Ser fácil ou ser difícil. Eis a questão?!

Texto de Tamires Marinho.

O que é valor? O que é valor moral? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? O que significa ter valor? O que significa ser uma moça dentro da moralidade familiar? Crescemos ouvindo receitas de como nos comportar para adquirir certas virtudes. Pensava nisso enquanto assistia uma comédia romântica, onde me deparei com a seguinte frase dita por uma jovem a sua amiga apaixonada: “Você tem que esperar ele te ligar, não pode demonstrar interesse. Tem que ser difícil. Homem não gosta de mulher fácil”.

Sorri e pensei em como a indústria cultural faz questão de poluir a mente humana. Se formos observar, nossas vidas são feitas de crenças silenciosas, que raramente questionamos. Essa é uma delas: como devo me relacionar com o outro? Como manter minha figura de mulher direita? Então fica a dúvida: Ser fácil ou ser difícil? Eis a questão?

Passamos a vida aprendendo e tentando saber como nos comportar, muita tensão né? Ouvi inúmeras vezes que moça direita não é fácil, tem que ser difícil para conseguir um macho alfa. Mas, afinal de contas, o que significa ser difícil? Tenho que demonstrar que não quero, quando na verdade quero? Tenho que fingir que não gosto, quando na verdade gosto? E quando devo parar de fingir? O que significa ser fácil? Sou fácil quando beijo quem tenho vontade de beijar? Quando faço amor, com quem tenho vontade de fazer? A outra pessoa não vai me valorizar? E se a outra pessoa se fizer de difícil também? A gente não vai acabar se perdendo?

Foto de Yulya Balaeva no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Yulya Balaeva no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Em um mundo tão subjetivo, por que tentar arrumar receitas prontas para tudo? Por que tudo tem que ter rótulo? Tudo tem que ser definido? Essas são questões que me atormentaram muito. Especialmente e momentos que deveriam ser simples. Sabe aquela vontade de mandar um SMS ou um email dizendo tudo que sentimos? Quem nunca, né? Escreve, apaga, escreve, apaga. Manda, se arrepende. As vezes não recebe resposta e o coração se enche de angústia. As vezes quando um “oi” é enviado de volta, a felicidade toma conta das entranhas. Capaz de reler o “oi” um milhão de vezes. De repente lá se foi o arrependimento, o SMS valeu a pena. Ou não.

A questão é que se não tentarmos nunca vamos saber o resultado. E, mais que isso, não é preciso pensar em vencedores ou perdedores. Viver também é quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar certo e ver que não deu. O risco tanto pode resultar em dor quanto em felicidade. O risco pode ou não valer a pena. A dor não deve ser um motivo de preocupação, faz parte, ninguém foge dela para sempre. Não podemos é permitir que filmes, novelas, séries e a sociedade como um todo continuem afirmando o que é certo ou não nos relacionamentos. Não podemos permitir que nos digam como nos vestir, o que comprar, como nos comportar e como nos relacionar.

Precisamos deixar de lado os complexos que essa sociedade patriarcal nos forçou a acreditar. Mas, ainda temos um dilema: como devo me comportar quando estou interessada em alguém? Devo tomar iniciativa? Devo fingir que não ligo? Não existe receita. Nem fácil, nem difícil. O primeiro passo é se livrar daquele medo: “o que vão pensar de mim”. A critica dos outros não importa. Por que não podemos abrir mão de um pouco do nosso orgulho? Por que não podemos nos mostrar descomplicadas, disponíveis?

Não temos que ser vistas como aquelas que optam sempre pela dor, pelo conflito, pelo drama que mais nos endurece que amadurece. Quem define o quanto pode ou não estar disponível, é você e sua vontade. Mas e o medo? Estará lá, mas o único jeito é tentar. Você pode utilizar o sexto sentido, mas mesmo assim, é apenas uma tentativa. Gostar de alguém envolve riscos e não falo só de relacionamentos amorosos. Em qualquer relação há sempre o risco da pessoa dizer que não quer, que não foi bom, que você confundiu as coisas. Siga suas próprias leis. No fim ninguém é maduro quando se trata de relacionamentos. Abraça o que te faz feliz.

