próprio presidente Médici, que acabou determinando que João Havelange liberasse o diploma da, agora, árbitra. Léa Campos foi a primeira mulher no mundo a exercer a profissão de árbitra de futebol. Apenas em 1979, revogou-se a proibição de que mulheres jogassem futebol no Brasil.

  • Fontes: http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2015/03/historias-incriveis-lea-campos-supera-ditadura-detencao-e-cbd-pelo-apito.html http://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-3199-14-abril-1941-413238-publicacaooriginal-1-pe.html https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9a_Campos#cite_ref-8

+ Para saber mais sobre o pioneirismo feminino no futebol: http://trivela.uol.com.br/o-futebol-feminino-ja-foi-proibido-ate-pela-lei-brasileira-mas-segue-na-luta-pela-emancipacao/

Léa Campos

 

  1. Até 1980, nenhuma mulher havia sido democraticamente eleita para o cargo de presidente no mundo.

Ainda que o século XX tenha testemunhado mulheres em posições de liderança política em alguns estados – como foi o caso Isabelita Perón, que assumiu a presidência da Argentina com a morte de seu marido em 1974 -, apenas em 1980 uma mulher assumiu a presidência como resultado de eleições democráticas. Vigdís Finnbogadóttir foi a primeira mulher presidenta na Islândia, tendo iniciado seu primeiro mandato em 1980 e, posteriormente, sido reeleita três vezes. A vitória de Vigdís está intimamente ligada à força do movimento feminista islandês. Em 1975, as mulheres islandesas organizaram uma greve com adesão de 90%, como estratégia de demarcar sua importância no funcionamento da sociedade e denunciar seus baixos salários e sua desvalorização tanto no âmbito do trabalho como no doméstico. Esse forte movimento feminista se focou, nas eleições de 1980, em eleger uma candidata mulher: a escolhida foi Vigdís, uma feminista com atuação política importante desde os anos 1960, divorciada e mãe de uma criança que adotou já solteira. Vigdís, aliás, foi pioneira nisso também: foi a primeira mulher solteira que obteve permissão para adotar uma criança.

  • Fontes:https://en.wikipedia.org/wiki/Vigd%C3%ADs_Finnbogad%C3%B3ttir#cite_ref-1 https://www.theguardian.com/world/2005/oct/18/gender.uk]

 

Vigdís Finnbogadóttir
  1. Diz-se que o voto feminino no Brasil foi concedido em 1932. Mas até 1988, a maioria das mulheres no país ainda não podia votar.

O movimento sufragista brasileiro, fortemente influenciado pelo movimentos feministas europeus, tem sido reconhecido como o responsável por estender às mulheres a possibilidade de voto, dentre outros direitos de participação na política formal. Bertha Lutz e a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino tiveram, de fato, papel fundamental nessa luta, que culminou com o decreto de Getúlio Vargas de 1932, através do qual mulheres deixaram de ser explicitamente excluídas da participação eleitoral. Ocorre que esse mesmo decreto seguiu excluindo pessoas analfabetas do acesso ao voto, o que vetava a maior parte da população (as eleições de 1960, por exemplo, tiveram participação de apenas 10% da população brasileira) e, por conseguinte, das mulheres. Se apenas as mulheres alfabetizadas foram incluídas a partir do decreto, isso significou na prática a persistência da exclusão de mulheres pobres e negras. O fim da exclusão de pessoas analfabetas se deu apenas a partir da Constituição de 1988, a partir da qual o número de pessoas, em particular de mulheres, votantes subiu consideravelmente. A chamada “Constituição Cidadã”, a primeira após 21 anos de ditadura militar, foi fruto de grandes disputas políticas e negociações para inclusão de pautas de movimentos sociais, inclusive os movimentos de trabalhadores, negros e de mulheres negras.

  • Fontes: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/cidadania/eleicoes-no-brasil-a-historia-do-voto-no-brasil.htm/ https://www.facebook.com/educafrobrasil/posts/245588635533368

 

 

 

O B, o T e outras letrinhas no mundo nefasto da LGBTfobia

Texto de Bárbara Araújo para as Blogueiras Feministas.

Da sigla LGBT, o B e o T têm algumas coisas em comum. Uma delas é a capa de invisibilidade. O T tem sido sistematicamente abandonado pela letrinha dominante no movimento e pela sociedade como um todo. O desconhecimento e a falta de compreensão social em relação a esse grupo resulta na intolerância, no desprezo e na violência intensa: pessoas transgêneras são proporcionalmente as mais expostas a violência física e assassinatos dentre os grupos representados na sigla.

O B vive essa invisibilidade de outra forma. É simplesmente como se não existisse. Uma pessoa trans pode ser identificada visualmente algumas vezes. Uma pessoa bissexual, não. Não existe nada no jeito, na cara de uma pessoa que a identifique para a sociedade como bissexual. Nem mesmo quando a pessoa se assume verbalmente como bissexual a sociedade a identifica como bissexual. Renato Russo disse naquela música: “eu gosto de meninos e meninas”. Mas a sociedade continuou classificando-o como gay.

