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	<title>Blogueiras Feministas &#124; Blogueiras Feministas</title>
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	<description>De olho na web e no mundo.</description>
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		<title>A mulher que aborta</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 04:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[direitos reprodutivos]]></category>
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		<description><![CDATA[Quem é a mulher que aborta? A mulher que aborta pode estar sentada ao seu lado no ônibus. Ela pode ser sua mãe, sua esposa, sua irmã, ou a colega da faculdade. De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto feita pela Universidade de Brasília em 2010, a mulher que aborta é &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quem é a mulher que aborta?</strong></p>
<p>A mulher que aborta pode estar sentada ao seu lado no ônibus. Ela pode ser sua mãe, sua esposa, sua irmã, ou a colega da faculdade. De acordo com a <a href="http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=66085" target="_blank">Pesquisa Nacional de Aborto</a> feita pela Universidade de Brasília em 2010, a mulher que aborta é casada, tem filhos, religião, pertence a todas as classes sociais e costuma carregar sozinha o peso de sua decisão. Tratada pela lei como uma criminosa, sempre foi apontada pela moral e pelos bons costumes como uma mulher desonrada e sem sentimentos. Uma pária. Porém, essa mulher está muito mais próxima de você e de mim. De acordo com a pesquisa, uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já realizou ao menos um aborto na vida, o equivalente a uma multidão de 5 milhões de mulheres. Elas merecem ir para a cadeia? Criminalizar o aborto resolve? <a href="http://www.youtube.com/watch?v=_GDsuSk1vdA" target="_blank">Vai pensando aí</a>.</p>
<div id="attachment_9591" class="wp-caption alignright" style="width: 360px"><a href="http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3404"><img class="size-full wp-image-9591" title="perfil_mulher_aborto" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/perfil_mulher_aborto.jpg" alt="" width="350" height="713" /></a><p class="wp-caption-text">Marcelo/Agência UnB</p></div>
<p>Keila Rodrigues é uma dessas mulheres. Alega ser usuária de drogas e mãe de duas crianças criadas pela avó. Ontem, foi noticiado que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reformou a sentença da Justiça de Rio Preto e determinou que a ré <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/tj-sp-decide-que-mulher-vai-a-juri-popular-devido-a-aborto.html" target="_blank">Keila Rodrigues seja julgada pelo Tribunal do Júri pelo crime de aborto</a>, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.</p>
<p><strong>A hipocrisia da desigualdade</strong></p>
<p>Num país em que o aborto é ilegal, Keila procurou o auxílio de uma colega para interromper uma gravidez indesejada. Tomou a decisão de colocar sua vida em risco, porque sabia que essa gravidez não lhe faria bem, nem a ela e nem ao bebê. O médico ginecologista Daniel Jarreta Coelho poderia ter alegado sigilo médico, mas confirmou o atendimento da ré em trabalho de parto, e que ela relatou a utilização de dois comprimidos do medicamento abortivo.</p>
<p>No Brasil, a gravidez é compulsória. O aborto é permitido em casos de fetos anencéfalos, risco de vida para gestante e estupro. Fora isso, todos os anos várias mulheres são obrigadas a levar adiante uma gravidez que não as faz feliz e que gera diversas consequências físicas e psicológicas. Minto. Apenas as mulheres pobres são obrigadas a isso. Especialmente as negras.</p>
<p>Keila não tem advogado. Apenas quando a data do juri for marcada pela Justiça um defensor dativo será nomeado. As mulheres pobres, negras e jovens, do campo e da periferia das cidades, são as que mais sofrem com a criminalização. São estas que recorrem a clínicas clandestinas e a outros meios precários e inseguros, uma vez que não podem pagar pelo serviço clandestino na rede privada, que cobra altíssimos preços, nem podem viajar a países onde o aborto é legalizado.</p>
<p>A maior hipocrisia que existe no Brasil em relação ao aborto é o fato de que mulheres que tem dinheiro podem realizar o procedimento com segurança e apoio. <a href="http://www.abortoemdebate.com.br/wordpress/?p=2835" target="_blank">Argentina</a> e <a href="http://www.abortoemdebate.com.br/wordpress/?p=3018" target="_blank">Uruguai</a> estão com propostas de legalização do aborto em seus órgãos legislativos. Se uma delas for aprovada, a salvação de várias brasileiras poderá estar em uma promoção de passagem aérea. Clínicas clandestinas brasileiras perderão muito dinheiro com isso. Quem ganha com a criminalização do aborto? A criminalização não evita o aborto, apenas força as mulheres a realizá-lo na clandestinidade. Uma mulher que decide colocar sua vida em risco, por meio de um procedimento abortivo inseguro, tem muita certeza de que não quer estar grávida, muito menos passar nove meses gestando.</p>
<p>Num país em que o aborto é ilegal e mata milhares de mulheres todos os anos em procedimentos inseguros, Keila foi absolvida de maneira sumária pela Justiça de Rio Preto. Porém, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram discordar dessa decisão, porque Keila não comprovou, de modo cabal, a necessidade de tirar a vida do feto que trazia no ventre. A vida de um feto em formação vale mais que a vida de uma mulher adulta chamada Keila Rodrigues? Acredito que não.</p>
<p>Todos somos a favor da vida humana, mas sabemos que há uma grande diferença entre uma vida em potencial e a vida de uma pessoa adulta. O valor da vida não está acima de qualquer circunstância. Como Keila pode confiar na justiça humana se não confiam nas suas decisões sobre sua vida e seu corpo? Como a vida de um feto pode estar acima da vida de uma mulher adulta, se o feto só existe por causa do corpo de Kenia? Os <a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=8786" target="_blank">abortos acontecem e acontecerão</a>, com ou sem a criminalização, pois nenhuma lei conseguirá constranger uma mulher a ter um filho contra sua vontade.</p>
<div id="attachment_9593" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150630327571288&amp;set=p.10150630327571288&amp;type=1&amp;theater"><img class="size-full wp-image-9593" title="aborto_estado" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/aborto_estado.jpg" alt="" width="460" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Ale Muñoz no facebook.</p></div>
<p><strong>Legalização do aborto e políticas públicas</strong></p>
<p>Quando o aborto não é legalizado milhares de mulheres colocam suas vidas em risco porque sabem que não terão uma gravidez, mas sim um calvário. Alguns alegam que são apenas nove meses. Tente passar nove meses grávido. Pegue ônibus lotados com pés inchados, hormônios enlouquecidos e uma barriga alterando seu equilíbrio. Após o parto, lide com as dores nos seios que empedram devido ao leite. Encare as consequências psicológicas de uma gravidez indesejada, sem afeto e alegria.</p>
<p>Muitas pessoas argumentam que a mulher não pode abortar porque deve assumir a responsabilidade por ter feito sexo. Porém, é uma grande responsabilidade assumir para si mesma que, nesse momento, ela não quer ter um filho. Assumir a incapacidade de gestar, amar e cuidar de uma criança é uma decisão importantíssima. Quantas mulheres abortaram e depois tiveram filhos, os quais puderam dar atenção e carinho porque estavam em outro momento.</p>
<p>Aqui reside uma questão fundamental: mulheres que tem certeza de sua decisão ao fazer um aborto, tem menos chances de carregar ressentimentos ou traumas. Uma decisão consciente acarreta consequências, quando estamos cientes e temos apoio sabemos lidar com elas. Quantas mulheres pensaram em abortar, desistiram e hoje são mães felizes. Há várias, e é ótimo que não tenham tomado uma atitude da qual não estavam seguras.</p>
<p>Legalizar o aborto significa dar as mulheres a opção clara de uma escolha segura. Não ter que se preocupar em ser presa e ir à júri popular ajuda muito nesses momentos. Com opções seguras, gratuitas e acessíveis, as mulheres podem refletir sobre o que desejam para suas vidas.</p>
<p>Legalizar o aborto também significa promover melhores políticas públicas de prevenção da gravidez indesejada. Os <a href="http://oglobo.globo.com/pais/ministro-da-saude-contesta-dados-da-onu-sobre-abortos-no-brasil-4019839" target="_blank">números de abortos que temos atualmente no Brasil são questionáveis</a>, porque são baseados na quantidade de curetagens realizadas por hospitais. Sabemos que muitas mulheres abortam no Brasil, porque essa é uma situação cotidiana, desde as garrafadas de ervas vendidas nas feiras populares, passando pela venda ilegal de medicamentos no mercado negro, até procedimentos que não entram nos prontuários de clínicas respeitadas das grandes capitais. Onde há mulheres, há abortos, porque até médicas ginecologistas engravidam sem desejar. Com a legalização do aborto é possível diminuir o número de abortos, porque a questão vai deixar de ser um tabu e os órgãos de saúde terão informações plenas sobre a situação do aborto no país.</p>
<p>A partir da legalização do aborto é possível ter números reais, além de saber as razões pelas quais as mulheres abortam. Por meio desses dados pode-se decobrir problemas pontuais em locais ou grupos específicos, que estejam fazendo com que muitas mulheres optem pelo aborto como: falhas na distribuição de métodos contraceptivos, pouca informação sobre prevenção, atendimento precário, desemprego, enfraquecimento da economia, idade, carência de iniciativas educacionais e assistenciais do poder público para auxiliar gestantes, exiguidade de perspectivas futuras, entre outros. Acredito que qualquer proposta séria de legalização do aborto feita atualmente tem como principais pilares: a educação sexual, o planejamento familiar e a distribuição gratuita de métodos contraceptivos. O aborto legal é para não morrer. Porque não somos máquinas, somos humanos e toda prevenção pode falhar.</p>
<p><strong>Gravidez não pode ser punição</strong></p>
