A revolução de cada uma

Texto de Mari Moscou.

Hoje resolvi compartilhar com vocês uma vitória.

É uma vitória para mim quando leitoras do meu blog entram em contato comigo. É uma vitória maior ainda quando contam como encontraram o blog e como o blog lhes encorajou a fazer alguma coisa (começar um blog, por exemplo). Algumas das minhas colegas aqui sabem do que estou falando. A sensação é demais.

Há algum tempo entrou em contato comigo uma leitora, Cynara, que me contou de forma linda sua própria vida e como a leitura do meu e de outros blogs feministas a estava encorajando a retomar projetos e sonhos, como o de cursar uma universidade depois de terminar o supletivo. Esta leitora, para mim, se tornou uma heroína. Penso que, como vivemos cada um as nossas vidas, às vezes não nos damos conta de que nossas experiências não são ordinárias mas fantásticas, para as pessoas que não as tiveram (e às vezes pra quem teve experiências parecidas).

Ontem, uma outra leitora entrou em contato comigo, já de madrugada, quando eu me preparava para dormir. Marina é Terena, e participou de organizações e órgãos que trabalham com as questões das mulheres indígenas. Um mundo novo se abriu pra mim na curta conversa que tivemos. E estou cada vez mais curiosa com esse mundo — quero mergulhar.

Fazer um blog crítico, tentar despertar o espírito de crítica em leitoras e leitores, é uma via de duas mãos de positividade. Quem lê aprende com quem escreve, quem escreve aprende com quem lê. Quem lê se anima a escrever, quem escreve se anima cada vez mais a ler.

Embora os “grandes blogs” feministas, aqueles mais conhecidos, sejam excelentes portas para a nossa causa e para outros blogs menores, como o meu e o de outras companheiras aqui, penso que nossa nobre missão enquanto blogueiras feministas é às vezes deixada de lado por nós, quando nos atemos somente a esses blogs/blogueiras e sua repercussão.

Faço aqui um apelo, às amigas blogueiras, twitteiras, grandes, médias, pequenas, prospectos: ao encorajarmos, lermos, comentarmos, linkarmos novos espaços de gente que está começando, damos proporções exponenciais ao crescimento de uma blogosfera feminina e feminista que seja crítica. Ampliamos as opções de leitura de nossas leitoras e de nossos leitores. Mostramos que é possível ler blogs de moda, culinária, unhas, maquiagem mas também de política, viagem, feminismo – todos feitos por mulheres, com todo o mérito que isso tem.

O feminismo pode ser, também assim, um trampolim para cada revolução pessoal.

Meu feminismo e a nossa liberdade

Texto de Danielle Cony.

Percebo que a maioria dos homens se arrepiam quando digo que sou feminista. Ok, alguns são altamente machistas e possuem idéias retrógradas e não vão tentar entender que possuem privilégios. Para eles o mundo é assim. A vida deu todas as oportunidades, então porque iriam lutar por algo que não interessa? Eu diria. Sim, essa luta também te interessa.

Então… O feminismo luta pela a igualdade de direitos. Ele também luta para que você tenha o direito de sensibilizar onde e a hora que você quiser. O feminismo não é opressor como muitas pessoas pessam. O feminismo quer dar voz ao gênero. O machismo é que opressor, impede a mulher de se desenvolver, constrói uma obrigatoriedade de violência e agressividade ao homem. Quem me parece impositivo nessa história? Em outras palavras, os homens deveriam ser feministas porque o machismo também oprime os homens.

Então meu caro colega, passemos a refletir sobre sua tragetória. Lembra-se quando você era criança e seu cachorro querido morreu (ou talvez alguém muito próximo da família)? E você sentindo todas as dores do mundo foi tolhido de chorar porque “aquilo não era coisa de homem”? Quem te frustrou? O machismo ou o feminismo?

E quando você tinha uns 10 anos? E sofreu bullying na escola, porque seu cabelo era comprido ou porque usou uma blusa engraçada (ou por qualquer motivo irrelevante). Quem te frustou? Quem te chamou de “florzinha” foi um amigo seu machista agressivo ou foi uma menina feminista?

E quando você se tornou pai? E percebeu que sua filha sofreria exclusão e violência no dia-a-dia. De que sociedade você questionou essa inserção? De uma sociedade iguálitaria de direitos ou de uma sociadade que oprime o gênero?

E quantas e quantas vezes meninos precisam se explicar? Explicar suas atitudes, os seus gostos, o medo de algum rótulo, alguma brincadeira de mal-gosto e o medo de se tornar “chacota”. Diga-me, você não está cansado disso? Quem criou isso? Foi o feminismo ou o machismo vigente?

Então vamos esclarecer, que ao contrário do que muita gente pensa, as feministas (mesmo as mais radicais) não querem os homens exterminados. Feministas querem liberdade. E entenda de uma vez que a minha liberdade não é a sua prisão. A minha liberdade é a minha autonomia, assim como a sua também. A luta feminista é contra o machismo e não contra o homem.

E agora? Pronto para aderir a nossa luta?

Por um movimento consistente

Texto de Maia Cat.

O que antes parecia uma vaga idéia agora se assoma como uma possibilidade real para mim: um movimento feminista que realmente tenha voz. Isso por causa da lista das blogueiras feministas, que reune em torno de 150 participantes interessadas na causa. Gente, não sei se fui acometida de alguma espécie de otimismo bobo e ingênuo, mas essa me parece uma oportunidade que não podemos desperdiçar. Começamos devagar, mas agora as discussões já estão sempre andando na lista, sempre com participação, idéias interessantes e respeito entre todas. Um novo mundo praticamente se abriu pra mim. No começo, quando passei a me interessar pelo feminismo, só achava páginas e blogs em inglês na internet sobre o tema. Mal sabia eu que havia uma série de blogueiras falando sobre a causa. Demorei a achar, e olha que procurei por um bom tempo! De fato, às vezes tenho a sensação de que somos invisíveis na internet. E agora, não são só os blogs ótimos que encontrei: temos a possibilidade de nos falarmos entre todas, saber quem somos, compartilhar as idéias  ehistórias.

Reunidas, podemos explorar cada vez mais as ferramentas da internet não individualmente, mas como grupo. Claro que é um grupo pequeno ainda, de pouco alcance. Mas tem tanta idéia boa, tanta gente boa, e de tantos lugares do Brasil, e algumas que até moram fora, que permaneço acreditando que é uma oportunidade boa demais. As discussões na lista têm que continuar, mas deveriam servir de pauta, antes de tudo, para nossas ações como grupo. O blog é um começo. Mas quero ainda ver isso crescer: vídeos (como já começaram), twitter (só eu que ainda não entendo nhecas disso), blogs, campanhas, petições, busca de espaço na mídia mais tradicional, sei lá! Qualquer coisa pra chamar atenção pra causa é válido (claro, menos roubar, matar e essas coisas :D ).

E aí, sou só eu que tô empolgadinha?