A visibilidade trans em 2016

Texto de Sophia Starosta para as Blogueiras Feministas. 

A visibilidade trans está em situação emergencial. A visibilidade política da comunidade trans pode ser recente, mas esta ameaçada assim como a vida de mulheres trans e travestis está acentuadamente mais em risco em 2016. Com apenas 19 dias de 2016, mais de 50 mulheres trans e travestis foram assassinadas. Pense nesse número: quase três mulheres trans por dia, apesar da população relativamente pequena. Ao que parece, enquanto a sociedade por um lado se volta para as questões de gênero, tornar visível esta população também torna visível o número absurdo de mortes. E também incomoda, até dentro do feminismo, e põe em risco quem está em situação de maior fragilidade.

Os riscos não são só para travestis e mulheres trans: a violência contra a mulher negra aumentou assustadoramente em 2015 (embora a contra a mulher branca tenha diminuído). Estupros corretivos em mulheres lésbicas tem crescido também. Por que estes corpos são alvos? E o que eles tem em comum? Dentro da violência contra toda e qualquer mulher, o corpo marcado como feminino que ainda soma mais fatores de diferença recebe um nível maior de desprezo. A transfobia, por exemplo, mata quase que exclusivamente mulheres trans e travestis: os homens trans sofrem transfobia, mas não sofrem a violência que as mulheres trans e travestis sofrem. Talvez seja pelo desprezo social ao feminino, mesmo marginal: a idéia de “uma mulher” virar “homem” pode ser vista como “rídicula” mas natural, afinal quem não quer ser o “ser superior”? Merece quiçá pena, nunca terá o “sagrado falo” como um “homem de verdade”. Mas “um homem” que “vira mulher” é abominável pois como entender alguém que abdica da “superioridade” para ser “inferior”? Só pode ser doença. E como um cachorro doente, resta apenas “sacrificar o animal”.

Bandeira do orgulho trans.
Bandeira do orgulho trans.

As mulheres trans e travestis morrem por significar mais que só uma transgressão de gênero, mas um corpo representando o tão odiado feminino. E um feminino que não “nasce inferior” como a mulher cis (ou amapoa), mas “torna-se inferior” por “vontade própria” (na cabeça das pessoas). É claro que nenhuma dessas descrições representa a verdade da experiência trans: pessoas trans tem tanta escolha no seu gênero quanto pessoas cis. Apenas mostra visões sobre pessoas trans que são as bases para os níveis de violência. Pessoas trans as vezes são usadas como símbolos, além de objeto. São mortas como símbolos também: corpos expostos em lugares públicos, nuas, mutiladas quase que ritualisticamente, torturadas como quase que para mandar uma mensagem: “Que ninguém ouse abdicar do ser masculino e sua superioridade”.

Juntamente com as mulheres trans e travestis, existem outros femininos não hegemônicos, marginalizados, que são pesadamente afetados. Não são só as pautas trans que sempre foram pouco visíveis: a saúde e a sexualidade da mulher lésbica por exemplo, tem sido largamente ignorada. Será que uma sexualidade que não seja para o olho masculino incomoda? Incomoda e merece o desprezo numa sociedade androcêntrica. Precisamos entender que qualquer corpo marcado pelo feminino, até o do homossexual masculino afeminado, sofre algumas punições. E os corpos de mulheres trans, mulheres negras e  mulheres lésbicas tem sido sistematicamente invisibilizados e punidos. Estamos em um momento de extrema cautela dentro da comunidade trans, que por sinal, comporta mulheres trabalhadoras, mães solteiras, negras, lésbicas, além de claro, homens trans de todas as cores e sexualidades. Mas lembremos que existe um perfil: a maioria das mulheres trans e travestis mortas é negra, de classe baixa, e praticamente todas são prostitutas (o que não deveria surpreender visto quase 95% de toda a população de travestis e mulheres trans é profissional do sexo). No caixão não cabem caixinhas separando as pessoas como nas pautas políticas: o movimento social fala separadamente em direitos da mulher, direitos LGBT, direitos do trabalhador, direitos da população negra, etc. As mulheres e travestis mortas em 2016 não eram só trans: eram trabalhadoras, prostitutas, negras, periféricas. Suas mortes não são “só mortes trans”. E nos informam que sim, estamos vivendo no país mais transfóbico do mundo, e devemos lembrar disso, mas também que este é um país do feminícidio, do genocídio da juventude negra e racismo, da putafobia, etc. Estes números devem interessar mais que somente nós, pessoas trans, pois ele reflete ataques a diversos grupos e acima de tudo à dignidade humana, especialmente das diversas mulheridades. E deveriam importar sobretudo a todxs nós que nos dizemos feministas. Porque não pense que as mortes de jovens negros, mulheres trans e o projeto de lei de Eduardo Cunha não são relacionados: a autonomia corporal e identitária, segura e justa, para os corpos que estão “abaixo” na suprema hierarquia patriarcal, é a base de todas essas violências. É a mesma dominação que quer mandar em nossos corpos: alguns pra cozinha, outros pra senzala e outros pras esquinas. Infelizmente muitos para o cemitério.

