As pautas identitárias e a politização da dor

Texto de Niege Pavani para as Blogueiras Feministas.

Como mulher, mais de uma vez me vi respondendo opressão com agressividade. Ainda muito nova me descobri impedida de circular pelo mundo lá fora, de escapar da redoma do lar. A eminência de se ter o corpo e moral pública corrompida por uma intrusão qualquer do patriarcado e da misoginia atrasou por demais meus processos de descoberta do mundo. Fugir dessa condicional foi uma luta que envolveu bastante choro, muita ruptura doméstica, muito enfrentamento agressivo. E a agressividade foi o primeiro passo adentro da estrada da resistência.

Pensando nessa trajetória pessoal e no meu círculo de convívios e trocas reflexivas e políticas, vejo com recorrência casos narrados sobre os disparos cegos e indiscriminados dos movimentos que se chamam por aí identitários. Não quero gastar letra aqui esclarecendo minhas divergências sobre o assunto, mas registro que chamar o feminismo, as lutas de negritude e LGBTTs de disputas sociais por demarcação de identidade no círculo da luta contra hegemonias, é, no mínimo, jogar para segundo plano todas nós — mulheres, negras e negros, não-bináries, sapatão e bichas — no caldeirão dos indistintos que arruínam a suposta grande e maior luta, que é a luta dos trabalhadores oprimidos na barganha do tempo de vida pelo dinheiro. E isso, absolutamente não é real. Mas também é ponto pra outra prosa.

Da distinção posta acima, já fica uma primeira fonte originária da agressividade como estratégia prioritária dos movimentos “minoritários”: nossa voz não é a primeira na ordem da importância dos debates. A nossa presença ainda é intrusa nessa política. Nossas dores são negligenciadas enquanto nós de tensão da concretude do mundo. A recusa sistemática em ver, empaticamente, que aquilo que nos compacta a existência e reduz nossas permissões de experiência da vida não são uma demanda de pauta num debate teórico, mas corrosão em nossas carnes, vividas e relembradas diariamente, nos conduzindo e reconduzindo repetidas vezes ao mesmo ponto inicial: a agressividade.

Por isso, não raro temos de lidar com o enfrentamento de acusações de reações desproporcionais diante do confronto de perspectivas sobre um assunto qualquer vida afora. Daí o nascimento de aberrações conceituais como racismo reverso, heterofobia, femismo ou misandria. Buracos no debate, túneis nas construções dos movimentos sociais que a maioria de nós não tem a menor intenção de compreender em sua profundidade e dimensão; fugindo paras as argumentações pseudo técnicas, na esperança de dissolver o movimento de coalizão de uma militância que é forjada no ódio e na resiliência. Invisibilizados pelo que somos, rejeitados pelo que sentimos e silenciados pelos nossos métodos de síntese entre nosso ser-sentir.

Reconheço que já vi em muitos espaços a aplicação do famigerado “trunfo” das acusações de machismo, racismo e lgbtfobia circulando de peito aberto para dar rasteira indiscreta nos interlocutores que não interessa à um alguém específico que encontra-se de posse do lugar de fala dessas pautas e lutas. Oportunismos estratégicos, flexibilidades táticas, imoralidades calculadas: a indistinção moral é um elemento da sociabilidade humana, e não será sob a égide do meu sexo e da minha identidade de gênero, por exemplo, que terei taxa de isenção dos meus equívocos. E não raro caímos na armadilha de generalizar pessoas com agrupamentos, desqualificando vivências pela orientação de uma experiência ruim com um oportunista.

Nesse fluxo desponta elemento curioso de reafirmação da motivação agressiva das construções identitárias: o trauma e ressabiamento retorna na contra-mão do debate. A vítima das desproporções transmuta de agressor simbólico à oprimido. Surrealismos que o obscurantismo de uma construção nada franca sobre essas pautas gera.

