Feminismo pra quê?

Texto de Marília Cairo para as Blogueiras Feministas.

Ser mulher por si só remete a muitos rótulos. Esperar que a mulher atenda à padrões estéticos que não a representam, ou que assuma quase que integralmente a educação dos filhos são exemplos corriqueiros. É como uma promessa, como se alguns padrões já estivessem definidos no nosso DNA. Se é mulher, logo…

Mas, no universo de mulheres possíveis, que conquistaram o direito de decidir por si próprias, cabem muitos perfis. Dona de casa. Mãe. Sim. Mas também empreendedora, chefe de família, solteira por opção, e mais o que vier. Mulheres que os antigos modelos já não dão conta mais.

No entanto é fácil ver que, apesar do legado deixado pelas lutas sociais femininas, apesar das suas próprias batalhas pessoais, muitas mulheres ainda se desdobram para atender às pesadas expectativas sociais. É lugar comum falar do sentimento de culpa que acompanha a liberdade de decidir. Seja a culpa por trabalhar e não poder estar com os filhos em tempo integral ou, na contramão, a culpa por priorizar a família, deixando de lado importantes metas individuais.

Uma melhor qualidade de vida da mulher implica na tomada de consciência do seu próprio direito legítimo de escolher, e também na formação de uma estrutura social que acompanhe as conquistas femininas, passando pela igualdade de oportunidades de trabalho e de salários, e pelo compartilhamento de responsabilidades no seio familiar. Então quem sabe poderemos ver relações mais equilibradas e saudáveis para homens e mulheres.

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Estudando para o vestibular através do YouTube: uma opção para mulheres que são mães

Texto de Renata Arruda para as Blogueiras Feministas.

Depois de se tornar mãe, continuar os estudos é uma tarefa muito mais difícil, principalmente para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e/ou que não têm uma grande rede de apoio. De acordo com um recente levantamento realizado pelo IBGE, dos quase 25 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos que não frequentam a escola, 26,1% das mulheres estão nessa situação devido à necessidade de cuidar de afazeres domésticos ou de uma criança, idoso ou pessoa com deficiência. Esse número é 32 vezes maior que o dos homens, já que apenas 0,8% deles declarou estar fora da escola pelos mesmos motivos.

Outro estudo importante realizado pelo IBGE, o Aprendizado em Foco, revelou que do total de 1,3 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola sem o ensino médio concluído, 610 mil são mulheres – 35% destas já eram mães. Dentre as mães, apenas 2% conseguiu dar continuidade aos estudos. Em 2013, os dados mostravam que 68% das adolescentes com filhos paravam de estudar antes de completar o ensino médio.

Ainda que, como apontado no primeiro parágrafo, não é apenas a maternidade que afasta as mulheres dos estudos, mas afazeres domésticos e familiares variados que as mantém ocupadas dentro de casa a maior parte do tempo e muitas vezes ainda as obriga a trabalhar desde cedo para manter a família, é sabido que o fato de se tornar mãe costuma ser o principal fator de alienação acadêmica das mulheres. Em um vídeo publicado pelo Coletivo de Pais e Mães da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (COPAMA – UFRRJ), uma estudante declara que seus pais a incentivaram a largar os estudos após ela ter engravidado enquanto cursava a graduação. “Por que você não começa a trabalhar e larga essas besteiras aí. Vai estudar pra quê? Você tem um filho agora”, foram as frases que ouviu. Internamente, o dilema: “Eu vou trabalhar para pagar alguém para ficar com eles? Vou perder meu diploma e o crescimento dos meus filhos”.

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Uma carta para todos os machistas que já conheci

Texto de Jenifer Lucarelli para as Blogueiras Feministas.

“O silencio mantém o status quo. Eu decido falar. Eu decido me levantar.” Isatou Touray*

A dor corroeu meu corpo, minha alma, minha mente e coração. O seu machismo meu deixou em cacos, me desculpei por coisas que não deveria me desculpar, seu machismo transcendeu meu corpo. Feriu, ardeu e queimou todas as memórias boas que tinha sobre você. Talvez, porque eram fantasiosas da minha parte.

Idealizar demais alguém foi meu erro, pensar que você cabia em mim, você é pequeno e eu sou uma imensidão. Qualquer sinal de doçura vindo da sua parte, um olhar, uma mensagem bonita, um elogio, sanava de alguma forma toda a grosseria. Como aquele agrado que a gente recebe depois de um tapa.

Você provavelmente foi criado num lar onde a mulher é menosprezada e submissa, mas o mundo aqui fora não é o seu lar, existem outros indivíduos com pensamentos diferentes e valores também, a mulher não é sua submissa, não é seu objeto de prazer e não é sua serva.

Seu círculo social pode muito bem concordar com suas ideologias machistas, mas desumanizar e objetificar não é o correto, é cruel e deixa marcas muitas vezes que não se apagam em quem sofre com isso.

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