Mutilação genital feminina

Texto de Bia Cardoso.

A Suely Oliveira avisou essa semana que dia 06 de fevereiro é o Dia Internacional de Tolerância Zero Contra a Mutilação Genital Feminina. Uma questão que compromete a saúde e a vida sexual de milhares de mulheres pelo mundo. Uma violência que não respeita limites e impõe-se sobre o corpo e os direitos de muitas mulheres, especialmente meninas.

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Um dos mais horrendos casos de violência contra a mulher, a mutilação genital feminina é uma prática em que o clitóris e/ou os lábios vaginais das mulheres são cortados, removidos ou costurados, dependendo da tradição local. Essa prática pode ocorrer em diferentes idades, no período depois do nascimento ou até a primeira gravidez. Porém, o mais comum é que seja praticada em meninas entre 4 e 8 anos.

Na maioria dos casos as mutilações são realizadas utilizando-se instrumentos rudimentares como facas, navalhas, agulhas, espinhos ou até mesmo pedaços de vidro. Não há esterilização dos instrumentos e nem anestesia para as vítimas, o que pode acarretar morte ou infecção pelo vírus da AIDS e outras doenças.

No mundo inteiro, especialmente em países africanos e asiáticos, 150 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de mutilação genital. Na maioria das vezes a razão apresentada para justificar a barbárie sustenta-se em tradições que preconizam que a mulher é purificada ao ser mutilada. Muitas vezes é difícil falar sobre tradições culturais, algumas pessoas acreditam que a cultura deva ser respeitada acima de tudo. Porém, a mutilação genital é uma violência que tem como único objetivo extirpar da mulher o direito de ter prazer sexual.

Este não é um costume inofensivo, pois causa danos físicos e psicológicos e pode levar à morte mulheres de várias idades. Esta mutilação viola o direito da mulher de se desenvolver sexualmente de um modo saudável e natural. E há também os custos e sequelas decorrentes de complicações físicas, como sangramentos e infecções. A mutilação genital é uma ofensa grave aos direitos humanos em geral, e aos direitos da mulher e da criança, em especial.

Existem vários tratados internacionais que condenam a prática da mutilação genital feminina e eles devem ser ratificados pelos países. Porém, a prática ainda persiste e é preciso continuar a esclarecer as pessoas sobre as terríveis consequências sofridas pelas mulheres que são obrigadas a passar por essa violência tão absurda. Uma violência que permanece com elas por toda vida, uma dor indescritível.

[+] Dica de Livro e Filme:

Waris Dirie foi circuncidada aos 5 anos. Após conseguir fugir de um casamento arranjado por seu pai aos 13 anos, ela foi para Londres, trabalhou como doméstica e atendente em lanchonetes, foi descoberta por um fotógrafo, tornou-se modelo internacional e ferrenha ativista contra a circuncisão feminina. Hoje é embaixadora especial da ONU. Sua história, contada no livro “Flor do deserto”, virou filme com o mesmo nome.

[+] Outros posts sobre o assunto:

Dia Internacional Contra a Mutilação Genital Feminina – 06 de fevereiro.

E o lixo do banheiro, quem tira?

Texto de Tica Moreno.

Quem nunca se preocupou em trocar o lixo do banheiro, que sempre achou que este desaparecia num passe de mágica, deve ter ficado preocupada ao ler a matéria sobre a dificuldade de se encontrar empregadas domésticas nas grandes metrópoles, que saiu domingo na Folha Cotidiano: Achar doméstica vira desafio e famílias tem que mudar hábitos.

Limpar o banheiro, a cozinha, lavar roupa suja, estender e passar, lavar o box do chuveiro, o vidro da janela, o chão da área de serviço. As empregadas domésticas fazem todo aquele serviço que ninguém gosta de fazer. As diaristas tem um trabalho ainda mais intenso. Muitas vezes, tem que fazer o trabalho de uma semana em um dia. É um serviço penoso, pesado, que dá dor nas costas, que te expõe a produtos de limpeza que podem fazer mal para saúde.

Fora cozinhar, não conheço outras tarefas domésticas que as pessoas dizem gostar de fazer.

O enfoque da Folha escancarou a preocupação de um setor da sociedade que está, ou estava, (mal) acostumado a ter alguém 24 horas disponível. Os exemplos tinham a ver com as empregadas domésticas que dormem no serviço, trabalham nos finais de semana, folgam a cada 15 dias.

Gente, nem quem adora muito o emprego que tem gostaria de dormir nele, né?

Alguma coisa está errada em uma sociedade que acha super normal que você repasse para outra pessoa uma série de tarefas necessárias para seu bem estar. Tarefas que você não gosta de fazer, mas não vive sem. A outra pessoa pode ser sua mãe, sua avó, sua irmã, sua namorada – que fazem de graça. Ou pode ser uma empregada doméstica, ou diarista, que faz por um salário bem baixo. E aí tem gente que ainda reclama que “tá caro”.

