Meu corpo simbolizado e ressignificado para além da sociedade cisgênera

Texto de Daniela Andrade.

Outro dia, vi uma mulher cisgênera dizendo que era um absurdo eu dizer que não tinha nascido homem ou mulher, que isso dava força para os fanáticos religiosos que falam criminosamente em ideologia de gênero, como se estivéssemos impondo aos outros quais seus gêneros. Que eu não poderia negar a realidade objetiva.

O que não entra na cabeça dessas pessoas cisgêneras é que: sexo/gênero não são dados postos, entregues à humanidade por alguma entidade mítica, mas descritos por uma sciencia sexualis criada e gerida por humanos, diga-se de passagem, humanos cisgêneros, que foram quem desde sempre tiveram acesso ao saber e fazer acadêmico-científico. As pessoas trans desde sempre estão alijadas desses espaços.

E, se formos ler Thomas Laqueur, por exemplo, vamos verificar que a divisão do mundo em absolutamente dois sexos não é algo imemorial. Laqueur debruçando-se sobre a história da sexualidade humana, como Foucault em sua trilogia, dão conta que o mundo até então era tido como tendo apenas um sexo, em que a mulher seria uma deformação do masculino, ou o sexo masculino não desenvolvido. Daí sua inferioridade considerada dentro do patriarcado.

Espelho. Foto de Christi Nielsen no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Espelho. Foto de Christi Nielsen no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Pois bem, vejam que se inclusive as pessoas cisgêneras modificaram a concepção de sexo-gênero, por que eu, pessoa trans, tenho que engolir as teorias de sexo-gênero, ou ante isso, a imposição do sistema sexo-gênero sobre a minha pessoa, de forma acrítica?

O corpo é meu, eu ressignifico o meu corpo como me cabe. Não estou dizendo como ninguém tem que ver o próprio corpo, não estou impondo como as pessoas precisam simbolizar e significar o próprio genital por exemplo, de forma que não quero que façam o mesmo comigo.

Quero que parem de se intrometer no meu corpo e na forma como eu vislumbro meu corpo, isso só compete a mim. E aí que reside a leviandade e a mentira desses fanáticos religiosos. Não estou impondo nada, ao contrário do que as pessoas cisgêneras desde sempre fizeram, estou propondo às pessoas trans outras formas de significarem e simbolizarem os próprios corpos, em detrimento das pressões e imposições sociais.

Se eu quero ou necessito mudar o meu corpo, o meu genital, isso deveria dizer respeito apenas a mim. Isso não muda o mundo, isso não muda a vida de ninguém, apenas a minha. Não estou ditando que genital cada um deve ter, que corpo cada um deve ter, estou dizendo que não sou obrigada a acatar imposições que legitimam corpos cisgêneros e a identidade cisgênera como corretos, “de verdade”, “normais”, o que deve ser perseguido pelas pessoas trans. Inclusive porque as pessoas trans podem ter os mesmos corpos das pessoas cisgêneras, sem modificar absolutamente nada. Pois a identidade de gênero não é algo do aparato anatômico, mas do psíquico.

Se as pessoas cisgêneras impõem que meu genital é masculino ou feminino, eu pergunto: preciso realmente acatar o que a ciência cisgênera determinou para mim? Por conta do quê? A ciência, ou melhor, os cientistas cisgêneros ao longo da história já determinaram cada coisa absurda, por exemplo que as pessoas negras eram menos inteligentes, e diziam comprovar com estudos; que só me leva a crer que deveríamos deixar de falar em ciência como dogma ou religião.

Aliás, para além do que diz a biologia, que só pode descrever partes anatômicas dos corpos, eu não sou apenas um ser biológico, mas também um ser social e que possui subjetividade. Ou seja, não é porque alguém determinou que corpo eu tenho, que genital eu tenho, qual é meu gênero, que eu devo acatar. Estamos falando de mim, não de você.

Meu corpo pode ser simbolizado e ressignificado para além do que a sociedade cisgênera me impõe, o nome disso é resistência, é dizer não à colonização das pessoas cisgêneras sobre nossos corpos, nossas identidades, nossas subjetivações.

Meu gênero nunca esteve instalado no meu genital e na minha anatomia, e meu genital, por exemplo, só terá sentido pra mim se eu assim simbolizá-lo como uma parte de mim com significações benéficas. Sou mulher independente do meu genital, inclusive porque não saio mostrando ele por aí, as pessoas se relacionam com a Daniela e não com o genital da Daniela.

A forma como a Daniela vê o próprio corpo não deveria dizer respeito a você, mas à Daniela. Assim como a forma que você vê seu corpo não diz respeito à Daniela. Mas para além disso, tanto a Daniela precisa respeitar como você se vê e quer ser tratado ou tratada, quanto vice-versa.

