“Livre” e a superação feminista da protagonista

Texto de Raiana Pereira para as Blogueiras Feministas. Atenção! Este texto contém spoilers!

O filme “Livre” (Wild, 2014) é baseado no livro “Livre – A Jornada de uma Mulher em Busca do Recomeço” de Cheryl Strayed. Conta a história de uma mulher que percorreu a famosa trilha Pacific CrestTrail, que atravessa a costa oeste americana, desde o México até o Canadá.

Para a protagonista, Cheryl, o principal motivo da aventura é se autoconhecer e lidar com uma tragédia recente que ocorreu em sua vida – a morte da mãe. Mas o filme também traz um ponto central muito interessante à tona: o caminho em direção à autoaceitação, com temas escancaradamente feministas.

O filme reflete de maneira sincera os desafios de uma mulher em conflito, tanto com suas escolhas passadas quanto com acontecimentos que ela não pôde controlar. Os obstáculos expõem delicadas camadas que surgem à medida que Cheryl enfrenta situações difíceis ao longo do caminho, em que ela se depara com seus receios, suas fraquezas e sua falta de preparo físico para lidar com todo o contexto da aventura.

Superação e autoconhecimento

Alguns pontos de superação se destacam na trama. Entre eles, o ato de se perdoar. Por conta do passado repleto de drogas e sexo, Cheryl passa muito tempo sentindo o peso de suas ações. Mas, olha que interessante: ela divaga bastante sobre a grande possibilidade de ela já ter sido perdoada. De ela ter feito as escolhas que fez porque quis fazê-las. De ela não ser vítima das consequências, e sim, protagonista completa delas. De as coisas terem acontecido da maneira que aconteceram para levá-la até esse ponto da vida.

O perdão gera uma clareza por meio da qual Cheryl antes não enxergava. Sem a mãe por perto, ela é “forçada” a fazer todo o trabalho de rejeitar sua própria culpa e vergonha, o que significa colocar de lado os famosos padrões sociais marcados por gênero que a fazem sentir-se culpada. É muito bacana assistir à transformação dela e o processo de entendimento dessas coisas e também sua resistência.

Outro ponto interessante que vale a pena destacar é que, geralmente, livros e filmes sobre a vida solitária e o trekking no meio da vida selvagem são centralizados em protagonistas masculinos. São atos de autossuficiência, rebelião ou reflexão masculina. Em “Livre”, Cheryl enfrenta a experiência com uma dimensão a mais de fugir das expectativas comuns esperadas da mulher: concursos de beleza, “dupla moral” para padrões sexuais entre o homem e a mulher, e a obrigação de cuidar da família e prover por ela.

Infelizmente o filme já saiu dos cinemas, mas você pode encontrá-lo em serviços de locação ou na internet. Vale a pena fazer uma pesquisa e se emocionar com esse filme.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=ekWi2bTNBHI]

Vídeo – Trailer do filme “Livre”.

Autora

Raiana Pereira é estudante de comunicação.