Cena do documentário Domésticas (2012) de Gabriel Mascaro.

O mínimo, para começo de conversa quando a gente fala de emprego doméstico, deveria ser considerar que as mais de 7 milhões de pessoas que são empregadas domésticas — mais de 90% mulheres, a maioria negras — são trabalhadoras/es que deveriam ter direitos trabalhistas garantidos, como a obrigatoriedade do FGTS e 40 horas de jornada semanal. Mas a realidade é outra, como a própria reportagem aponta: apenas 27,5% tem carteira de trabalho assinada.

E, um entrevistado mencionou que, como nos países ricos, a tendência é que ter empregada doméstica viraria luxo. Ele só esqueceu de comentar que em vários países da Europa, que não tinham a tradição do emprego doméstico como nós temos aqui no Brasil, o emprego doméstico está crescendo. Babás, cuidadoras, empregadas domésticas. Ganham pouco, pouquissimo. Na maior parte das vezes são imigrantes em uma situação irregular no país.

Acho que é muito difícil discutir o assunto do emprego doméstico sem olhar para o trabalho doméstico como um todo, incluindo o trabalho doméstico não remunerado que nós fazemos todos os dias.

E parto aqui da premissa de que o trabalho doméstico não é responsabilidade natural das mulheres. Mas o que ainda acontece é que somos nós que gastamos mais horas das nossas vidas fazendo esse trabalho. A média semanal é de 25 horas para as mulheres e 10 horas para os homens. E, vejam só, a média entre as mulheres casadas aumenta pra 29,2 horas! Ou seja, ser casada/dividir a casa acaba dando mais trabalho!

É a combinação da desigualdade social, de gênero e racial que permite que 16,4% das mulheres ocupadas no Brasil sejam empregadas domésticas. É a principal ocupação feminina. Para esse número diminuir, precisa ainda de muita coisa: mais alternativas de empregos decentes e com garantia de direitos para as mulheres, ampliação dos serviços públicos, garantia de creches públicas e educação infantil em horário integral e uma profunda alteração na divisão sexual do trabalho.

Ou seja, o Estado tem que assumir a garantia de serviços que rompam com a idéia de que a produção do viver deve se dar só dentro de casa. Restaurantes populares, lavanderias coletivas e creches são um caminho. E os homens tem que assumir sua responsabilidade nas tarefas domésticas. Não basta só ajudar de vez em quando a trocar uma lâmpada ou lavar a louça. Precisa dividir e assumir as tarefas.

Um país com justiça social não pode ter como principal ocupação feminina um serviço que ninguém mais quer fazer.

The Runaways – Garotas do Rock

Texto de Bia Cardoso.

Que tal um filme totalmente #GirlPower? A dica, que está chegando em dvd e blue-ray, é The Runaways – Garotas do Rock.

Em 1975, surgiu a primeira banda de rock, que fez sucesso, formada somente por garotas. O filme The Runaways conta a história de como a guitarrista Joan Jett conheceu o produtor Kim Foley e a vocalista Cherie Curie (as três peças chaves da banda segundo o filme), e todo o trajeto da fama até o fim da parceria após inúmeras brigas.  Parece uma cinebiografia como qualqer outras mas há razões especiais para vocë ver o filme:

– A história de Joan Jett. É bacana assistir como Joan tem o sonho de ser uma rockstar e isso a persegue. Ela quer muito aprender a tocar guitarra e vai fazer isso contra tudo e contra todos. A banda e a música são sua vida e Kristen Stewart sabe nos mostrar que Joan nunca irá desistir de seu sonho.

– Dakota Fanning prova que cresceu e tem muito a mostrar como atriz. A cena de abertura é extremamente feminina e determina que o filme é sobre mulheres e, como elas se sentem deslocadas num mundo machista que não lhe abre oportunidades de ser quem querem ser. Dakota está linda, angelical, sexy e agressiva quando o papel exige. Uma pena que não teve seu talento reconhecido nas premiações. Uma atuação memorável.

– O filme foca em Joan Jett e em Cherie Currie. Infelizmente as outras meninas da banda não aparecem muito, mas dá para notar que cada uma tem personalidade própria e que fizeram história tornando-se a primeira banda famosa de garotas.

– Como toda cinebiografia rock`n roll sexo e drogas são presenças garantidas. Mas há espaço para histórias pessoais e perrengues familiares, mostrando que toda estrela do rock tem uma vida ordinária por trás.

– O show do Japão foi reproduzido com perfeição e você pode conferí-lo no youtube.

– Até hoje é difícil encontrar bandas formadas apenas por garotas. Esse já é um bom motivo para conferir The Runaways – Garotas do Rock.

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