Refuto as imposições do que deve ser meu corpo, do que deve ser meu genital e do que deve ser a pessoa que eu sou. É preciso respeitar as individualidades e singularidades de cada pessoa pois não somos robôs, cópias perfeitas uns dos outros.

A forma como você enxerga o mundo, enxerga seu corpo e enxerga o sistema sexo-gênero, pode não ser a forma como eu faço a mesma coisa. E daí? Qual o enorme problema na sua vida? Muda o que nos seus planos se eu vejo o mundo, meu corpo e meu genital de forma diferente da sua?

Autora

Daniela Andrade é uma mulher transexual que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou. Escreve em seu blog pessoal: Alegria Falhada. Administra a página:Transexualismo da Depressão.

Esse texto foi publicado originalmente em sua página pessoal do Facebook no dia 23/06/2015.

A construção da identidade de gênero e da orientação sexual

Texto de Daniela Andrade.

No meu entendimento, a construção tanto da identidade de gênero quanto da orientação sexual perpassam um constructo biopsicosocial, de forma que não há de se secundarizar nem as contribuições hormonais, genéticas, cerebrais, psicológicas e sociais para entender a construção da sua identidade de gênero e do seu afeto e desejo, o que não se dá quando falamos de etnia.

Até onde eu saiba, negros nascem negros, brancos nascem brancos, amarelos nascem amarelos, há aí claramente e definitivamente apenas um componente genético. Não há nenhum componente psíquico em relação à etnia que não seja aceitar que não existe etnia pior ou melhor que a outra, recuperar a própria autoestima quando se vive num mundo que diz que pessoas da sua etnia são inferiores que pessoas de outra.

Se eu for acreditar que a identidade de gênero é meramente uma construção anatômica e genética, então, por exemplo, pessoas que se reconhecem mulheres mas nascem sem útero, ovário e canal vaginal, porém com combinação cromossômica XX, como se dá com algumas pessoas com agenesia vaginal, nesse caso ela seria menos mulher que as outras? Uma mulher de segunda categoria?

Janaína Falcão sofreu no trabalho ao iniciar tratamento para assumir identidade feminina. Foto de Luna Markman/G1.
Janaína Falcão sofreu no trabalho ao iniciar tratamento para assumir identidade feminina. Foto de Luna Markman/G1.

Se gênero fosse meramente uma construção anatômica, assim que eu extirpasse o aparelho reprodutor de uma pessoa, ela imediatamente se identificaria como alguém de outro gênero.

Sem falar nas pessoas que nascem com outra combinação cromossômica que não as XX e XY, nesse caso, devo imaginar que sendo a identidade de gênero algo puramente genético, não devem se identificar nem como homem e nem como mulher.

Sem falar que há infinitas socializações e respostas à tentativa de se socializar um ser humano desse ou daquele gênero. Aliás, se socialização definisse tudo, David Reimer, o menino criado como menina após a amputação do seu pênis ainda bebê, supervisionado pelo psicólogo John Money, teria realmente se identificado como menina. Herculine Barbin, clássico caso de pessoa intersexo descrito por Foucault, não teria se suicidado.

Enfim, é muita leviandade ver feminista cisativista fazendo comparação entre uma mulher que inventou uma farsa, mentindo sobre fatos da sua vida que não aconteceram para se dizer negra, com pessoas trans.

Se bem que, nada novo debaixo do sol, a vida dessas cisativistas é perseguir mulheres trans. Elas só estão bem quando as mulheres trans estão perdendo, estão sendo discriminadas ou agredidas. Elas só se sentem melhor quando estão deslegitimando mulheres trans, quando estão verificando que as algemas das mulheres trans estão bem atadas para em seguida mentirem que isso se chama luta de mulheres. Se bem que, pode até ser, luta de mulheres ativistas do ódio.

Parecem os fundamentalistas religiosos, que esperam qualquer fio de cabelo fora do lugar de algum gay, pra dizerem que o homossexualismo (sic) é uma perversão que vai destruir o mundo. Eu nem perco meu tempo debatendo com essas cisativistas, pois afinal de contas, argumentar com quem resolveu renunciar ao uso da razão é como dar remédio a um cadáver e esperar que ele melhore, diria Paine. É como falar com as paredes.

Autora

Daniela Andrade é uma mulher transexual que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou. Escreve em seu blog pessoal: Alegria Falhada. Administra a página:Transexualismo da Depressão.

Esse texto foi publicado originalmente em sua página pessoal do Facebook no dia 16/06/2015.

