“Amamos mulheres independentes”. Amam? Até que ponto?

Texto de Pamela Sobrinho para as Blogueiras Feministas.

Ontem minha mãe me disse: “Tenho dó do seu futuro marido, você só pensa em trabalhar”. Fiquei assustada, não imaginava minha mãe me falando uma frase dessas. Reconsiderei, minha mãe tem os reflexos de uma sociedade machista e patriarcal que acha um absurdo uma mulher trabalhar muito.

Às vezes conversando com amigos ou até alguns caras com quem saio, eles dizem: Amamos mulheres independentes. Amam? Até que ponto?

Uma vez um cara me dispensou porque eu era bem sucedida no meu trabalho e ele não. Outra vez disse que a um cara que eu tinha saído dizendo que estava tranquila, saindo pouco e ele me disse: “Agora sim podemos voltar a sair”, é claro que eu não voltei a sair com esse cara e pouco me importei a se a masculinidade do outro foi afetada porque meu salario é maior que o dele.

Esses homens amam mulheres independentes porque talvez elas não tenham amarras, não tenham preconceitos, sejam livres e paguem metade da conta, mas na hora de assumir um relacionamento, eles estão preparados para tanta liberdade?

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Jogo digital educativo e feminista: Lutas e Conquistas Femininas

Texto de Sonia Beatriz Leite Ferreira Cabral para as Blogueiras Feministas.

Em 2000, quando começamos a produzir jogos educacionais utilizávamos os CD-ROM como dispositivos de armazenamento. A mudança para o suporte digital, trouxe consigo as necessidades de se adaptar à nova linguagem e às exigências do mercado. Nesse período, passei a frequentar um grupo de estudo e pesquisa sobre gênero e tecnologia e acabei realizando uma pesquisa sobre a história das mulheres no Brasil, ficando fascinada pelo tema. Percebi que era necessário ampliarmos a circulação desses conhecimentos e possibilitar que os estudos sobre as mulheres ultrapassem o mundo acadêmico e fossem disponibilizados para um público mais jovem.

Incorporar pressupostos de gênero ao processo de construção de um jogo exige um compromisso com a pluralidade, com a linguagem inclusiva, e com utilização de imagens não sexistas e estereotipadas. Nesse sentido, produzimos o jogo de tabuleiro lúdico-pedagógico “Lutas e Conquistas”:

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Inclusão de gênero na ciência: o projeto Meninas no Museu de Astronomia e Ciências Afins

Texto de Sandra Benítez Herrera para as Blogueiras Feministas.

O projeto Meninas no Museu de Astronomia e Ciências Afins (desde agora referenciado como Meninas no Museu), é uma ação de divulgação da ciência voltada para estudantes do Ensino Médio do sexo feminino – sete, nesta primeira edição – com o intuito de motivá-las a se interessarem pela ciência e prepará-las para serem mediadoras em museus de ciência. O projeto faz uso da Astronomia, como ferramenta inspiradora, visando envolver as estudantes em atividades de pesquisa e divulgação em ciências no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). De igual forma, o projeto pretende facilitar o acesso a modelos de referência colocando as jovens em contato com mulheres pesquisadoras em várias áreas científicas, com o intuito de desconstruir a noção estereotipada do cientista.

O projeto começou em julho de 2016 e foi estruturado em três momentos diferenciados. Os primeiros seis meses, de julho a dezembro de 2016, consistiu em uma formação continuada em diferentes temas de Astronomia e outras ciências. Durante os encontros de formação abordaram-se também temas relacionados a gênero, educação em museus e a prática de mediação em exposições e atividades de divulgação da ciência.

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