Autora

Sophia Starosta é parte da Redtrans (Rede Nacional de Pessoas Trans), do NUPSEX da UFRGS e do Centro de referência em Direitos Humanos da UFRGS. Trabalhou como voluntária em organizações feministas e pelos direitos das pessoas trans em Montréal, Canadá. Também é atriz, escritora, ciborgue, batuqueira e sereia.

10 coisas para NÃO dizer a uma mulher bissexual

Texto de Lindsay King-Miller. Publicado originalmente com o título: ’10 Things Not to Say to a Bisexual Woman’ no site Cosmopolitan.com em 29/04/2014. Tradução de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

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Sim, eu quero dormir com homens e mulheres. Não, não com todos ao mesmo tempo. Nem com todos eles.

1. “Quer fazer um ménage com meu namorado e eu?”

Eu quero que você saiba que pensei seriamente em listar apenas essa frase 10 vezes e essa lista já estaria boa. Na verdade, pediria para voltar e reler essa frase mais nove vezes — porque isso é muito importante. Chegar em uma mulher sabendo que ela é bissexual e já solicitar um menage não é remotamente legal, educado ou aceitável. Acima de tudo, isso não vai funcionar. Só porque uma pessoa é atraída tanto por homens como mulheres não significa que ela esteja atraída por você e seu namorado — ou que ela topa qualquer convite para sexo em grupo. E, tratar as mulheres bissexuais como objetos sexuais faz com que elas queiram dormir cada vez menos com você, não mais.

2. “Que incrível — você tem o dobro de chances de ser chamada pra sair!”

Apenas, não. Primeiro de tudo, bissexuais não são necessariamente atraídos pelo dobro de pessoas em comparação com monossexuais (héteros ou gays) — apenas há uma variedade um pouco mais ampla. “Bissexual” não significa “aceitar tudo”. Nós ainda temos preferências. Além disso, muitas mulheres homossexuais e alguns homens heterossexuais não vão sair com mulheres bissexuais por causa dos preconceituosos estereótipos de que bissexuais traem mais ou que são desonestos. Então, assumir-se bissexual, na verdade, pode significar ter menos possibilidades de relacionamentos.

3. “Ah claro, todos experimentamos algo assim na faculdade.”

Não trate a orientação sexual das pessoas como uma fase. Na verdade, a menos que você esteja falando sobre a lua, tente evitar usar a palavra “fase” de modo geral — é ofensivo e demonstra falta de consideração. A identidade sexual de uma pessoa é real, mesmo que essa pessoa seja jovem, ou tenha dúvidas, ou eventualmente se identifique com um rótulo que melhor lhe convém. Além disso, muitas pessoas que definem-se como gay tiveram experiências heterossexuais quando eram jovens e ainda estavam descobrindo o sexo, e nem por isso elas são descritas como alguém que esteve “experimentando a heterossexualidade”.

4. “Mulheres bi sempre acabam virando heterossexuais no fim.”

Curiosamente, eu preciso assumir que conheço mais mulheres bissexuais em relacionamentos longos com homens do que em relacionamentos longos com mulheres. Mas, podemos falar sobre por que isso acontece? Não é porque a bissexualidade não é real ou porque é apenas uma fase. É porque mais homens que mulheres são atraídos por mulheres. A população de homens heterossexuais e bissexuais é simplesmente maior do que a população de mulheres homossexuais e bissexuais, então, assumindo que todos os outros fatores são iguais, é claro que mulheres bi, frequentemente, tem mais chances de encontrar parceiros masculinos. Além disso, infelizmente, por causa da bifobia na comunidade gay muitas vezes é mais fácil para uma mulher bissexual conseguir um encontro com um cara que com uma garota.

5. “Isso não é apenas outro nome para sacanagem?” 

Bissexualidade e promiscuidade são duas coisas totalmente diferentes, e embora eu seja a favor de ambas, é importante que as pessoas não confundam os termos. Você pode ser atraído por homens e mulheres e só ter relações sexuais com uma pessoa em toda a sua vida. Da mesma forma, você pode sentir atração por Taye Diggs e não trair seu parceiro com ele. Você provavelmente não sai por aí apontando literalmente quem você acha que é bonito, porque você é uma pessoa e você tem algum autocontrole. Então, por que você não presume que a mesma coisa acontece com pessoas bissexuais?

6. “Mas do que você gosta mais, homens ou mulheres?” 

Nenhum dos dois. Ambos. Depende de quem está no recinto. Depende da pessoa com quem terminei um relacionamento recentemente. Homens, mas apenas quando mercúrio está retrógrado. Rihanna. Eu não sei, isso não é realmente uma pergunta que tem uma resposta. Bissexuais não são atraídos por todos os homens ou todas as mulheres de uma maneira uniforme mais do que os heterossexuais são. Atração é algo complicado! Eu sei que você está esperando por uma resposta objetiva como: “Eu sou 70% interessada em mulheres e 30% interessada em homens”, mas não é assim que acontece na vida real (e nem vou entrar no fato de que posso sentir atração por pessoas que não se identificam nem como mulheres nem como homens).