<p>As mulheres não devem ser obrigadas a serem mães, muito menos punidas por fazerem sexo por prazer. Há quem diz: &#8220;abriu as pernas para dar, mas não quer abrir as pernas para parir&#8221;. Gravidez não pode ser punição para a mulher que faz sexo.</p>
<p>Não importa se a maioria do país é contra ou a favor do aborto, não somos uma maiocracia. A questão principal é: há mulheres morrendo em decorrência de abortos inseguros e nenhuma mulher deve morrer por isso. Assim como nenhuma mulher deve ser presa por isso. A gravidez é algo que diz respeito a a vida e ao corpo de quem tem um útero. E antes que alguém venha dizer que a mulher não fez o filho sozinha e que o homem também tem que decidir, aviso logo: enquanto não for possível para um feto viver fora de um útero, você não poderá obrigar ninguém a ser uma chocadeira apenas porque quer um filho.</p>
<p>Keila Rodrigues é uma mulher que aborta e que está sentindo a ira de uma sociedade que vira as costas para as mulheres pobres como ela. Muitos dizem: &#8220;a minha filha fez um aborto, mas ela é limpinha e inteligente, essas faveladas aí vão fazer toda semana&#8221;. A criminalização só existe para quem não está no topo da pirâmide social. A criminalização só beneficia quem quer a morte das mulheres.</p>
<p>Precisamos reestabelecer amplamente o debate do aborto no Brasil. Não como uma <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/claramente-a-favor-do-aborto/" target="_blank">chantagem</a>, como vem fazendo os setores religiosos e conservadores do legislativo brasileiro, mas como uma questão de saúde pública e de <a href="http://www.conjur.com.br/2012-abr-17/direito-mulher-nao-utero-disposicao-sociedade" target="_blank">respeito</a> pela plenitude dos direitos reprodutivos das mulheres dentro de um estado laico. Pelo direito de não ser um útero a disposição da sociedade, mas de ser uma pessoa plena, com liberdade de ser, pensar e escolher.</p>
<p>Todo o nosso apoio a Keila Rodrigues.</p>
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		<title>Para vermos além da ponta do iceberg</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 17:26:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Como a maioria das pessoas que passam por aqui sabem eu gosto de falar do protagonismo das mulheres nas lutas sociais. Mulheres em marcha, greves, ocupações, confrontando o estado, o machismo e o capitalismo. E desde o começo do ano tenho acompanhado um pouco mais do fantástico mundo sindical, muito &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Como a maioria das pessoas que passam por aqui sabem eu gosto de falar do protagonismo das mulheres nas lutas sociais. Mulheres em marcha, greves, ocupações, confrontando o estado, o machismo e o capitalismo. E desde o começo do ano tenho acompanhado um pouco mais do fantástico mundo sindical, muito por essa vontade que tenho de compreender o que é <a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/05/classe-trabalhadora-tem-raca-e-genero/" target="_blank">o mundo do trabalho e a classe trabalhadora</a>, é por este motivo que acompanho movimento popular e agora acompanho de longe e com os olhos brilhando o movimento sindical.</p>
<div id="attachment_9573" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.albertomesquita.net/am/Grafittis/arles_gallery/imagepages/image23.html"><img class="size-medium wp-image-9573" title="homem_feminista" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/homem_feminista-300x179.jpg" alt="" width="300" height="179" /></a><p class="wp-caption-text">Grafite feito em Coimbra. Imagem de Alberto Mesquita.</p></div>
<p style="text-align: left;">Durante estas novas andanças políticas e militantes acabei por me confrontar com uma realidade difícil, o fato inexorável do machismo e o racismo serem tão arraigados na construção da nossa sociedade que saem da boca até de camaradas de luta alguns senso comuns reificantes que dá vontade de sentar no meio fio e chorar de desgosto. Mas tenho aprendido algo também neste novo mundo, o que adaptar (não quer dizer recuar o discurso) a realidade das pessoas para poder dialogar e comunicar é fundamental.</p>
<p style="text-align: left;">Falo isso por que a máxima de que feminismo está diretamente relacionado a misandria e ao sexismo é muito presente no senso comum militante, as vezes criando até mesmo tabus para o debate necessário sobre o combate ao machismo e ao racismo em nossa sociedade concomitante a construção de uma mudança social profunda (ao meu ver a Revolução Socialista). Muito bem, feminismo não é misandria, porém parte de uma análise de realidade social construídas através dos séculos: o homem ocupa o espaço público e a mulher ocupa o espaço privado, desdobrando assim na própria divisão sexual do trabalho.</p>
<p style="text-align: left;">Normalmente acabamos por ignorar que a divisão sexual do trabalho e a divisão social do trabalho são engrenagens de um mesmo sistema e acabam por funcionar de forma coesa. É por este motivo que para mim um homem da classe trabalhadora e de esquerda é também meu companheiro, mesmo partilhando muitas vezes do senso comum machista da sociedade.</p>
<p style="text-align: left;">O fato de homens e mulheres serem alvo de exploração e expropriação não quer dizer que sejam iguais em sua opressão. Na verdade se formos observar atentamente por onde começam os ataques aos direitos da classe trabalhadora constataremos que começam pelos postos de trabalho femininos.</p>
<blockquote><p>A grande participação política das brasileiras tem-se dado nos movimentos sociais: associações de mães, movimento contra a carestia, luta por creches, movimento feminino pela anistia etc. Convém lembrar que o espaço de luta destes movimentos não é o da política institucional. Isto é, estes movimentos ocorrem fora do espaço parlamentar, fora do espaço dos partidos políticos. Trata-se de lutas travadas em torno de certas reivindicações que seus militantes esperam ver atendidas pelo poder municipal, estadual ou federal; ou ainda pelo empresário privado. (SAFIOTTI, Heleieth. O poder do macho, 1991. pág 48)</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">A questão é que durante décadas as nossas pautas foram secundarizadas junto ao espectro político, vistas como a cereja do bolo e isto foi incorporado ao senso comum inclusive da esquerda brasileira e de seus militantes homens. Até por que continua arraigada ao senso comum que o trabalho reprodutivo não é trabalho.</p>
<p style="text-align: left;">Talvez de todas as nossas tarefas esta seja uma das mais árduas, a de disputarmos a consciência dos camaradas homens. Pois não é raro nos depararmos com caso de machismo nos espaços de militância e ouvirmos o quanto tais ações são naturais entre homens e mulheres, desconstruir o senso comum, politizar e colocar o debate feminista e antirracista como um dos eixos basilares de um programa de mudança social profunda do país é um grande caminho das pedras. Até por que para avançar nesta tarefa é importante romper com uma arcaica concepção de que mulher só debate assuntos de mulher, ora, se somos maioria da classe trabalhadora então todos os assuntos são assuntos de mulher e necessitam ter o recorte de gênero. Pior, se a maioria da classe é mulher negra então os debates necessariamente precisam localizar estas duas categorias sociais também.</p>
<p style="text-align: left;">Digo isso por que parte por exemplo da campanha deste ano da &#8220;Marcha das Vadias do DF&#8221; tenta cumprir parte desta tarefa, incorporando os homens aos debates feministas, colocando que esta luta também é deles, pois só haverá emancipação real na sociedade quando houver a destruição da opressão de classe, gênero e raça. Égua! É tão difícil de compreender isso e colocar em prática?</p>
<p style="text-align: left;">Por fim, depende de nós disputar os homens também para o combate a uma sociedade patriarcal e machista, pois concretamente quando a água bate na bunda dos homens é por que já nos afogou há bastante tempo. Agora a questão é: Quais mecanismos nós feministas desenvolvemos para disputar a consciência dos homens para que eles compreendam que nossas pautas não são a cereja do bolo, mas parte importante da massa deste bolo?</p>
<p style="text-align: left;">Eu gostaria muito de ter respostas prontas para este &#8220;o que fazer?&#8221;, mas não tenho, tenho reflexões, preocupações, erros e alguns acertos ao debater com meus companheiros de luta. Porém uma certeza eu tenho, não é fingindo não existir machismo e racismo entre a esquerda que iremos avançar na luta da classe trabalhadora, talvez ao jogar a contradição dessa sociedade no colo dos nossos camaradas algo comece a mudar.</p>
<p style="text-align: left;">Sabe como é, mais fácil mudar e disputar a consciência de alguém que já se pretende a questionar e mudar o mundo do que de alguém que pretende conservar as coisas como estão.</p>
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		<title>Erin Brockovich</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tássia Hallais</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Lançado em 2000. o filme Erin Brockovich (que no Brasil recebeu o subtítulo “Uma mulher de talento”) havia passado em brancas nuvens para mim. Acho que nunca tinha reparado no seu potencial. Gostei tanto que me animei a escrever um texto aqui para indicá-lo. Erin Brockovich é, sem dúvidas, um filme &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lançado em 2000. o filme <a href="http://www.imdb.com/title/tt0195685/" target="_blank">Erin Brockovich</a> (que no Brasil recebeu o subtítulo “Uma mulher de talento”) havia passado em brancas nuvens para mim. Acho que nunca tinha reparado no seu potencial. Gostei tanto que me animei a escrever um texto aqui para indicá-lo.</p>
<p>Erin Brockovich é, sem dúvidas, um filme que retrata a protagonista com dignidade e respeito, coisa rara nas produções cinematográficas, que na maioria das vezes mostram mulheres em papéis secundários ou como protagonistas cujo único sentido na vida é encontrar o verdadeiro amor.</p>
<p>Para quem não quer saber nada sobre a história do filme, alerto que a partir daqui o texto contém informações sobre a trama, que podem ser considerados como spoilers&#8230;</p>
