Sapatão Bissexual, prazer!

Texto de Jussara Cardoso para as Blogueiras Feministas. 

Sapatão, sapata, sapatona, caminhoneira, bofinha, fancha, masculina, entendida e outras palavras, são termos que ouço direcionados a mim desde criança. Fui uma criança sapata/sapatinha, sou hoje uma adulta sapatão. Boa parte da minha infância e adolescência, sempre preferia roupas consideradas masculinas. Gostava de brincar, correr, pular e quando estava de vestido não podia brincar com tanta liberdade. Então, odiava usar vestidos e saias. Mas o fato de eu odiar saias porque não me deixavam brincar usando elas, acredito não ter sido considerado por muitas pessoas. A conclusão óbvia era “essa menina vai ser sapatão”, afinal ela se veste “como um menino”. “Veste outra coisa, tá parecendo homem”, deve ter sido a frase que mais ouvi em toda a minha vida.

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Com a Gestão Dória, Prefeitura de São Paulo corta atendimento a vítimas de violência doméstica e protetores de animais

Texto da Equipe de Coordenação das Blogueiras Feministas.

Movimentos de Mulheres e Protetoras de Animais Independentes denunciam o fim de programas essenciais em São Paulo.

Logo no começo de seu mandato, o “gestor de São Paulo”, João Dória, extinguiu a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. A partir daí já sabíamos que as mulheres de São Paulo iriam ter problemas.

O atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica aumentou 31% nos centros de defesa e convivência da capital paulista, no primeiro trimestre de 2017. Apesar da alta, a gestão do prefeito João Doria cortou em R$ 3 milhões a verba repassada para o funcionamento dos espaços. Nos três primeiros meses de 2016, 9.228 mulheres procuraram ajudam nos Centros de Defesa e Convivência da Mulher (CDCM) espalhados pela cidade. Em 2017, no mesmo período, 12.138 atendimentos foram realizados. Referência: Gestão Doria corta verba de atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica.

Os bairros líderes em atendimento estão na Zona Sul e na Zona Leste. Os casos mais comuns que são levados aos CDCMs são de estupros, ameaças e espancamentos, que podem até terminar em mortes. Como proteger essas mulheres cortando custos? Qual o motivo da prioridade de Dória de se colocar contra as mulheres?

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Como Nossos Pais: um filme feminino que quer ser feminista

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Atenção! Esse texto contém spoilers!

Na maioria das críticas que li sobre o filme Como Nossos Pais, o feminismo foi pontuado: “anseios e conflitos da mulher neste século”; “os dilemas da supermulher”. Então, começo dizendo que não classifico como um filme feminista, mas isso não é importante. O bom de Como Nossos Pais é que ele é um filme feito por mulheres e onde elas são a história principal. Tudo gira num núcleo familiar, onde sabemos que decisões e ações não são fáceis de serem tomadas.

Ao avaliar o filme por um viés feminista, classifico-o como branco e burguês. Rosa (Maria Ribeiro) vive dramas de uma mulher branca de classe média, alguém que não parece ganhar muito bem, mas tem móveis assinados incríveis na sala. É difícil achar uma pessoa negra no filme, é difícil encontrar diversidade. Mas, dentro de todos os clichês, Rosa poderia ser eu ou uma de minhas amigas. Uma mulher entre 35 – 45 anos que lida com um marido esquerdomacho, uma mãe egoísta, um amante feministo. O filme acaba sendo divertido justamente por condensar tão bem tantos clichês do feminismo da internet atual.

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