Preservativos para gays e heteros, e as lésbicas ficam onde?

Poucos sabem, mas sou aficcionada por animações, desde as do mainstream, portfólios e experimentais. Tanto que quando cheguei em São Paulo durante alguns anos me metia durante 4 dias em julho no Memorial da América Latina para assistir as sessões do Anima Mundi. Tanto que achei o tema deste post acompanhando o Smelly Cat, blog sobre animação.

Sim, pois foi lá que encontrei a animação Sexy Fingers, parte de uma campanha da Ong francesa AIDES com o principal mote de convocar as pessoas sexualmente ativas para fazer o exame de diagnóstico do HIV. Porém não foi exatamente esta campanha que me fez parar para escrever este post, na verdade foi uma série de outras animações sobre o uso da camisinha que também é de iniciativa da mesma Ong.

O primeiro vídeo desta campanha é de 2004 e é sobre um jovem rapaz gay:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QBqNrc_WDuE&w=480&h=390]

A idéia do vídeo é muito boa, porém não existe uma versão para lésbicas desta campanha, apenas para gays e héteros. Mostrando o quanto é necessário avançar nas discussões, formulações e políticas públicas de saúde para mulheres lésbicas, pois não há preservativos pensados para elas e muitas vezes , anos sem a realização de exames preventivos como o Papa Nicolau e afins.

As lésbicas geralmente se afastam do serviço de saúde por causa da discriminação durante o atendimento, já que os profissionais de saúde ainda não estão preparados para lidar com a sexualidade dessas mulheres. O grupo apresenta dificuldade em assumir a homo ou a bissexualidade para um médico, enfermeiro ou psicólogo. Muitas vezes, o próprio profissional deixa de considerar a diversidade sexual da paciente. (Ministério da Saúde)

A outra versão do vídeo é de 2005 e é sobre uma garota procurando o seu verdadeiro amor:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=UPTkujdOk3I&w=480&h=390]

Novamente é boa a idéia de uma garota sexualmente emancipada que determina a necessidade de usar camisinha com seus parceiros para poder dar prosseguimento ao relacionamento, mas ao mesmo tempo também fetichiza a relação monogâmica, como se não fosse necessário usar camisinha também nestes casos. Bom lembrar que o número de casos de AIDS tem aumentado entre as mulheres casadas.

Mas como disse, o único vídeo sobre a relação da mulher com uma camisinha é sendo hétero e ainda se casando no final e não acho casamento a morte, mas não acredito que todas as histórias de mulheres devam cair neste determinismo besta, você se apaixona, fica um tempão com a pessoa e aí se casa e fica mais uma eternidade. Em nenhum momento nós pensamos em como as lésbicas se protegem e se relacionam, o quanto a comunidade científica não avança de forma significativa para poder garantir a mulher se satisfazer sexualmente seja a forma que for e isto precisa ser pensado nas campanhas de saúde reprodutiva e sexual.

A iniciativa de campanhas como estas sem pudores de dizer que jovens, adultos e velhos trepam e gostam de trepar e precisam se proteger é importante, porém muitas vezes acabam caindo no senso comum da garota que quer casar e é só heterossexual, sem pensar realmente a integralidade da saúde da mulher e os diversos papéis assumidos por nós junta a sociedade e mistificando até mesmo as relações monogâmicas como perfeitas.

É nessas horas que percebemos a necessidade de concatenar os discursos sobre o que é integralidade da saúde da mulher, monogamia e o papel da mulher na sociedade de forma coesa e sem diminuir nenhuma das discussões como se fossem cerejas de bolo.

Vadias potiguares em Marcha!

Você já ouviu falar de Natal, a capital do estado do Rio Grande do Norte? Provavelmente já deve ter ouvido falar das suas belezas naturais, como a praia de Ponta Negra e o belíssimo Morro do Careca.