<p>O filme é baseado na história real de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Erin_Brockovich" target="_blank">Erin Brockovich</a>, uma mulher que cria sozinha os três filhos pequenos de dois casamentos desfeitos e, trabalha como arquivista num pequeno escritório de advocacia. Por conta de sua função, acaba caindo em suas mãos papeis da tentativa de compra de um imóvel pela empresa PG&amp;E. Erin começa a investigar as circunstâncias dessa proposta. Descobre que a multinacional poluiu a água de uma cidade e que seus moradores estão sofrendo com diversos problemas de saúde resultantes da ingestão e exposição a substância cromo-6.</p>
<div id="attachment_9562" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0195685/"><img class="size-full wp-image-9562" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/erin-brockovich-original.jpg" alt="" width="500" height="281" /></a><p class="wp-caption-text">Cena do Filme Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (2000)</p></div>
<p>É aí que a trama ganha fôlego e somos apresentados a uma mulher inteligente e eficiente, que consegue ganhar a confiança desses moradores e convencer o patrão de que tinham um bom caso nas mãos. Mesmo sem formação em Direito, Erin se mostra imprescindível para a resolução do caso.</p>
<p>O que mais gostei no filme é que a personagem em momento algum muda seu modo de ser, falar ou vestir para se adequar ao ambiente jurídico. Ela não aceita ser passada para trás, bate de frente com o chefe, exige aumento, direitos trabalhistas e participação no valor da causa. Acaba conquistando o respeito de seu patrão, que no começo a via com ressalvas por conta de ser bonita, jovem e sem formação em Direito.</p>
<p>No lado pessoal, o filme mostra uma mulher que precisa trabalhar fora e que tem que enfrentar as cobranças por atenção dos filhos e do novo companheiro. Aliás, essa relação dela com o namorado é ótima para discutirmos os papeis de gênero, pois na trama é ele quem fica em casa cuidando das crianças enquanto ela trabalha fora. Quando a carga de trabalho dela fica muito grande, ele a coloca contra a parede querendo que largue o emprego para dar atenção a ele e aos filhos. A resposta de Erin é não. Cabe a ele decidir se a ama como é, pois ela não vai abandonar sua vida profissional por conta de um casamento.</p>
<p>Dirigido por Steven Soderbergh e vencedor do Oscar de melhor atriz pela atuação de Julia Roberts, Erin Brockovich é um filme que merece ser conferido por quem quer ver uma mulher comum sendo retrata de forma digna e coerente.</p>
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		<title>Enquanto Pedro não puder ser Pedro&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 04:31:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Caetano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Pedro acabara de sair de uma balada. Podia ainda sentir seu corpo badalar, provável efeito das duas cervejas e da vodca que tomou naquela noite. Aliás, que noite! Encontrou alguns amigos, dançou, beijou. Aquele garoto ficou a olhá-lo por cerca de 10 minutos, sem parar. Percebeu logo no começo, mas, &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro acabara de sair de uma balada. Podia ainda sentir seu corpo badalar, provável efeito das duas cervejas e da vodca que tomou naquela noite. Aliás, que noite! Encontrou alguns amigos, dançou, beijou.</p>
<p>Aquele garoto ficou a olhá-lo por cerca de 10 minutos, sem parar. Percebeu logo no começo, mas, por algum tempo, ainda tentou desviar o olhar, fingir que não via. Estava com todos os seus amigos, todos heterossexuais; Melissa também estava lá. Ela olhava para Pedro sempre dando a entender como gostaria de estar com ele, como queria se entregar, como o desejava. O jovem garoto percebia, havia percebido há algumas semanas. Tinha sempre uma desculpa, conseguia sempre se esquivar, mas, naquela noite, ela estava realmente deixando mais claro do que nunca que queria ficar com ele.</p>
<p>Pedro não queria; ele, definitivamente, não queria ficar com Melissa. Não que ela fosse feia, desagradável ou possuísse qualquer característica que realmente o incomodasse. O fato é que ela era uma mulher e isso bastava para que o jovem não sentisse atração por ela. Estava cansado de pegar uma, duas, três garotas na balada só para que seus amigos não desconfiassem de nada, só para não deixar que seus pais pensassem em retomar aquelas conversas, sobre como tudo era passageiro, só uma fase, coisas da juventude. Aquilo logo passaria e ele perceberia que, como o mais velhos de 4 filhos, era um verdadeiro varão, constituiria uma família dentro dos padrões morais e daria os netos que eles sempre esperaram.</p>
<p>Pedro sabia que não era uma fase, que não ia passar. Há muito ele já entendera os sinais de seu corpo e de sua mente: como sua nuca se arrepiava quando um amigo fazia, ainda que acidentalmente, suas pernas se encostarem; como ele não sentia o menor tesão em ver um corpo nu de mulher; como eram bons aqueles sonhos em que se via entregue há um outro homem. Ele sabia, fazia bastante tempo que sabia, só nunca soube como dizer a alguém.</p>
<div id="attachment_9554" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/cdhcamara/4627063218/"><img class="size-full wp-image-9554" title="marcha_homofobia1" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/marcha_homofobia1.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">I Marcha Nacional Contra a Homofobia em 2010. Foto de Rogério Tomaz Jr./CDHM no Flickr em CC, alguns direitos reservados.</p></div>
<p>O que o seu grupo de amigos, formado por aquela típica classe média-alta da capital paulista, iria dizer quando ele revelasse que era homossexual? Temia não ser mais convidado para jogar futebol, para as tardes na piscina. O que seu pai, reconhecido desembargador, diria ao saber que tinha um filho ‘viado’? Ele não suportaria ser rejeitado. Para evitar isto, rejeitava, cotidianamente, seus próprios desejos, sua verdadeira vontade, seu eu real. Negava-se para não ser negado.</p>
<p>Mas aquele rapaz do outro lado do bar continuava a olhá-lo fixamente, sem desviar um minuto sequer. Mesmo quando Pedro corava e começava a balançar a cabeça fingindo dançar ainda podia sentir aqueles dois olhos a persegui-lo. Não conseguia parar de pensar que devia estar enganado. Aquela boate era frequentada apenas por pessoas heterossexuais, jovens de famílias conhecidas. ‘Viados não andam por aqui. Eles tem seus próprios bares, suas próprias baladas, seus próprios bairros. Este não é um lugar seguro para eles.’ Eles? A quem queria enganar: o Pedro era parte deles.</p>
<p>Não era como se falasse de um alguém desconhecido, uma figura mitológica, um ser a habitar o imaginário coletivo de maneira totalmente caricata. Era ele mesmo essa própria pessoa. E era um garoto normal: fazia faculdade, ia ao cinema, ao teatro, curtia o bar com os amigos; ficava de mal humor, sorria, brigava com o irmão mais novo. Mas não, não podia aceitar aquilo. Ele gostava de futebol, gays não gostam de futebol; apreciava passar os domingos na fazenda, pescando, coisa de macho, macho de verdade. Ah! Para que se enganar – pensava ele – eu sei, mas não posso lidar com isso.</p>
<p>Continuava a ser observado. Já havia ido ao banheiro, começado diferentes conversas com seus colegas, sempre se perdendo no meio dos temas, puxado Melissa para mais perto de si. A menina abriu um franco sorriso no momento, ele percebeu e sorriu de volta. Por dentro, remoía-se. Como podia continuar a negar, fingir, mentir? Não gostava de mentir para ninguém, mas mentir para si mesmo era mais do que uma traição. Era auto-sabotagem. Para que se esforçar tanto para ser algo que não era? Expectativas, muitas expectativas. Ele entendia isso, mas continuava a não fazer sentido colocar as expectativas alheias na frente dos seus desejos, na frente dos seus sentimentos.</p>
<p>Pediu uma vodca. Pura. Sem gelo. Tomou o copo todo de uma vez. Caminhou na direção daquele com quem havia trocado olhares por mais de uma hora. Era chegada a hora. Finalmente, resolveu se permitir a viver tudo aquilo que sempre sentira. Quando faltavam alguns metros, Pedro escuta um grito.</p>
<p>No canto oposto, viu algumas pessoas se aglomerando, como que formando uma roda. De repente, viu dois amigos seus no meio da confusão e correu para ver o que acontecia. João e Matheus estavam brigando. Por causa de mulher, aposto – falou em meio tom, como se já acostumado com toda aquela situação. Em um dado momento, viu que a coisa era um pouco mais séria: os amigos com quem crescera, com quem dividira importantes momentos da sua vida, para quem contava tudo, ou quase tudo, batiam em dois rapazes.</p>
<p>Por alguns instantes, foi complicado entender o que acontecia. Após alguns segundos, ou minutos, ou horas, ele não saberia precisar, deu-se conta da realidade: seus dois melhores amigos batiam em um casal gay. Ficou atordoado, não conseguia se mexer. Não concordava com aquilo – aliás, como poderia? – mas tinha medo de tentar impedir e revelar-se.</p>
<p>Pedro saiu da balada. Podia ainda sentir seu corpo badalar. Possivelmente, era efeito do que havia bebido. Não sabia o que fazer, não havia o que fazer. A hora de agir havia passado e ele nada fizera. Pegou um táxi e foi para casa. Não havia nada a ser feito. Durante todo o caminho, apenas conseguia se perguntar: como me olharei no espelho amanhã de manhã?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<div id="attachment_9553" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://ciatriangulorosa.info/?p=181"><img class="size-medium wp-image-9553 " title="marcha_homofobia" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/marcha_homofobia-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz de divulgação da III Marcha Nacional contra a Homofobia. Dia 16 de maio em Brasília/DF.</p></div>
<p>Dia 17 de Maio é o Dia Internacional contra a Homofobia. Muitos o julgam desnecessário. O que a população LGBT quer é instalar uma ‘ditadura gay’, dominar o mundo, acabar com a liberdade de expressão. Não se trata disso, é mais do que óbvio que não se trata disso. Contudo, enquanto houver um Pedro, um José, uma Maria, um/a Darcy que não é capaz de dizer aos pais, aos melhores amigos e ao resto do mundo que pode amar quem quiser e isso não é um problema, esse dia se fará mais do que necessário.</p>
<p><a href="http://ciatriangulorosa.info/?p=181">Confira aqui a programação para a data</a></p>
