Um brinde à sua saúde: 5 dicas para mulheres bissexuais melhorarem sua saúde e bem estar

Texto de Audrey Faye. Publicado originalmente com o título: “Here’s To Your Health: 5 Ways Bisexual Women Can Pursue Better Health & Wellness”, no site Autostraddle em 31/03/2015. Tradução de Jéssica Alves e revisão de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Os números são evidentes: mulheres bissexuais correm maior risco de terem a saúde mental e física prejudicadas, estão mais propensas à pobreza, vício, violência e, com frequência, estão sujeitas à discriminação dentro do sistema de saúde. Porém, não somos obrigadas a aceitar assistência médica de baixa qualidade ou negligência. Felizmente, a Comunidade Bi está se unindo para propor melhorias na conscientização e no acesso ao sistema de saúde.

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Doenças sexualmente transmissíveis: estigmas e pessoas marcadas

Texto de Raissa Éris Grimm.

Na aula de Biologia da sétima série ensinaram pra gente que o que transmite doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) era transar sem proteção. Que não era sobre com quantas pessoas você transa
ou sobre a orientação sexual de quem você transa.

Se você usa proteção, pode transar com quantas pessoas quiser – e tá protegide. Se você não usa proteção, você pode transar com 1 pessoa, e contrair DST com uma pessoa. Isso foi no finzinho dos anos 90 —
muitas de vocês que tão aqui não lembram nada dessa época —
naquela época, rolava uma mobilização forte da comunidade gay
das travestis e mulheres (cis, trans..) profissionais do sexo lutando contra o estigma por serem considerados “vetores de contágio”.

Ah, tinham pessoas bissexuais nesse corre. Porém não tinham visibilidade política.

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Histerectomia, um relato

No final de janeiro, Lia Mara nos escreveu:

Gostaria de compartilhar com voces um desabafo… precisei fazer esse mês uma cirurgia de histerectomia e ouvi tantas coisas absurdas acerca disso, em relação ao meu corpo, a minha autonomia enquanto mulher, a minha condição de pessoa que resolvi desabafar.

O texto foi escrito de modo bem informal, numa linguagem coloquial, mas que deixa claro o que senti e o que imagino ser o pensamento hipócrita de uma grande maioria ainda.

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Texto de Lia Mara Meyer

….Quando atendi ao telefonema já senti um frio na espinha… sabia que seria para explicações intermináveis… procurei não deixar que aquelas palavras me ferissem tanto, que me apedrejassem como se estivesse cometendo um crime, mas estava sendo uma conversa pesada, imposta…. como se a partir desse momento eu não fosse mais útil a seu filho (meu marido), eu não pudesse procriar mais, e isso o indignava cada vez mais (meu sogro).

Como pode uma mulher sem útero ser útil? Ele me questionava o fato de ter tido somente um filho, ou seja, eu estou dando fim a linhagem familiar, pelo menos nesse momento. Isso era inadmissível ao patriarca. Tento esclarecer que essa é uma decisão que cabe a mim e é clara, tanto por condições econômicas, como sociais, como de saúde e psicológicas. Sim! O corpo é meu. A decisão é minha, nesse caso em conjunto com meu marido, mas com prevalência da minha vontade.

Eu ainda escuto entoar em meus tímpanos, meu sogro falando em tom alto que essa decisão deve ser por duas questões: Ou estou escondendo uma doença muito grave , ou é coisa que enfiaram na minha cabeça por “ter estudado tanto”. Fala que o marido é que decide quantos filhos ele pode sustentar, ele (meu sogro) no caso teve quatro filhos, mas foi ele que decidiu. Onde andava meu marido (filho dele) que não me impedia de fazer a cirurgia?

Foto de Lee Haywood no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Lee Haywood no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Como convencer uma pessoa de 70 anos que estou sendo submetida a uma histerectomia aos 39 anos por ter endometriose avançada ? Como não se indignar com as imposições a que tenho que escutar, quando minha fala é a todo momento interrompida por um discurso paternalista, egoísta e agressivo. Minha indignação era compatível com minha curiosidade em ver onde o discurso dele chegaria.

Como não se revoltar com pessoas assim, que ainda de acordo com outra mulher (minha sogra), dizem em alto e bom tom que devo ter algum problema em não querer ter outro filho, com tantos avanços da medicina? Que serei infeliz, e pior, que estou impedindo os outros de serem felizes.

Alguém me diga onde esta escrito que maternidade é sinônimo de felicidade, por favor!!

Onde esta o respeito, a tolerância, a compreensão de que meu corpo, minha saúde e minhas decisões cabem somente a mim?

Hoje tive a experiência real da violência psíquica com que sofrem mulheres em situações parecidas, que se tornam improdutivas como reprodutoras e não tem mais serventia para a sociedade (isso pelo discurso moralista da sociadede), ou que resolvem simplesmente não serem mães. São discriminadas, agredidas, vítimas de uma sociedade hipócrita que só reproduz o que os séculos já mostram – paternalismo pondo a prova seu direito sobre o corpo feminino. Estupros, mortes, violência doméstica, abusos, violência psicológica, todos os tipos possíveis, infelizmente tem em seu quadro quase sempre um homem.

Mas não acabou aí a conversa… para finalizar, escutei de meu sogro que esta “assustado” comigo e, que vai rezar para nada de pior acontecer, porque estou me atirando de uma ponte sozinha, mulher sem útero não vive muito tempo, porque “seca por dentro”.

Complemento com a ligação de uma “amiga” me perguntando…”como esta sua cabeça? Porque viver sem útero deve ser muito difícil, afinal, é sua essência que não existe mais”. Indignada, e sem vontade de responder a uma questão absurda dessas, disse que estava cansada, queria me deitar e desliguei. Me nego a conversar partindo de uma premissa tão revoltante.

Tomo essa conversa como um motivador para avançar nos estudos de gênero, porque ser mulher sempre foi, sempre será uma questão muito mais abrangente do que uma questão de gênero. Seria como se fossemos a grosso modo divididas em putas, santas, mães, parideiras, domésticas, loucas, lésbicas, ou então… bem… definições é que não faltam aos homens para “essas mulheres”. E o pior… essas definições muitas vezes partem das próprias mulheres…

No início de fevereiro tive acesso a biópsia realizada e se não tivesse feito a cirurgia, pelo resultado da biópsia teria grandes chances de desenvolver um tumor e engrossar a enorme lista de casos de câncer do colo de útero no Brasil.

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Lia Mara Mayer é socióloga. Tem 39 anos, é casada e tem um filho. Faz mestrado em Ciências Sociais na UFPR.