Imagem de © Camila Palhares de Melo

No sábado passado, dia 23/07, este cenário foi palco de um protesto que começou em Toronto no Canadá, a Marcha da Vadias.Mas porque muitas mulheres foram lá naquele dia e por quais coisas estão lutando? No blog do SlutwalkNatal achamos a resposta:

“Neste país, onde amargamos a cena de ter, a cada 12 segundos, uma mulher violentada. Onde menos de 10% dos casos julgados de estupro são punidos, justamente por que a vítima (a vadia da vez) é culpabilizada. São meninas, moças, idosas. São pobres, ricas e de classe média. São rostos já vividos ou olhos cheios de futuro.”

Imagem de © Gustavo Paterno

 Muitas mulheres são vítimas de estupro e este tipo de violência causa um grande sofrimento à mulher, que é obrigada a tomar um coquetel para prevenir uma possível contaminação pelo vírus da AIDS . Com certeza, as 62 vítimas no ano de 2010 e as 22 vítimas desse ano de estupro apenas em Natal não irão agradecer a seus agressores, nem acharão graça deste fato. Sim, a Marcha da Vadias tem por intuito protestar contra a cultura da banalização da violência feminina e a objetificação do corpo da mulher, lutando pelo direito da mulher ao seu corpo e que esta não seja inferiorizada pela sua roupa e julgada pelas suas escolhas na vida pessoal.

Iamgem de © Gustavo Paterno

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=5B__dqe7bt8&w=425&h=349]

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=7EQGZ4IiCaw&w=425&h=349]

Sabemos que muito ainda terá que ser feito para que as mulheres tenham a sua liberdade de escolha respeitada. A Marcha das Vadias é uma das muitas vozes que levantamos para exigir o respeito que nós mulheres merecemos de não sermos culpadas pela violência sexual que sofremos.

Blogagem Coletiva: Dia do Orgulho LGBT.

Em 28 de Junho de 1969, gays, lésbicas e travestis que estavam no bar Stonewall Inn em Nova York decidiram reagir à constante perseguição de policiais. Diariamente a polícia invadia clubes e casas que funcionavam de forma praticamente clandestina mas eram tradicionais pontos de encontro LGBT. As pessoas tomaram as ruas, tombaram e incendiaram carros, levantaram barricadas e transformaram o Stonewall Inn em “marco zero” da luta contra a homofobia.

Em 05 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal do Brasil reconhece por unanimidade a união estável homossexual. Muitos saíram às ruas para comemorar entre amigos, o reconhecimento dos direitos humanos que um parlamento retrógrado teima em negar.

Em 23 de junho de 2011, durante a Marcha para Jesus, o reporter Ricardo Galhardo do IG entrevistava pessoas quando Jovelina das Cruzes, evangélica, mostra a humanidade que falta a tantos religiosos:

“Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. “Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego.”

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. “Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja”. E Jovelina respondeu. “Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema.”

2° Marcha Contra Homofobia - maio/2011. Manifestantes em frente o STF. Foto de Roberto Jayme/UOL Notícias

Posts Participantes da Blogagem Coletiva:

28 de junho: reflexões sobre o toctoctoc do facismo em nossas portas, da Luka

Durante as décadas a história do 28 de junho acabou por se perder, apenas lembrada nos guetos dos guetos da política. Servindo de base para uma disputa contra o machismo e o femismo nas organizações anticapitalistas ou reformistas. É importante lembrarmos que esta data dialoga diretamente com a luta contra a criminalização dos movimentos sociais e o extermínio da juventude negra e pobre tão noticiado por aí.

A eterna parada dos sem noção, da Lola Escreva

Ao invés de competirmos numa espécie de Olimpíada da Opressão para ver quem sofre mais preconceito, temos mais é que nos unir. E mais: precisamos ter orgulho de estar na companhia de outras minorias igualmente aguerridas. Tod@s nós lutamos por um mundo melhor, livre de preconceitos.