Imagem da página Bissexuais Existem no Facebook.
Imagem da página Bissexuais Existem no Facebook.

Quando uma pessoa diz que é bissexual, a sociedade lhe responde que ela está confusa. Mesmo o mais progressista dos grupos, mesmo muitos dos militantes pró-LGBT têm grande dificuldade de aceitar – de enxergar – a bissexualidade. Ou você é hétero ou é gay ou é lésbica. Se a sua vida inteira você é uma mulher que se relacionou com homens e passa a se relacionar com uma mulher, entende-se que você “virou lésbica”. Se você é um homem e a vida inteira se interessou por mulheres, mas percebe que sente desejo por um homem, você certamente “virou viado”. Não é costumeiro considerar que você pode não ter “virado” nada, mas que seja bi. Essa possibilidade é simplesmente invisível. No cotidiano, na mídia, dentro da nossa cabecinha. Quantas pessoas bissexuais você conhece? Quantos personagens de filmes e séries são bi? Quantas vezes a bissexualidade é abordada na mídia?

Isso porque, além de heteronormativa, na nossa sociedade a monossexualidade também é compulsória. Ou seja: só pode gostar de um gênero. Ser bissexual é gostar de mais de um gênero. E isso não pode. Aliás, isso não existe. A proposta de que se pode gostar de vários gêneros – não só dois, mas vários – deixa nossa mentalidade binarista perdidinha.

Recentemente, me reuni com uma amiga que é professora de sociologia para organizarmos nossa fala num debate que ocorreu na escola em que trabalhamos sobre a cultura do estupro. Ela me disse que pensava em falar sobre a importância de nomear as coisas: identificar uma situação de assédio ou abuso sexual e nomeá-la devidamente, não ficar em dúvida ou incerto. Identificar e nomear as coisas é poderoso.

Também recentemente, a escola em que trabalhamos esteve na mídia mais uma vez. Dessa vez, estudantes e professoras/es foram ao programa Encontro com Fátima Bernardes para falar (muito rapidinho, infelizmente) sobre a garantia do uso do nome social por estudantes transgeneres. A fala do Rai, pessoa querida e brilhante com quem tenho o prazer de conviver desde que comecei a trabalhar nessa escola, me fez pensar muito. Ele disse que você nunca imagina que você é trans porque você nunca ouviu falar disso na sua vida. Isso ficou ressoando na minha cabeça e me levou a pensar que é justamente isso que o B e o T têm em comum na sigla, como disse na historinha que abriu esse texto.

Eu nunca tinha imaginado que eu era bissexual durante toda a minha adolescência… porque nunca tinha ouvido falar disso. Não conhecia ninguém que fosse, na escola ninguém falava nisso, minha família nunca mencionou isso; enfim, ninguém nunca tinha me dito que isso era uma possibilidade.

Há pessoas que acham que falar de gênero e sexualidade na escola vai fazer as crianças “virarem” gays ou bi ou trans. Mas pelo contrário. Falar de gênero e sexualidade na escola é apresentar as possibilidades de ser, é mostrar um caminho pra quem sabe que é diferente, pra quem se sente diferente, mas não sabe porquê, não conhece sua própria identidade. E isso traz muito, muito sofrimento. Enquanto entender, conhecer e saber nomear é poderoso, empoderador, é um alívio.

Minha vida teria sido outra se minha escola tivesse discutido sexualidade. Hoje sou professora nessa mesma escola e vejo esse debate acontecendo, como resultado da luta de estudantes e professoras/es. Isso precisa acontecer em todo espaço educativo. Projetos de lei como os da Escola sem Partido e aqueles que denunciam uma “ideologia de gênero” são ameaças graves àqueles grupos que já se encontram minoritários em termos de direitos no espaço escolar e na sociedade como um todo. A educação para a diversidade é urgente num contexto onde um assassinato em massa por homofobia tem sido tratado como um caso de “terrorismo islâmico”. A capa de invisibilidade que cobre a transgeneridade e a bissexualidade é a mesma que cobre a própria homofobia e o sexismo em um caso como o massacre de Orlando.

É por isso que precisamos, urgentemente, falar sobre gênero. Precisamos urgentemente afirmar nossa identidade LGBT. Afirmar nossa existência frente à capa de invisibilidade fornecida pela bifobia e pela transfobia. Para nós existir, sobreviver já são formas de resistência. Nos posicionar publicamente sobre quem somos é um ato de coragem.

“Desejo a todas inimigas vida longa”: as funkeiras e o recalque

Texto de Bárbara Araújo.

Foto de divulgação da música “Beijinho no Ombro” de Valesca Popozuda. Fonte: Página oficial de Valesca Popozuda no Facebook.
Foto de divulgação da música “Beijinho no Ombro”. Fonte: Página oficial de Valesca Popozuda no Facebook.

