A primavera secundarista será toda feminista!

Texto de Marcielly Moresco para as Blogueiras Feministas.

As adolescentes que ocupam as escolas estaduais do Paraná renovam o feminismo e avisam que sem igualdade de gênero não há democracia, nem resistência, nem luta.

Todo dia tem escola sendo ocupada no Estado, já são mais de 800 escolas, além de algumas universidades e núcleos de educação, segundo o site oficial do #OcupaParaná. Nas ocupações, o que eram para ser palestras-aula sobre feminismo, gênero, empoderamento, diversidade sexual e questões étnico-raciais se tornam, muito mais, rodas de conversas e trocas.

Assim como as ocupações de 2015 que começaram em São Paulo, as desse ano também são protagonizadas, sobretudo, por meninas e LGBTIs; e a maioria delas se intitulam feministas.

Em quase todas as ocupações, as meninas assumem a função de “líderes” ou “organizadoras”, falam com a mídia e com a comunidade escolar, organizam as comissões para limpeza, segurança, alimentação, comunicação e saúde, assumem o discurso nas assembleias e reuniões. Muitas vezes, esse protagonismo acaba acontecendo de forma muito natural quando a opressão e o machismo já são presentes no cotidiano escolar e durante o próprio processo decisório para ocupar.

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Doenças sexualmente transmissíveis: estigmas e pessoas marcadas

Texto de Raissa Éris Grimm.

Na aula de Biologia da sétima série ensinaram pra gente que o que transmite doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) era transar sem proteção. Que não era sobre com quantas pessoas você transa
ou sobre a orientação sexual de quem você transa.

Se você usa proteção, pode transar com quantas pessoas quiser – e tá protegide. Se você não usa proteção, você pode transar com 1 pessoa, e contrair DST com uma pessoa. Isso foi no finzinho dos anos 90 —
muitas de vocês que tão aqui não lembram nada dessa época —
naquela época, rolava uma mobilização forte da comunidade gay
das travestis e mulheres (cis, trans..) profissionais do sexo lutando contra o estigma por serem considerados “vetores de contágio”.

Ah, tinham pessoas bissexuais nesse corre. Porém não tinham visibilidade política.

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Ó que coisa, essa menina! Biografias de mulheres para meninas

Carolina Taboada nos escreveu para falar sobre seu projeto “Ó que coisa, essa menina!”, que tem como objetivo divulgar biografias de mulheres importantes para as crianças. Achamos a proposta bem bacana e conversamos com Carolina para saber mais:

1. De onde surgiu a ideia de criar o projeto?

Uma breve introdução sobre mim: eu não sou historiadora, mas sou formada em relações internacionais e sempre li muito sobre história tanto por interesse próprio quanto por necessidade. Nos últimos meses, comecei a ler bastante sobre a história da Inglaterra, e um dos períodos que mais me interessa é o da Dinastia Tudor. Dos cinco monarcas Tudor duas foram mulheres, e uma delas foi uma das governantes mais importantes da história da Inglaterra: Elizabeth I. Mas, o momento dessa história que mais me chamou a atenção foi na verdade a coroação de sua irmã mais velha (que a antecendeu), Mary I (que mais tarde ficou conhecida como Bloody Mary). O cortejo de coroação tinha a sua frente três mulheres, as três primeiras pessoas na linha sucessória naquele momento: Mary, que estava sendo coroada; sua irmã mais nova, Elizabeth, que veio a ser Elizabeth I; e a quarta mulher de seu pai, Henrique VIII, que por uma história enorme e fascinante acabou sendo colocada como terceira na linha sucessória. Essa imagem foi muito impactante para mim: fiquei imaginando em 1553 a Europa inteira se curvando diante de três mulheres. Comecei então a conversar com meu namorado sobre como as figuras femininas da história parecem ser sempre colocadas como coadjuvantes, mesmo quando são protagonistas. E foi assim que nasceu a ideia de contar para crianças as histórias dessas mulheres.

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