A inacreditável Myrian Rios, do Imprença

Pois bem, eis que Myrian Rios, no auge de sua sabedoria e amor ao próximo {{é o que está na bíblia, ou não?!}} resolve demonstrar o motivo pelo qual ela é contra a PEC 23/2007 {{uma espécie de PL 122 do Rio, como diz o vídeo abaixo}} e, bem, saiu isso aqui:

A Nossa KKK, da Mari Moscou

Paralelamente talvez valesse a pena também encontrarmos um termo para aquelas pessoas que não necesariamente tem essa “fobia” gay mas que defendem que gays são inferiores e logo não devem ter os mesmos direitos que heterossexuais. Sexualismo? Heterossexualismo? Que tal? Estabelecer estas categorias similares talvez ajude as pessoas a entenderem a gravidade e a urgência do PLC122. Afinal de contas, se a própria constituição propõe direitos iguais a todos os cidadãos…

Basta estender a mão, da Karla Avanço

Em outras palavras, entre jovens e velhos, brancos e negros, homens e mulheres, cristãos e não cristãos, heterossexuais e homossexuais quem usufrui mais da tão aclamada igualdade? Por outro lado, quem corre mais riscos de perder seus direitos?

Com o microfone: dama Tiely Queen, da Bruna Provazi

Quem circula pelos rolês ativistas e culturais paulistanos com certeza já trombou com esses dreadlocks por aí. Figura conhecidíssima na capital paulista, a rapper Tiely Queen coordena o projeto HIP HOP MULHER, que completa responsáveis três anos de existência. Além de rapper, Tiely é atriz, cineasta, e já jogou muito futebol. Ela também é uma das curadoras do LesFest. Conversamos sobre o festival na feira da diversidade do 15º Mês do Orgulho LGBT.

Dia do Orgulho LGBT, da Barbara Araujo

Hoje é dia do orgulho LGBT e a escalada da homofobia no país e no mundo cresce como nunca. Mas, vejam, a resistência também cresce. Hoje é dia de orgulho porque estamos ocupando os espaços, estamos pautando discussões, já não queremos nem podemos nos esconder.

E se fosse o contrário, da Thayz Sardenta

Preconceito, pra mim, é ignorância pura. E se você é daqueles que não se dizem preconceituosos, mas não deixam a sexualidade do outro em paz, tenho uma novidade: isso é preconceito.

É tão mais fácil amar, da Borboleta nos Olhos

Com precisão ela apontou minha dor, meu choque e minha indignação com a onda moralista, cruel e violenta que tem nos sufocado a todos e, mais especificamente, às pessoas de orientação sexual não heteronormativa. É tão triste ver como as pessoas se encastelam e se defendem magoando, agredindo, diminuindo o Outro.

Eu sou gay e tenho orgulho disso, da Suely

É cada dia mais evidente a necessidade de uma lei que puna a homofobia e a discriminação contra a população LGBT. Certamente uma lei não vai conseguir acabar com o preconceito, mas as manifestações homofóbicas, os xingamentos, os crimes e todos os tipos de violência serão coibidos.

Amor não tem gênero, não tem sexualidade. Algo que ouvi muito durante minha infância, devido ao fato de ter crescido numa igreja evangélica, foi a frase “se Deus me fez assim, assim vou louvar”. Deus (pra quem acredita em Deus, diferente de mim), nos fez homo, bi, hetero ou seja o que for. Somos assim e não é algo que possamos lutar contra. É uma questão de aceitar sua própria felicidade ou decidir ser infeliz pra seguir um padrão que “vai te levar pro céu”.

Faz parte da defesa feminista de liberdade, há muito tempo, o questionamento à heterossexualidade obrigatória e o direito de viver de forma livre e autônoma nossa sexualidade.

