A visibilidade trans em 2016

Texto de Sophia Starosta para as Blogueiras Feministas. 

A visibilidade trans está em situação emergencial. A visibilidade política da comunidade trans pode ser recente, mas esta ameaçada assim como a vida de mulheres trans e travestis está acentuadamente mais em risco em 2016. Com apenas 19 dias de 2016, mais de 50 mulheres trans e travestis foram assassinadas. Pense nesse número: quase três mulheres trans por dia, apesar da população relativamente pequena. Ao que parece, enquanto a sociedade por um lado se volta para as questões de gênero, tornar visível esta população também torna visível o número absurdo de mortes. E também incomoda, até dentro do feminismo, e põe em risco quem está em situação de maior fragilidade.

Os riscos não são só para travestis e mulheres trans: a violência contra a mulher negra aumentou assustadoramente em 2015 (embora a contra a mulher branca tenha diminuído). Estupros corretivos em mulheres lésbicas tem crescido também. Por que estes corpos são alvos? E o que eles tem em comum? Dentro da violência contra toda e qualquer mulher, o corpo marcado como feminino que ainda soma mais fatores de diferença recebe um nível maior de desprezo. A transfobia, por exemplo, mata quase que exclusivamente mulheres trans e travestis: os homens trans sofrem transfobia, mas não sofrem a violência que as mulheres trans e travestis sofrem. Talvez seja pelo desprezo social ao feminino, mesmo marginal: a idéia de “uma mulher” virar “homem” pode ser vista como “rídicula” mas natural, afinal quem não quer ser o “ser superior”? Merece quiçá pena, nunca terá o “sagrado falo” como um “homem de verdade”. Mas “um homem” que “vira mulher” é abominável pois como entender alguém que abdica da “superioridade” para ser “inferior”? Só pode ser doença. E como um cachorro doente, resta apenas “sacrificar o animal”.

Bandeira do orgulho trans.
Bandeira do orgulho trans.

As mulheres trans e travestis morrem por significar mais que só uma transgressão de gênero, mas um corpo representando o tão odiado feminino. E um feminino que não “nasce inferior” como a mulher cis (ou amapoa), mas “torna-se inferior” por “vontade própria” (na cabeça das pessoas). É claro que nenhuma dessas descrições representa a verdade da experiência trans: pessoas trans tem tanta escolha no seu gênero quanto pessoas cis. Apenas mostra visões sobre pessoas trans que são as bases para os níveis de violência. Pessoas trans as vezes são usadas como símbolos, além de objeto. São mortas como símbolos também: corpos expostos em lugares públicos, nuas, mutiladas quase que ritualisticamente, torturadas como quase que para mandar uma mensagem: “Que ninguém ouse abdicar do ser masculino e sua superioridade”.