7. “Você só está dizendo isso para chamar a atenção dos caras.”

Se esse fosse meu objetivo, eu teria parado de falar cinco segundos depois que comecei. Sim, há uma tipo particular de homem que tende a dar uma atenção especial a mulheres bissexuais assumidas, mas não são o tipo de cara e nem o tipo de atenção que você realmente quer. É o tipo de atenção assustadora, hipersexualizada, objetificada que nunca leva a um bom relacionamento (ou nem mesmo a uma boa transa). Nenhum desses caras dirá algo como: “Você é bissexual? Incrível! Então, conte-me mais sobre seus pensamentos a respeito de literatura pós-colonial”. Se a bissexualidade é o que atrai a atenção deles, esta será a única coisa na qual eles estarão interessados. Eles não querem me conhecer como uma pessoa e eu não quero conhecê-los de maneira alguma.

8. “Então você é gay agora?” (quando você namora uma menina) ou “Então você é hétero agora?” (quando você namora um cara).

A bissexualidade não desaparece só porque a pessoa está num relacionamento monogâmico! Eu não sei porque isso é um conceito tão difícil para as pessoas compreenderem. Nós não alternarmos o botão de gay para hétero dependendo da pessoa com quem estamos nos relacionando no momento. Isso seria muito confuso e difícil de acompanhar. “Cara, Naya Rivera é tão gostosa. Espera, ela é gostosa? Estou gay esta semana? Eu preciso começar a anotar essas coisas”.

9. “Eu gostaria de sair com você, mas sei que você vai acabar me traindo no fim.”

Mais uma vez, só porque você se sente atraído por alguém não significa que você tem que consumar essa ação. Pessoas bi não são mais ou menos propensas a trair do que pessoas homossexuais ou heterossexuais. Portanto, se alguém te traiu e disse que o motivo era por ser bissexual, essa pessoa estava mentindo. Fez isso porque é um idiota. Não saia com idiotas, escolha sair com bissexuais. Somos divertidos!

10. “Bissexuais conseguem tudo mais fácil.”

Sim! Apesar da bifobia na comunidade gay, da bifobia na comunidade hétero, da objetificação sexual, do apagamento de nossas identidades e dos dolorosos estereótipos em relação a nossa desonestidade e infidelidade, para não mencionar toda a frequente rejeição e discriminação enfrentadas por pessoas queer, você está certo, bissexualidade é uma festa sem fim. (Bem, nós geralmente temos cabelos bem legais, por alguma razão.) Em vez de escrever sobre como as pessoas bi são gananciosas, promíscuas, desonestas ou desesperadas por atenção, tire algum tempo para conhecer os problemas que enfrentam e passe a tratá-las como pessoas, não como estereótipos pornográficos. Você ficará mais feliz ao fazer isso. (Mesmo que não role um ménage).

Autora

Lindsay King-Miller é escritora. Vive nos Estados Unidos com sua companheira, muitos livros e dois gatos mimados. Twitter: @AskAQueerChick.

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Bissexual organizada pelo Bi-Sides. 23 de setembro é o Dia Internacional da Visibilidade/Orgulho/Celebração Bissexual.

Visibilidade? (In)visibilidade?

Texto de Andreia Lais Cantelli para as Blogueiras Feministas.

Parabenizo todas as companheiras e companheiros que hoje 29 de janeiro de 2015 estão se mobilizando em suas bases com ações afirmativas com vistas a reduzir a violência e o preconceito que diariamente agride as pessoas Trans, e que também lutam durante o ano todo por uma sociedade plural, sem transfobia, justa e de respeito e paz.

O Dia Nacional de Visibilidade Trans surgiu em 2004 de uma campanha de prevenção para travestis com o tema “Travesti e Respeito”. Onde o objetivo é praticar no cotidiano social o Respeito que para a população de travestis e transexuais na mentalidade social brasileira é invisível. Nesse contexto travestis e transexuais acabam sendo alvo de violência, estigmatização, exclusão, vulnerabilidade e a não participação nas práticas cotidianas sociais, pelo fato de não correspondem a um constructo social heteronormativo e patriarcal. Assim, a partir desse histórico, o dia 29 de janeiro foi instituído como data nacional.

A Sociedade Brasileira tem em sua mentalidade a existência da população de Travestis e Transexuais como fato. Porém, julgam- se no direito de excluir e colocar para bem longe do cotidiano social as pessoas trans, ou seja, à margem social contribuindo assim para a violência que as pessoas trans sofrem cotidianamente. Enquanto as pessoas Travestis e Transexuais buscam construir suas identidades de gênero de maneira autônoma e fora dos padrões pré-determinados por um coletivo dominante heteronormativo. Isso pode ser observado ao longo da História recente e por conta do fundamentalismo e da predominância de que o alheio é o detentor do poder, da razão e da palavra.

Ato da Visibilidade Trans/ Curitiba 2013. Foto de Lari Schip no facebook.
Ato da Visibilidade Trans/ Curitiba 2013. Foto de Lari Schip no Facebook.

