Autodefesa feminista e o mito da fragilidade: você é mais forte do que pensa

Texto de Cely Couto para as Blogueiras Feministas.

Que o feminismo empodera e dá voz às mulheres, é fato. Mas quando o assunto é violência de gênero, muitas de nós se sentem completamente impotentes diante de uma situação de agressão física, psicológica ou sexual. Podemos enfrentar a violência no âmbito político, fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, discutir a eficiência das delegacias da mulher e da Lei Maria da Penha, mas o estigma de que o homem é fisicamente superior e de que sempre seremos oprimidas pela força ainda nos assombra.

Somos convencidas de que o potencial físico das mulheres é inferior e de que, no limite, sempre vamos levar a pior em um confronto com um homem. Coincidentemente, essa suposta superioridade física masculina ainda é usada para justificar o domínio de um gênero sobre o outro, por mais que seja um argumento que não cabe em uma sociedade que – pelo menos na teoria – aboliu a “lei do mais forte” e caminha na direção de um mundo não-violento.

Mas, afinal, as mulheres são mesmo mais fracas do que os homens? Para começar a responder a essa pergunta, precisamos rever uma das maiores falácias da história: o mito da fragilidade.

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Preta Maravilha

Texto de Viviane A. Pistache para as Blogueiras Feministas.

Dedico este conto às muitas Pretas que me inspiram (com a fé de que entre sonhos e pesadelos nos fortalecemos), e em especial à Amanda Silva, Monamuzinga!

Naquela noite chuvosa atendi sem resistência ao chamado que vinha da casa do sono. Ao entrar na sala dos sonhos dei de cara com uma ladeira e um bom pedaço de papel que me convidava pra escorregar. Uai, por que não? E depois de uma eternidade esquiando no barro, fui parar numa planície fantasma. Assustei. “Cadê o morro velho que me trouxe aqui?”

Sina de mineira é temer a morte das montanhas. No desespero até rezei pro horizonte desembelecer a passo de lesma, na esperança de que ficasse pelo menos um rastro luminoso da beleza de antes. Mas a culpa é do escorpião amarelo, aquele que tem uma escavadeira insaciável que há séculos fere o ventre da terra pra comer ouro. E ele cutucou até o formigueiro que dormia bem no pé da minha cama.

Ameaçada pelos ferrões da tradicional família mineira deixei pra trás o precioso conforto de casa, sem guerrear com o sangue que circula na minha árvore genealógica. Mas não sei se por medo ou precaução, enterrei no quintal um baú com alguns pesadelos e trouxe na mala os sonhos que julgava imprescindíveis. E assim foi que montei na garupa da minhoca de metal que veio serpenteando no lombo da Fernão Dias até chegar aqui.

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Empoderamento é um ato político coletivo

Texto de Paula Tavares.

O empoderamento é um ato político coletivo. Isso significa que devemos ter cuidado ao pensá-lo apenas como uma luta individual, de conquista pessoal, por mais que isso seja de extrema importância. O empoderamento feminino diz respeito a resistir diante da nossa vulnerabilidade em um meio de opressão de gênero.

Tão importante quanto a luta de cada mulher, é o movimento de resistência da mulher na sociedade patriarcal machista, pois só assim conseguiremos ser protagonistas de uma luta por equidade de gênero, onde, cada qual com suas vivências e diferenças, passarão a ocupar, cada vez mais, do meio privado aos espaços públicos.

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