Vadias potiguares em Marcha!

Você já ouviu falar de Natal, a capital do estado do Rio Grande do Norte? Provavelmente já deve ter ouvido falar das suas belezas naturais, como a praia de Ponta Negra e o belíssimo Morro do Careca.

Imagem de © Camila Palhares de Melo

No sábado passado, dia 23/07, este cenário foi palco de um protesto que começou em Toronto no Canadá, a Marcha da Vadias.Mas porque muitas mulheres foram lá naquele dia e por quais coisas estão lutando? No blog do SlutwalkNatal achamos a resposta:

“Neste país, onde amargamos a cena de ter, a cada 12 segundos, uma mulher violentada. Onde menos de 10% dos casos julgados de estupro são punidos, justamente por que a vítima (a vadia da vez) é culpabilizada. São meninas, moças, idosas. São pobres, ricas e de classe média. São rostos já vividos ou olhos cheios de futuro.”

Imagem de © Gustavo Paterno

 Muitas mulheres são vítimas de estupro e este tipo de violência causa um grande sofrimento à mulher, que é obrigada a tomar um coquetel para prevenir uma possível contaminação pelo vírus da AIDS . Com certeza, as 62 vítimas no ano de 2010 e as 22 vítimas desse ano de estupro apenas em Natal não irão agradecer a seus agressores, nem acharão graça deste fato. Sim, a Marcha da Vadias tem por intuito protestar contra a cultura da banalização da violência feminina e a objetificação do corpo da mulher, lutando pelo direito da mulher ao seu corpo e que esta não seja inferiorizada pela sua roupa e julgada pelas suas escolhas na vida pessoal.

Iamgem de © Gustavo Paterno

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Sabemos que muito ainda terá que ser feito para que as mulheres tenham a sua liberdade de escolha respeitada. A Marcha das Vadias é uma das muitas vozes que levantamos para exigir o respeito que nós mulheres merecemos de não sermos culpadas pela violência sexual que sofremos.

Blogagem Coletiva: Dia do Orgulho LGBT.

Em 28 de Junho de 1969, gays, lésbicas e travestis que estavam no bar Stonewall Inn em Nova York decidiram reagir à constante perseguição de policiais. Diariamente a polícia invadia clubes e casas que funcionavam de forma praticamente clandestina mas eram tradicionais pontos de encontro LGBT. As pessoas tomaram as ruas, tombaram e incendiaram carros, levantaram barricadas e transformaram o Stonewall Inn em “marco zero” da luta contra a homofobia.

Em 05 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal do Brasil reconhece por unanimidade a união estável homossexual. Muitos saíram às ruas para comemorar entre amigos, o reconhecimento dos direitos humanos que um parlamento retrógrado teima em negar.

Em 23 de junho de 2011, durante a Marcha para Jesus, o reporter Ricardo Galhardo do IG entrevistava pessoas quando Jovelina das Cruzes, evangélica, mostra a humanidade que falta a tantos religiosos:

“Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. “Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego.”

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. “Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja”. E Jovelina respondeu. “Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema.”

2° Marcha Contra Homofobia - maio/2011. Manifestantes em frente o STF. Foto de Roberto Jayme/UOL Notícias

Posts Participantes da Blogagem Coletiva:

28 de junho: reflexões sobre o toctoctoc do facismo em nossas portas, da Luka

Durante as décadas a história do 28 de junho acabou por se perder, apenas lembrada nos guetos dos guetos da política. Servindo de base para uma disputa contra o machismo e o femismo nas organizações anticapitalistas ou reformistas. É importante lembrarmos que esta data dialoga diretamente com a luta contra a criminalização dos movimentos sociais e o extermínio da juventude negra e pobre tão noticiado por aí.

A eterna parada dos sem noção, da Lola Escreva

Ao invés de competirmos numa espécie de Olimpíada da Opressão para ver quem sofre mais preconceito, temos mais é que nos unir. E mais: precisamos ter orgulho de estar na companhia de outras minorias igualmente aguerridas. Tod@s nós lutamos por um mundo melhor, livre de preconceitos.