 

A aceitação social da violência contra as pessoas Travestis e Transexuais é a própria negação dos direitos fundamentais de toda uma parcela populacional e contribui para o agravamento das injustiças sociais e o afastamento da democracia.

Em um passado recente, uma série de conquistas foram adquiridas como por exemplo o Nome Social. Porém se trata de um direito simbólico, pois toda cidadã ou cidadão brasileiro/a tem direito a um nome civil, que é  tão primordial quanto o direito à vida. Nesse sentido a população trans brasileira não tem garantido o uso do próprio nome enquanto pessoa humana, detentora de direitos e deveres, não podemos nos basear no respeito às diferenças. Sendo que na sociedade contemporânea a vida das pessoas Travestis e Transexuais é um marco de luta e enfrentamento de violência no dia-a-dia.

A Primeira Violência que podemos destacar é no seio familiar. Onde pai e mãe traçam destinos para seus filhos/as, e no decorrer desta trajetória nem sempre o destino traçado é correspondido, principalmente no caso de filhos/as Trans. Inicia-se aí o primeiro ato de violência contra a pessoa Travesti/Transexual. O segundo e talvez o maior trauma na vida das pessoas Travestis e Transexuais encontra-se no ambiente escolar regular, onde na quase totalidade as pessoas trans, por não corresponderem aos constructos sociais pré-estabelecidos acabam evadindo do processo de ensino aprendizagem e, assim, na continuação de suas trajetórias.

A consciência entre a modificação das circunstâncias e a (auto)modificação só pode ser entendida racionalmente como práxis revolucionária, isto quer dizer que não se trata de esperar milagrosamente que um indivíduo transforme circunstâncias, mas sim um coletivo que “supostamente” encontra-se fora da sociedade.

Assim as ações do dia 29 de janeiro da Visibilidade Travesti/Transexual que ocorrem em todo o Brasil são ações legítimas, pois são idealizadas por coletivos institucionais e pessoais que tem o mesmo objetivo: que é lutar para fortalecer a cidadania da população Trans do Brasil, que foi negada durante a história da nação à qual pertencemos. Quando falamos em (in)visibilidade podemos perceber que no decorrer de todas as outras épocas do ano a população de Travestis e Transexuais do Brasil continua na luta para o reconhecimento da visibilidade e da ocupação de espaços e de práticas cotidianas sociais. Luta  que na maioria das vezes é barrada por um Estado fundamentalista e uma sociedade cis-normativa e conservadora.

As pessoas Travestis e Transexuais não possuem um “botão: tornar visível – tornar invisível”. As pessoas trans tem por direito constitucional experimentar todas as ofertas propostas pelos mais diversos seguimentos sociais, sejam públicos das três esferas governamentais, ou ainda organismos da sociedade privada. Travestis e Transexuais são pessoas humanas, e sim devem ter visibilidade em todos os espaços e em todas as práticas sociais como família, educação, mercado de trabalho, saúde, segurança […].

A Violência que invade a vida das pessoas Travestis e Transexuais para a mídia é apenas um fantasma, colocado à sombra. Isso pode ser justificado pelo opressor como uma legitimidade e uma não prioridade na pauta de discussões, como se isso fosse parte do processo civilizador, onde Travestis e Transexuais não se enquadram nesse processo. Para finalizar esse momento/texto de discussão sobre a violência sofrida pelas pessoas Travestis e Transexuais, notamos ainda que na hora do óbito, o empoderamento do corpo, a autenticidade e a construção da identidade de gênero é deslegitimada. Muitas pessoas trans são descontruídas e desempoderadas, sendo enterradas como o alheio conservador e heteronormativo/cis-normativo determina, desrespeitando toda uma trajetória histórica pessoal.

Assim a pessoa trans é referencial de empoderamento do próprio corpo e da própria identidade, marcando visibilidade não apenas no dia 29 de janeiro, mas sim em toda a sua trajetória de vida.

Autora

Andreia Lais Cantelli é professora de história, mestranda em Educação na UFPR e desestabilizadora da cis-normatividade.

Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Trans, organizada pelo site Transfeminismo.

Meg Barker: “Um círculo vicioso de invisibilidade bi”

Entrevista de Charlotte Dingle, editora-chefe do site Biscuit com Meg Barker, publicada em 22/07/2014, com o título: ‘Meg Barker: A vicious cycle of bi invisivility’. Tradução de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Meg Barker é escritora, conferencista na área de psicologia, sexo, relacionamentos e conselheira especializada em bissexualidade. O site Biscuit pediu-lhe algumas curtas declarações sobre representação bissexual nos meios de comunicação, a difícil questão dos rótulos e a situação do ativismo bissexual mundial.

Meg Barker.
Meg Barker.

O que, primeiramente, te levou a focar sua pesquisa acadêmica no tema da bissexualidade?

Na verdade, foi uma combinação de coisas. Do ponto de vista de pesquisadora, eu sempre tive interesse em pessoas cujas identidades, de alguma forma, não são parte da maioria e como essas experiências acontecem. Na época, eu estava pessoalmente envolvida com comunidades bissexuais, então me pareceu um tema óbvio para estudar.