Laverne Cox fica nua e expõe a exclusão do feminismo radical

Texto de Noah Berlatsky. Publicado originalmente com o título: ‘Laverne Cox gets naked, exposes radical feminist exclusionism’, no site da revista Playboy em 24/04/2015. Tradução livre de Daniela Andrade, publicada em seu perfil do Facebook no dia 26/04/2015. Revisão de Bia Cardoso.

Maria Clara Araújo divulgou em seu perfil do Facebook uma outra tradução para o mesmo texto no dia 26/04/2015, com o título: Laverne Cox posa nua e expõe feminismo radical excludente.

Ao site da revista Allure, Laverne Cox disse:

“Passando pela vida, você tenta cobrir e esconder, mas isso realmente não funciona”, diz a estrela de Orange Is The New Black, 30 anos, que a princípio recusou a proposta da  Allure para posar nua. “Eu disse que não, inicialmente, pensei sobre isso, e disse não mais uma vez”, diz ela. “Mas, eu sou uma mulher negra transgênera. Eu senti que isso poderia ser algo realmente poderoso para as comunidades que represento. Mulheres negras muitas vezes não ouvem elogios por nossa beleza, a não ser quando nos alinhamos com determinados padrões. Mulheres trans certamente não ouvem elogios por nossa beleza. Ver uma mulher negra transgênera abraçar e amar tudo sobre si mesma pode ser inspirador para outras pessoas. Não há beleza nas coisas que achamos serem imperfeitas. Isso soa muito clichê, mas é verdade”. Cox queria essas fotos para si mesma, também: “Eu, honestamente, só queria me fazer feliz, e se outras pessoas gostarem, então isso é ótimo. Se não gostarem, então eu ainda estou feliz”.

Laverne Cox em foto para a revista Allure. Imagem: Norman Jean Roy.
Laverne Cox em foto para a revista Allure. Imagem: Norman Jean Roy.

Laverne Cox fica nua e expõe a exclusão do feminismo radical

Quando Laverne Cox decidiu posar nua para a Allure, ela sabia o risco que corria. “Mulheres negras não ouvem frequentemente que são bonitas a menos que estejam dentro de determinados padrões,” disse Laverne à Allure. “Mulheres trans certamente não ouvem que são bonitas.”

Mais que isso, mulheres trans e mulheres negras, também ouvem, frequentemente, que não são mulheres de verdade.

“Quando a imagem da mulher perfeita é traduzida na infância como a Branca de Neve, a mais justa e mais iluminada na terra, a ideia se transforma como se todo o restante de nós estivesse se fantasiando para imitar a verdadeira beleza”, disse a escritora negra e trans Shaadi Devereaux. Laverne, tirando suas roupas e fantasias e posando ao natural, como ela mesma, desafia o espectador a vê-la não apenas como alguém bonita, mas natural.

Ela também, como estou certo que ela saiba, convida à repercussão daqueles que veem o corpo da mulher trans negra como falso de nascença. A repercussão não está vindo devagar.

A feminista Meghan Murphy reagiu à foto da forma como Laverne sugeriu que as pessoas frequentemente reagem à mulher trans negra – com nojo, preconceito e horror. Em um texto pequeno, mas impressionantemente cruel, Murphy zombou de Cox por tentar conseguir um corpo “perfeito”, conforme define o patriarcado/a cultura pornô, por meio de cirurgias plásticas, e então apresentando-se como um objeto sexual para consumo público”.

Ela ridiculariza a ideia de que mulheres trans que tomam hormônios ou se submetem a alguma cirurgia sejam aceitas por elas próprias. Murphy sugere que as mulheres trans estão “gastando centenas e centenas de dólares esculpindo seus corpos para se parecerem com alguma versão caricatural de ‘mulher’, como define a indústria pornográfica e a cultura pop”.

Laverne, para Murphy, é uma caricatura: uma coisa construída com cirurgia plástica, uma paródia sobre a beleza, feia. A aversão e o desprezo são palpáveis. Para a feminista e ativista negra Sojourner Truth, Laverne Cox em sua nudez, pergunta: “Não sou uma mulher?”. E Murphy, com uma fria satisfação responde; “Não”.

A frieza não é novidade. Idealmente, você não a esperaria, o feminismo poderia ser sobre lutar pelos direitos de todas as mulheres e tentar libertar todas as pessoas das opressões dos estereótipos de gênero. Na prática, todavia, o feminismo radical tradicional de Andrea Dworkin e Janice Raymond, que Murphy segue, frequentemente significa mais exclusão que inclusão. O radicalismo das feministas radicais é frequentemente definido pela difamação à outras mulheres – mulheres trans, profissionais do sexo, mulheres negras – que de nos desiludir das tolices feitas pelos homens e pelo patriarcado.

