Candidatas feministas – Anaterra Viana

Sobre a candidata

Anaterra Viana é candidata a vereadora PT na cidade de Curitiba-PR.

Página: https://www.facebook.com/anaterra13123/?fref=ts

Entrevista

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Militante feminista, ativista das artes e cultura, ciclista, militante das causas populares. Fiz parte de coletivos de arte da construção e organização da marcha das vadias de Curitiba de 2011 a 2013. Construí o coletivo Saia de Bici, mulheres ciclistas e hoje faço parte do Forum Popular de Mulheres, sou Secretaria Geral do Conselho dos Direitos da Mulher de Curitiba licenciada. Fui candidata a deputada estadual em 2014 e hoje sou candidata a vereadora.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?
A violência contra a mulher, principalmente a mulher negra e periférica, o assédio e medo constante das mulheres em serem estupradas e violentadas. Além da falta de estrutura para mães sozinhas que arcam com a responsabilidade total sobre as crianças e muitas vezes não tem direitos básicos, como vagas nas creches.

Imagem da campanha eleitoral de Anaterra Viana.
Imagem da campanha eleitoral de Anaterra Viana.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?
O empoderamento feminino em todas as esferas, dar maior visibilidade as causas das mulheres e ao movimento feminista. Mais vagas nas creches, luta pelo respeito de todas as mulheres, principalmente as negras, periféricas, as trans, as lésbicas, as mães sozinhas, as portadoras de deficiência que são as que mais sofrem pelo preconceito  na sociedade, não em mesma escala mas lutar para que sejam vistas as especificidades e necessidades de cada mulher da sociedade, principalmente as que mais precisam.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

As mulheres tem mais dificuldade em fazer arrecadação e assim ter estrutura para fazer campanha, geralmente ficam muito sozinhas durante o período. Ainda existe muito preconceito na mulher no espaço politico, os homens ainda fazem os debates nos banheiros masculinos, precisamos aumentar a quantidade de mulheres, principalmente feministas nos espaços de poder, tendo mais visibilidade e assim conseguindo avançar em politicas publicas para mulheres.

 

Candidatas feministas – Luisa Stern

Sobre a candidata

Luisa Stern é candidata a vereadora pelo PT  na cidade de Porto Alegre.

Página: https://www.facebook.com/luisa13700/?fref=ts

Entrevista

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?
Sou mulher transexual, advogada, transfeminista, militante dos Direitos Humanos e Direitos LGBT. Neste ano de 2016, participei das Conferências Nacionais Conjuntas LGBT e de Direitos Humanos e também da Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, como Delegada eleita pela sociedade civil.
Também atuo como advogada voluntária no movimento social de travestis e transexuais e no serviço de assessoria jurídica universitária, com enfoque em casos de violência doméstica, discriminação contra pessoas LGBT e retificação do registro civil de travestis e transexuais.
2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?
O principal problema enfrentado pelas mulheres é a crescente onda de conservadorismo, com a criação de um falso debate nas casas legislativas sobre uma suposta “ideologia de gênero” e o aumento assustador nos casos de violência doméstica, feminicídios e transfeminicídios.
O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT no mundo, com grande ênfase nos assassinatos de mulheres travestis e transexuais, e várias outras situações de violência, como os estupros corretivos de mulheres lésbicas e homens transexuais.

Imagem da campanha eleitoral de Luisa Stern.
Imagem da campanha eleitoral de Luisa Stern.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?
Vou abordar o feminismo interseccional, da maneira mais ampla possível, abrangendo os recortes de classe, raça, orientação sexual, identidade de gênero, liberdade e respeito á diversidade religiosa e ao estado laico.
4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?
As dificuldades são enormes para todas as mulheres, pois o sistema político é construído de forma a beneficiar os homens brancos, ricos, cisgêneros e heterossexuais. Se já é difícil para um feminista cisgênera, para uma mulher transexual e transfeminista, as dificuldades são ainda maiores, pois além de tudo, ainda temos que enfrentar alguns preconceitos e “fogo amigo” vindo de setores do feminismo que não aceitam como mulheres.
Para lutar contra isso, eu costumo citar uma frase da Butler, proferida em um discurso na época do Occupy Wall Street, quando ela disse que:
“SE A ESPERANÇA É UMA DEMANDA IMPOSSÍVEL, ENTÃO NÓS DEMANDAMOS O IMPOSSÍVEL!”