Um segundo reconhecimento é da recorrente impossibilidade no estabelecimento de diálogo entre distintos com alguns seguimentos, por vezes sob a única justificativa de que se você é homem, já está errado; se você é branco, já está errado; se você é hétero, errado. Certamente que não é nada produtivo para o debate excluir o simbolismo algoz de nossas reflexões. Inclusive, é importante que nos lembremos que o objetivo final da luta e reafirmação das nossas identidades é subverter matrizes conceituais e condutas sistêmicas que nos oprimem em seu exato oposto: o feminismo quer convencer, por mais absurdo que seja colocar isso em palavras, de que a discriminação de gênero é real e que ela agoniza nossa sociedade em seu todo. De que interromper nossas falas enquanto expressamos nossas ideias, faz sangrar de novo a ferida do silenciamento perpétuo qual somos enclausuradas desde que o mundo é “civilizado”. A luta, no final do dia, é pela persuasão de adesão daqueles que mutilam nossa liberdade de ser e viver.

Por isso, não será ridicularizando e isolando minha agressividade dirigida aos homens brancos que traçaremos rota de fuga da dor como argumento enrustidamente político. Uma outra atmosfera precisa ser construída e coletivamente, entre eu e meu ícone referencial das dores que acumulo sob minha trajetória de vida; entre a mulher negra rejeitada por todos os vetores estéticos que temos em voga e a mulher branca de cabelos artificialmente loiros e holerite de 5 salários mínimos; entre a travesti e todos que a dizem abjeta e objetificam, sentenciando sua morte ao máximo dos seus 35 anos. E nessa atividade laboral participativa, alguns pontos de auto-entendimento e empatia são necessários.

Pontos misteriosos em mim ainda, confesso. Infelizmente ainda não encontrei um receituário para politizar minhas experiências traumáticas e que sistematicamente colocam nessa mesma posição de desejo e prática de aniquilação daquilo que me sufoca. Na via teórica, talvez seja necessário incorporar mais psicanálise na bibliografia básica dos movimentos sociais e gastar um tempo saudável na leitura de Um mapa da ideologia, de Zizek; ou uma folheada em Lukács e Pêcheux.

Por outro lado, com os pés fincados no chão da prática, a única sugestão que me coloca empolgação é a pregação de uma doutrina das escutas. Doutrina porque envolve alta carga de fé na remodelação de nossa sociedade. Não será real enquanto não tivermos nossos corações encharcados da certeza que vidas negras, lgbtts e de mulheres importam, que nossas palavras não são uma reza de lamentações descabidas. A inclusão da dor enquanto estaca zero dos debates em lutas gerais é a primeira seta para politizá-las. A escuta, dentro da crença inabalável na igualdade, vem para sinalizar uma estratégia de canalização das dores.

A receptividade convicta abre um vinco nas práticas de rancor ideológico que nos lança na segunda fase da revolta politizada: há parceiros possíveis para além dos nossos pares. E essa receptividade parceira requer paciência histórica e passividade egoica, pois o escutador deve cumprir papel de aceitar ao convite à congregar de uma luta qual personifica o inimigo simbólico. Não é fácil, é um exercício de abnegação, mas é uma postura revolucionária e que creio muito transformadora.

No mais, é importante que os gozadores de privilégios vejam as correntes que nos atam, vejam para muito além de um coitadismo frágil, compreendendo que elas, as correntes, só permanecem em nós, ainda que muitas vezes frouxa, porque nossas mãos não alcançam as de mais ninguém. Nossas irmãs e irmãos de dor estão igualmente semi-presos e nenhum estrangeiro ousa nos abraçar. Talvez, de todas as tergiversões que produzi aqui, uma única ideia central me orienta: massifiquemos o feminismo; os movimentos lgbtt e negro. Sejamos cada qual um militante das dores que não são nossas, mas que assistimos atravessar nossas vidas. Coadunemos. No final das contas, a singela e minimalista alteridade pode salvar nossas vidas.

Referências

ZIZEK, S. O Espectro da Ideologia in Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro, Contraponto, 1999.

Autora

Niege Pavani é feminista, libertária, professora de filosofia e acredita que só a luta muda o mundo.

Imagem: Janeiro/2012. Movimentos sociais, moradores, frequentadores e comerciantes da região central de São Paulo realizam ação na Cracolândia. Foto de Keren Chernizon/UOL.