A inacreditável Myrian Rios, do Imprença

Pois bem, eis que Myrian Rios, no auge de sua sabedoria e amor ao próximo {{é o que está na bíblia, ou não?!}} resolve demonstrar o motivo pelo qual ela é contra a PEC 23/2007 {{uma espécie de PL 122 do Rio, como diz o vídeo abaixo}} e, bem, saiu isso aqui:

A Nossa KKK, da Mari Moscou

Paralelamente talvez valesse a pena também encontrarmos um termo para aquelas pessoas que não necesariamente tem essa “fobia” gay mas que defendem que gays são inferiores e logo não devem ter os mesmos direitos que heterossexuais. Sexualismo? Heterossexualismo? Que tal? Estabelecer estas categorias similares talvez ajude as pessoas a entenderem a gravidade e a urgência do PLC122. Afinal de contas, se a própria constituição propõe direitos iguais a todos os cidadãos…

Basta estender a mão, da Karla Avanço

Em outras palavras, entre jovens e velhos, brancos e negros, homens e mulheres, cristãos e não cristãos, heterossexuais e homossexuais quem usufrui mais da tão aclamada igualdade? Por outro lado, quem corre mais riscos de perder seus direitos?

Com o microfone: dama Tiely Queen, da Bruna Provazi

Quem circula pelos rolês ativistas e culturais paulistanos com certeza já trombou com esses dreadlocks por aí. Figura conhecidíssima na capital paulista, a rapper Tiely Queen coordena o projeto HIP HOP MULHER, que completa responsáveis três anos de existência. Além de rapper, Tiely é atriz, cineasta, e já jogou muito futebol. Ela também é uma das curadoras do LesFest. Conversamos sobre o festival na feira da diversidade do 15º Mês do Orgulho LGBT.

Dia do Orgulho LGBT, da Barbara Araujo

Hoje é dia do orgulho LGBT e a escalada da homofobia no país e no mundo cresce como nunca. Mas, vejam, a resistência também cresce. Hoje é dia de orgulho porque estamos ocupando os espaços, estamos pautando discussões, já não queremos nem podemos nos esconder.

E se fosse o contrário, da Thayz Sardenta

Preconceito, pra mim, é ignorância pura. E se você é daqueles que não se dizem preconceituosos, mas não deixam a sexualidade do outro em paz, tenho uma novidade: isso é preconceito.

É tão mais fácil amar, da Borboleta nos Olhos

Com precisão ela apontou minha dor, meu choque e minha indignação com a onda moralista, cruel e violenta que tem nos sufocado a todos e, mais especificamente, às pessoas de orientação sexual não heteronormativa. É tão triste ver como as pessoas se encastelam e se defendem magoando, agredindo, diminuindo o Outro.

Eu sou gay e tenho orgulho disso, da Suely

É cada dia mais evidente a necessidade de uma lei que puna a homofobia e a discriminação contra a população LGBT. Certamente uma lei não vai conseguir acabar com o preconceito, mas as manifestações homofóbicas, os xingamentos, os crimes e todos os tipos de violência serão coibidos.

Amor não tem gênero, não tem sexualidade. Algo que ouvi muito durante minha infância, devido ao fato de ter crescido numa igreja evangélica, foi a frase “se Deus me fez assim, assim vou louvar”. Deus (pra quem acredita em Deus, diferente de mim), nos fez homo, bi, hetero ou seja o que for. Somos assim e não é algo que possamos lutar contra. É uma questão de aceitar sua própria felicidade ou decidir ser infeliz pra seguir um padrão que “vai te levar pro céu”.

Faz parte da defesa feminista de liberdade, há muito tempo, o questionamento à heterossexualidade obrigatória e o direito de viver de forma livre e autônoma nossa sexualidade.

Gay, pra mim, é sinônimo de amor, da Daniela Luciana

Minha família nuclear tem gays. Têm talento, competência, sociabilidade, garra, alegria. Ainda tem generosidade, inteligência, amor à família. O blog não daria conta das qualidades, saibam. Temos muito orgulho. Muito amor. Amb@s casad@s. Minha Mãe está na Europa e… para prestigiá-l@s… foi à Parada Gay.

Homofóbicos, o problema está em vocês, da Lia de Lua

Pior é que o preconceito se manifesta tão perto da gente, de formas cruzadas, por parte de pessoas queridas. Às vezes relevamos, porque nos recusamos a limitar essas pessoas a seus preconceitos.