Autora

Tamires Marinho é apaixonada pelo comportamento humano e pelos conhecimentos empíricos da vida. Clarice Lispector é meu lado escritora, Darcy Ribeiro me faz socióloga, Beauvoir é minha militância. Escritora amadora, psicóloga mal formada e historiadora em desenvolvimento. Me orgulho, defendo tudo que sou e acima de tudo: Sou mulher! Facebook.

Copa: ame-a ou deixe-a?

Texto da Equipe de Coordenação das Blogueiras Feministas com a colaboração de Daniela dos Santos Silva.

Hoje acontece o primeiro jogo oficial da Copa de 2014. A segunda Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil, o “país do futebol”. Na verdade, o país do futebol masculino, já que esse esporte é hipervalorizado em relação ao futebol feminino e até mesmo em relação a outras modalidades esportivas. Então, não é de se espantar que um evento como esse gere tantos debates acalorados.

Nas discussões dos últimos dias o que mais temos visto é a polarização, ou se é contra ou a favor da Copa. Porém, sabemos que o ser humano e, especialmente, a sociedade brasileira é complexa, portanto, há muitas nuances entre torcer ou não, para ter Copa ou não.

Sabemos que a mídia usa de manipulação, sensacionalismo, oportunismo e suas variações para pintar o cenário que deseja. Porém, nós que criticamos esse uso, às vezes, também nos utilizamos desse artifício sem nenhuma crítica ou desconfiança.

A chamada do site jornalístico diz: “Manifestantes comemoram gol de Fred durante protesto contra a Copa”. Somos a favor das manifestações, greves, reivindicações e protestos. São ações fundamentais para mostrar que não somos indiferentes as violações de direitos humanos. Algumas de nós gostam de futebol e torcerão pelo Brasil na Copa, outras não. Achar, no entanto, que ser contra a realização da Copa automaticamente significa ser contra o Brasil, é um raciocínio medíocre e rasteiro.

Do lado dos que estão contra a Copa ouvimos frases como:

“Tem 345 milhões nesse país que não tem luz elétrica em suas casas e por isso não vão ver a Copa”.

“Cada grito de gol que você proferir é uma gargalhada de escárnio em relação a todas as pessoas que foram removidas de suas casas”.

Sim, há violência policial e intransigência governamental com remoções e segregação social, mas isso não é novidade decorrente da Copa. Assim como a corrupção não é o único e principal problema de nosso país. Não podemos enxergar as coisas tão separadas.

As pessoas também costumam dizer: “sem Copa vamos pegar esse dinheiro e colocar luz elétrica onde não tem”. Chega a ser ingenuidade acreditar que tudo funciona nessa simplicidade, porque sabemos que não é assim. Ainda temos áreas e muitas pessoas sem energia elétrica, água, esgoto e outros direitos básicos porque é do interesse de determinados grupos que essa situação permaneça. Uma coisa é abdicar da soberania e violar direitos humanos para poder receber um evento, outra é querer que um país seja um paraíso de justiça social ANTES de poder fazê-lo.

Para muita gente, “futebol é o ópio do povo”, esporte é algo visto como inferior. Então, também vemos pessoas que menosprezam investimentos em quadras de esportes em comunidades brasileiras, porque ao jogar a carta da superioridade moral, também se está achando que sabe do que os outros precisam.

Protestos de indígenas contra a Copa em frente o Congresso Nacional. Foto de Joedson Alves/Reuters.
Protesto de indígenas contra a Copa em frente o Congresso Nacional. Foto de Joedson Alves/Reuters.