A capa da Placar com Bruno faz parte da normalidade do feminicídio no Brasil

Texto de Fabiana Moraes.

Meu primeiro sentimento ao ver a capa da revista Placar, que traz uma enorme foto do rosto do ex-goleiro Bruno, condenado pela morte de Eliza Samudio, foi de espanto.

“Não acredito”, pensei.

Essa sensação durou pouco. Na verdade, essa capa não é absurda, não deveria ter me causado tanta surpresa. Ela é na verdade a confirmação de uma situação, é uma peça-símbolo do tipo de visibilidade que se concede aos homens e mulheres desse País, no qual uma pesquisa equivocada parece ter diminuído a gravidade do fato de mulheres com saias curtas “estarem pedindo” para serem molestadas sexualmente.

A capa da Placar com Bruno faz parte da normalidade de um País no qual quase metade dos homicídios de mulheres são cometidos por pessoas próximas, geralmente marido, namorado, amigo, filho, pai. A outra metade das mortes não é suficientemente estudada, como se a violência contra o gênero feminino fosse mais grave somente quando recebe o carimbo da “violência doméstica”.

O apelo e o sofrimento do jogador merecem circular em papel de qualidade na grande mídia, onde o apelo e o sofrimento de milhares de mulheres mortas todos os anos em solo nacional só circula no momento em que seus assassinatos são publicados (entre 1980 e 2010: mais de 92 mil mulheres assassinadas; 43,7 mil somente na última década. Esse número saiu de 1.353 mortes no período para 4.465, um aumento de 230%).

A foto de Bruno na capa da Placar comemora o fato de, desenvolvidos e felizes com o progresso econômico nacional nos últimos 30 anos, termos apenas pequenos problemas como, por exemplo, o fato de uma mulher ser vítima de homicídio a cada 1 hora, 57 minutos e 43 segundos no ano de 2010. Em 2001, a média era de 2 horas, 15 minutos e 29 segundos. A capa que causa espanto é a mesma capa que vai para assinantes no qual esta situação acontece normalmente – está acontecendo agora.

A esquerda, capa da Revista Placar, edição abril/2014. A direita, uma resposta feita por Cyntia Mesquita Beltrao e Rosiane Pacheco, divulgada por vários grupos feministas na rede.
A esquerda, capa da Revista Placar, edição abril/2014. A direita, uma resposta feita por Cyntia Mesquita Beltrao e Rosiane Pacheco, divulgada por vários grupos feministas na rede.

Alguém falou em um comentário sobre essa capa que a equipe da revista foi “corajosa”. Por coragem, eu entendo o ato de ir contra a normalidade, o ato de fissurar o sistema, não de apoiá-lo, complementá-lo, confirmá-lo. Eu entenderia como corajosa uma edição da Placar que trouxesse as muitas e muitas mulheres que já foram vítimas de uma lógica perversa presente dentro do futebol (e outros esportes), espaço onde o sexo feminino nem é mais tratado como coisa, já que as coisas têm algum valor. Coragem temos que ter nós, mulheres, para nos depararmos com esse rosto circulando nos meios de alta visibilidade. Coragem temos que ter nós, mulheres, quando colocamos os pés na rua. Coragem temos que ter nós, todas, todos, para não aceitar nunca que esse País continue dentro dessa normalidade.

Autora

Fabiana Moraes é jornalista e mora em Recife. Esse texto foi publicado originalmente em seu perfil do Facebook, no dia 24/04/2014. Você pode acompanhá-la no Facebook e no Twitter.

Em maio de 2013, fez a reportagem especial do Jornal do Commercio: Ave Maria, sobre violência contra a mulher.