Quanto mais eu me envolvia no ativismo bissexual, percebia o quanto a bissexualidade era invisível e como a pesquisa era necessária para aumentar a conscientização sobre os problemas enfrentados pelas pessoas bissexuais. Esse foi o pensamento por trás da criação da BiUK (uma organização para reunir pesquisas sobre bissexualidade e ativismo), da conferência BiReCon e do Bisexuality Report.

Por fim, enquanto estudava essas áreas, fui ficando particularmente intrigada em como a cultura majoritária frequentemente vê as coisas de forma binária (p. ex.: homens e mulheres, gays e heterossexuais). Então, minha pesquisa em torno da sexualidade, gênero e relacionamentos tem se concentrado mais em como estes fatores podem desafiar o binarismo.

Como você vê a atual visibilidade/representação da bissexualidade na mídia?

Falando de forma geral, isso continua sendo um grande problema. Muitas pessoas ainda não conseguem ver além dos termos gay/hétero para encontrarem formas viáveis de definirem sua identidade, apesar de se sentirem atraídas por mais de um gênero. Eu acho que, em grande parte, isso tem a ver com o fato de que temos poucas representações de bissexuais próximas a elas.

Muitas vezes, as pessoas acreditam que a bissexualidade é rara porque poucas pessoas se declaram bissexuais, mas as estatísticas sugerem que a bissexualidade é mais comum do que ser lésbica ou gay. O que ocorre é que as pessoas se sentem muito menos confortáveis para se assumirem como bissexuais devido ao estigma que enfrentam por serem quem são (na maioria das vezes vindo de pessoas heterossexuais, gays e lésbicas). Portanto, há um círculo vicioso de invisibilidade.

Recentemente, tivemos algumas representações bissexuais como o Capitão Jack em Dr.Who/Torchwood, o concierge vivido por Ralph Fiennes no filme ‘O Grande Hotel Budapeste’ e Piper Chapman em Orange Is The New Black. A palavra “bissexual” é raramente usada para descrever qualquer um desses personagens mas, pelo menos eles são imagens bem positivas de pessoas que se sentem atraídas por mais de um gênero.

Como você vê as diferenças na forma com que homens bi e mulheres bi são percebidos ou retratados, tanto na mídia como pelas pessoas nas ruas?

Nós ainda temos uma grande lacuna nessa questão. Tanto mulheres quanto homens bissexuais são frequentemente retratados como promíscuos e desleais, com uma desconfiança se eles são “realmente” bissexuais. Porém, os homens bissexuais são na maioria das vezes vistos como sendo “realmente” gays, e há mais suspeitas sobre a existência da bissexualidade masculina do que a bissexualidade feminina. Mulheres bissexuais são muitas vezes vistas como “bi-curiosas”, e mais interessadas em homens, são muitas vezes descritas de maneira excitante e hipersexualizada por homens heterossexuais. Alguns pesquisadores têm apontado a misoginia no pressuposto de que todo mundo realmente vai ser mais sexualmente interessado em homens!

Há também um número crescente de pessoas que vivem suas vidas como não-binários, tanto em termos de sua sexualidade (p. ex.: bissexual, pansexual ou queer) como de seu gênero (p. ex.: genderqueer, gênero fluido ou bigênero). Há pouquíssimas representações destas pessoas na mídia, mas o reconhecimento de vários gêneros pelo Facebook sugere que este será provavelmente algo do qual falaremos muito nos próximos anos, uma vez que desafia a idéia de que a sexualidade e o sexo são binários.

Como você vê o estado do ativismo bissexual mundial no momento?

Há algumas coisas incríveis acontecendo no ativismo bi globalmente e o movimento está definitivamente em um estado saudável, eu diria. Eu não sou uma especialista em movimentos bi internacionais, mas Surya Monro (uma acadêmica de Huddersfield) está atualmente pesquisando esta área e encontrou ótimos exemplos de ativismo bissexual em diferentes culturas que também se engajam em questões interseccionais (como anti-racismo, políticas de classe, políticas trans, etc). Os movimentos bi do Reino Unido e dos Estados Unidos têm muito a aprender com os outros movimentos em todo o mundo, eu acho.

Um exemplo maravilhoso é Shiri Eisner, que escreveu o livro ‘Bi: Notas para uma revolução bissexual’ (sem tradução para o português) que vincula o ativismo bissexual ao feminismo, ao ativismo trans, ao anti-racismo e o conflito entre Israel e a Palestina ocupada.

Eu também estou contente que a conferência BiReCon, que montamos no Reino Unido, com a idéia de juntar na mesma mesa acadêmicos/pesquisadores com ativistas, membros da comunidade e organizações relevantes, foi realizada em nível internacional. Já aconteceu uma BiReCon Europeia e uma BiReCon Estados Unidos, bem como a BiReCon internacional em Londres, 2010.