Lésbicas e Bissexuais em Marcha, da Fuzarca Feminista indicação da Tica Moreno

a heterossexualidade obrigatória é reforçada como um dos pilares que sustenta a sociedade patriarcal e capitalista. A sexualidade continua sendo padronizada conforme os papeis ‘naturais’ de mulheres e homens, perseguindo e estigmatizando como “minoria” qualquer um/a que fuja desse padrão – seja por conta da sua sexualidade, sexo ou cor da pele.

Lésbicas Masculinas? da Zaíra Souminha

uma leitora questiona porque algumas mulheres lésbicas se vestem e se portam de forma “masculina”. E tentando responder aos questionamentos dela, acabei escrevendo longamente, e achei que seria interessante reproduzir aqui minha resposta a ela.

LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, da Tainá

Nós homossexuais temos os mesmos direitos que todos os seres humanos, afinal, tendo ou não esta orientação trabalhamos, estudamos, e fazemos o mesmo que todos os outros, não temos doença contagiosa, muito menos somos os culpados pelas doenças sexualmente transmissíveis.

Lost and delirious, da Emanuele

Because love is. It just is and nothing you can say can make it go away because it is the point of why we are here.

Não é só Fervo da Sara Joker

Temos o costume de acreditar que, se não passamos por bullying ou não somos expulsos de casa por causa da nossa orientação sexual, não há motivos para lutar, está tudo bem. Mas não é verdade, não é porque não passamos por preconceito que ele não existe e tudo é fervo e alegria.

Orgulho Gay, da Liliane Gusmão

Eu mudei por que deixei de me achar diferente, melhor do que os outros. Muitos amigos se descobriram homossexuais, e eu quando me descobri feminista entendi um pouco o sofrimento dessas pessoas.

Orgulho pela coragem de lutar, da Aisla Araújo

Já notaram como o machismo está intimamente ligado à homofobia, talvez por depreciarem tudo o que lembre uma mulher, e se um homem mostra um jeito, digamos, ‘feminino’ – já é a escória do mundo.

Porque você não precisa. (uma pequena contribuição ao 28 de junho), da Camilla de Magalhães Gomes

É difícil identificar o pior ou o mais desonesto dos argumentos usados pelos homofóbicos para atacar a luta LGBT ou para mascarar seu preconceito. Mas uma leitura só um pouco mais atenta desses discursos raivosos e infundados pode ajudar a identificar alguns tristes padrões.

Tenho Orgulho da LGBTTT, da Dani Montper

Até que tod@s sejam livres para viverem sua homossexualidade e/ou transexualidade com dignidade, eu apoiarei e terei orgulho da comunidade LGBTTT. E até depois disso também!

Uma “parada” de afirmações e contradições, de Tiago Costa

Muitas pessoas homossexuais já escondem seus sentimentos por medo da violência por parte da sociedade. Alguns apelidos como viado, bicha, baitola, sapatão já me soam como violência, mesmo na brincadeira. Os corpos de homossexuais são frequentemente passíveis a essa violência, que vai desde o toque não consentido das genitais até os casos extremos de estupro!

Viver a Diversidade, da Clara Guimarães

Não interessa que você não entende, porque é diferente, tente se solidarizar com o outro, amor é amor, beijo é beijo, não interessa quem está amando ou beijando quem. Se todos os seres aprendessem a amar incondicionalmente, nós viveríamos em um mundo melhor.

O mais importante sobre a Slutwalk

Texto de Marjorie Rodrigues.

Logo após essa foto ser tirada, me ofereci para estrear no Blogueiras Feministas com um relato sobre a Marcha das Vadias (ou “slutwalk”, como gosto de chamar — não é porque ache inglês mais “chique”, não. É porque é mais curto, então é mais rápido de escrever).

Blogueiras feministas na Slutwalk São Paulo, 04/06/2011. Foto de Luka Franca.

Ao me sentar diante do computador, perguntando-me como começaria o texto, meu primeiro instinto era reclamar da repercussão que a manifestação teve nos principais portais de notícias.  Queria rebater, ponto por ponto, os comentários desinformados, ignorantes ou mesmo abertamente agressivos que vi na Folha, no UOL, no Terra, no Estadão e também nas redes sociais.

