Como Nossos Pais: um filme feminino que quer ser feminista

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Atenção! Esse texto contém spoilers!

Na maioria das críticas que li sobre o filme Como Nossos Pais, o feminismo foi pontuado: “anseios e conflitos da mulher neste século”; “os dilemas da supermulher”. Então, começo dizendo que não classifico como um filme feminista, mas isso não é importante. O bom de Como Nossos Pais é que ele é um filme feito por mulheres e onde elas são a história principal. Tudo gira num núcleo familiar, onde sabemos que decisões e ações não são fáceis de serem tomadas.

Ao avaliar o filme por um viés feminista, classifico-o como branco e burguês. Rosa (Maria Ribeiro) vive dramas de uma mulher branca de classe média, alguém que não parece ganhar muito bem, mas tem móveis assinados incríveis na sala. É difícil achar uma pessoa negra no filme, é difícil encontrar diversidade. Mas, dentro de todos os clichês, Rosa poderia ser eu ou uma de minhas amigas. Uma mulher entre 35 – 45 anos que lida com um marido esquerdomacho, uma mãe egoísta, um amante feministo. O filme acaba sendo divertido justamente por condensar tão bem tantos clichês do feminismo da internet atual.

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A mídia brasileira sempre dá uma segunda chance para agressores de mulheres

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Esse mês, estreou na Rede Record, a nona edição do reality show: A Fazenda. Entre os participantes estão dois homens que foram denunciados por agredir mulheres que eram suas namoradas: Yuri Fernandes e Marcos Harter. Mesmo com o feminismo sendo pauta na mídia e cada vez mais denúncias públicas de agressões, a TV brasileira segue promovendo a naturalização da violência contra as mulheres.

Em 2014, Yuri Fernandes foi preso em flagrante por agredir Ângela Souza. Em abril de 2017, Marcos Harter foi expulso e indiciado por agressão a Emilly Araújo durante o programa Big Brother Brasil (BBB) da Rede Globo. A proposta da atual edição de A Fazenda é ser uma “segunda chance” para participantes de reality shows que não ganharam o grande prêmio final. O que leva a Rede Record a convidar dois notórios agressores de mulheres para um reality show? O que leva a mídia brasileira a nunca ser responsabilizada por enaltecer agressores de mulheres? Por que agressores de mulheres são tratados constantemente como coitados e merecem uma segunda chance?

A mídia brasileira faz escárnio e chacota da violência contra a mulher ao dar espaço e visibilidade para esses homens. A mensagem transmitida é que esses homens fizeram uma “besteira”, tiveram um “comportamento inadequado”. O histórico dos reality shows brasileiros nos mostra que agressores de mulheres tem grande apelo popular, são apresentados como “conquistadores” ou “polêmicos” pela mídia e, justamente por isso, tornam-se celebridades. Do outro lado, emissoras de TV só costumam tomar uma atitude em relação a violência que exibem quando acionadas pela polícia.

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Jogo digital educativo e feminista: Lutas e Conquistas Femininas

Texto de Sonia Beatriz Leite Ferreira Cabral para as Blogueiras Feministas.

Em 2000, quando começamos a produzir jogos educacionais utilizávamos os CD-ROM como dispositivos de armazenamento. A mudança para o suporte digital, trouxe consigo as necessidades de se adaptar à nova linguagem e às exigências do mercado. Nesse período, passei a frequentar um grupo de estudo e pesquisa sobre gênero e tecnologia e acabei realizando uma pesquisa sobre a história das mulheres no Brasil, ficando fascinada pelo tema. Percebi que era necessário ampliarmos a circulação desses conhecimentos e possibilitar que os estudos sobre as mulheres ultrapassem o mundo acadêmico e fossem disponibilizados para um público mais jovem.

Incorporar pressupostos de gênero ao processo de construção de um jogo exige um compromisso com a pluralidade, com a linguagem inclusiva, e com utilização de imagens não sexistas e estereotipadas. Nesse sentido, produzimos o jogo de tabuleiro lúdico-pedagógico “Lutas e Conquistas”:

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