A delícia em se ter uma irmandade travesti

Texto de Ana Flor para as Blogueiras Feministas.

Talvez esse seja um dos melhores textos do qual tive o prazer de escrever. Principalmente por conceber o quão nossas novas gerações de travestis estão empenhadas em ressiginifcar o conceito de irmandade. Algo que me toma de amor. No mais profundo sentido da palavra. Termos o direito de amarmos umas as outras é perceber que estamos sendo humanizadas em um espaço-tempo que nunca desejou esse feito.

Assim sendo, não é preciso muito para identificar que historicamente fomos construídas dentro de uma rivalidade que nos afundou no campo da solidão. Encontrar-se sozinha era sinônimo de travesti. Infelicidade tornou-se, durante décadas, uma rotina. Tesouras e giletes desfilavam em nossos corpos como demarcação de território sagrado e campo minado. Distância tornava uma esquina segura. Mudar o lado era regra. Afinal, perigo. Em outras palavras: desafeto. Construção social do projeto de desumanização do direito de ser e viver travesti.

Aproveito para abrir um parêntese e destacar como não desconsidero que nossas mais velhas traçaram rotas de fugas para permanecer juntas e seguras, mas sim que tento apontar como estamos, hoje, concretizando o que no passado, talvez, fosse uma exceção: o amor. E não apenas o “amor”, mas o amor travesti.

Construir redes de afeto nos possibilita crescer. É absurdamente lindo como Liniker e Linn nos permitem visualizar uma felicidade travesti. Digo isso, pois acredito que as meninas também devem ter recebido o convite compulsório da prostituição, uma vez que estamos no Brasil, o país que se orgulha em nos submeter a essa profissão como se outras não fossem possíveis.

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