Maria Aparecida, Maria da Conceição, Maria do Socorro, Maria da Penha, Maria de Fátima, Maria do Carmo, Maria das Dores, Maria Madalena, Maria de Lourdes. Mulheres batizadas com o nome da mãe de Jesus, todas elas, exceto Madalena, com os títulos de Nossa Senhora. Foram assassinadas brutalmente por seus maridos, genros, colegas. Assassinadas pela conivência familiar e pela conivência do Estado. Mortas pelo silêncio e pela naturalização da violência contra a mulher. Neste mês de maio, sempre dedicado à Virgem Maria, o Jornal do Commercio traz, na edição impressa e na internet, as histórias dessas também divinas mães, filhas e irmãs. Elas representam a triste procissão de mulheres mortas no contexto da violência doméstica, responsável por quase a metade dos homicídios femininos no Brasil.

Atualização

Tem circulado mais do que eu esperava o post sobre a capa da Placar com o ex-goleiro e assassino Bruno. Uma pessoa da equipe me escreveu. No texto, classifica Bruno como excelente jogador e figura “polêmica.” Por isso, a necessidade jornalística de falar em alto e bom som sobre ele. Isso me impressiona demais. Esvazia-se o significado da palavra para preenchê-la com outro sentido. “Polêmico” era Nelson Rodrigues, que os rapazes do futebol, aliás, deveriam conhecer muito bem. “Polêmico” era Paulo Francis, que falava genialidades e disparates. Chamar o rapaz de “polêmico” é antes de tudo uma maneira de atenuar o horror cometido por ele, uma forma de higieniza-lo e, é claro, de justificar seu lugar nessa infeliz capa.

Ser sexy sendo vulgar

Texto de Sara Joker com a colaboração de Bia Cardoso.

Convivendo nas redes sociais, é comum ver as pessoas compartilhando textos imbecis e, muitas vezes, extremamente machistas. Melhor seria relegar essas falas ao ostracismo. Porém, em grande parte, esses textos são veiculados e corroborados por grandes veículos da mídia. Então, me preocupa ver que julgar mulheres ainda é um esporte bem presente em nossa sociedade, cujo placar é até divulgado em jornais.

Uma amiga compartilhou no Facebook um texto da escritora, redatora e roteirista Tati Bernardi, chamado: ‘Ser sexy dá gases e corrimento’. Acho que nunca tinha lido nada dessa pessoa, nem ouvido falar dela (sorte a minha). Porém, lendo outros textos seus e algumas repercussões é possível perceber que Tati Bernardi vem se esforçando para ser uma colunista #polêmica, como são vários colunistas polemiquinhos do mesmo jornal. Especialmente homens que se sentem a vontade para dizer como o feminismo deve ser, como as mulheres devem se comportar ou como os homens realmente são.

O texto inteiro é problemático, no começo até achei que era só mais um texto caga-regra, mas quando começa a frase: “Mulheres que se arrumam de forma a dar motivo de punheta para o universo…” Péra lá! Se eu uso roupa curta, decote, salto alto, batom vermelho ou qualquer coisa do tipo é por que quero dar motivo de punheta para alguém? Nem sempre. E se sim, qual o problema? Eu e muitas outras mulheres queremos e podemos nos sentir sensuais para nós mesmas. Para que reduzir a mulher a um objeto que existe apenas para dar prazer ao homem?

Em outros trechos do texto, Tati Bernardi relata momentos em que foi assediada numa reunião de trabalho mesmo estando de moletom, sem partes de seu corpo expostas para deleite masculino. E, também o pedido de um amigo para que ela sorrisse mais, porque homens gostam de mulheres simpáticas e alegremente robóticas. Esses relatos mostram que, não importa como você se vista, não importa com que intenção você se produziu para sair de casa, o machismo está aí em nossa sociedade e tentará sempre colocar as mulheres na posição de criaturas dóceis e comportadas. Quando fugimos desses padrões, somos classificadas como agressivas, chatas e mau humoradas.

Por isso, me incomoda e muito quando a autora diz:

“Não tem coisa pior do que ser posta em um lugar de “pessoa com vagina” quando se está focada em, brutalmente se for preciso, monetizar neurônios. Eu toda trabalhada no pau na mesa e o cara enxergando a xana embaixo da calça. É como se mamãe natureza, trajando renda e seda dos pés a cabeça, soprasse no meu ouvido “você é menina! Foi feita pra ser rosa e não cinza chumbo”. Mas eu prefiro ter dinheiro pra reformar a casa do que ter um marido com dinheiro reformando uma casa, mãe natureza, então não enche o saco.”