<p>Ser livre é uma necessidade, uma busca incessante. Mas como ser livre diante da pressão social, diante das expectativas sobrepostas e que exigem que neguemos até mesmo quem somos? Enquanto Pedro não for capaz de se olhar no espelho, todo dia deverá ser dia 17 de Maio.</p>
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		<title>O que é ser mãe</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 03:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sara Joker</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Então, dia das mães chegou e eu assisto as propagandas na TV, nas rádios, vejo outdoors pelas ruas e fico sempre incomodada com tudo isso. Me sinto incomodada com essa visão de mãe sem vida pessoal, mãe sem vida profissional, mãe sem vida sexual, mãe e esposa e que vive &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left">Então, dia das mães chegou e eu assisto as propagandas na TV, nas rádios, vejo outdoors pelas ruas e fico sempre incomodada com tudo isso. Me sinto incomodada com essa visão de mãe sem vida pessoal, mãe sem vida profissional, mãe sem vida sexual, mãe e esposa e que vive apenas pelos outros.</p>
<p style="text-align: left">O que é ser mãe afinal? Sei que vivo me perguntando isso e colocando isso aqui no blog, mas a sensação que eu tenho é que a sociedade exige da mulher que ela seja mãe e que, depois de ser mãe, a mulher viva só pr@s su@s filh@s, como se sua vida acabasse no momento em que as crianças viram adult@s. Ou então, depois que @s filh@s crescem, a mãe vira avó e cuida d@s net@s.</p>
<div id="attachment_9525" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-9525 " src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/foto_sara-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /><p class="wp-caption-text">Minha irmã, minha mãe e eu na virada do ano de 2009/2010 - Acervo pessoal</p></div>
<p style="text-align: left">Assumo que não entendo essa visão de mãe sem vida, minha mãe nunca foi assim. Ela fez faculdade enquanto eu era criança, ela sempre trabalhou, e termina o mestrado dela esse ano. Eu conheço uma infância diferente das infâncias retratadas na TV. Minha família foi uma família onde o homem da casa ajudava com as tarefas, cuidava d@s filh@s e @s levava pra passear pra que a mãe pudesse terminar trabalho de faculdade, estudar pra prova ou terminar dissertação.</p>
<p style="text-align: left">Sei que vivo em uma família fora do comum, mas essa é a prova que uma mãe não precisa ser apenas mãe, que um pai/padrasto pode sim ajudar com tarefas de casa e com os cuidados com @s filh@s. Ser mulher não é ser mãe, são várias coisas unidas, algumas mulheres são mães, outras são profissionais, outras são esposas e outras são algumas dessas coisas ou todas juntas.</p>
<p style="text-align: left">Não gosto do Dia das Mães, faço agrados pra minha mãe nesse dia pois sei que ela gosta. Sei que minha mãe é uma mulher com vida sexual, vida profissional, vida pessoal e sonhos que vão além dos que ela tem pra mim e pra minha irmã. Sei que ela é muito mais que uma mãe e que esse dia pra ela é apenas um dia pra ficar junto a nós, afinal, nosso tempo é tão corrido, sei também que ela não é uma mulher que se resume a nossa vida.</p>
<p style="text-align: left">Também sei que foi graças a ela que eu sou feminista, foi graças a ela que eu sempre sonhei e ainda sonho com minha vida profissional, foi graças a ela que eu sei que uma mulher pode ser muito mais que a mãe que me mostram em propagandas de TV.</p>
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		<title>MP 557: quando o nosso corpo é moeda de troca eleitoral</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 04:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Priscilla Caroline</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[eleição]]></category>
		<category><![CDATA[legislação]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde 27 de dezembro, os movimentos feministas de todo o país vem se mobilizando contra a MP 557. Mesmo depois de reeditada pela presidenta sem o termo nascituro, a medida vigilantista continua tramitando no Congresso Nacional sob os cuidados do Ministério da Saúde, provavelmente por causa de interesses eleitorais. Como &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 27 de dezembro, os <a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/01/presente-para-as-mulheres-mp-557/">movimentos feministas de todo o país vem se mobilizando contra a MP 557. </a>Mesmo depois de <a href="http://www2.camara.gov.br/radio/materias/ULTIMAS-NOTICIAS/408904-AP%C3%93S-CR%C3%8DTICAS%2C-MP-DA-BOLSA-GESTANTE-%C3%89-REEDITADA-%2803%2724%27%27%29.html">reeditada</a> pela presidenta sem o termo nascituro, a medida vigilantista continua tramitando no Congresso Nacional <a href="http://www.viomundo.com.br/politica/cfemea-entrega-ao-ministro-padilha-o-kit-anti-mp557.html">sob os cuidados do Ministério da Saúde</a>, provavelmente por causa de interesses eleitorais.</p>
<p>Como eu já tinha contado no post de denúncia sobre a MP, ela é inteiramente questionável, desde a sua necessidade como medida provisória, quanto aos problemas que ela carrega em relação aos nossos direitos, mesmo depois de reeditada, quando perdeu a <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/nascituro-ninguem-assume-a-sua-paternidade-nem-maternidade-na-mp-557.html">questão do nascituro</a>.</p>
<div id="attachment_9514" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/agecombahia/3676186790/in/photostream/"><img class="size-full wp-image-9514" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/mulheres_negras.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Secom Bahia/ Governo da Bahia em CC no Flickr, alguns direitos reservados.</p></div>
<p>O que nem se comenta é que não há dinheiro para distribuir bolsas de auxílio transporte para todas as grávidas atendidas pelo <a href="http://www.viomundo.com.br/politica/o-debate-sobre-a-mp-557-no-conselho-nacional-de-saude.html">SUS</a>. E pior, que a MP 557 no fundo não ajuda em nada na redução da mortalidade materna.</p>
<p>A presidenta vem batendo na tecla da sua capacidade de <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/sonia-correa-em-nome-do-maternalismo-toda-invasao-de-privacidade-e-permitida.html">ser uma boa mãe para esse país</a>. É lamentável, contudo, que o seu papel seja de uma mãe dos <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/fatima-oliveira-governo-dilma-submete-corpo-das-mulheres-ao-vaticano.html">moldes mais conservadores</a>, e não a de uma mãe forte, lutadora e com autonomia para alavancar avanços em relação aos nossos direitos.</p>
<p>As <a href="http://www.viomundo.com.br/politica/as-duas-maiores-entidades-feministas-no-brasil-dizem-nao-a-mp-557.html">feministas </a>estão batendo perna no Congresso tentando entender porque insistir tanto nessa proposta e cada vez fica mais claro que a questão é eleitoral. Não é segredo para ninguém que não seria nada ruim ter uma bolsa-auxílio começando a ser distribuída em pleno ano eleitoral. E não seria má ideia que essa história vingasse e servisse de trunfo nas eleições seguintes, como bem devem saber a <a href="http://www.viomundo.com.br/politica/maria-jose-rosado-o-que-e-isso-presidenta.html">Presidência</a> e o Ministério da Saúde.</p>
<p>Em nome desses interesses, o nosso corpo está lá, descrito na MP como algo a ser controlado e vigiado,<a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/01/o-trofeu-final-nosso-utero/"> um pedaço de carne tão insignificante que serve mesmo é de moeda de troca eleitoral.</a> Não importa se queremos uma proposta de política efetiva, que definitivamente enfrente o problema do abortamento inseguro e que garanta o atendimento de qualidade em todas as etapas das nossas vidas, inclusive quando queremos ser mães. Importa mais ter visibilidade, negociar barganhas ideológicas que só comprometem as poucas conquistas que temos em relação aos direitos sexuais e reprodutivos, como a última decisão do Superior Tribunal Federal (STF) favorável a interrupção da gravidez em casos de fetos anencéfalos.</p>
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		<title>Sodoma e Gomorra, por que não?</title>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 09:10:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talita R da Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Muitas vezes, quando falamos em liberdade sexual, sobretudo homossexual, e autonomia da mulher há quem diga que estamos caminhando rumo às cidades bíblicas conhecidas como Sodoma e Gomorra. Sobre isso, pergunto qual é o problema de nos ligarmos ideologicamente a elas? Falaremos neste post não sobre a narrativa bíblica, em que os &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitas vezes, quando falamos em liberdade sexual, sobretudo homossexual, e autonomia da mulher há quem diga que estamos caminhando rumo às cidades bíblicas conhecidas como Sodoma e Gomorra. Sobre isso, pergunto qual é o problema de nos ligarmos ideologicamente a elas? Falaremos neste <em>post</em> não sobre a narrativa bíblica, em que os anjos de Deus ficam a um triz de serem abusados pelos perversos sodomitas (poxa, se nem o todo poderoso Deus podia proteger seus enviados, a situação estava mesmo feia!), mas da versão cinematográfica.</p>
<div id="attachment_9497" class="wp-caption alignleft" style="width: 126px"><a href="http://www.imdb.com/title/tt0056504/"><img class=" wp-image-9497 " src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/SG-a-rainha-de-Sodoma-e-o-Rei-dos-Hebreus.jpg" alt="" width="116" height="212" /></a><p class="wp-caption-text">Uma rainha ou um rei para chamá-lx de &quot;seu&quot;? - Imagem de divulgação</p></div>
<p>No filme <a href="http://www.interfilmes.com/filme_21379_sodoma.e.gomorra.html" target="_blank">Sodoma e Gomorra (1962)</a> encontramos uma adaptação bastante conhecida sobre tais citações bíblicas. Baseado nesta produção, questionamos qual é o grande problema de querer ser habitante de Sodoma e Gomorra? O que haveria de tão ofensivo em as pessoas poderem viver suas <a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_profilepage&amp;v=Gn0R-gb9SMc" target="_blank">orientações sexuais</a>  sem qualquer julgamento e, sobretudo, por que seria tão terrível estar sob o domínio de uma mulher e não sob o de um homem, já que a condensação do poder não entrara em discussão?</p>