Quero começar esse texto dizendo que estou bem longe de ser uma pessoa super entendida de funk. Não sou funkeira, não sou uma fã que acompanha artistas do funk, não sou estudiosa do funk. Tem muita gente por aí que poderia dar uma opinião levando em considerações mil coisas que eu nem sei (e espero que se sintam à vontade para fazê-lo nos comentários). Enfim: o objetivo desse texto é relatar a impressão de uma ouvinte dos hits de funk (e dançarina, porque, né? rs) sobre uma questão que me parece muito relevante: o fortalecimento do recalque como tema nos funks cantados por mulheres.

É claro que há muito mais funks cantados e escritos por mulheres do que chegamos a conhecer; há uma pluralidade temática e uma história bem maior do que as paradas de sucesso mainstream nos apresentam. Mas é possível afirmar que, em 2013, uma parte significativa dos hits que estouraram e dominaram muito mais do que a cena funk envolveram a temática do recalque. Me refiro em especial a três: “Fala mal de mim” de MC Beyonce, “Show das Poderosas” de Anitta e, aquele que ainda bomba na atualidade, “Beijinho no Ombro” de Valesca Popozuda. Sim, estou passando o rodo por cima da polêmica “Anitta, é ou não funkeira?” e incluindo-a no grupo.

A primeira coisa que chama atenção nessas músicas é que elas são um recado para outras mulheres, interlocutoras caracterizadas com todo tipo de desqualificação : “rata molhada”, “invejosa”, “coisas do tipo você”, “inimiga”, “dois papos”, enfim: as recalcadas. Uma discussão sobre o “recalque” entre mulheres passa necessariamente pela discussão sobre sororidade no feminismo. Essa discussão já deu muito o que falar na blogosfera. Creio que seja particularmente importante a problematização de um sentimento que é supostamente de solidariedade entre mulheres, mas que na verdade solidariza grupos específicos de mulheres e exclui outros (mulheres negras, lésbicas, trans, pobres, etc.). Se for assim, não serve para um movimento que visa à igualdade.

Isto posto, me incomoda a força que o discurso do “recalque entre mulheres” assumiu no senso comum, como notamos em 2013. Afinal, a imagem de mulheres como inimigas naturais é uma velha máxima do discurso sexista. Aquelas histórias: “mulher não se arruma pra agradar o homem, mas pra despertar inveja nas outras mulheres” e afins. No batido dualismo sexista “mulher ou é puta ou é santa”, que define as mulheres no limbo entre a maternidade pia e a sexualidade descontrolada, as “recalcadas” costumam estar no grupo das putas, das descontroladas, das irracionais. E por isso é difícil para mim deixar de pensar que, quando nós mesmas fazemos coro com o discurso do recalque, estamos fazendo coro com o machismo histórico que nos inferioriza, julga e enquadra.

É claro que os processos sociais são muito mais complexos do que qualquer maniqueísmo possa dar conta. Não estou dizendo: “Desliguem o rádio! Condenem as poderosas! Não dêem beijinho no ombro e olhem sim pro lado quando o bonde estiver passando!”. Até porque essas músicas são muito boas. E elas são, em alguma medida, muito empoderadoras para quem canta. São músicas que dão um levante na autoestima, todas elas — e isso também ajuda a explicar seu sucesso.

Imagem compartilhada pela página do Facebook: 'Guerreiras Cabeludas' em 19/01/2014.
Imagem compartilhada pela página do Facebook ‘Guerreiras Cabeludas’ em 19/01/2014.

Dá para ponderar que essas músicas não taxam de recalcadas todas as mulheres, “só as que incomodam”, como diz a Anitta. Talvez seja uma forma de complexificar o grupo “mulheres”, que não é homogêneo e que tem, sim — fazer o quê — umas pessoas que nem são muito bacanas com a gente. A Valesca é notória nesse grupo que citei por ter se autodeclarado como feminista diversas vezes. Isso é algo para se considerar. Mas o fato é que eu gosto muito mais da Valesca que mandava papo reto para marido violento e para machista de plantão do que dessa Valesca que manda beijinho no ombro paras invejosas. Se bem que, na verdade, é a mesma Valesca — os processos sociais são complexos —, sejamos todas/os bem-vindas/os ao mundo real.

E, para provar o tanto que ele é real e complexo, o “Beijinho no Ombro” ganhou uma versão explicitamente feminista. Não conheço a autoria, mas encontrei na página ‘Guerreiras Cabeludas’ no Facebook. Tem sido comum ouvir companheiras feministas dizendo que: “bateu de frente, é só tiro, porrada e bomba”. Uma companheira, inclusive, contou que sentiu o poder do beijinho no ombro ao sofrer uma situação de machismo (por ter demonstrado afeto por outra mulher em um local público, que afronta!) e retrucar o homem que a olhava torto, dizendo: “Seu recalcado!”. Do recalque entre mulheres para o feminismo combativo em três minutos e pouco de um funk. Nenhuma análise simplista dá conta.