Meu primeiro desejo era expressar a minha indignação diante de gente que não considera estupro uma questão relevante o suficiente. Expressar a minha repulsa diante da falta de humanidade daqueles que não se compadecem das vítimas, dizendo: “se você se veste como vadia, depois não reclame”. Ora, que absurdo é esse de achar que alguém que tem seu corpo invadido, agredido, não pode falar nada?

Queria reforçar quão descabida é a idéia de que alguém deva “se dar o respeito” em vez desse respeito vir de graça pelo simples fato da pessoa ser… bem, uma pessoa. No meu mundo, todo ser humano merece ser tratado com respeito, independentemente de cor, origem, classe social, orientação sexual, indumentária, whatever. Trata-se as pessoas com educação, respeita-se o seu espaço. Ponto. Esses são meus princípios. Mas, pelo visto, para boa parte da população, às mulheres isso não se aplica. Elas precisam conquistar o respeito dos outros previamente. E como se faz isso? Reprimindo sua sexualidade. Tentando apagar de si traços que demonstrem que ela é um ser sexuado, dotado de desejo. Faz algum sentido? Nenhum. Para mim é tão óbvio que isso é opressivo — afinal, não somos eunucas. Não somos amebas. Somos seres humanos, temos tesão. A sociedade trata o corpo das mulheres como uma questão coletiva — todo mundo pode dar pitaco, dizer o que se pode e o que não se pode fazer com ele. Não lembro mais onde li essa frase, mas é bem por aí: se não fazemos nada, somos santinhas, sem sal, Sandys, caretas, cabaças, puritanas. Se fazemos alguma coisa, qualquer coisa, somos putas. Resumindo, a mulher não ganha nunca. Sua conduta sexual está sempre sob escrutínio público — e cada coisinha pode ser um escorregão. Mas, ei, sexualidade é coisa pessoal, privada. Se o corpo é nosso, cabe a nós, mais ninguém, decidir como, quando e com quem nosso tesão será descarregado. Ninguém tem nada com isso. Incrível que, em 2011, ainda tenhamos que lutar para dizer às pessoas que cuidem das suas vidas.

Outro dos meus primeiros instintos era falar, mais uma vez, às amigas que discordam do nome da marcha. Queria dizer que o termo “vadia” perde a carga pejorativa, na medida em que o propósito da manifestação é justamente tirar a validade da palavra. Não somos vadias porque não existem vadias. Não somos santas porque não existem santas. O que existe são mulheres diferentes, com maneiras as mais variadas de viver sua sexualidade. Saímos na rua para proclamar essa liberdade — e não para dizer que somos vis e não-dignas de respeito (que é o que a sociedade diz das vagabundas). Não estamos, de maneira nenhuma, assumindo para nós a carga pejorativa. Estamos é zombando dela. Afinal, se nem a santa nem a puta existem, então não faz a menor diferença chamar a marcha de “marcha das vadias” ou “marcha das santas”. Porque ambos os títulos são irônicos. Eu queria utilizar meu post de estreia para perguntar às meninas que discordaram do nome da marcha se elas pensariam o mesmo se o título fosse “marcha das santas”. E pedir para que fossem sinceras consigo mesmas, checando se a repulsa ao nome não é um reflexo já arraigado de querer se afastar da figura da puta, tão temida e indesejável. Eu queria dizer a essas meninas que, se o termo não corresponde à realidade, então podemos nos apropriar dele, brincar com ele, zombar dele. É claro que a zombaria não muda o fato de que a sociedade nos classifica entre santas e vadias. A opressão continua. Mas a resistência começa por aí.