<p>No começo do filme, Lot, sobrinho de Abraão, segue com seu povo rumo à terra prometida e, no meio da estrada, topa com a escrava Ildich. Esta conta ao líder dos hebreus que em sua cidade não há pecado, pois tudo que der prazer será considerado bom. Aqui podemos questionar qual é o problema em desejar e buscar o prazer?</p>
<p>O hedonismo cirenaico, por exemplo, afirma que a felicidade seria um estado de maior prazer e de menor dor. Neste aspecto, buscar o prazer seria um dos caminhos que levariam à <a href="http://jardimdelilith.blogspot.com.br/2012/03/cade-cereja-do-bolo.html" target="_blank">felicidade</a>. Portanto, seria paradoxal propor uma relação de univocidade entre a busca pelo prazer e o sofrimento do sujeito. Tal perspectiva só seria possível pelo viés daquilo que se convencionou chamar de pecado. Para amparar tal proposta é que servem os dogmas religiosos, cujas bases não estão <em>a priori</em> disponíveis para o debate.</p>
<p>Por outro lado, haveria problemas se a abordagem fosse de um hedonismo não ético, ou seja, se o prazer provocasse prejuízo ao outro, direta ou indiretamente. Ou seja, a questão a ser pensada é ética e não propriamente sobre os malefícios do prazer sob o sujeito. No filme, retrata-se, de fato, uma cidade (Sodoma, segundo a lenda, ficaria nas proximidades do Mar Morto) cujos bens e comércios eram mantidos por uma ordem escravocrata, o que por si só seria uma prática não ética. Além disso, fala-se de trapaças nos sistemas comerciais, outra atividade não ética. Mas, incrivelmente, não são tais aspectos os mais ressaltados na ficção como as causas para o “extermínio” dos sodomitas por Jeová.</p>
<p>Pensando bem, é muito oportuno que o <em>status quo</em> não queira dar tanta importância ao que realmente torna a vivência insuportável, isto é, a escravização dos corpos ao sistema monetário e suas práticas abusivas, as quais, por sua vez, podemos traduzir em nosso sistema atual pelo nome de “juros”.</p>
<div id="attachment_9498" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://www.cineplayers.com/imagem.php?id=10210&amp;img=10210_01.jpg"><img class=" wp-image-9498 " src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/SG-Shuah-e-Ildich-300x167.jpg" alt="" width="240" height="134" /></a><p class="wp-caption-text">Idich, Lot, escrava, escravo ao fundo e a poderosa rainha sodomita - Imagem de divulgação</p></div>
<p>Mas, voltando aos aspectos éticos mais individuais, em que nossa ordem diferiria tanto da de Sodoma? Nossa instituição é tão benevolente para com abusos quanto poderia ser na temida Sodoma, com os parênteses de serem as mulheres as que carregam com maior obstinação os desprazeres da escravidão e do medo. O que pensar sobre quem <a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/05/guest-post-fui-estuprada-e-preciso-de.html" target="_blank">estupra mulheres aparentemente inconscientes</a>? Ou sobre quem <a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/04/cantadas-seu-prazer-meu-nojo/" target="_blank">não respeita o direito destas de irem e virem</a>? Pois é, parece mesmo que o medo alheio é que os desprazeres de Sodoma se democratizem. Porque, enquanto formos nós, as mulheres, as únicas a sofrermos os abusos sociais e institucionais, continuará tudo na maior paz divina.</p>
<p>No filme produzido em 1962, quando o feminismo ainda estava nas fraldas, fica claro que há uma divisão entre o povo guiado pela mulher, a rainha sodomita, e o povo guiado pelo líder hebreu, com claro maniqueísmo em que, <em>surprise-surprise</em>, o lado cruel/pecaminoso é o representado pela mulher.</p>
<p>Em vários momentos do filme, fica evidente que os hebreus faziam fortes distinções de gênero. Nos momentos de discussão política, em que as mulheres queriam intervir, os homens basicamente desconsideravam suas opiniões e desejos, de modo que ficasse claro uma divisão das tarefas. Às mulheres estariam reservados trabalhos manuais e de limpeza; e aos homens, sobretudo, o arado e as discussões de ordem tática e intelectualmente relevantes. E ainda há quem diga que o Estado contemporâneo é mais invasivo do que algumas ordens antigas. Se não ter o direito de escolher sequer em qual tarefa desejamos operar é ter maior liberdade, ok, deixem-me viver nas cavernas!</p>
<div id="attachment_9499" class="wp-caption alignleft" style="width: 240px"><a href="http://expirados.blogspot.com.br/2009/04/dvd-sodoma-gomorra-1962.html"><img class=" wp-image-9499 " src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/SG-mulheres-dançando.jpg" alt="" width="230" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">I like to move it, move it! (nem sempre...) - Imagem de divulgação</p></div>
<p>Em Sodoma, por conta da prática escravocrata, nem todxs podiam optar quais tarefas lhes seriam mais caras. Muitas mulheres eram compradas para praticar <a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/04/desrespeito-disfarcado-de-diversao/" target="_blank">artes para o entretenimento</a>, tais como danças, o que, convenhamos, não difere muito de nossa realidade contemporânea, provavelmente sendo esta muito mais perversa do que aquela.</p>
<p>Por outro lado, em Sodoma, o poder estava centrado nas mãos de uma mulher esperta e ambiciosa, características estas que não costumam ser atribuídas às <a href="http://jardimdelilith.blogspot.com.br/2012/04/o-amor-das-telinhas-nao-me-convence.html" target="_blank">mulheres da ficção</a>. Ela, inclusive, mantinha debaixo de olhares argutos seu irmão metido a sedutor, metido a esperto, metido a lutador. O metido vivia reclamando por receber ordens de uma mulher e buscando formas de sabotá-la. Contudo, não só fracassou em suas ambições, como acabou morto por Lot.</p>
<p>Aliás, esse é um trecho interessante da ficção. Lot era tão clemente a Jeová, que matou um homem por este ter tirado “a inocência” (entenda-se, rompeu o hímen) de suas duas filhas. Ambas apreciaram o sexo com o príncipe sodomita, mas o orgulho do hebreu ungido não poderia suportar que as mulheres escolhessem transar. O metido a sedutor cometeu dois erros cruciais, segundo o julgamento hebreu, seduziu as mulheres e ainda permitiu-lhes gostarem de sexo.</p>
<p>Contudo, não foram apenas as filhas de Lot que se encantaram com as volúpias sexuais dos sodomitas, o próprio Lot casou-se com a escrava Ildich, oferecida a ele pela rainha sodomita. Mas, ninguém matou Ildich por esta ter dado sexo ao líder dos hebreus e por este ter gostado tanto que até sugeriu exclusividade sob os véus do <a href="http://blogueirasfeministas.com/2012/04/casamento/" target="_blank">casamento</a>. Porque se toma como aceitável que os homens gostem de sexo e procurem por ele; já as mulheres, se gostarem do ato, pensa-se que é porque algum homem as seduziu e enganou.</p>
<p>E a sociedade costuma ser tão hilária que dizem que aquelas que gostam de sexo são vagabundas, portanto, mereceriam ser estupradas, provavelmente, para ficarem traumatizadas e gostarem menos do ato em questão; ao passo em que aquelas que não apreciam tanto assim são tidas como mal comidas, logo também precisariam ser estupradas para verem se pegam gosto pela coisa (só que ao contrário).</p>
<p>Ou seja, de um jeito ou de outro, a sociedade desde os hebreus nos ensina que não podemos ser agentes nem mesmo de nossa sexualidade. Aliás, o que se comprova pelos usos de algumas expressões sexuais populares, em que, por exemplo, a mulher “dá” e o homem “come”.</p>
<div>Enfim, esse texto serve para ponderarmos em que medida a referência a Sodoma e Gomorra seria um bom lugar para começarmos a repensar uma série de pré-conceitos que não levam, necessariamente, a qualquer mal estar social. Ou seja, na próxima vez que disserem que as feministas querem transformar o Brasil em Sodoma e Gomorra, talvez, seja o momento de perguntarmos qual é, exatamente, o problema com Sodoma e Gomorra. Porque, olhando em comparação com os hebreus bíblicos e nossa herança hebraica, Sodoma parece-me quase um paraíso.</div>
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</ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>Depilação, quero ou tenho que fazer?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 04:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ticiane Figueiredo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[beleza]]></category>
		<category><![CDATA[estética]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>

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		<description><![CDATA[Me deparei com a reportagem de uma jovem que decidiu deixar a natureza de seu corpo fluir, em outras palavras, deixou seus pelos crescerem. O que mais me impressionou não foi a decisão dela em si, mas uma afirmação : “Por que eu tinha que me depilar? Eu lembro de quando &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me deparei com a <a href="http://jornalciencia.com/inusitadas/mundo-estranho/1662-seria-socialmente-aceitavel-dizer-nao-a-depilacao-feminina-mulher-esta-debatendo-o-tema" target="_blank">reportagem</a> de uma jovem que decidiu deixar a natureza de seu corpo fluir, em outras palavras, deixou seus pelos crescerem. O que mais me impressionou não foi a decisão dela em si, mas uma afirmação :</p>
<blockquote><p>“Por que eu tinha que me depilar? Eu lembro de quando comecei a me depilar. Nos meus 14 anos, quando brotaram os primeiros pelos, eu não pensei, vou tira-los ou não? Eu só sabia que tinha que remove-los e pronto.”</p></blockquote>
<p>Associei isso a milhares de coisas que inconscientemente fazemos sem nos questionar. Apenas seguimos os padrões pré-estabelecidos.</p>
<p>Para começo de conversa, eu me depilo, não vou ser hipócrita e nem estou lançando um manifesto das feministas peludas. O que quero é questionar, levantar o ‘por que?’.</p>
<p>Nós, animais racionais, às vezes auto-denominados humanos, temos pelos nascendo em nosso corpo independentemente do nosso gênero. Depois da puberdade, lá estão eles: buço, axilas, virilha e outras partes, talvez mais inconvenientes. Porém, apesar desses pelos nascerem em todos, só na mulher é considerado nojento. Sim, nojento, este é o termo que usam para nossos inconvenientes, ou não, pelinhos.</p>