Juntamente com as mulheres trans e travestis, existem outros femininos não hegemônicos, marginalizados, que são pesadamente afetados. Não são só as pautas trans que sempre foram pouco visíveis: a saúde e a sexualidade da mulher lésbica por exemplo, tem sido largamente ignorada. Será que uma sexualidade que não seja para o olho masculino incomoda? Incomoda e merece o desprezo numa sociedade androcêntrica. Precisamos entender que qualquer corpo marcado pelo feminino, até o do homossexual masculino afeminado, sofre algumas punições. E os corpos de mulheres trans, mulheres negras e  mulheres lésbicas tem sido sistematicamente invisibilizados e punidos. Estamos em um momento de extrema cautela dentro da comunidade trans, que por sinal, comporta mulheres trabalhadoras, mães solteiras, negras, lésbicas, além de claro, homens trans de todas as cores e sexualidades. Mas lembremos que existe um perfil: a maioria das mulheres trans e travestis mortas é negra, de classe baixa, e praticamente todas são prostitutas (o que não deveria surpreender visto quase 95% de toda a população de travestis e mulheres trans é profissional do sexo). No caixão não cabem caixinhas separando as pessoas como nas pautas políticas: o movimento social fala separadamente em direitos da mulher, direitos LGBT, direitos do trabalhador, direitos da população negra, etc. As mulheres e travestis mortas em 2016 não eram só trans: eram trabalhadoras, prostitutas, negras, periféricas. Suas mortes não são “só mortes trans”. E nos informam que sim, estamos vivendo no país mais transfóbico do mundo, e devemos lembrar disso, mas também que este é um país do feminícidio, do genocídio da juventude negra e racismo, da putafobia, etc. Estes números devem interessar mais que somente nós, pessoas trans, pois ele reflete ataques a diversos grupos e acima de tudo à dignidade humana, especialmente das diversas mulheridades. E deveriam importar sobretudo a todxs nós que nos dizemos feministas. Porque não pense que as mortes de jovens negros, mulheres trans e o projeto de lei de Eduardo Cunha não são relacionados: a autonomia corporal e identitária, segura e justa, para os corpos que estão “abaixo” na suprema hierarquia patriarcal, é a base de todas essas violências. É a mesma dominação que quer mandar em nossos corpos: alguns pra cozinha, outros pra senzala e outros pras esquinas. Infelizmente muitos para o cemitério.

Autora

Sophia Starosta é parte da Redtrans (Rede Nacional de Pessoas Trans), do NUPSEX da UFRGS e do Centro de referência em Direitos Humanos da UFRGS. Trabalhou como voluntária em organizações feministas e pelos direitos das pessoas trans em Montréal, Canadá. Também é atriz, escritora, ciborgue, batuqueira e sereia.

10 coisas para NÃO dizer a uma mulher bissexual

Texto de Lindsay King-Miller. Publicado originalmente com o título: ’10 Things Not to Say to a Bisexual Woman’ no site Cosmopolitan.com em 29/04/2014. Tradução de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

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Sim, eu quero dormir com homens e mulheres. Não, não com todos ao mesmo tempo. Nem com todos eles.

1. “Quer fazer um ménage com meu namorado e eu?”

Eu quero que você saiba que pensei seriamente em listar apenas essa frase 10 vezes e essa lista já estaria boa. Na verdade, pediria para voltar e reler essa frase mais nove vezes — porque isso é muito importante. Chegar em uma mulher sabendo que ela é bissexual e já solicitar um menage não é remotamente legal, educado ou aceitável. Acima de tudo, isso não vai funcionar. Só porque uma pessoa é atraída tanto por homens como mulheres não significa que ela esteja atraída por você e seu namorado — ou que ela topa qualquer convite para sexo em grupo. E, tratar as mulheres bissexuais como objetos sexuais faz com que elas queiram dormir cada vez menos com você, não mais.

2. “Que incrível — você tem o dobro de chances de ser chamada pra sair!”

Apenas, não. Primeiro de tudo, bissexuais não são necessariamente atraídos pelo dobro de pessoas em comparação com monossexuais (héteros ou gays) — apenas há uma variedade um pouco mais ampla. “Bissexual” não significa “aceitar tudo”. Nós ainda temos preferências. Além disso, muitas mulheres homossexuais e alguns homens heterossexuais não vão sair com mulheres bissexuais por causa dos preconceituosos estereótipos de que bissexuais traem mais ou que são desonestos. Então, assumir-se bissexual, na verdade, pode significar ter menos possibilidades de relacionamentos.

3. “Ah claro, todos experimentamos algo assim na faculdade.”

Não trate a orientação sexual das pessoas como uma fase. Na verdade, a menos que você esteja falando sobre a lua, tente evitar usar a palavra “fase” de modo geral — é ofensivo e demonstra falta de consideração. A identidade sexual de uma pessoa é real, mesmo que essa pessoa seja jovem, ou tenha dúvidas, ou eventualmente se identifique com um rótulo que melhor lhe convém. Além disso, muitas pessoas que definem-se como gay tiveram experiências heterossexuais quando eram jovens e ainda estavam descobrindo o sexo, e nem por isso elas são descritas como alguém que esteve “experimentando a heterossexualidade”.