Gay, pra mim, é sinônimo de amor, da Daniela Luciana

Minha família nuclear tem gays. Têm talento, competência, sociabilidade, garra, alegria. Ainda tem generosidade, inteligência, amor à família. O blog não daria conta das qualidades, saibam. Temos muito orgulho. Muito amor. Amb@s casad@s. Minha Mãe está na Europa e… para prestigiá-l@s… foi à Parada Gay.

Homofóbicos, o problema está em vocês, da Lia de Lua

Pior é que o preconceito se manifesta tão perto da gente, de formas cruzadas, por parte de pessoas queridas. Às vezes relevamos, porque nos recusamos a limitar essas pessoas a seus preconceitos.

Lésbicas e Bissexuais em Marcha, da Fuzarca Feminista indicação da Tica Moreno

a heterossexualidade obrigatória é reforçada como um dos pilares que sustenta a sociedade patriarcal e capitalista. A sexualidade continua sendo padronizada conforme os papeis ‘naturais’ de mulheres e homens, perseguindo e estigmatizando como “minoria” qualquer um/a que fuja desse padrão – seja por conta da sua sexualidade, sexo ou cor da pele.

Lésbicas Masculinas? da Zaíra Souminha

uma leitora questiona porque algumas mulheres lésbicas se vestem e se portam de forma “masculina”. E tentando responder aos questionamentos dela, acabei escrevendo longamente, e achei que seria interessante reproduzir aqui minha resposta a ela.

LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, da Tainá

Nós homossexuais temos os mesmos direitos que todos os seres humanos, afinal, tendo ou não esta orientação trabalhamos, estudamos, e fazemos o mesmo que todos os outros, não temos doença contagiosa, muito menos somos os culpados pelas doenças sexualmente transmissíveis.

Lost and delirious, da Emanuele

Because love is. It just is and nothing you can say can make it go away because it is the point of why we are here.

Não é só Fervo da Sara Joker

Temos o costume de acreditar que, se não passamos por bullying ou não somos expulsos de casa por causa da nossa orientação sexual, não há motivos para lutar, está tudo bem. Mas não é verdade, não é porque não passamos por preconceito que ele não existe e tudo é fervo e alegria.

Orgulho Gay, da Liliane Gusmão

Eu mudei por que deixei de me achar diferente, melhor do que os outros. Muitos amigos se descobriram homossexuais, e eu quando me descobri feminista entendi um pouco o sofrimento dessas pessoas.

Orgulho pela coragem de lutar, da Aisla Araújo

Já notaram como o machismo está intimamente ligado à homofobia, talvez por depreciarem tudo o que lembre uma mulher, e se um homem mostra um jeito, digamos, ‘feminino’ – já é a escória do mundo.

Porque você não precisa. (uma pequena contribuição ao 28 de junho), da Camilla de Magalhães Gomes

É difícil identificar o pior ou o mais desonesto dos argumentos usados pelos homofóbicos para atacar a luta LGBT ou para mascarar seu preconceito. Mas uma leitura só um pouco mais atenta desses discursos raivosos e infundados pode ajudar a identificar alguns tristes padrões.

Tenho Orgulho da LGBTTT, da Dani Montper

Até que tod@s sejam livres para viverem sua homossexualidade e/ou transexualidade com dignidade, eu apoiarei e terei orgulho da comunidade LGBTTT. E até depois disso também!

Uma “parada” de afirmações e contradições, de Tiago Costa

Muitas pessoas homossexuais já escondem seus sentimentos por medo da violência por parte da sociedade. Alguns apelidos como viado, bicha, baitola, sapatão já me soam como violência, mesmo na brincadeira. Os corpos de homossexuais são frequentemente passíveis a essa violência, que vai desde o toque não consentido das genitais até os casos extremos de estupro!

Viver a Diversidade, da Clara Guimarães

Não interessa que você não entende, porque é diferente, tente se solidarizar com o outro, amor é amor, beijo é beijo, não interessa quem está amando ou beijando quem. Se todos os seres aprendessem a amar incondicionalmente, nós viveríamos em um mundo melhor.