<div id="attachment_9487" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/05/04/mulher-que-nao-se-depila-ha-18-meses-se-exibe-na-tv-443400.asp"><img class="size-full wp-image-9487" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/inglesa_tv.jpg" alt="" width="500" height="334" /></a><p class="wp-caption-text">Emer O&#039;Toole, 28 anos na tv inglesa. Imagem: divulgação.</p></div>
<p>Já nos homens, Tony Ramos não conta, os pelos são naturais. Veja só, NATURAIS. São ainda sinal da sua masculinidade e virilidade, dá até pra sentir o cheiro de Macho Alfa que eles pensam exalar quando finalmente seus bigodes dão os primeiros sinais de aparição.</p>
<p>Talvez, devido ao fato dessa associação a masculinidade e a necessidade feroz imposta da mulher ser feminina (no conceito que a cultura social criou), delicada e cor-de-rosa, nós nos incomodamos tanto com a idéia dos pelos. A grande questão que quero colocar com isso não é se você se depila ou não, mas: por que se depila? Quando nos questionamos, abrimos a possibilidade de nos conhecermos melhor, como mulher, como feminista e como ser pensante.</p>
<p>Não me importa necessariamente a resposta, desde que se sinta confortável com você mesm@ depois que a souber. Afinal, seu corpo, suas regras!</p>
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		<title>Para além do estereótipo materno</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 04:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Liliane Gusmão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corpo]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[estereótipo]]></category>
		<category><![CDATA[gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[machismo]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[As tarefas e papéis femininos, na nossa sociedade, são recorrentemente definidos por dicotomias: Mulher cuidadora x Mulher trabalhadora Mulher decente (santa) x Mulher vulgar (vadia) Mãe abnegada x Mãe desnaturada viciada em trabalho A mulher que assume a função materna, na nossa sociedade, se vê diante da encruzilhada: Mulher trabalhadora x &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As tarefas e papéis femininos, na nossa sociedade, são recorrentemente definidos por dicotomias:</p>
<p style="text-align: justify;">Mulher cuidadora x Mulher trabalhadora</p>
<p style="text-align: justify;">Mulher decente (santa) x Mulher vulgar (vadia)</p>
<p style="text-align: justify;">Mãe abnegada x Mãe desnaturada viciada em trabalho</p>
<p style="text-align: justify;">A mulher que assume a função materna, na nossa sociedade, se vê diante da encruzilhada:</p>
<p style="text-align: justify;">Mulher trabalhadora x Mãe abnegada</p>
<p style="text-align: justify;">Esses dias li a <a href="http://www.theglobeandmail.com/life/parenting/mothers-day/the-good-mother-doesnt-exist-shes-a-myth/article2416509/">entrevista da Elisabeth Badinter</a> (em inglês) sobre o livro &#8220;O Conflito: a Mulher e a Mãe&#8221; que foi lançado em abril aqui no Canadá. Já tinha lido também entrevistas dela no <a href="http://delas.ig.com.br/filhos/filosofa+francesa+critica+o+mito+da+mae+perfeita+em+novo+livro/n1596997426700.html">IG</a> e na <a href="http://sergyovitro.blogspot.ca/2011/07/entrevista-elisabeth-batinder.html">Veja</a> quando o livro foi lançado no Brasil, ano passado.</p>
<div id="attachment_9473" class="wp-caption alignright" style="width: 185px"><a href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=25448"><img class="size-full wp-image-9473" title="livro_conflito" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/livro_conflito.jpg" alt="" width="175" height="271" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do livro &quot;O Conflito: A mulher e a mãe&quot;.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Acho que este debate é super importante e, apesar de ainda não ter lido o livro, acho alguns apontamentos da autora muito interessantes e  necessários mas, em alguns pontos, superficial. Quando leio sobre os papéis que as mulheres devem exercer com perfeição para serem respeitadas na sociedade sempre tenho arrepios. Não seria diferente com o papel de mãe ou de trabalhadora.</p>
<p style="text-align: justify;">A mulher na nossa sociedade, parece-me, está sempre numa encruzilhada, tendo que abrir mão de algo, nesse caso não é diferente. A maternagem x a vida profissional assim colocado só traz desvantagens à mulher. Ter que se enquadrar em um padrão, seja ele qual for não vai necessariamente fazer alguém melhor ou pior, mas vai colocá-la num lugar em que uma escolha anula a outra e assim ao abrir mão de uma coisa pela outra a mulher fica em desvantagem. Além de ser sempre julgada pela sua decisão.</p>
<p style="text-align: justify;">Os apontamentos negativos de Badinter em relação a maternagem me incomodam, mas não necessariamente por que a maternagem sobregarrega ou tira a mulher do mercado de trabalho, e sim por deixar implícito no seu discurso que a maternagem excluiria @ parceir@ da mulher, além da heteronormatividade que exclui da cena os casais homossexuais masculinos que tem filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que eu acho que desencorajar amamentação, slings, fraldas de pano, não vai incluir automaticamente @s parceir@s a partilhar as responsabilidades na parentagem. Afinal copinhos, colherinhas, e máquinas de lavar não são objetos misteriosos que @s parceir@s que estejam realmente dispostos a se implicar em partilhar do cuidado com os filhos não consigam desvendar.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa que me incomoda é que, apesar de reconhecer a importância do trabalho feminino para sua autonomia e independencia, incitar a volta ao trabalho à mulher que deseja dedicar-se aos seus filhos é retirar-lhe a escolha. E isso se faz pelo bem de quem? Quando li a entrevista de Badinter pensei em duas questões:</p>
<p style="text-align: justify;">A quem interessa à volta rápida da mulher ao mercado de trabalho?</p>
<p style="text-align: justify;">A quem interessa a permanência da mulher/mãe junto aos filhos?</p>
<p style="text-align: justify;">Minha resposta a essas duas questões é a mesma: ao capitalismo patriarcal. Ao se associar ao patriarcado, o capitalismo se aproveita de todas as ocasiões para tirar proveito da imposição de padrões.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que ao decidir nos reproduzir estamos de alguma forma contribuido para a perpetuação do <em>status quo</em>, no sentido que criamos nossos filhos para se adequarem a sociedade vigente. Fazê-lo sem reflexão, apenas reproduzindo comportamentos e preconceitos, não vai nos fazer evoluir enquanto sociedade.</p>
<div id="attachment_9474" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/ubertimes/127813925/in/photostream/"><img class="size-full wp-image-9474" title="gravidez" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/gravidez.jpg" alt="" width="500" height="339" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Uber Times no Flickr em CC, alguns direitos reservados.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Ideal, para mim, seria uma sociedade em que a maternidade não fosse uma seara exclusivamente feminina. Que mulheres não se percebessem, nem fossem percebidas como únicas responsáveis pelos cuidados com os membros da família, sejam crianças ou idosos. Que os dois adultos responsáveis fossem igualmente implicados e compartilhassem igualmente todas as tarefas da casa e também as relacionadas aos cuidados, higiene, saúde e alimentação de crianças e idosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Considero fundamental para isso muitas mudanças, inclusive à nivel de linguagem, começando pela mudança do termo maternagem por parentagem. Outro ponto que considero importante é a extenção e compatilhamento da licença-maternidade que hoje é exclusiva da mulher, e deveria ser e chamar-se liscença-parental, para @s adult@s com filhos recém-nascidos. Para que @ parceir@ esteja presente e possa se implicar nos cuidados. Para isso acontecer é necessário também a implicação do Estado como criador de dispositivos que garantam a estabilidade no trabalho e instituições como creches que ajudem mães e pais na tarefa de cuidar de seus filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">E por fim, é necessário que nos tornemos protagonistas de nossas escolhas. Enxerguemos o machismo, que está por trás do papel de cuidadora que as mulheres incorporam sem questionar, como se fossem feitas para isso. Que aprendamos a delegar mais e não sejamos cobradas ou julgadas por isso. O vínculo da criança com seu cuidador deve ser igualmente dividido entre aqueles que estão implicados na sua educação. O vínculo materno não deve ser nem mais, nem menos importante do que o vínculo com outr@ parceir@. A imposição de padronização de papéis nas relações e arranjos familiares ou nas responsabilidades de cada um dos envolvidos na situação só traz prejuizos.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom mesmo é ser livre para escolher o que se quer fazer. Mesmo por que maternagem não implica, necessariamente em alienação do mundo, da vida ou do trabalho. É possível ser feminista, militante, trabalhadora, monoparental e assumir a maternagem. Né não, <a href="http://www.mamiferas.com/blog/2012/04/um-pouco-de-culpa-materna-de-uma-mae-solteira.html">Luka</a>? O importante é refletir sobre a nossa condição e termos sempre o direito de fazer nossas escolhas.</p>
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</ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>10 Razões pelas quais o resto do mundo pensa que os EUA são loucos</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 04:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paula Penedo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[maternidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Tradução do texto &#8220;10 Reasons the Rest of the World Thinks the U.S. Is Nuts&#8221; por Soraya Chemaly. Publicado no site Huffington Post em 15 de março de 2012. Nesta semana a assembléia legislativa da Georgia debateu um projeto de lei que tornaria necessário, para algumas mulheres, carregarem fetos mortos ou &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tradução do texto <strong><a href="http://www.huffingtonpost.com/soraya-chemaly/womens-reproductive-rights_b_1345214.html" target="_blank">&#8220;10 Reasons the Rest of the World Thinks the U.S. Is Nuts&#8221;</a></strong> por <a href="http://twitter.com/schemaly" target="_blank">Soraya Chemaly</a>. Publicado no site Huffington Post em 15 de março de 2012.</p>