Às vezes, me sinto desanimada e exausta. Eu me movimento entre espaços em que todo mundo sabe a importância do B em LGBT e fala sobre “a homofobia, a bifobia e a transfobia”, para outros espaços onde as pessoas ainda questionam a existência da bissexualidade ou a consideram como uma minoria dentro de uma minoria, que é boa apenas para ser incluída de forma simbólica. “Não-Seja-Bi” é uma ótima frase para compreender o fato de que muitos grupos e eventos são “bissexuais apenas no nome”.

Quando isso é apontado, as pessoas na maioria das vezes ficam um pouco envergonhadas  ou encolhem os ombros ou fazem piadas com os esforços para torná-los corretamente bi-inclusivos, mas é importante lembrar que estamos falando de um grupo de pessoas que têm taxas mais altas de problemas de saúde e mentais, suicídios e violência doméstica do que as pessoas heterossexuais, lésbicas ou gays. Essa invisibilidade tem um preço real na vida das pessoas, e está até mesmo colocando suas vidas em risco.

Os rótulos são um tema extremamente complicado quando se fala de sexo e sexualidade, com muitas pessoas colocando-se veementemente contra o rótulo de “bissexual”. Quais são seus pensamentos sobre a forma de contornar isso? Tentamos fazer sempre o melhor, mas aqui no Biscuit estamos bem conscientes de que ainda, geralmente com o objetivo de sermos sucintas, usamos pronomes cis e referências a bissexualidade bem mais do que pan/ambi/omnisexualidade, etc. na maior parte do tempo — e não estamos sozinhas nisso, como uma organização “bi”!

Eu geralmente apoio os movimentos que se direcionam no sentido de uma multiplicidade de rótulos para sexualidade e gênero, incluindo aqueles que preferem não rotular essas coisas. Estudos recentes sobre os jovens, como o Metro Youth Chances Survey, sugerem que mais e mais pessoas estão usando termos além da sigla “LGBT” para descreverem a sua sexualidade e gênero, e é importante respeitar isso. Além disso, a proliferação de termos é útil para demonstrar que tanto a sexualidade como o gênero não são binários e que todo mundo pode experienciá-los de diferentes maneiras.

Obviamente que isso lança desafios para os movimentos LGBT e publicações. BiUK ainda usa o termo “bissexual” (para a atração de mais de um gênero), pois isso é bem compreendido pelas pessoas e grupos que estamos tentando ensinar (por exemplo). Mas é igualmente importante considerar as sexualidades não-binárias como um todo também, pois há muitos problemas semelhantes enfrentados por todos aqueles cuja atração tampouco é baseada no gênero ou em mais de um gênero.

Quanto aos pronomes, o caminho a percorrer é usar os pronomes preferenciais das pessoas e perguntar se não tiver certeza. Mais uma vez, eu acho que o movimento de confirmar o pronome preferido é uma ótima maneira de sinalizar a consciência de que as pessoas experimentam o gênero em suas múltiplas formas.

+ Sobre o assunto:

[+] Entenda as 56 opções de gênero do Facebook.

[+] Bi Erasure in “Orange is the New Black”.

[+] Visi(bi)lity: “A 51st Century Guy”: A Few Words on Jack Harkness.

[+] Where Do Queer Characters Like ‘Grand Budapest Hotel’s’ Gustave Fit Into Wes Anderson’s Sexless Universe?

Blogagem Coletiva

Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva pela Visibilidade Bissexual organizada pelo Bi-Sides.

Mulheres e os 50 anos do Golpe Militar

Texto da Equipe de Coordenação das Blogueiras Feministas.

O Golpe Militar de 1964 é um fantasma na história do Brasil. Uma alma penada que assusta em alguns momentos, mas que na maior parte do tempo vive trancada num porão escuro na memória da sociedade brasileira. Somos um país que prefere não lembrar, esmiuçar e nem mesmo refletir sobre as consequências atuais de um período tão nefasto.

Temos na presidência da república uma mulher que resistiu, lutou, foi presa e torturada durante o regime militar. Hoje, vemos essa figura pública tão significativa refém de grupos conservadores e religiosos na política nacional.

A presidenta Dilma rifou os movimentos sociais de uma maneira que nunca vimos antes. No caso do movimento feminista, tivemos que chegar ao ponto de fazer campanha para que o executivo aprovasse um projeto de lei que garanta atendimento de saúde as vítimas de violência sexual. Porque a sensação é que as conquistas no campo dos Direitos Humanos, ocorridas nos últimos anos de democracia, nunca estiveram tão ameaçadas. A Ditadura Militar foi um tempo em que o conceito de Direitos Humanos nem mesmo existia e, talvez, isso seja um reflexo tanto do crescente reacionarismo como da violência generalizada na sociedade atual.

É possível construir uma democracia plena quando não conhecemos nossa própria história? É possível acreditar no Estado de Direito quando nos negamos a compreender nosso passado e empurramos para debaixo do tapete os anos de chumbo?

Quadrinho de André Dahmer. Publicado em sua página do Facebook no dia 27/03/2014.
Quadrinho de André Dahmer. Publicado em sua página do Facebook no dia 27/03/2014.

