Interseccionalidade na prática: descobertas e táticas

Texto de Debora Albu para as Blogueiras Feministas.

Saindo de uma conferência sobre feminismo e enfrentamento à violência contra a mulher nesse contexto de 21 dias de ativismo só consegui sentir uma felicidade enorme, apesar do peso e da dor que esses temas nos trazem.

A felicidade vinha da materialidade que o conceito de interseccionalidade tinha tomado ali. Uma mesa composta por mulheres de diferentes gerações, cores, territórios, ancestralidades e experiências concretizou aquilo que a teoria, muitas vezes, fica aquém de dar conta.

O conceito de interseccionalidade – palavra que meu Word não reconhece — foi cunhado pela professora e ativista do movimento negro norte-americano Kimberlé Crenshaw, em 1991, no artigo “Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics and Violence Against Women of Color” (Mapeando as margens: interseccionalidade, política de identidade e violência contra mulheres não-brancas; tradução livre*) na Stanford Law Review. A interseccionalidade seria como uma lente, um dispositivo metodológico para ler uma diversidade de opressões incidindo sobre cada pessoa — e cada mulher — de formas diferentes, gerando não um somatório de opressões, mas sim, novas formas de opressão qualitativamente distintas.

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Sobre as Paradas da Diversidade: Precisa? SIM!

Texto de William Paranhos para as Blogueiras Feministas.

O senso comum, formado pelas mais variadas identidades, inclusive por LGBTQI’s, sempre traz este questionamento ao falarmos sobre uma Parada da Diversidade. Vigora aquele pensamento de que não é algo necessário, porque expõe, porque é “demais”, porque isso passa uma imagem à sociedade de que seríamos nós promíscuos, pois num ato vamos às ruas cantando, dançando, festejando, beijando, mostrando nossos corpos e nossos seres.

As paradas são um ato político. Político sim, pois somos constituídos pela política; somos seres políticos nas nossas relações sociais. Político também por ser um ato de resistência. Decidimos levar às ruas nossa cultura, nosso jeito de ser, a fim de termos visibilidade.

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Um brinde à sua saúde: 5 dicas para mulheres bissexuais melhorarem sua saúde e bem estar

Texto de Audrey Faye. Publicado originalmente com o título: “Here’s To Your Health: 5 Ways Bisexual Women Can Pursue Better Health & Wellness”, no site Autostraddle em 31/03/2015. Tradução de Jéssica Alves e revisão de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Os números são evidentes: mulheres bissexuais correm maior risco de terem a saúde mental e física prejudicadas, estão mais propensas à pobreza, vício, violência e, com frequência, estão sujeitas à discriminação dentro do sistema de saúde. Porém, não somos obrigadas a aceitar assistência médica de baixa qualidade ou negligência. Felizmente, a Comunidade Bi está se unindo para propor melhorias na conscientização e no acesso ao sistema de saúde.

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