O outro extremo desse pensamento são as pessoas que estão preocupadas com a imagem do Brasil lá fora: “vamos fazer o que nós sabemos fazer melhor que é ser simpáticos, hospitaleiros”. Não damos a mínima para o que o turista vai pensar do Brasil. Porque não importa o que façamos, o Ocidente (aqui entendido como Europa, Estados Unidos, ricos, brancos e bem nascidos) pensará mal de nós. Pensará porque o mundo é orientado para eles, aquela coisa chamada eurocentrismo que diz que qualquer modo de desenvolvimento que não seja o que eles próprios exportaram para o mundo é inócuo (na melhor das hipóteses), selvagem e incivilizado nas demais.

Mesmo depois de terem feito pelo menos duas guerras mundiais que literalmente mataram milhões de pessoas, terem passado perigosamente perto de dizimar com toda a vida na terra, terem criado e exportado um sistema chamado escravidão que torturou e assassinou milhares de negros e negras por séculos, além de terem criado outro sistema chamado colonialismo que simplesmente transformou a África no que ela é hoje…. as pessoas ainda se preocupam com o que vão pensar de nós, frente isso, essa questão é irrelevante.

Não só a Copa, mas os mega eventos mundiais produzem uma série de problemas para os países que os organizam. Nenhum país que recebeu uma Copa ou uma Olimpíada é zona livre de problemas como desigualdade social e pobreza, nem mesmo países europeus como Alemanha e França. A lógica da exclusão tem prevalecido mundialmente quando o assunto é Copa do Mundo ou outros mega eventos esportivos.

É inegável a relação existente entre os mega eventos e o aprofundamento das desigualdades sociais, além do aumento de situações de exploração. Isso é percebido ao analisar os investimentos que costumam ser realizados para a reestruturação dos espaços urbanos, bem como a forma com que esse processo se desenvolve, beneficiando uma pequena parcela da população detentora de poder econômico. Os processos de reestruturação urbana degradam sócio e ambientalmente os locais, desconsiderando a realidade e os anseios das comunidades que vivem no entorno e nas rotas turísticas dos municípios envolvidos, alterando a sua dinâmica e aprofundando alguns problemas existentes na cidade, como a falta de moradias adequadas e a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Ser contra a realização da Copa em nosso país por seus efeitos e consequências nefastas contra a população — em especial a população pobre e negra que vem sofrendo os efeitos do “grande evento” desde que incêndios suspeitos e remoções violentas começaram — é importante e mostra que nem mesmo no país do futebol vamos tolerar violações graves. A sensibilização da sociedade para o problema é um desafio constante, tendo em vistas as questões culturais envolvidas, sendo a mobilização social uma importante estratégia de enfrentamento. Porém, quem protesta por melhores condições de vida e moradia no Brasil não está autorizado a se divertir e torcer por quem (mal ou não, vá lá) representa o país nesse evento?

Quem protesta contra as remoções, a violência policial, a corrupção, o investimento de dinheiro público, as violações à soberania em nome de interesses de uma organização privada, não pode se divertir assistindo a um jogo como farão os demais? Ser contra a Copa, a Fifa, e qualquer resultado disso TEM que significar ser contra a seleção e seus jogadores? Há então apenas um raciocínio possível?

Não vemos contradição, nem hipocrisia ou ausência de coerência. Uma série de combinações aqui é possível: ser contra a Copa e não torcer pela seleção, não assistir nenhum jogo, ser contra e torcer, ser a favor e… cole mais uma figurinha no álbum e vá somando quantas formas de pensar o evento são possíveis. Não é o grito de gol que vai esvaziar ou desqualificar as manifestações. A mídia, a violência policial, a força estatal, a atuação do governo federal, a FIFA e todo o aparato de repressão já tem feito direitinho o caminho para isso.

