Malhação – Viva a Diferença: combate ao racismo, diversidade e defesa da escola pública

Esses dias chega ao fim a atual temporada da novela Malhação da Rede Globo. Malhação – Viva a Diferença foi uma das melhores novidades na televisão em 2017 e seu sucesso mostra que a juventude está interessada em conhecer e falar sobre temas como o racismo e educação pública. Conhecida como uma novela adolescente, com temas bobos e sempre girando em torno de um casal e alguém que tenta separá-los, essa temporada trouxe novidades, colocando foco em cinco adolescentes e no universo socioeconômico que as cercam.

Cinco mulheres protagonistas. Uma mãe adolescente, uma bad girl rica, uma nerd negra, uma japonesa com família tradicional e uma estudiosa com espectro autista. Keyla, Lica (Heloísa), Ellen, Tina (Cristina) e Benê (Benedita) representaram muitas adolescentes. Ao mesmo tempo que se tornaram um grupo de amigas (as Five) também viviam intensamente seus dramas pessoais. Os medos, anseios e dilemas de quem está se tornando adulto tentando entender como o mundo funciona.

No geral, é possível ver os elementos clássicos de uma novela, mas ao contrário da maioria, Malhação – Viva a Diferença se propôs a discutir abertamente temas atuais e fundamentais para a juventude, trazendo novas perspectivas para antigos problemas. Racismo, violência policial, violência escolar, drogas e álcool, homossexualidade foram assuntos retratados sem filtros, com sensibilidade e ousadia que não é comum na televisão brasileira.

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E se a professora do seu filho fosse uma travesti?

Texto de Ana Flor Fernandes Rodrigues para as Blogueiras Feministas.

O título desse texto surgiu de questionamentos e inquietações que tenho feito cotidianamente desde que iniciei o curso de pedagogia na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Não obstante, do medo que parece existir quando LGBTs, neste caso específico travestis, adentram o campo minado da educação e miram na probabilidade de construir processos de ensino e aprendizagem junto aos filhos de outros.

Antes de tudo, gostaria de destacar que esse é um escrito cheio de sensações. É impossível falar dos filhos, de crianças, sem lembrar como para muitas de nós os muros das escolas se mostraram ambientes violentos. Foi no espaço escolar que aprendemos, muitas vezes, a criar mecanismos de proteção e sobrevivência. Quem diria que, algum dia, estaríamos nela novamente, mas dessa vez enquanto professoras dos filhos daqueles que de lá tentaram nos expulsar?

Pensar travestis sendo professoras é compreender que nós podemos seguir roteiros diferentes dos quais fomos submetidas. Não quero dizer com isso que existe uma regra ou um manual, mas que existem possibilidades de criar novas narrativas que abarquem o chão das escolas e os filhos de vocês. É proporcionar uma didática que se faça inclusiva, trabalhando as diferenças e o diálogo.

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Inclusão de gênero na ciência: o projeto Meninas no Museu de Astronomia e Ciências Afins

Texto de Sandra Benítez Herrera para as Blogueiras Feministas.

O projeto Meninas no Museu de Astronomia e Ciências Afins (desde agora referenciado como Meninas no Museu), é uma ação de divulgação da ciência voltada para estudantes do Ensino Médio do sexo feminino – sete, nesta primeira edição – com o intuito de motivá-las a se interessarem pela ciência e prepará-las para serem mediadoras em museus de ciência. O projeto faz uso da Astronomia, como ferramenta inspiradora, visando envolver as estudantes em atividades de pesquisa e divulgação em ciências no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). De igual forma, o projeto pretende facilitar o acesso a modelos de referência colocando as jovens em contato com mulheres pesquisadoras em várias áreas científicas, com o intuito de desconstruir a noção estereotipada do cientista.

O projeto começou em julho de 2016 e foi estruturado em três momentos diferenciados. Os primeiros seis meses, de julho a dezembro de 2016, consistiu em uma formação continuada em diferentes temas de Astronomia e outras ciências. Durante os encontros de formação abordaram-se também temas relacionados a gênero, educação em museus e a prática de mediação em exposições e atividades de divulgação da ciência.

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