4. “Mulheres bi sempre acabam virando heterossexuais no fim.”

Curiosamente, eu preciso assumir que conheço mais mulheres bissexuais em relacionamentos longos com homens do que em relacionamentos longos com mulheres. Mas, podemos falar sobre por que isso acontece? Não é porque a bissexualidade não é real ou porque é apenas uma fase. É porque mais homens que mulheres são atraídos por mulheres. A população de homens heterossexuais e bissexuais é simplesmente maior do que a população de mulheres homossexuais e bissexuais, então, assumindo que todos os outros fatores são iguais, é claro que mulheres bi, frequentemente, tem mais chances de encontrar parceiros masculinos. Além disso, infelizmente, por causa da bifobia na comunidade gay muitas vezes é mais fácil para uma mulher bissexual conseguir um encontro com um cara que com uma garota.

5. “Isso não é apenas outro nome para sacanagem?” 

Bissexualidade e promiscuidade são duas coisas totalmente diferentes, e embora eu seja a favor de ambas, é importante que as pessoas não confundam os termos. Você pode ser atraído por homens e mulheres e só ter relações sexuais com uma pessoa em toda a sua vida. Da mesma forma, você pode sentir atração por Taye Diggs e não trair seu parceiro com ele. Você provavelmente não sai por aí apontando literalmente quem você acha que é bonito, porque você é uma pessoa e você tem algum autocontrole. Então, por que você não presume que a mesma coisa acontece com pessoas bissexuais?

6. “Mas do que você gosta mais, homens ou mulheres?” 

Nenhum dos dois. Ambos. Depende de quem está no recinto. Depende da pessoa com quem terminei um relacionamento recentemente. Homens, mas apenas quando mercúrio está retrógrado. Rihanna. Eu não sei, isso não é realmente uma pergunta que tem uma resposta. Bissexuais não são atraídos por todos os homens ou todas as mulheres de uma maneira uniforme mais do que os heterossexuais são. Atração é algo complicado! Eu sei que você está esperando por uma resposta objetiva como: “Eu sou 70% interessada em mulheres e 30% interessada em homens”, mas não é assim que acontece na vida real (e nem vou entrar no fato de que posso sentir atração por pessoas que não se identificam nem como mulheres nem como homens).

7. “Você só está dizendo isso para chamar a atenção dos caras.”

Se esse fosse meu objetivo, eu teria parado de falar cinco segundos depois que comecei. Sim, há uma tipo particular de homem que tende a dar uma atenção especial a mulheres bissexuais assumidas, mas não são o tipo de cara e nem o tipo de atenção que você realmente quer. É o tipo de atenção assustadora, hipersexualizada, objetificada que nunca leva a um bom relacionamento (ou nem mesmo a uma boa transa). Nenhum desses caras dirá algo como: “Você é bissexual? Incrível! Então, conte-me mais sobre seus pensamentos a respeito de literatura pós-colonial”. Se a bissexualidade é o que atrai a atenção deles, esta será a única coisa na qual eles estarão interessados. Eles não querem me conhecer como uma pessoa e eu não quero conhecê-los de maneira alguma.

8. “Então você é gay agora?” (quando você namora uma menina) ou “Então você é hétero agora?” (quando você namora um cara).

A bissexualidade não desaparece só porque a pessoa está num relacionamento monogâmico! Eu não sei porque isso é um conceito tão difícil para as pessoas compreenderem. Nós não alternarmos o botão de gay para hétero dependendo da pessoa com quem estamos nos relacionando no momento. Isso seria muito confuso e difícil de acompanhar. “Cara, Naya Rivera é tão gostosa. Espera, ela é gostosa? Estou gay esta semana? Eu preciso começar a anotar essas coisas”.