Fora isso, assim como toda História, a do período ditatorial também é a história dos homens e seus feitos. As mulheres aparecem como coadjuvantes, mas nos últimos tempos mais espaços tem sido abertos para que suas histórias sejam contadas. A criação e instituição das Comissões da Verdade são um começo, porém, como aponta Barbara Lopes em dois textos desse blog, ainda há muito a ser feito:

O fim da ditadura não veio como um ponto final, mas como reticências. Ao invés de um marco, temos um processo: a anistia e libertação dos presos políticos em 1979, escolha de um presidente civil pelo colégio eleitoral em 1984, a promulgação de uma Constituição democrática em 1988 e eleições diretas para presidente em 1989. No entanto, esse processo não acabou. Falta apurar os crimes cometidos pelos agentes do governo militar nos anos da ditadura. Enquanto essa tarefa não for levada a cabo, ainda haverá uma sombra sobre a democracia. Para as mulheres, passar a limpo nossa história é fundamental. As mulheres participaram da luta contra a ditadura e protagonizaram a campanha pela anistia. Continuamos lutando para ampliar nossa democracia, nossa participação política. Por isso, apoiamos a criação de uma Comissão da Verdade legítima e efetiva. Referência: Moção das Mulheres em apoio a Comissão da Verdade.

No Brasil, quando a ditadura começou a perder fôlego – devido às denúncias de violações dos direitos humanos, mas também porque o crescimento econômico do milagre não conseguiu se sustentar – movimentos de mulheres tiveram papel central em abrir caminho para a redemocratização. Foi assim com o Movimento Feminino pela Anistia e com os Clubes de Mães. Referência: Mulheres e a (re)construção da democracia.

Entre as iniciativas que contam as histórias de vida de várias mulheres nesse período estão reportagens, livros e filmes. Um dos fatos marcantes da história das mulheres na ditadura foi a existência da torre das donzelas:

Encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo, ganhou o singelo nome por abrigar presas políticas do regime militar. Para chegar à Torre era preciso atravessavar um corredor com celas em uma das laterais. Os cubículos eram ocupados pelas “corrós”, as presas correcionais, tiradas de circulação por um mês, em geral por vadiagem ou prostituição. Essas mulheres costumavam ficar seminuas ou com a roupa virada pelo avesso, para se apresentarem em trajes limpos quando liberadas. (…) Naqueles tempos, a atitude desafiadora só seria possível mesmo no presídio Tiradentes. Como muitos torturadores costumavam repetir durante as sessões que promoviam, o Tiradentes “era o paraíso”. Isso porque, ao entrar no presídio, a pessoa estava com a prisão reconhecida pelo Estado. Às vezes, era levada para interrogatórios em outras instituições, mas praticamente não corria risco de morrer ou “desaparecer”. Na escala macabra estabelecida nos porões do regime, a Operação Bandeirante (Oban) era o inferno, ficando o purgatório por conta da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Referência: A torre das donzelas por Luiza Villaméa e Claudio Dantas Sequeira na Revista Isto É.

Esse mês, o canal a cabo GNT estreou a série ‘Mulheres em Luta’, que conta a história de militantes presas e torturadas. Uma delas é Rita Sipahi, de 79 anos. Ela foi presa em 1971, sob a acusação de participar na criação de uma organização política subversiva, e levada para o Dops, onde sofreu diversas sessões de tortura:

“A intenção do torturador é que você seja destruído. Tudo aquilo que você tinha se colocado como projeto de vida, a luta, a resistência… Evidente que imediatamente ele quer que você fale, que dê elementos para ele, mas vai além disso. Pensa em um canto de parede, você totalmente nua, com sapato de salto. O que significa isso? Onde fica sua dignidade nessa hora? Porque eu lembro que um dia eles entraram enlouquecidos, me tiraram a roupa. Puseram fios no corpo todo, inclusive na vagina e começaram a dar choques… alucinados. Aí depois dos choques, entrou um outro, mandou parar. Me deram uma injeção, não sei que injeção era essa… Aí haja perguntas sobre pessoas e fotografias… não sabia, não sabia. Muitas vezes o capitão Rolim chegava e dizia: mas o que você está fazendo aqui? Você tem dois filhos, tem uma família, você tem isso, aquilo outro, por que você não fala? (o que eles queriam). Você se livra, volta para sua casa. Ou seja, era bem a ideia da mulher doméstica, da mulher que não tem que fazer outra coisa na vida”.

Passeata de mulheres no Rio de Janeiro em 1983. Foto de Almir Veiga/CPDOC JB.
Passeata de mulheres no Rio de Janeiro em 1983. Foto de Almir Veiga/CPDOC JB.