Quem não torce para a Copa não está contra o Brasil. Quem torce não é automaticamente inimigo do povo. Sabemos que no caso do Brasil a questão é bem mais complexa. Pode ter certeza que vai haver pessoas que foram desalojadas torcendo. É claro que há uma diferença grande na forma que as pessoas que foram expulsas de sua casa vão torcer e as pessoas que compraram ingressos. Ao que parece, as violações perpetradas pelo governo estão mais expostas com a Copa, mas nada é tão simples, por isso é muito triste que as pessoas prefiram delimitar quem é mocinho e bandido. De longe vai ser mais fácil torcer.

Essa exigência de que os manifestantes não possam assistir a um jogo e comemorar uma vitória é mais uma versão do “Ame-o ou deixe-o”. Como disse Idelber Avelar: “dois imperativos dirigidos, em geral, a alguém que não está em condições de fazer nenhuma das duas coisas”.

+ Sobre o assunto:

[+] Copa, gênero feminino. Por Maíra Kubik.

[+] Eu gostaria que tivesse havido Copa. Por Camila Pavanelli.

[+] Não vai ter Copa se não houver direitos. Por Larissa Santiago nas Blogueiras Negras.

Mulheres são sempre vítimas?

Texto de Daniela Andrade.

Quanto a esses discursos teóricos de que as mulheres serão sempre vítimas da sociedade, jamais agentes de opressão, tenho a dizer que:

Minha mãe me bateu a vida inteira para eu virar homem, ela me expulsou de casa por eu ser mulher trans* — ela não tinha qualquer culpa disso?

Mulheres me arrancaram de dentro de um banheiro dizendo que eu não tinha direito de usá-lo pois eu não era mulher, quem teve culpa disso, eu?

Professoras durante a minha vida disseram que jamais iriam me tratar por Daniela na escola, inocentes, de certo!

Mulheres também me impediram de usar banheiros femininos durante 11 anos na escola, logo, desenvolvi incontinência urinária, quem teve culpa já que não foram elas?

Foram também mulheres que me xingaram de toda ordem de nomes pejorativos durante muito tempo pois eu me dizia mulher, Elas eram todas inocentes?

Foram mulheres com a profissão de psicólogas de Recursos Humanos que decidiram que eu não tinha o perfil para a vaga, após descobrirem que eu era uma mulher trans*, curioso, não?!

E no judiciário não há apenas homens, vi sentenças de juízas mulheres que escreveram toda sorte de transfobia e cissexismo para negar direito à mulheres e homens trans* terem a cidadania plena reconhecida pelo estado.

Essa história da mulher sempre vítima e jamais motor de qualquer opressão trata as mulheres todas como se fossem seres sem vontade, sem legitimidade, que nada sabem sobre a sociedade e as violências, sempre fracas demais, sem agência. Portanto, devemos nós que sofremos transfobia considerar que a transfobia é uma opressão imaterial, que não precisa de agentes para acontecer e se tiver algum agente, sempre deve ser apenas e tão somente o homem cisgênero.

Todas inocentes, mulheres jamais podem causar qualquer mal a ninguém. Que mundo fantástico seria um apenas com mulheres, nenhuma violência por certo existiria! Mulheres não são capazes de causarem violência racista, homofóbica, classista, transfóbica, gordofóbica, capacitista. É tudo culpa dos homens.

Em 1957, nos Estados Unidos, nove jovens negros  foram selecionados pela direção do principal colégio da cidade, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país.  Foto de Will Counts.
Em 1957, nos Estados Unidos, nove jovens negros foram selecionados pela direção do principal colégio da cidade Little Rock, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país. Na imagem, a jovem negra Elizabeth Eckford é hostilizada por mulheres brancas. Foto de Will Counts.