<p>Nesta semana a assembléia legislativa da Georgia debateu um projeto de lei que tornaria necessário, para algumas mulheres, carregarem fetos mortos ou que estejam morrendo até que elas “naturalmente” entrem em trabalho de parto. Ao argumentar a favor do projeto, o deputado Terry England descreveu a sua empatia por <a href="http://thinkprogress.org/health/2012/03/12/442637/georgia-rep-compares-women-to-animals/?mobile=nc" target="_blank">vacas e porcas prenhas</a> na mesma situação.</p>
<div id="attachment_9460" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://twitter.com/schemaly"><img class="size-full wp-image-9460 " title="soraya_chemaly" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/soraya_chemaly.jpg" alt="" width="200" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Soraya Chemaly - @schemaly</p></div>
<p>Eu tenho uma pergunta para Terry England, Sam Brownback, Rick Santorum, Rick Perry e muitos outros: eu tenho três filhas, duas delas gêmeas. Se uma das minhas gêmeas tivesse morrido no útero os senhores me obrigariam a carregá-la até o parto, colocando em perigo, dessa forma, tanto a outra gêmea quanto a mim? Ou os senhores teriam insistido que o Estado ordenasse uma extração obrigatória do feto da gêmea viva para que eu pudesse continuar carregando o feto morto e possivelmente acabar morrendo também? Minha família está curiosa e, já que os senhores acham que meu útero é propriedade pública, eu também.</p>
<p>Sr. England, ao contrário de bezerros e porcos pelos quais o senhor expressou tanta empatia, eu não sou um burro de carga. <strong>Eu sou uma mulher e eu tenho os seguintes direitos humanos:</strong></p>
<p>O direito à vida</p>
<p>O direito à privacidade</p>
<p>O direito à liberdade</p>
<p>O direito à integridade corporal</p>
<p>O direito de decidir quando e como me reproduzir</p>
<p>Sr. England, o senhor e seus amigos não podem negociar esses direitos, enquanto “caçam cachorros e javalis”, em troca das <a href="http://vimeo.com/38048437" target="_blank">galinhas de um rapaz</a>.</p>
<p>Meus direitos humanos valem mais do que o senhor e o estado corruptamente e cinicamente querem designar para uma massa de células em divisão que irá eventualmente se tornar uma pessoa “natural”. Leis baseadas em personalidade civil para zigotos e legislações relacionadas, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VQbrMwwEbCA" target="_blank">como essa da Georgia e centenas de outras</a>, projetos e leis que criminalizam gravidez e aborto e penalizam mulheres por serem mulheres violam meus direitos humanos.</p>
<p>Só porque o senhor não pode engravidar, não quer dizer que eu não possa pensar claramente, eticamente, moralmente, racionalmente sobre o meu corpo, a vida humana ou as consequências dos meus atos. Só porque o senhor não pode engravidar não quer dizer que eu não tenha direitos quando eu estou grávida. Eu tenho responsabilidade, mas não tenho poder. O senhor tem poder, mas é <a href="http://oregonstate.edu/instruct/phl201/modules/Philosophers/Douglass/douglass.html" target="_blank">irresponsável</a> com os meus direitos.</p>
<p>Ao não confiar em mim, o senhor me obriga a confiar no senhor. <strong>E o SENHOR não é digno de confiança.</strong></p>
<p>Eu gero humanos, o senhor, não. Eu sei como é estar grávida. O senhor não. Eu sei o que acontece com um feto no ventre. O senhor não. Eu carreguei três fetos até o final. O senhor não. O que eu vivencio quando eu estou grávida não é empatia. É permeabilidade. O feto sou eu. E o estado é o senhor, aparentemente. Mas não importa o que o senhor diga ou faça, eu tenho direitos humanos fundamentais. O que faz você pensar que o senhor, que não pode passar por essa experiência humana, pode me dizer o que quer que seja sobre gestação ou como eu a vivencio? <strong>Especialmente quando o senhor compara a minha existência e experiência com a de animais brutos.</strong></p>
<p>O restante do mundo civilizado pensa que este país <a href="http://www.thedailybeast.com/articles/2012/03/09/nobel-winner-gbowee-asks-where-are-the-angry-american-women.html#body_text5" target="_blank">perdeu a cabeça</a>. Não é de se espantar. Veja esta lista de misoginia descontrolada.</p>
<p><strong>1. Obrigar mulheres a carregarem fetos mortos até o final da gravidez porque vacas e porcas o fazem.</strong> Nesta semana, Sr. England, o senhor apoiou um projeto cujo balanço final, em conjunto com outras restrições, resultará em médic@s e mulheres tornarem-se <a href="http://www.ajc.com/news/georgia-government/georgia-house-passes-fetal-1367649.html" target="_blank">incapazes de tomar decisões privadas</a> e com base médica sobre tratamentos intensivos e algumas mulheres serão efetivamente forçadas a carregarem seus fetos mortos ou que estejam morrendo. Mulheres são diferentes de animais, Sr. England, e esse projeto, exigindo que mulheres carreguem fetos mortos ou que estejam morrendo é desumano e antiético. Ao forçar uma mulher a fazê-lo o senhor está violando o direito dela de não ser submetida à tortura e tratamento desumano. E, sim, carregar um feto humano até o fim involuntariamente, embora não seja tortura para o senhor ou para uma porca, é tortura para uma mulher. É também violação da sua integridade corporal e uma ameaça à sua vida e, dessa forma, viola seu direito à vida.</p>
<p><strong>2. Condenar mulheres à morte para salvar um feto.</strong> Abortos salvam vidas de mulheres. Projetos de lei <a href="http://www.ibtimes.com/articles/230846/20111013/protect-life-act-house-advances-anti-abortion-bill-nancy-pelosi.htm?cid=2" target="_blank">“deixem as mulheres morrerem”</a> estão sendo propostos em todo o país. Não há uma forma simples ou bonita de dizer isso. Todo dia, em todo o mundo, mulheres morrem porque elas não têm acesso a aborto seguro. Ainda assim, aqui estamos nós, voltando à idade das trevas do sacrifício materno. Eu realmente tenho que escrever esta sentença: isso é uma violação do direito fundamental das mulheres à vida.</p>
<p><strong>3. Criminalizar a gravidez e abortos espontâneos e prender, aprisionar e acusar mulheres que sofrem abortos espontâneos por assassinato</strong>, como <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2011/jun/24/america-pregnant-women-murder-charges" target="_blank">Rennie Gibbs</a> no Mississippi ou pelo menos outros 40 casos similares no Alabama, ou como <a href="http://www.thenation.com/article/166664/protect-pregnant-women-free-bei-bei-shuai" target="_blank">Bei Bei Shuai</a>, uma mulher que agora está presa, acusada de assassinato por ter tentado o suicídio quando estava grávida. Mulheres grávidas têm se tornado uma classe especial, objeto de leis “especiais” que infringem os direitos fundamentais das mulheres.</p>
<p><strong>4. Forçar mulheres a se submeterem à penetração vaginal involuntária (também conhecido como estupro)</strong> com um <a href="http://www.rhrealitycheck.org/article/2012/02/15/government-sanctioned-rape-in-state-virginia-and-texas" target="_blank">transdutor de ultrassom de 15 a 20 cm coberto com uma camisinha</a>. A <a href="http://www.addictinginfo.org/2012/03/12/pennsylvania-anti-abortion-bill-would-mandate-transvaginal-ultrasound/" target="_blank">Pennsylvania</a> está atualmente considerando essa opção, junto com outros 11 estados. Ultrassons transvaginais feitos sem o consentimento da mulher é estupro de acordo com a definição legal da palavra. Isso viola a integridade corporal da mulher e é também tortura quando usado, como os estados sugerem, como uma forma de controle e opressão. Mulheres têm o direito de não serem estupradas pelo estado.</p>
<p><strong>5. Causar invalidez em mulheres ou sacrificar as suas vidas</strong> ao negar tratamento médico ou forçá-las a se submeterem a procedimentos médicos involuntários. Nós impomos às mulheres uma obrigação desigual de sacrificar sua integridade corporal em nome de outros. Por exemplo, como em <a href="http://reproductiverights.org/en/case/tysiac-v-poland" target="_blank">Tysiac v. Poland</a>, no qual uma mãe de duas crianças ficou cega porque um médico se recusou a realizar o aborto que ela queria e que teria interrompido o curso de uma doença ocular degenerativa. Se o meu recém-nascido precisar de um rim e o senhor tiver um extra compatível, eu posso decretar uma legislação que diz que o estado pode tirar o seu e dar à criança? Não. Nós não forçamos pessoas a doar seus órgãos para beneficiar outras pessoas, mesmo aquelas que já nasceram. Um dos direitos humanos mais fundamentais é que humanos sejam tratados igualmente perante a lei. Negar esse direito a uma mulher é uma violação do seu igual direito a essa proteção.</p>
<p><strong>6. Dar direitos de “personalidade civil” para zigotos ao mesmo tempo em que privam sistematicamente as mulheres de seus direitos fundamentais.</strong> Há muita coisa a dizer sobre os perigos de ideias de personalidade civil invadindo políticas de saúde para fazê-lo aqui. Mas, pense no que acontece com <a href="http://www.huffingtonpost.com/soraya-chemaly/womens-reproductive-rights_b_1345214.html" target="_blank">uma mulher cujo ventre não for considerado o “melhor” ambiente para um feto em gestação em um mundo de legislações de “personalidade civil”</a> para zigotos: quem decide qual é o melhor ambiente – o estado, o plano de saúde, o empregador, o estuprador que decide que quer muito se tornar um pai? Qualquer um, menos a mulher.</p>
<p><strong>7 – Inibir, humilhar e punir mulheres por suas decisões de fazer um aborto por qualquer razão</strong> ao cobrar taxas especiais para abortos, incluindo abortos requeridos por <a href="http://www.huffingtonpost.com/2012/02/06/kansas-anti-abortion-bill_n_1258185.html" target="_blank">vítimas de estupro</a> para terminar sua inseminação involuntária, impor exigências restritivas como um período de 24 horas de espera e <a href="http://www.slate.com/blogs/xx_factor/2012/03/09/arizona_senate_approves_bill_allowing_anti_abortion_doctors_to_mislead_patients.html" target="_blank">autorizar médic@s</a> a mentirem para pacientes mulheres sobre seus fetos a fim de evitar processos. No Arizona, Kansas, Texas, Virginia, Colorado, Arkansas e outros estados em todo o país, projetos de leis que fazem mulheres “pagarem” por suas escolhas são abundantes.</p>
