Maquiagem X Rosto Natural

Texto de Jennifer Frank para as Blogueiras Feministas.

Apesar de conhecer pouco sobre o universo da maquiagem, e quando digo pouco me refiro desde técnicas, tipos de produtos e tudo o que possa estar envolvido, sempre usei o básico – o que para mim é pó facial e algo que dê cor ao meu rosto, no caso batom. Claro que cada um julga o que é básico para si, mas de acordo com pesquisas, um kit básico contém corretivo, base, pó, sombra marrom, lápis preto ou marrom, rímel, blush, dois tons de batom e demaquilante. Olhando o catálogo de produtos com preços populares das marcas mais famosas, o básico custa em média R$185,20.

Nunca gastei dinheiro com tantos produtos nem para esconder espinhas, olheiras ou disfarçar a cara de sono. Minhas compras acontecem em tempos bem esporádicos, pois uso maquiagem em pouquíssimos casos, mais por questão pessoal de autoestima, que nestes momentos me faz sentir bem.

Apesar disso, não tenho problema em sair de cara limpa e que as pessoas me vejam assim (é bem provável que me encontrem dessa maneira). Muita gente se maquia totalmente por conta destes receios ou simplesmente porque gosta, o que não é problema gostar de maquiagem só para quebrar estigmas. O importante é sentir-se bem com ou sem maquiagem. Embora este comércio faça com que seja seguido um padrão de rosto julgado como perfeito: sem espinhas, sem cravos, sem olheiras, sem sardas e sem tudo o que for possível esconder ou no mínimo, disfarçar.

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Como a “Má Medicina” descarta e diagnostica incorretamente os sintomas das mulheres

Texto de Terry Gross. Publicado originalmente com o título: How ‘Bad Medicine’ Dismisses And Misdiagnoses Women’s Symptoms, no site National Public Radio em 27/03/2018. Tradução de Carina Santos para as Blogueiras Feministas.

Quando a jornalista Maya Dusenbery estava com 20 anos, ela começou a sentir dores progressivas nas articulações e acabou aprendendo que elas eram causadas pela artrite reumatóide.

A medida que ela começou a pesquisar por conta própria sua doença, Dusenbery percebeu como teve sorte em receber seu diagnóstico de forma relativamente fácil. Ela conta que outras mulheres com sintomas similares “sofreram uma longa demora no diagnóstico e sentiram… que seus sintomas não foram levados a sério”.

Dusenbery mostra que essas experiências estão incluídas em um grande padrão do viés de gênero na medicina. Seu novo livro, Doing Harm (Fazendo Mal, em tradução livre ainda sem título em português), argumenta que os sintomas das mulheres são frequentemente descartados ou diagnosticados incorretamente — em parte pelo que ela chama de “viés sistêmico e inconsciente que está enraizado … no qual os médicos, independente de seu próprio gênero, estão aprendendo nos cursos de medicina”.

“Eu definitivamente acredito que o fato da medicina ter sido histórica e continuamente dirigida por homens seja a fonte de alguns desses problemas”, ela diz. “O conhecimento da medicina que temos é desproporcionalmente inclinado a saber mais sobre os corpos dos homens e as condições que os afetam”.

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E se o aborto fosse legalizado no Brasil?

Aborto. Atualmente, um dos temas mais controversos e difíceis de debater no Brasil, falar de aborto está se tornando um tabu cada vez maior. E, quantos menos informações tivermos, mais mulheres irão morrer. Recentemente, Portugal e Uruguai legalizaram a interrupção voluntária da gravidez e os resultados podem nos mostrar caminhos para o Brasil. Diferentemente do que se propaga, o aborto salva vidas. Principalmente vidas de mulheres.

Sabemos que homens trans e qualquer pessoa com útero também podem engravidar. Porém, nesse texto falaremos especificamente de mulheres cis porque também queremos focar no controle social da sexualidade dessas mulheres.

Além de salvar a vida de muitas mulheres, o que podemos ter com a legalização do aborto no Brasil são:

– Números reais de abortos no Brasil. Com dados concretos é possível identificar as principais causas para se fazer um aborto e o que pode ser feito para melhorar essas situações. Isso leva a redução do número de abortos;

– Planejamento familiar e políticas de acesso a informação e contraceptivos. Podendo ir ao serviço de saúde sem medo, as pessoas podem ter mais acesso a formas de prevenir uma gravidez e também poderão falar sobre isso abertamente com outras pessoas;

– O fim de clínicas clandestinas que colocam em risco a vida de muitas mulheres e lucram sem nenhuma fiscalização;

– Uma maternidade mais consciente, baseada em escolhas autônomas. Quando as mulheres tem a possibilidade real de escolher serem mães ou não, essa decisão pode vislumbrar as responsabilidades de uma forma mais ampla;

– Reconhecimento das mulheres como cidadãs plenas, capazes de tomar decisões que impactam diretamente suas vidas.

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