Na hora de sermos agredidas com transfobia e cissexismo, naquele momento em que estamos tendo o respeito à nossa identidade de mulher negado, em que estamos sofrendo violências que nos deixam muitas vezes marcas profundas por muito tempo, não está importando qual a gênese daquela violência, se ela se deu início na Idade da Pedra Lascada, da Pedra Polida ou na Idade Média. O que me importa nesse momento é que uma pessoa, que por um acaso pode ser uma mulher cisgênera, está me desrespeitando e, inclusive, muitas vezes sabendo que está desrespeitando, discriminando pelo sabor de discriminar.

Eu sou feminista mas não sofro de cegueira intelectual. Sou a favor das mulheres mas jamais vou passar a mão na cabeça de mulheres que discriminam pessoas pertencentes à populações historicamente discriminadas e marginalizadas. Todas as vezes que eu me calo, a discriminação não deixa de existir, a violência não deixa de acontecer.

Eu não tenho qualquer problema com nenhum tipo de feminismo realmente libertador e includente, mas tenho todos os problemas do mundo com feminismos transfóbicos — pois eles fazem o que a sociedade inteirinha está fazendo: retirando o meu direito de ser pessoa, pois se eu quero ser tratada como mulher, se eu me reivindico como mulher, isso significa que a minha identidade de gênero faz parte da minha humanidade; e ter minha humanidade respeitada é ter a minha dignidade assegurada.

Não vou respeitar feminismos que me negam o respeito à minha individualidade, à minha dignidade, à minha humanidade.

Não estou isentando aqui as mulheres trans* e demais pessoas trans* dos erros que cometem, jamais corroborarei discursos que dizem que devemos combater mulheres, que devemos atacar mulheres, que devemos odiar mulheres. Mas farei tudo isso contra discursos que pregam ódio contra as mulheres trans*, que inflam e asseguram o combustível da transmisoginia dentro da sociedade.

Minha luta é contra a transfobia também, pois eu sei o que é a transfobia na minha carne, no meu cotidiano: parta de quem partir, venha de onde vier — ainda que camuflada dentro de supostos movimentos libertadores e emancipadores de pessoas oprimidas, movimentos esses que se acham muito corretos ao não pensarem duas vezes para colocar em curso a opressão e marginalização de outras populações oprimidas.

A pessoa que errou precisa ser advertida do seu erro, precisa se conscientizar que quem sofre a transfobia é que tem mais legitimidade e autoridade para anunciar que a transfobia está ocorrendo, e é preciso o respeito à essa pessoa. Transfobia não é violência menor, transfobia retira direitos muito básicos nossos todos os dias, como o direito a ter um nome respeitado. Transfobia mata pessoas, as empurra para o desemprego e para a prostituição, transforma pessoas em cidadãs de segunda classe.

E se a pessoa que errou é advertida e prefere continuar errando — não, não vou apoiar, não há qualquer chance de ter sororidade com quem escolheu a sororidade seletiva, com quem se acha no direito de decidir quem pode se dizer mulher ou não. Com quem tem ou não o selo cisgênero de qualidade para ter o direito de se dizer mulher.

Dizer que mulheres trans* não são mulheres não é divergência teórica, isso é violento, isso é cissexista, isso é discurso de ódio contra a dignidade de seres humanos.

Ninguém precisa ter lido livros de teóricos e teóricas para descobrir que o respeito à individualidade, à intimidade, à privacidade e a dignidade de cada ser humano são pressupostos básicos para que uma sociedade funcione de forma exitosa. Pessoas analfabetas conseguem entender o significado da palavra respeito.

E respeito não é uma escolha, não é você que decide como vai nos tratar para que nos sintamos respeitadas — se a mulher trans* não se sente respeitada sendo tratada como homem, como macho, como XY, RESPEITE! Se você deseja o mesmo respeito para você, coloque em curso o respeito às outras mulheres.

Autora

Daniela Andrade é uma mulher transexual que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou. Escreve em seu blog pessoal: Alegria Falhada. Administra a página: Transexualismo da Depressão.

Esse texto foi publicado originalmente em sua página pessoal do Facebook no dia 05/06/2014.