9. “Eu gostaria de sair com você, mas sei que você vai acabar me traindo no fim.”

Mais uma vez, só porque você se sente atraído por alguém não significa que você tem que consumar essa ação. Pessoas bi não são mais ou menos propensas a trair do que pessoas homossexuais ou heterossexuais. Portanto, se alguém te traiu e disse que o motivo era por ser bissexual, essa pessoa estava mentindo. Fez isso porque é um idiota. Não saia com idiotas, escolha sair com bissexuais. Somos divertidos!

10. “Bissexuais conseguem tudo mais fácil.”

Sim! Apesar da bifobia na comunidade gay, da bifobia na comunidade hétero, da objetificação sexual, do apagamento de nossas identidades e dos dolorosos estereótipos em relação a nossa desonestidade e infidelidade, para não mencionar toda a frequente rejeição e discriminação enfrentadas por pessoas queer, você está certo, bissexualidade é uma festa sem fim. (Bem, nós geralmente temos cabelos bem legais, por alguma razão.) Em vez de escrever sobre como as pessoas bi são gananciosas, promíscuas, desonestas ou desesperadas por atenção, tire algum tempo para conhecer os problemas que enfrentam e passe a tratá-las como pessoas, não como estereótipos pornográficos. Você ficará mais feliz ao fazer isso. (Mesmo que não role um ménage).

Autora

Lindsay King-Miller é escritora. Vive nos Estados Unidos com sua companheira, muitos livros e dois gatos mimados. Twitter: @AskAQueerChick.

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Bissexual organizada pelo Bi-Sides. 23 de setembro é o Dia Internacional da Visibilidade/Orgulho/Celebração Bissexual.

Visibilidade? (In)visibilidade?

Texto de Andreia Lais Cantelli para as Blogueiras Feministas.

Parabenizo todas as companheiras e companheiros que hoje 29 de janeiro de 2015 estão se mobilizando em suas bases com ações afirmativas com vistas a reduzir a violência e o preconceito que diariamente agride as pessoas Trans, e que também lutam durante o ano todo por uma sociedade plural, sem transfobia, justa e de respeito e paz.

O Dia Nacional de Visibilidade Trans surgiu em 2004 de uma campanha de prevenção para travestis com o tema “Travesti e Respeito”. Onde o objetivo é praticar no cotidiano social o Respeito que para a população de travestis e transexuais na mentalidade social brasileira é invisível. Nesse contexto travestis e transexuais acabam sendo alvo de violência, estigmatização, exclusão, vulnerabilidade e a não participação nas práticas cotidianas sociais, pelo fato de não correspondem a um constructo social heteronormativo e patriarcal. Assim, a partir desse histórico, o dia 29 de janeiro foi instituído como data nacional.

A Sociedade Brasileira tem em sua mentalidade a existência da população de Travestis e Transexuais como fato. Porém, julgam- se no direito de excluir e colocar para bem longe do cotidiano social as pessoas trans, ou seja, à margem social contribuindo assim para a violência que as pessoas trans sofrem cotidianamente. Enquanto as pessoas Travestis e Transexuais buscam construir suas identidades de gênero de maneira autônoma e fora dos padrões pré-determinados por um coletivo dominante heteronormativo. Isso pode ser observado ao longo da História recente e por conta do fundamentalismo e da predominância de que o alheio é o detentor do poder, da razão e da palavra.

Ato da Visibilidade Trans/ Curitiba 2013. Foto de Lari Schip no facebook.
Ato da Visibilidade Trans/ Curitiba 2013. Foto de Lari Schip no Facebook.

 

A aceitação social da violência contra as pessoas Travestis e Transexuais é a própria negação dos direitos fundamentais de toda uma parcela populacional e contribui para o agravamento das injustiças sociais e o afastamento da democracia.

