Ó que coisa, essa menina! Biografias de mulheres para meninas

Carolina Taboada nos escreveu para falar sobre seu projeto “Ó que coisa, essa menina!”, que tem como objetivo divulgar biografias de mulheres importantes para as crianças. Achamos a proposta bem bacana e conversamos com Carolina para saber mais:

1. De onde surgiu a ideia de criar o projeto?

Uma breve introdução sobre mim: eu não sou historiadora, mas sou formada em relações internacionais e sempre li muito sobre história tanto por interesse próprio quanto por necessidade. Nos últimos meses, comecei a ler bastante sobre a história da Inglaterra, e um dos períodos que mais me interessa é o da Dinastia Tudor. Dos cinco monarcas Tudor duas foram mulheres, e uma delas foi uma das governantes mais importantes da história da Inglaterra: Elizabeth I. Mas, o momento dessa história que mais me chamou a atenção foi na verdade a coroação de sua irmã mais velha (que a antecendeu), Mary I (que mais tarde ficou conhecida como Bloody Mary). O cortejo de coroação tinha a sua frente três mulheres, as três primeiras pessoas na linha sucessória naquele momento: Mary, que estava sendo coroada; sua irmã mais nova, Elizabeth, que veio a ser Elizabeth I; e a quarta mulher de seu pai, Henrique VIII, que por uma história enorme e fascinante acabou sendo colocada como terceira na linha sucessória. Essa imagem foi muito impactante para mim: fiquei imaginando em 1553 a Europa inteira se curvando diante de três mulheres. Comecei então a conversar com meu namorado sobre como as figuras femininas da história parecem ser sempre colocadas como coadjuvantes, mesmo quando são protagonistas. E foi assim que nasceu a ideia de contar para crianças as histórias dessas mulheres.

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Curta-metragem 45 graus: mulheres, negritude e transexualidade

Uma mãe cis descobre que sua filha trans está muito doente e decide visitá-la, depois de muito tempo distantes. Em um leito de hospital, a encontra fragilizada, com as unhas pintadas, e rememora a cena em que a viu escondida dentro de uma geladeira, quando criança, pintando as unhas. A mãe, nesse instante, retira o esmalte das unhas da filha doente e potencializa o conflito dessa relação.

O quarto fica na Praça da Sé, em um hospital ao ar livre, fato que incomoda muito a mãe, que teme olhares e atitudes das pessoas que passam por ali. Em um misto entre ficção e realidade, desenrola-se um complexo reencontro, que coloca em praça pública reflexões sobre mulheres, negritude, transexualidade, identidade e preconceito, temas muito atuais, e que encontram na arte a possibilidade de se reinventarem e se livrarem das representações do senso comum.

45 graus é um projeto de curta-metragem da diretora Julia Alquéres. Ela tem enfrentado dificuldades para realizá-lo por falta de recursos. Por isso, o projeto está com uma campanha de financiamento coletivo no Catarse.

O mercado do audiovisual também reflete o machismo da sociedade e costuma designar papéis específicos as mulheres. Menos de 20% dos filmes lançados nos últimos 20 anos foram feitos por mulheres. Porém, um levantamento da Agência Nacional de Cinema (Ancine), mostra que 41% das obras brasileiras tiveram produção executiva exclusivamente feminina.

Na avaliação de Maria Cardozo, diretora artística e curadora do Fincar – Festival Internacional de Cinema de Realizadoras, é possível encontrar semelhança entre o papel reservado à mulher na sociedade e o reflexo disso no mercado audiovisual. “No entendimento de uma sociedade machista, a mulher vem para organizar, cuidar do grupo. É como se a relação de produção, que é uma gestora de equipe, tivesse relação com uma gestora de família, como um papel que cabe à mulher, e não como autora e protagonista. Os números revelam de fato o que eu consigo visualizar no meio em que eu trabalho. E é uma questão mundial”.

Para saber mais um pouco sobre as mulheres nesse mercado e divulgar a iniciativa desse curta-metragem, conversamos com a diretora Julia Alquéres:

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Mulheres e quadrinhos: 2º Encontro Lady’s Comics

Desde 2010, o coletivo Lady’s Comics promove as mulheres nos quadrinhos. Não apenas personagens femininas, mas muitas mulheres que produzem na área.

Em 2014, organizaram por meio de financiamento coletivo seu primeiro encontro nacional com o tema: transgredindo a representação feminina nos quadrinhos. Em 2015, criaram o Banco de Mulheres Quadrinistas, o BAMQ!. Um espaço online que permite o cadastro de artistas, compondo um banco de dados. Por meio do BAMQ! é possível pesquisar de acordo com função, nome da artista, assinatura, cidade e estado. O projeto contempla não só quadrinistas, mas toda as artistas que trabalham na área: arte-finalistas, chargistas, coloristas, letristas e roteiristas.

Agora, elas partem para encontrar um público mais amplo, com apoio do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, no 2° Encontro Lady’s Comics. Porém, o objetivo continua, criar material e memória que se aprofunde na questão do gênero nos quadrinhos, bem como a representação feminina e o atual mercado para as mulheres que trabalham na área.

Para saber mais, batemos um papo com duas das Lady’s Comics: Mariamma Fonseca e Samara Horta.

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