Malhação – Viva a Diferença: combate ao racismo, diversidade e defesa da escola pública

Esses dias chega ao fim a atual temporada da novela Malhação da Rede Globo. Malhação – Viva a Diferença foi uma das melhores novidades na televisão em 2017 e seu sucesso mostra que a juventude está interessada em conhecer e falar sobre temas como o racismo e educação pública. Conhecida como uma novela adolescente, com temas bobos e sempre girando em torno de um casal e alguém que tenta separá-los, essa temporada trouxe novidades, colocando foco em cinco adolescentes e no universo socioeconômico que as cercam.

Cinco mulheres protagonistas. Uma mãe adolescente, uma bad girl rica, uma nerd negra, uma japonesa com família tradicional e uma estudiosa com espectro autista. Keyla, Lica (Heloísa), Ellen, Tina (Cristina) e Benê (Benedita) representaram muitas adolescentes. Ao mesmo tempo que se tornaram um grupo de amigas (as Five) também viviam intensamente seus dramas pessoais. Os medos, anseios e dilemas de quem está se tornando adulto tentando entender como o mundo funciona.

No geral, é possível ver os elementos clássicos de uma novela, mas ao contrário da maioria, Malhação – Viva a Diferença se propôs a discutir abertamente temas atuais e fundamentais para a juventude, trazendo novas perspectivas para antigos problemas. Racismo, violência policial, violência escolar, drogas e álcool, homossexualidade foram assuntos retratados sem filtros, com sensibilidade e ousadia que não é comum na televisão brasileira.

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Pantera Negra: um filme de super-herói que divide o protagonismo com mulheres

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Pantera Negra (2018) é o grande blockbuster desse início de ano. Mesmo tendo Vingadores: Guerra Infinita (2018) em abril, a adaptação para as telas de um super-herói negro é a grande novidade de 2018. A adaptação do Universo Cinematográfico Marvel começou em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro, após 10 anos, finalmente temos nas salas de cinema uma história de ação com características do afrofuturismo, um enredo que fala dos negros e da diáspora forçada africana por meio da escravidão e da exploração dos recursos desse continente.

O filme segue todas as características de um bom filme ação: o protagonista é surpreendido pela morte de seu pai, o que exige a tomada de inúmeras decisões e desafios em busca do futuro. O passado acaba por vir lhe confrontar e ameaçar a paz no planeta. Além do elenco predominantemente formado por atores e atrizes negros, há cenas em que o idioma africano xhosa — a língua natal de Nelson Mandela —  é falado e a trilha sonora possui canções escritas especificamente para o contexto das cenas. A produção mostra um grande desejo por representação negra. Mas, para mim, o maior destaque do filme são as mulheres.

A diferença principal de Pantera Negra em comparação a outros filmes de super-heróis é que as mulheres tem inúmeros papéis importantes na sociedade de Wakanda e, por mais que o protagonista tenha poderes especiais como força e velocidade superiores, sem as mulheres lutando ao seu lado seus objetivos não seriam conquistados. Elas não são apenas coadjuvantes, são fundamentais ao seu lado nas cenas de ação e também nas tomadas de decisões sobre quais caminhos seguir, nas decisões que precisam ser tomadas.

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Marcia Tiburi e o feminismo ético-político

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Outro dia, uma amiga me pediu indicações de livros feministas para presentear uma adolescente de 15 anos. Dei uma olhada em minha prateleira e a grande maioria são bem acadêmicos. Avistei Como Ser Mulher de Caitlin Moran e Má Feminista de Roxane Gay. Mas ainda não era o que queria. Entrei na internet e fuçando entre alguns posts com indicações de livros feministas, vi que Marcia Tiburi tinha lançado um novo livro. Passei para a amiga alguns nomes e disse que esse da Marcia eu não conhecia, mas ia procurar. A melhor notícia foi quando a editora topou enviar 1 exemplar para fazer essa resenha.

Feminismo em comum: para todas, todes e todos¹, é um bom livro para quem quer iniciar leituras refletindo sobre o que é o feminismo. Em 17 capítulos —- bem curtos pois o livro tem apenas 125 páginas — a filósofa Marcia Tiburi reflete sobre questões fundamentais para o feminismo atual, como: trabalho, autocrítica, solidão, diálogo, escuta, lugar de fala, identidade, violência, política. Não há um aprofundamento, vários temas são colocados apenas para pontuar a necessidade de serem mais discutidos, como a prostituição. É quase um glossário crítico de temas centrais do feminismo com uma linguagem simples. Como diz a orelha:

Com este livro, Marcia Tiburi nos convida a repensar essas estruturas e a levar o feminismo muito a sério, para além de modismos e discursos prontos. Espera-se que, ao criticar e repensar o movimento — com linguagem acessível tanto a iniciantes quando aos mais entendidos do assunto — Feminismo em comum seja capaz de melhorar nosso modo de ver e de inventar a vida.

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