Os métodos de tortura eram bem específicos quando se tratavam de mulheres. E, até hoje, por mais que existam leis proibindo, a tortura é vista como um ato legítimo do poder coercivo do Estado, especialmente quando se trata das polícias. Como nos lembra Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes, psicanalista, sobrevivente e autora do livro ‘Tortura’ (2013):

“A tortura é um crime demasiadamente humano. (…) Quase sempre praticada por indivíduos absolutamente “normais”, plenamente conscientes de seus atos, capazes de se tornarem técnicos da violência. Raramente são figuras sádicas e perversas (…) No local da tortura, lembra ela, o torturador “exerce seu poder sobre um semelhante assimetricamente imobilizado, vedado, amordaçado e nu”. Ele quer a confissão mas também a submissão do torturado. Quando a vítima se submete, conclui-se um processo em que a confissão é um aspecto irrelevante. O preso, na sala de suplícios, troca seu mundo pelo do torturador. A vítima faz mais do que dar uma informação ao carrasco, ela passa a reconhecer nele o senhor da sua voz”. Referência: “Torturador é humano, cruel e consciente do que faz” no IG.

“Depois de nos colocarem nuas, eles comentavam a gordura ou a magreza dos nossos corpos. Zombavam da menstruação e do leite materno. Diziam ‘você é puta mesmo, vagabunda’”, afirma Ana Mércia. As violências que seguiam incluíam, em geral, choques nas genitálias, palmatórias no rosto, sessões de espancamento no pau de arara, afogamentos ou torturas na cadeira do dragão, cujo assento era uma placa de metal que dava descargas elétricas no corpo amarrado do prisioneiro. Mas com as mulheres era diferente. “Havia uma voracidade do torturador sobre o corpo da torturada”, afirma a psicóloga Maria Auxiliadora Arantes. “O corpo nu da mulher desencadeia reações no torturador, que quer fazer desse corpo um objeto de prazer”. Referência: Os testemunhos das mulheres que ousaram combater a Ditadura Militar por Mariana Sanches na revista Marie Claire.

As diversas mulheres que lutaram na resistência e também as mulheres que defenderam a ditadura militar tem importante participação nesse período histórico. Manter o status quo também é uma forma de assegurar uma posição social para as mulheres. Mas, o principal objetivo do feminismo deve ser transgredir. As mulheres que resistiram e as que resistem transformam o contexto social e são por ele transformadas. Rompem com códigos tradicionais de conduta e propõe formas alternativas de viver a condição feminina. A construção da democracia deve passar por isso, como aponta Barbara Lopes:

Digo construção da democracia porque esta não chega pronta e acabada. E também não é perfeita. Existem muitas limitações no nosso modelo de democracia e muitas variáveis em jogo – mexer em cada uma delas pode afetar as outras. Esse é o desafio de se pensar em projetos de reforma política. (…) A democracia precisa da presença das mulheres para ser efetiva; e as mulheres precisam de uma democracia efetiva para lutarem por igualdade. Para que o futuro político do país seja decidido por homens e mulheres. Referência: Limites da democracia representativa por Barbara Lopes.

Esse texto faz parte da IX Blogagem Coletiva #desarquivandoBR #50anosdogolpe.

+ Sobre o assunto:

50 anos do golpe de estado de 1964 (.pdf). Nota pública da Comissão Nacional da Verdade.

[+] As conquistas do feminismo na ditadura e as batalhas que ainda precisam ser vencidas.

– 50 anos do Golpe: textos para pensar e conversar sobre a Ditadura militar no Brasil.

– A hora da Comissão da Verdade por Barbara Lopes.

– Ainda enterrado em cova rasa o AI-5 completa 45 anos por Niara de Oliveira.

As mulheres e a ditadura militar no Brasil (.pdf) por Ana Maria Colling.

As mulheres na política brasileira: os anos de chumbo (.pdf) por Marcelo Siqueira Ridenti.

– Direito à Memória e à Verdade: histórias de meninas e meninos marcados pela ditadura (.pdf) Publicação da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2009.

– Direito à memória e à verdade : Luta, substantivo feminino (.pdf) por Tatiana Merlino, 2010.

– Direito à verdade e à memória: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (.pdf). Publicação da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007.

Feminismo e a esquerda na ditadura militar: as meninas de Ibiúna, militantes e oprimidas (.pdf) por Priscila Fernanda da Costa Garcia.

– Luta, Coragem e Memória: Substantivos Femininos por Niara de Oliveira.

– Mulheres brasileiras e militância política durante a ditadura militar: a complexa dinâmica dos processos identitários por Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Zeidi Araújo Trindade e Maria de Fátima de Souza Santos.

Participação feminina no período da Ditadura Militar no Brasil por Jaqueline Alves de Freitas e Lorena Ferreira Leal.

– Retrato da Repressão Política no Campo – Brasil 1962-1985 – Camponeses torturados, mortos e desaparecidos (.pdf) por Ana Carneiro e Marta Cioccari, 2010.

– Tortura / Coordenação Geral de Combate à Tortura (.pdf). Publicação da Secretaria de Direitos Humanos, 2010.

Um pedacinho dessa história por Renata Lins.

+ Notícias:

– As mulheres e a ditadura militar no Brasil. Entrevista especial com Margareth Rago.

– As vozes das mulheres torturadas na ditadura.

– Comissão concede anistia a mulheres perseguidas na ditadura militar.

– Ditadura e as mulheres: de mãe e santa à bruxa e prostituta. Entrevista especial com Susel Oliveira.