A página da história que as brasileiras estão escrevendo

Texto de Adriane Rampazzo para as Blogueiras Feministas.

Há 8 meses acompanho, de longe, a efervescência do Brasil. Se é verdade que de longe se consegue ver e perceber melhor a vida de todos os dias, tanto melhor quando o observador, ainda que geograficamente distante, continua muito próximo – e talvez mais do que antes – do seu pequeno universo.

De tudo que vi acontecer até agora, o que mais tem me chamado atenção – e alegrado muito, é bem verdade! – tem sido a ampliação dos debates “feministas” (e as aspas aqui me socorrem da necessidade de, nesse momento, discorrer sobre conceitos e ou teorias, ao que não me pretendo). Brasil afora, nos últimos meses, pulularam discussões que perpassaram pela recorrente tentativa de culpabilização da mulher, como meio para legitimar a violência de gênero, como no caso do vídeo amplamente divulgado em que um marido agride a mulher ao flagrá-la saindo de um motel com outro homem, pela denúncia de abusos através da #meuamigosecreto, pela polêmica ‘do shortinho’ em Porto Alegre até as recentes manifestações em apoio à adolescente carioca vítima desta ignomínia que é o estupro, terrivelmente agravado em seu modus faciendi coletivo.

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Casa TPM 2015: menos glamour, mais debates

Texto de Janethe Fontes para as Blogueiras Feministas.

Para a 4ª edição da Casa TPM, confesso que não tinha grande expectativa; ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando, devido ao sucesso da 2ª edição da Casa TPM, da qual participaram feministas importantes como Clara Averbuck, Nadia Lapa e Elisa Gargiulo, eu estava bastante curiosa para participar.

Casa TPM 2015. Imagem: divulgação.
Casa TPM 2015. Imagem: divulgação.

O local do evento foi o mesmo dos anos anteriores, o Nacional Club. Um lugar muito chique, bonito e bem localizado: no aristocrático bairro do Pacaembu, com sede à Rua Angatuba, 703. É um dos clubes sociais mais tradicionais de São Paulo, fundado na década de 50, para congregar a elite dos homens de negócios de São Paulo. Ou seja, era um ‘clube dos bolinhas”. Por isso, só em saber que o local havia sido “concebido” para que apenas homens o frequentasse, já torna o local “especial” para esses eventos proporcionados pela revista TPM!

Agradeço especialmente às meninas das Relações Públicas: Luiza Nascimento e Monalisa Oliveira pelo convite e também a todos aqueles que organizaram e trabalharam no evento. Afinal, um evento desse porte deve dar uma trabalheira danada e, mais uma vez, a recepção estava impecável.

Mas, obviamente, o que mais interessava no evento eram os conteúdos dos debates e de seus convidados/convidadas. Só que, desta vez, como eu disse, não estava tão empolgada quanto no ano passado. Por isso, quando a lista dos participantes foi divulgada no site da revista, apenas um ou dois dias antes do evento, fiquei feliz ao saber que a Juliana de Faria, do Think Olga, e a atleta Joanna Maranhão participariam de um dos debates: Empoderamento feminino na internet.

Os assuntos principais da Casa TPM deste ano foram a relação da mulher com a tecnologia e o consumo consciente. E como convidad@s para os debates, foram levadas personalidades como: Monica Moreira, Catmita Abdo, Miá Mello, Milly Lacombe, Geisy Arruda, Karina Buhr, Ronaldo Lemos, Maria Ribeiro, Bia Paes Barros, Arthur Bueno, Renata Leão e as já citadas Juliana de Faria e Joanna Maranhão, entre outros. As apresentações musicais ficaram por conta de Marcelo Jeneci e Ana Cañas.

Ainda assim, eu senti falta de mais personalidades reconhecidas na luta feminista. Mas, ao menos no primeiro dia do evento (não fui no segundo dia), os debates foram realmente bons e bem-humorados.

Segundo Joanna Maranhão, sobre “a importância de participação num evento como o da Casa TPM”, ela me disse o seguinte:

Eu procuro estar sempre presente (desde que seja possível conciliar com os treinos) em eventos que abram espaço para mulheres e verbalização, o que fazer com o espaço que estamos conquistando, saber usar essa liberdade e expressar nossos pontos de vista. Me sinto realizada quando surgem oportunidades como essa. A TPM é a cara da mulher independente, autônoma, mas isso não quer dizer solitária, porque ninguém faz nada sozinho. Mas é a cara da mulher segura e que busca o melhor pra si, me identifico com isso.

Concluindo, apesar de ter considerado mais qualificativos os debates promovidos neste ano na Casa TPM, volto a argumentar que uma revista como a TPM, que sempre teve essa “aura” feminista, e é contra clichês femininos e “velhos estereótipos, que cismam em se reinventar desde o tempo de nossas avós…”, que diz que é contra “qualquer tentativa de enquadrar a mulher em um padrão, cercar seu desejo e diminuir suas possibilidades”, não deve mudar o foco e ceder às velhas formas publicitárias de outras revistas, que tanto critica; corretamente, claro! Portanto, fica aqui o meu apelo para que, nas próximas comemorações da revista, convide mais pessoas que possam representar os anseios feministas.

Nota: O evento ocorreu nos dias 29/08 e 30/08/15.

Autora

Janethe Fontes é escritora e tem, atualmente, 4 livros publicados: Vítimas do Silêncio, Sentimento Fatal, Doce Perseguição e O Voo da Fênix.