“Essas feministas radicais, na minha opinião, nem mesmo conseguem fingir que são inclusivas,” disse-me a pesquisadora e ativista negra Zoe Samudzi, assistente de projeto na UCSF. “Há muitas pistas que nos dizem o que elas entendem por emancipação e libertação… Mulheres brancas tem historicamente agredido os corpos das mulheres negras e, o mesmo direito e poderio identitário no feminismo lhes habilitou proclamarem a si mesmas como juízas da condição feminina”.

A lógica que conduziu as feministas brancas do século 19 a pedirem o direito de votar apenas para as mulheres brancas ainda é dolorosamente visível no ataque de Murphy à Laverne. Algumas mulheres não são dignas de simpatia, de amor ou de sororidade.

Da mesma forma como as mulheres negras tem sido definidas como pessoas sem feminilidade, o mesmo tem acontecido com as mulheres trans. O Festival Michigan Womyn levou quatro décadas recusando a participação de mulheres trans, ao que parece, as organizadoras decidiram encerrar o evento após este ano, em vez de avançar na questão da inclusão trans.

A transfeminista e autora Julia Serano explicou que a feministas radicais que excluem trans “subscrevem uma única questão de sexismo, em que homens são opressores e mulheres são oprimidas, fim da história… Esse quadro também as conduz a discriminar mulheres trans dizendo que são homens infiltrando-se em espaços de mulheres e parodiando as opressões das mulheres, ou alguém com alguma confusão de gênero ou pessoas andróginas que decidiram transicionar numa tentativa infeliz de ‘assimilação’ do binário de gênero”.

As mulheres trans, que se recusam a conformarem-se com as normas de gênero, estão sujeitas ao ódio, ao desprezo, à difamação e, frequentemente, a violência homicida, são vistas de certo modo criando ou mantendo as normas de gênero. Em nome do radicalismo de gênero, Murphy difama uma mulher pois sua expressão de gênero não é a mesma de Murphy.

Parte do que define a experiência de gênero de Laverne Cox, como ela diz, é que as mulheres negras e as mulheres trans não são vistas como pessoas com beleza. Elas podem ser, frequentemente são, hipersexualizadas – e vendo Laverne como excessivamente sexualizada, e apenas sexualizada, Murphy contribui para o estereótipo. Porém, enquanto elas podem ser objetos sexuais, às mulheres trans e mulheres negras não é permitido serem glamourosas ou amadas.

“Uma das mais poderosas coisas que você pode fazer por uma mulher trans é fazê-la sentir-se benquista, palpável e merecedora de afeto,” postou no Twitter a escritora trans e queer Mari Brighe.

P. Marie, uma ex profissional do sexo disse-me que “ajuda-me como indivíduo quando eu vejo uma mulher negra sentindo-se bonita e compartilhando isso com o mundo – lembrando às pessoas que nós SOMOS bonitas, desejáveis, femininas e fortes, que é exatamente, felizmente, o que Laverne Cox fez por nós”.

Murphy vê a foto de Laverne nua como sendo degradante, da mesma forma como as imagens de mulheres negras são frequentemente percebidas: degradantes, sexuais e repugnantes. P. Marie disse que para ela “quando nossas imagens são sexualizadas, para mim a questão pode ser explicada pela própria agência. Nós consentimos? Nós estamos sendo respeitadas? É nossa escolha? É uma coleção de partes do corpo ou uma humanidade apagada?”.

Murphy não vê humanidade na foto de Laverne, apenas uma mulher trans negra que, pelo simples fato de ser trans, não tem qualquer agência. Mas se você olhar para a foto, o que é mais impressionante na imagem é sua distinção e individualidade. Murphy reclama que a imagem é muito perfeita; de fato, embora a imagem seja marcante, como uma fotografia de moda, houve a disposição de celebrar as “imperfeições” de Laverne.

Laverne Cox não é uma modelo-magra-de-passarela. Não é uma modelo-de-passarela-delicada ou esbelta, tampouco. Ela tem mãos grandes, que não foram escondidas, são corajosamente exibidas. Na foto, Cox está deitada sobre uma manta; seu corpo encontra-se mais tenso que relaxado, sua cabeça em uma grande e forte mão, olhos fechados, um leve sorriso em sua face – como se ela estivesse um pouco envergonhada e gostando de estar envergonhada. Ela está voluptuosa, incomodada e doce, tudo ao mesmo tempo. Em seu simultâneo prazer e desconforto diante da câmera, ela parece, em uma franca pose encenada, surpreendentemente natural – e bonita.

Autor

Noah Berlatsky é autor do livro ‘Wonder Woman: Bondage and Feminism in the Marston/Peter Comics, 1941-1948’. Também é editor de quadrinhos e cultura no site The Hooded Utilitarian e escritor colaborador da The Atlantic.