Textos + Lidos de 2016

Em 2016, esse blog publicou bem menos que nos outros anos. A maioria das mulheres sabe como é difícil conciliar ativismo com a vida cotidiana, prazos, necessidades, demandas, não só pessoais mas também das pessoas com quem convivemos.

Seguimos nos reorganizando, ainda com mais perguntas que respostas, mas sabendo que é preciso reaproximar-se, colar nas manas, escutar o que cada uma tem para dizer, gritar: Nenhuma Menos!

Seguimos no caminho do feminismo interseccional, buscando amar sem temer. A lista de textos mais lidos desse ano mostra essa reflexão sobre a inclusão no feminismo. Quem está faltando em nossos protestos? Em nossas palavras de ordem? Todas tem voz? Não queremos que o feminismo seja a mãe de todos os movimentos sociais. Queremos fazer dele um movimento social que visibilize todas as pessoas e seus contextos na sociedade.

1. Angela Davis sobre racismo, feminismo e Beyoncé.

2. O “desconstruído” se relacionaria com mulheres trans?

3. “A senhora lacra, mulher”: O ativismo narcisista e a escuta autoritária.

4. As musas que foram estupradas e os debates que nunca acontecem.

5. Pode o cisgênero falar?

6. Crise política, grelo duro e um olhar feminista.

7. Uma Conversa sobre Feminismo Negro.

8. Mulheres indígenas e as formas modernas de violência contra a mulher.

9. A visibilidade trans em 2016.

10. Feminismo radical e liberalismo.

Maio/2016. Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Foto de Reinaldo Canato/UOL.

Maria Schneider e a solidão da mulher que denuncia

Texto de Fabiana Motroni.

A violência contra a mulher não tem data de validade, não caduca, não prescreve. Não desiste nem quando suas vítimas não vivem mais. O tempo não apaga e não faz justiça. Ao contrário, o próprio tempo a emerge em suas ondas vez e outra, cadáver ocultado que reaparece boiando no rio do tempo, na linha do tempo, a denúncia, a confissão, a chance de enxergar, de se saber, a chance de se investigar, de se fazer justiça, de interromper o ciclo, de cessar a dor: a chance sempre desperdiçada, sempre negligenciada.

Semana passada a internet e as redes sociais ficaram agitadas por causa de uma notícia de bastidores sobre umas das cenas de sexo mais famosas do cinema. Só que a notícia não era nova, era notícia de 2013. E essa notícia, por sua vez, dizia respeito a outra mais antiga ainda, mais exatamente de 2007. E sobre essas contas de tempos e de silêncios, eu queria deixar com vocês umas palavras direto das minhas vísceras sobre Maria Schneider e “O Último Tango em Paris”.

Em 2007, a atriz Maria Schneider contou a imprensa que a famosa ‘cena da manteiga’ não estava no script e não tinha sido combinada com ela: ela foi literalmente pega de surpresa, humilhada, submetida, estuprada e contou o quanto aquilo foi devastador pra vida dela e pra sua carreira que se iniciava. Ponto, ela contou e isso deveria ter sido o suficiente. Mas não, nunca é suficiente uma mulher contar o que viveu, o que sentiu, o que doeu. A verdade dita por uma mulher nunca é suficiente.

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Criaminas – uma agência de publicidade virtual feita por mulheres

Esses dias, a Brenda Band nos mandou um email apresentando a Criaminas. Cansadas das mesmas propagandas de televisão, rádio, internet e revistas, um grupo de alunas da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS) da PUC-RS resolveu que estava na hora de mudar. Unindo conhecimentos e vivências, criaram algo para que a luta feminista não fique apenas na utopia.

A Criaminas surgiu dentro do ambiente acadêmico de publicidade com mulheres que querem ver a representação real delas mesmas em campanhas e anúncios. Por isso, fizemos uma pequena entrevista para saber mais sobre o projeto:

1. Como vocês se conheceram e se aproximaram? E já conheciam o feminismo antes da faculdade?

Nos conhecemos na FAMECOS. Quando eu sugeri criarmos uma agência de empoderamento feminino logo fizemos um grupo no whatsapp, e sinceramente, a maioria das meninas que ali estavam mal se conheciam. Alguns rostos eu nunca tinha visto, até porque, a maioria das meninas que hoje formam o Criaminas são do primeiro semestre. O engajamento e a vontade de criar pensando no feminismo veio muito forte da parte delas. Temos, claro, meninas de outros semestres, mas fiquei muito orgulhosa com esse talante delas de participarem imediatamente de um núcleo como a Criaminas.

O feminismo de cada uma de nós nasceu de vivências. Na faculdade pouco é trazido à tona. Quando assistimos a campanhas de carros, pouco enxergamos da projeção da mulher nesse tipo de vídeo publicitário e aí por diante.

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