Representatividade da mulher negra no mercado de trabalho

Texto de Luana Maria de Lima Oliveira para as Blogueiras Feministas.

É difícil ser pessoa negra numa sociedade racista,

É difícil ser mulher numa sociedade machista,

É quase impossível ser mulher negra num mundo do trabalho machista e racista.

Referência: Apesar de ser negra... o tributo pago pela mulher negra ao mercado de trabalho.

Antes de discutir o assunto, gostaria de contar um pouco da minha história que irá refletir o meu interesse sobre a tal representatividade da mulher negra no mercado de trabalho.

Eu me formei em direito no ano de 2015 numa turma de 35 pessoas, dentre as quais, 4 alunos negros. Passei toda a minha graduação sem realizar discussões sobre a questão racial ou igualdade de gênero, mesmo tendo uma grade curricular que continha matérias como direitos humanos, direitos sociais, direitos difusos e coletivos, etc. Ou seja, minha faculdade estava bem mais preocupada em incluir seus alunos no mercado de trabalho.

O impacto foi ainda pior quando comecei a estagiar em escritórios de advocacia e a representatividade era zero. Eu não conhecia advogados negros, eu era a única estagiária negra e atuei nessa época na área corporativa, ou seja, por várias vezes me perguntava se havia feito a escolha certa.

Eu não me via naqueles espaços, principalmente quando ia ao escritório com turbantes, tranças ou assumia meu black power. Era responsável por olhares ou comentários, por várias vezes me senti sozinha durante esses 5 anos de graduação.

Quando me formei, escutei que não tinha cara de advogada, mas minha “colega” branca ao lado tinha, deixei de usar meus turbantes, mudei minhas roupas para “tentar” ser mais corporativa, mas claro que isso passou longe de ser uma solução. Ai, eu me perguntei: O que é “cara” de advogada?

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Mulheres e quadrinhos: 2º Encontro Lady’s Comics

Desde 2010, o coletivo Lady’s Comics promove as mulheres nos quadrinhos. Não apenas personagens femininas, mas muitas mulheres que produzem na área.

Em 2014, organizaram por meio de financiamento coletivo seu primeiro encontro nacional com o tema: transgredindo a representação feminina nos quadrinhos. Em 2015, criaram o Banco de Mulheres Quadrinistas, o BAMQ!. Um espaço online que permite o cadastro de artistas, compondo um banco de dados. Por meio do BAMQ! é possível pesquisar de acordo com função, nome da artista, assinatura, cidade e estado. O projeto contempla não só quadrinistas, mas toda as artistas que trabalham na área: arte-finalistas, chargistas, coloristas, letristas e roteiristas.

Agora, elas partem para encontrar um público mais amplo, com apoio do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, no 2° Encontro Lady’s Comics. Porém, o objetivo continua, criar material e memória que se aprofunde na questão do gênero nos quadrinhos, bem como a representação feminina e o atual mercado para as mulheres que trabalham na área.

Para saber mais, batemos um papo com duas das Lady’s Comics: Mariamma Fonseca e Samara Horta.

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Trabalhadoras e Trabalhadores sexuais em Luta

Texto de Monique Prada. 

No marco deste dia 1° de maio nós, trabalhadoras e trabalhadores sexuais vinculados à CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais do Brasil saudamos a todas as trabalhadoras e trabalhadores do planeta, e conclamamos a que se juntem a nós na luta pelo reconhecimento de nosso trabalho como trabalho digno e possível, na luta pela descriminalização, legalização e regulamentação de nosso trabalho em todo o mundo e na importante e incessante luta contra o estigma, violência e preconceito que nos atingem, assim como atingem também às nossas famílias e amigas/os.

Nos somamos ainda à luta de todas as trabalhadoras brasileiras e brasileiros pela democracia, contra o golpe e contra todo o tipo de retrocesso.

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Logo da CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais.

Aqui nos posicionamos contra, veementemente contra, o PL 377/11, de autoria do deputado federal João Campos, do PSDB de Goiânia, que prevê a criminalização da contratação de serviços sexuais, em modelo similar ao adotado pela Suécia em 1999 e pela Noruega e França mais recentemente. Paira sobre nossas cabeças a sombra do conservadorismo, que nos empurra mais e mais para a clandestinidade, nos expondo a violências e à segregação.

Apoiamos o PL 4211/2012, de autoria do deputado federal Jean Wyllis em parceria com a Rede Brasileira de Prostitutas. Embora nós da CUTS tenhamos algumas ressalvas quanto a ele, compreendemos que a melhor postura no momento é a de apoiá-lo e lutar por sua aprovação. APOIAMOS O PL GABRIELA LEITE.

Sem mais, desejamos a todos um excelente 1º de maio de lutas e reflexão, como se exige no momento turbulento que estamos vivendo em nosso país.

Autora

Monique Prada é ativista incansável pelo direitos das putas e nos horas vagas também é diva. É presidenta da CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais. Esse texto foi publicado em seu perfil pessoal do Facebook em 01/05/2016.