Em um passado recente, uma série de conquistas foram adquiridas como por exemplo o Nome Social. Porém se trata de um direito simbólico, pois toda cidadã ou cidadão brasileiro/a tem direito a um nome civil, que é  tão primordial quanto o direito à vida. Nesse sentido a população trans brasileira não tem garantido o uso do próprio nome enquanto pessoa humana, detentora de direitos e deveres, não podemos nos basear no respeito às diferenças. Sendo que na sociedade contemporânea a vida das pessoas Travestis e Transexuais é um marco de luta e enfrentamento de violência no dia-a-dia.

A Primeira Violência que podemos destacar é no seio familiar. Onde pai e mãe traçam destinos para seus filhos/as, e no decorrer desta trajetória nem sempre o destino traçado é correspondido, principalmente no caso de filhos/as Trans. Inicia-se aí o primeiro ato de violência contra a pessoa Travesti/Transexual. O segundo e talvez o maior trauma na vida das pessoas Travestis e Transexuais encontra-se no ambiente escolar regular, onde na quase totalidade as pessoas trans, por não corresponderem aos constructos sociais pré-estabelecidos acabam evadindo do processo de ensino aprendizagem e, assim, na continuação de suas trajetórias.

A consciência entre a modificação das circunstâncias e a (auto)modificação só pode ser entendida racionalmente como práxis revolucionária, isto quer dizer que não se trata de esperar milagrosamente que um indivíduo transforme circunstâncias, mas sim um coletivo que “supostamente” encontra-se fora da sociedade.

Assim as ações do dia 29 de janeiro da Visibilidade Travesti/Transexual que ocorrem em todo o Brasil são ações legítimas, pois são idealizadas por coletivos institucionais e pessoais que tem o mesmo objetivo: que é lutar para fortalecer a cidadania da população Trans do Brasil, que foi negada durante a história da nação à qual pertencemos. Quando falamos em (in)visibilidade podemos perceber que no decorrer de todas as outras épocas do ano a população de Travestis e Transexuais do Brasil continua na luta para o reconhecimento da visibilidade e da ocupação de espaços e de práticas cotidianas sociais. Luta  que na maioria das vezes é barrada por um Estado fundamentalista e uma sociedade cis-normativa e conservadora.

As pessoas Travestis e Transexuais não possuem um “botão: tornar visível – tornar invisível”. As pessoas trans tem por direito constitucional experimentar todas as ofertas propostas pelos mais diversos seguimentos sociais, sejam públicos das três esferas governamentais, ou ainda organismos da sociedade privada. Travestis e Transexuais são pessoas humanas, e sim devem ter visibilidade em todos os espaços e em todas as práticas sociais como família, educação, mercado de trabalho, saúde, segurança […].

A Violência que invade a vida das pessoas Travestis e Transexuais para a mídia é apenas um fantasma, colocado à sombra. Isso pode ser justificado pelo opressor como uma legitimidade e uma não prioridade na pauta de discussões, como se isso fosse parte do processo civilizador, onde Travestis e Transexuais não se enquadram nesse processo. Para finalizar esse momento/texto de discussão sobre a violência sofrida pelas pessoas Travestis e Transexuais, notamos ainda que na hora do óbito, o empoderamento do corpo, a autenticidade e a construção da identidade de gênero é deslegitimada. Muitas pessoas trans são descontruídas e desempoderadas, sendo enterradas como o alheio conservador e heteronormativo/cis-normativo determina, desrespeitando toda uma trajetória histórica pessoal.

Assim a pessoa trans é referencial de empoderamento do próprio corpo e da própria identidade, marcando visibilidade não apenas no dia 29 de janeiro, mas sim em toda a sua trajetória de vida.

Autora

Andreia Lais Cantelli é professora de história, mestranda em Educação na UFPR e desestabilizadora da cis-normatividade.

Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Trans, organizada pelo site Transfeminismo.