Queria usar meu primeiro texto também para meter o pau naquele bocó do Danilo Gentili, que parece se fingir de desentendido, como se não soubesse que a liberdade de expressão não é, nunca foi nem pode ser ilimitada. “As pessoas têm que falar o que quiserem”, diz ele no site da Folha. Minha primeira vontade, diante da tela em branco, era dizer o óbvio: não, Danilo, nem você nem ninguém pode dizer tudo o que quiser. Calúnia, injúria, difamação, racismo, são apenas alguns exemplinhos do que não é permitido.  E não, uma piada não é só uma piada. Quem a diz, como diz, onde diz, quando diz, em que contexto, qual o status dessa pessoa na sociedade, quem são os ouvintes, tudo isso tem o poder de transformar o discurso. E, através das piadas, conhecemos como uma sociedade debocha de si mesma e das outras. Quem está em cima, quem está embaixo. Quais são os estereótipos vigentes. Muita coisa cabe em uma piada. Muita coisa cabe nas palavras. De modo que nenhum discurso, nenhuma frase, é inócua. Isso o Danilo devia saber, pois é formado em publicidade e propaganda. Meu primeiro instinto diante da tela em branco, portanto, era dizer: “Danilo, meu filho, pega seu diploma e rasga. Você não entende nada de comunicação!”. Ou: “ei, Danilo, liberdade de expressão é bacana, mas não te exime de responsabilidade no uso dessa liberdade. Se você trabalha na mídia, tem o poder de influenciar milhões de pessoas. Então é bom pensar bem antes de falar qualquer merda. Fazer piada de estupro por quê, para quê, a troco de quê? Não leva a nada. A piada do seu colega Rafinha só faz humilhar e agredir as vítimas de estupro, como se elas já não tivessem sofrido o suficiente. Se você e seus colegas fossem mais responsáveis com o que dizem, talvez você não tivesse dificuldade para encontrar patrocinadores para seu talk show. Talvez a passeata não terminasse na frente do seu bar.”

…Pensei em escrever tudo isso. Desenvolver tudo isso.

Mas aí percebi que não podia fazer dos ignorantes, dos machistas e dos ausentes o centro da questão. Porque as protagonistas somos nós. Nós que estivemos lá. Nós que marchamos. Nós que colamos nossos cartazes na porta do Comedians. O mais importante da Slutwalk não são eles  — somos nós.

Juntas, fizemos algo bonito. Erguemos nossa voz,  bradamos nosso orgulho e nossa indignação. Num mundo que coloca as mulheres para competir e implicar umas com as outras, nós fomos à rua juntas, dar uma bela demonstração de irmandade. Nos divertimos e fazemos política juntas. E, juntas, como se canta, “seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”.

Posso soar um pouco clichê, mas acho que de vez em quando é bom a gente lembrar. Do significado do que fizemos e do quanto ainda podemos fazer. Do exemplo que passamos a quem nos viu na rua e a quem ainda vai nos ver. A gente às vezes se deixa engolir pela repercussão negativa, pelos jornais que nos retratam como algo puramente “inusitado”, pelas outras mulheres que acham  que levam vantagem ao nos julgar (como se o tapinha nas costas que a sociedade lhes dá quando elas nos chamam de putas fosse eterno, absoluto —  e não constantemente revogável. A próxima Geisy pode ser você, querida!). E aí a gente se perde num ciclo de indignação e contestação, e não pára para respirar, sorrir e enxergar a beleza do ato empreendido. A beleza da resistência. Então a mensagem que eu gostaria de passar, nesse meu primeiro post aqui no Blogueiras Feministas (talvez esta seja a mensagem mais importante de todas as que a gente diz aqui, aliás) é essa: veja quão bonito é isso que a gente faz na(s) marcha(s), neste blog,  na lista de discussão, nos grupos de estudos, nas conversas cotidianas. Num mundo que nos força goela abaixo a ditadura da beleza, juntas respondemos produzindo uma das coisas mais bonitas do mundo.

Parabéns a nós todas.

[+] Eu sou vadia, beijos. Da Nessa Guedes

[+] Nem vadias, nem santas: livres. Da Bruna Provazi

[+] Slutwalk SP: um grito diversificado contra o machismo. Da Natalia Mendes

[+] Marcha das Vadias. Matéria online da Revista TPM com entrevistas de várias blogueiras feministas.

Datas das Próximas Marchas:

18/06 vai acontecer Marchas das Vadias em Belo HorizonteBrasília, Juiz de Fora e Recife

Rio de Janeiro ainda está fechando data.

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Marjorie Rodrigues escreve no blog Feminismo e Cultura Pop.