Para sermos respeitadas precisamos ser vistas como um estereótipo masculino? Ou acreditamos que apenas os homens merecem respeito? Afinal, não ficam andando sem camisa por aí e nem correm apenas de sunga nos parques para serem motivo de punheta ou siririca.

Ser mulher não é necessariamente ser cor de rosa, com todos os estereótipos tão conhecidos do que é ser feminina. Nem ser ou gostar de rosa significa automaticamente não ser independente e não ter dinheiro conquistado com seu próprio trabalho e, muito menos, viver para casa e para a família. Aliás, ter um trabalho não faz de ninguém menos ou mais digna de voz ou respeito. Opção de escolher, aí está um dos meus motivos para lutar! Quero, EU MESMA, escolher minha vida, como dona de casa ou mulher que trabalha fora. Luto para que não apenas eu possa fazer essas escolhas, mas todas as pessoas.

Manifestante na Marcha das Vadias de Brasília/DF 2013. Foto de Foto: Luciana Cobucci / Terra.
Manifestante na Marcha das Vadias de Brasília/DF 2013. Foto de: Luciana Cobucci / Terra.

Ser mulher não é ser um sexo meigo e passivo e, muito menos, fácil! Infelizmente, temos sempre que repetir: precisamos defender a autonomia das mulheres. Quem decide se é fácil, difícil ou se está na promoção é a pessoa, não os outros. E, seja lá o que ela decidir, que não seja julgada e condenada nos tribunais da moralidade, mas sim que as pessoas simplesmente deixem os outros viverem suas vidas.

Mesmo que eu seja rosa e meiga, ou que esteja de decotão e roupa curta, o que faz de mim mulher é o que sou. Uma pessoa única, com qualidades e defeitos, desejos e contradições. Não há características inatas. Você não vai ao mercado comprar meiguice e leva de brinde a passividade. É uma pena que as pessoas tenham essa necessidade de generalizar demais, deixar tudo muito típico e clichê simplesmente para expressarem seus preconceitos.

Bom, agora que tive o desprazer de conhecer Tati Bernardi e seus textos, ficarei de olho. Pois, pelo que notei tem muita gente enxergando esse tipo de atitude como feminismo. Se pegássemos apenas os trechos em que ela reclama do sexismo, até poderia ser, mas há muito slut-shaming em suas palavras, além de transfobia, preconceito de classe e ageísmo. Precisamos deixar claro que isso não é feminismo. Muito pelo contrário!

Quando leio textos que condenam a forma como as mulheres se vestem, penso nas Marchas das Vadias e como ainda temos um longo caminho pela frente. As vadias do Brasil colocaram na pauta que a roupa também é uma forma de libertação. Andar nas ruas como bem entender é ter direito sobre nosso próprio corpo. A Marcha das Vadias foi criada para pedir respeito, independente do que uso ou deixo de usar. Algo que deveria ser básico em nossa sociedade. Então, eu e muitas outras mulheres, não estamos andando por aí vestidas com roupas curtas para ouvir comentários solícitos ou cantadas. Há quem esteja e ninguém tem nada a ver com a vida delas, nem isso deve ser visto como um convite para a violência sexual.

Portanto, e já que o objetivo de um jornal deveria ser informar, gases são causados por fermentação de bactérias do intestino na digestão. E, corrimento é muitas vezes causado pela falta de ventilação nas partes íntimas ou de alterações na flora vaginal.

Esse texto me lembra muito um meme na internet que proclama: “ser sexy sem ser vulgar”. Pois, para mim, é possível ser sexy do jeito que quiser. Tati Bernardi não quer ser encaixada em estereótipos femininos do que é ser sexy. Porém, acha muito fácil colocar as outras mulheres nas caixinhas da generalização. Ainda bem que há mulheres que vão a reuniões de trabalho de shortinho ou de terninho, respeito é para todas!