Candidatas feministas – Cláudia Mallmann

Sobre a candidata

Claudia Mallmann é candidata a vereadora pelo Psol na cidade de Toledo-PR.

Página: https://www.facebook.com/claudiapsol50/

Entrevista

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?
Sempre fui muito questionadora e, desde que me lembro, sofro com as desigualdades. Na adolescência, eu costumava passar de sala em sala para falar sobre a importância do Dia Internacional da Mulher, dos direitos que ainda não tínhamos e dos que estavam ameaçados. Entrava em qualquer briga em que eu pudesse me posicionar na defesa das mulheres e dos grupos LGBTs. Acho que aí eu já era feminista.
Em 2004, participei da Primeira Conferência Nacional de Políticas Publicas Para Mulheres. Foi uma experiência muito importante. Depois entrei na graduação em Ciências Sociais, na UNIOESTE, onde participei do Movimento Estudantil integrando o Centro Acadêmico do Curso. Esse período foi de uma militância mais intensa. Organizávamos manifestações e pautávamos a política do município. Participei de Conferências de Educação, Juventude, Cultura, etc.
Em 2011, após me graduar, mudei-me para o Sudoeste Paranaense, onde dei aula de Sociologia em duas escolas estaduais. As aulas sempre tiveram como foco a construção humana e cidadã, dos alunos. Feminismo sempre foi uma pauta das aulas em todas as turmas em que lecionei.
Hoje moro novamente em Toledo, sou casada, mãe de dois meninos, milito no PSOL, e produzo arte questionadora principalmente com pautas feministas.

Imagem da campanha eleitoral de Cláudia Mallmann.
Imagem da campanha eleitoral de Cláudia Mallmann.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?
Hoje temos inúmeros problemas a enfrentar. A violência doméstica ainda é o maior problema, em minha opinião. Coloca-se a mulher numa situação análoga à escravidão. De modo que ela não tem domínio sobre a própria vida e o próprio corpo. Seus feitos são invisibilizados, suas vontades anuladas, e a sua vida está sempre em risco. A Lei Maria da Penha foi um ganho, mas ainda é ineficiente em alguns casos, principalmente por não ser aplicada integralmente, e pelo despreparo das instituições no atendimento às vítimas.
Outros problemas muito importantes a serem combatidos são: a cultura do estupro e a culpabilização da vítima; as violências contra lésbicas e mulheres trans; violência obstétrica; criminalização do aborto; a situação das mulheres em presídios; e principalmente, fazendo um recorte de classe, tudo que atinge às mulheres pobres, negras e periféricas, que são as mais afetadas quando há ausência que serviços públicos de qualidade, como educação, segurança e saúde, por exemplo.
3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?
É difícil, como vereadora abordar um único tema em uma sociedade tão conservadora e machista como é a nossa. Talvez a questão da educação sobre diversidade e gênero seja o primeiro passo para essa mudança. Essa pauta foi retirada integralmente dos Planos Municipais de Educação de vários municípios do país, inclusive aqui em Toledo, mas deve ser recuperada e incluída em projetos que visem o respeito a diversidade em todas as fases da educação.
Se possível apoiarei coletivos e movimentos já existentes e projetos para o combate aos demais problemas, em especial a violência doméstica.
4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?
Ótima pergunta! Temos um sistema político machista e conservador. Ser mulher já é por si só uma batalha diária. Ser mulher, mãe, feminista, socialista e estar na política, hoje eu posso dizer que é uma guerra muito dura.
Tem coisas que me abalavam no começo, mas tenho tentado reverter isso em coragem e força para avançar mais. Ouvi homens e mulheres dizerem que não votam em mulher, justificando que a mulher não tem capacidade para administrar, governar, etc. Outros perguntaram se sou casada e quem é meu marido. Fui assediada várias vezes, com apertos de mão mais demorados, beijos na mão, no rosto, abraços, mão na minha cintura, e a frase clássica “vou votar em você porque você é bonita”.
Talvez por causa das cotas de 30%, hoje a gente tem um número maior de mulheres candidatas, sem dúvida é um ganho. Mas mulheres candidatas com consciência da condição de Ser Mulher e das nossas necessidades para avançarmos numa sociedade mais justa, humana, igualitária e plural. Essas ainda são poucas, infelizmente.
Espero estar com todas as outras feministas que estão na política dando um passo a mais na construção dessa igualdade que tanto almejamos!