<p><strong>8. Permitir que empregadores invadam a vida pessoal de mulheres e apenas paguem o seguro-saúde quando eles não se opuserem, por razões religiosas, com o método escolhido por elas de controle de natalidade.</strong> No <a href="http://www.statepress.com/2012/03/12/senate-judiciary-committee-endors" target="_blank">Arizona</a>, que implantou uma lei dessas esta semana, isso significa cobrir o pagamento de anticoncepcionais apenas como benefício para mulheres que tenham provado que não irão usá-lo para controlar a própria reprodução (por exemplo: como controle de natalidade). Embora eu esteja muito preocupada com mulheres e famílias no Arizona, eu estou mais preocupada com aquelas no Alabama. Veja só, como revelado recentemente em uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OKKZ5pxeMIE&amp;feature=youtube_gdata_player" target="_blank">enquete pública no Alabama</a>, evangélicos conservadores que apoiam a “personalidade civil” relacionada à legislação “pró-vida” estão lutando por sua “liberdade religiosa” – 21% pensam que casamento inter-racial deveria ser ilegal. Então, se eles decidirem que um empregado envolvido em um casamento inter-racial não pode, por mandamento divino, reproduzir? Eles invertem e fornecem controle de natalidade para esse empregado? Eles tornam a contracepção um contrato de emprego necessário para pessoas em um casamento inter-racial? Isso viola o direito das mulheres à privacidade. Meu útero é um milhão de vezes mais privado que os seus quartos, senhores.</p>
<p><strong>9. Sacrificar toda a saúde de mulheres</strong> e o bem-estar de suas famílias para impedi-las de exercer seu direito fundamental de controlar o próprio corpo e reprodução. O <a href="http://www.rhrealitycheck.org/article/2012/03/13/goodbye-texas-womens-health-program" target="_blank">Texas</a> fez exatamente isso quando cortou 35 milhões de dólares de fundos federais, garantindo, dessa forma, que 300.000 texanas de baixa renda e sem seguro tenham nenhum acesso ou acesso reduzido a cuidados básicos de prevenção e reprodução.</p>
<div id="attachment_9467" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://noticias.uol.com.br/album/110502festamortebinladen_album.jhtm#fotoNav=18"><img class="size-medium wp-image-9467" title="woman_flag" src="http://blogueirasfeministas.com/wp-content/uploads/2012/05/woman_flag-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Jason DeCrow/Associated Press</p></div>
<p><strong>10. Privar as mulheres de sua “habilidade de ganhar a vida” e sustentar a si mesmas e suas famílias.</strong> Projetos como esse no <a href="http://www.huffingtonpost.com/stephanie-schriock/arizona-birth-control_b_1346146.html" target="_blank">Arizona</a> permitem que empregadores demitam mulheres que usem contracepção. Mulheres, como estas aqui, <a href="http://www.nytimes.com/2012/01/31/opinion/pregnant-and-pushed-out-of-a-job.html?_r=1" target="_blank">estão sendo demitidas por não usarem</a>.</p>
<p>Os senhores ousam condenar as minhas e as suas filhas a servirem como animais reprodutivos.</p>
<p><strong>Isto é sobre sexo e propriedade, não vida e moralidade.</strong> Sexo porque quando mulheres fazem sexo e querem controlar a própria reprodução, isso ameaça estruturas sociais poderosas que se apoiam no controle e acesso patriarcal sobre as mulheres como máquinas reprodutivas. O que nos leva à propriedade: controle da reprodução era vital quando aconteceu a revolução agrícola e nós, como espécie, paramos de viver como nômades atrás de comida. A reprodução e seu controle garantiram que o homem pudesse adquirir e consolidar riqueza &#8212; habitação e comida &#8212; produzindo terra e depois garantindo que esta não fosse desagregada, transmitindo-a para um filho que ele sabia que era dele &#8212; principalmente ao reivindicar a mulher e sua capacidade gestacional como propriedade também.</p>
<p><strong>Isto não é sobre liberdade religiosa.</strong> Se fosse, nós permitiríamos, por exemplo, que cientistas cristãos se recusassem a pagar pela cobertura de transfusões de sangue para salvar a vida de empregados. Liberdade religiosa significa que eu posso escolher se eu quero ou não ser religiosa e, caso escolha ser, como. Isso não significa que eu posso impor a minha religião a outras pessoas. Pagar pelo seguro é uma forma como nós compensamos @s empregad@s, mesmo quando eles e elas usam o seguro de formas com as quais nós não concordamos e que estão em contradição com nossas crenças pessoais. Eu penso que é estúpido, perigoso e imoral fumar um cigarro atrás do outro, principalmente perto de crianças cujos pulmões o fumo irreparavelmente prejudica. Mas eu ainda tenho que pagar para que um empregado ou uma empregada tenha acesso a exames de pulmão, adesivos de nicotina e tanques de oxigênio. Eu não posso dizer que minhas crenças religiosas, que incluem manter os corpos os mais saudáveis possíveis, me permitem reter o pagamento do seguro de empregad@s. Cobertura garantida de contracepção e cuidado com saúde reprodutiva têm <a href="http://thinkprogress.org/health/2012/02/16/426605/5-reasons-why-the-contraceptive-coverage-guarantee-is-so-important/?mobile=nc" target="_blank">enormes benefícios</a> para a sociedade, incluindo redução de gravidezes indesejadas e abortos. Ao inserir as suas crenças religiosas tão flagrantemente na legislação governamental e na minha vida, os senhores estão me impondo as suas crenças religiosas. Os senhores não gostam de cobertura de seguro obrigatória para saúde reprodutiva básica para humanos com dois cromossomos X? Eu não gosto de me reproduzir por coerção do estado como os animais da fazenda do Sr. England.<strong> Eu tenho uma OBJEÇÃO MORAL a ser tratada como um animal e não um ser humano.</strong> Os senhores não têm que usar contracepção, os senhores não têm que usar o controle de natalidade. <strong>Mas, isso não significa que os senhores têm o direito de me dizer que eu não posso usar se eu assim o escolher. Este é meu direito.</strong></p>
<p>Propriedade, controle, sexo, reprodução, moralidade, definir o que é humano. Soa muito como assuntos envolvendo escravidão 170 anos atrás. Não é nenhuma surpresa que dos 16 estados que nunca repeliram suas <a href="http://thefeministwire.com/2012/02/rapesonogramsareaboutcontrol/" target="_blank">leis anti-miscigenação, mas, ao contrário, as tiveram revogadas pela Suprema Corte em 1967, mais da metade introduziu projetos de “personalidade civil”</a>. Assim como leis anti-miscigenação, leis anti-escolha e projetos que humilham mulheres, que as tratam como animais, que violam sua autonomia corporal, são baseadas em ignorância, direito de posse e arrogância. Essas leis não são sobre “personalidade civil”, mas “humanidade”. Que mulheres negras são massiva e desproporcionalmente afetadas por essas invasões a seus corpos e direitos também não deveria ser surpresa – seus direitos e seus corpos sempre foram os mais vulneráveis a invasões.</p>
<p>Isto é sobre manter os úteros das mulheres públicos e sob o controle de outras pessoas – o exato oposto de privado e sob o controle delas mesmas.</p>
<p>E sim, eu sei o quão complicado são a ética, a bioética e os argumentos legais relacionados a essas decisões. Os senhores, aparentemente, não. Se os senhores estivessem realmente preocupados em salvar vidas e melhorar a sua qualidade ou em proteger crianças inocentes, os senhores começariam tendo compaixão e empatia pelos vivos, pessoas nascidas que requerem e merecem a sua atenção. Os senhores deveriam alimentá-las, educa-las, tirá-las da pobreza e miséria. Os senhores não deveriam misturar esses assuntos da forma que estão fazendo, com interpretações distorcidas da vontade divina. Apenas após fazer isso os senhores terão legitimidade moral para pensar em falar para mim sobre o meu útero e o que eu faço com ele. Até lá, úteros artificiais inteiramente funcionais deverão estar disponíveis e os senhores poderão implantar o seu próprio útero, já que os senhores são tão afeiçoados a analogias com animais, <a href="http://books.google.com.br/books?id=kQYaftfiyIEC&amp;pg=PA77&amp;lpg=PA77&amp;dq=implantation+of+artificial+wombs+into+men&amp;source=bl&amp;ots=XebqVqSSGT&amp;sig=Ny1lYYqrizkDED1u9WwXJbGrQKk&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ei=NCdiT7bOFqi80QHSnPy1CA&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q=implantation%20of%20artificial%20wombs%20into%20men&amp;f=false" target="_blank">da mesma forma em que foi feito com esse rato macho</a>. O que os senhores estão fazendo é vergonhoso, hipócrita e moralmente corrupto.</p>
<p>E não, <a href="http://www.huffingtonpost.com/yashar-hedayat/a-message-to-women-from-a_1_b_958859.html?" target="_blank">eu não estou louca</a>. Eu estou brava.</p>
<p>Sr. Santorum, Sr. England e Sr. Brownback e Sr. Perry, os senhores deveriam considerar não se apegar tão perigosa e perversamente a ideias da revolução agrícola. Controle de natalidade e abortos seguros são tecnologias que salvam vidas. Essas leis e projetos arcaicos, que desperdiçam tempo, dinheiro e vidas, e que obscurecem uma verdade permanente e imutável: <strong>planejamento familiar seguro e efetivo é a justiça social transformadora conquistada no século 20.</strong> Eles não irão embora. Essa é uma revolução também.</p>
<p>Em um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ain't_I_a_Woman%3F" target="_blank">discurso de 1851</a>, no qual argumentou por direitos iguais para as mulheres, Sojourner Truth disse o seguinte: “Os pobres homens parecem estar todos confusos e não sabem o que fazer. Por que, crianças, se vocês têm os direitos das mulheres, deem-nos a elas e irão se sentir melhor. Vocês terão seus próprios direitos e eles não serão um grande problema”.</p>
<p>Os senhores, Terry England, Sam Brownback, Rick Santorum e amigos sequer sabem quem foi Sojourner Truth?</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p>[+] Vídeo &#8211; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=s49HkpsbHmM" target="_blank">Republicans, Get In My Vagina!</a></p>
<p>A tradução deste post contou com a ajuda providencial de <a href="http://blogueirasfeministas.com/author/karla-avanco/" target="_blank">Karla Avanço</a>.</p>
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