Jogo digital educativo e feminista: Lutas e Conquistas Femininas

Texto de Sonia Beatriz Leite Ferreira Cabral para as Blogueiras Feministas.

Em 2000, quando começamos a produzir jogos educacionais utilizávamos os CD-ROM como dispositivos de armazenamento. A mudança para o suporte digital, trouxe consigo as necessidades de se adaptar à nova linguagem e às exigências do mercado. Nesse período, passei a frequentar um grupo de estudo e pesquisa sobre gênero e tecnologia e acabei realizando uma pesquisa sobre a história das mulheres no Brasil, ficando fascinada pelo tema. Percebi que era necessário ampliarmos a circulação desses conhecimentos e possibilitar que os estudos sobre as mulheres ultrapassem o mundo acadêmico e fossem disponibilizados para um público mais jovem.

Incorporar pressupostos de gênero ao processo de construção de um jogo exige um compromisso com a pluralidade, com a linguagem inclusiva, e com utilização de imagens não sexistas e estereotipadas. Nesse sentido, produzimos o jogo de tabuleiro lúdico-pedagógico “Lutas e Conquistas”:

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Inclusão de gênero na ciência: o projeto Meninas no Museu de Astronomia e Ciências Afins

Texto de Sandra Benítez Herrera para as Blogueiras Feministas.

O projeto Meninas no Museu de Astronomia e Ciências Afins (desde agora referenciado como Meninas no Museu), é uma ação de divulgação da ciência voltada para estudantes do Ensino Médio do sexo feminino – sete, nesta primeira edição – com o intuito de motivá-las a se interessarem pela ciência e prepará-las para serem mediadoras em museus de ciência. O projeto faz uso da Astronomia, como ferramenta inspiradora, visando envolver as estudantes em atividades de pesquisa e divulgação em ciências no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). De igual forma, o projeto pretende facilitar o acesso a modelos de referência colocando as jovens em contato com mulheres pesquisadoras em várias áreas científicas, com o intuito de desconstruir a noção estereotipada do cientista.

O projeto começou em julho de 2016 e foi estruturado em três momentos diferenciados. Os primeiros seis meses, de julho a dezembro de 2016, consistiu em uma formação continuada em diferentes temas de Astronomia e outras ciências. Durante os encontros de formação abordaram-se também temas relacionados a gênero, educação em museus e a prática de mediação em exposições e atividades de divulgação da ciência.

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A trajetória de exclusão da educação feminina no Brasil

Por Tati Andrade para as Blogueiras Feministas.

Apesar das conquistas femininas ao longo da história brasileira, alguns pontos continuam maquiados na luta por direitos na área da educação.

A história da mulher brasileira, como a de tantas no mundo, é marcada pela ordem patriarcal familiar que, legitimada pela religião e pelo Estado, transmitiu o silenciamento do feminino em todas as esferas sociais. Desde menina, a mulher era ensinada a ser mãe e esposa; sua educação limitava-se a aprender tarefas estritamente domésticas sem qualquer participação na vida urbana. Sua circulação em espaços públicos só acontecia em ocasiões especiais e ligadas as atividades da igreja como missa, procissão e afins. Na obra 500 anos de educação no Brasil, uma coletânea com 24 artigos, Arilda Ines Miranda Ribeiro apresenta um texto intitulado “Mulheres Educadas na Colônia” em que afirma que, no início da história do Brasil, a mulher carregava o estigma da fragilidade e imbecilidade. No ensaio, ela declara que o sexo feminino fazia parte do chamado “imbecilitus sexus” a qual também pertenciam os doentes mentais e as crianças.

Durante 327 anos – de 1500 a 1827, a educação brasileira era permitida somente a homens. Mulheres brancas, negras, indígenas, ricas ou pobres, de qualquer faixa etária, eram proibidas de estudar. Alguns autores chegam até a dizer que a primeira reivindicação pela instrução feminina partiu dos indígenas brasileiros. Segundo eles, os índios haviam solicitado ao Pe. Manuel da Nóbrega que instruísse também as mulheres. Para os indígenas, a mulher era vista como sua companheira, não havendo justificativa nas diferenças que as mantinham ignorantes. O trabalho e o prazer do homem, como o da mulher indígena, eram considerados equitativos e socialmente úteis. Visto que as mulheres indígenas eram muito devotas, o padre decidiu enviar uma carta a Portugal pedindo licença para instruí-las também, porém o pedido foi negado pela então rainha, Dona Catarina.

Apesar da proibição ao estudo, no ensaio “Mulheres Educadas na Colônia”, a autora sustenta que algumas indígenas conseguiram burlar a regra. Ribeiro cita a índia Catarina Paraguassu, também conhecida como Madalena Caramuru, que parece ter sido a primeira brasileira a ler e escrever. Diz-se que no dia 26 de março de 1561 ela escreveu uma carta de próprio cunho ao Pe. Manoel da Nóbrega.

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