Autodefesa feminista e o mito da fragilidade: você é mais forte do que pensa

Texto de Cely Couto para as Blogueiras Feministas.

Que o feminismo empodera e dá voz às mulheres, é fato. Mas quando o assunto é violência de gênero, muitas de nós se sentem completamente impotentes diante de uma situação de agressão física, psicológica ou sexual. Podemos enfrentar a violência no âmbito político, fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, discutir a eficiência das delegacias da mulher e da Lei Maria da Penha, mas o estigma de que o homem é fisicamente superior e de que sempre seremos oprimidas pela força ainda nos assombra.

Somos convencidas de que o potencial físico das mulheres é inferior e de que, no limite, sempre vamos levar a pior em um confronto com um homem. Coincidentemente, essa suposta superioridade física masculina ainda é usada para justificar o domínio de um gênero sobre o outro, por mais que seja um argumento que não cabe em uma sociedade que – pelo menos na teoria – aboliu a “lei do mais forte” e caminha na direção de um mundo não-violento.

Mas, afinal, as mulheres são mesmo mais fracas do que os homens? Para começar a responder a essa pergunta, precisamos rever uma das maiores falácias da história: o mito da fragilidade.

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Olhos abertos: o apagamento das pessoas asiáticas na mídia

Texto de Tayná Miessa para as Blogueiras Feministas.

Já faz um tempo que acompanho as discussões sobre o apagamento de pessoas asiáticas na mídia.  Esses dias, ao ver a estreia da novela “Sol Nascente”, da Rede Globo, só consegui pensar: alguém precisa parar essas pessoas!

Primeiro, vamos pensar um pouco sobre o apagamento das pessoas asiáticas na mídia.

Nos filmes de Hollywood é bem comum encontrar atores e atrizes ocidentais fazendo um papel que, pelo contexto, seria destinado a pessoas asiáticas. Há exemplos clássicos, como “A Estirpe do Dragão” (1944) em que a atriz americana Katherine Hepburn interpreta uma chinesa que lidera seu vilarejo na luta contra os invasores japoneses. Em dois exemplos recentes, Emma Stone interpreta uma piloto descendente de havaianos, suecos e chineses em “Sob o mesmo céu (2015)”; e Scarlett Johansson interpretará Motoko Kusanagi no filme “Ghost in the shell” (2017).

Mas, se atrizes e atores ocidentais estão ocupando os papéis asiáticos, por onde andam as atrizes e atores asiáticos? Pois bem, as mulheres asiáticas estão interpretando papéis exóticos, onde geralmente são hipersexualizadas, sempre curiosamente misteriosas e sedutoras ou são submissas, quietinhas. E os homens asiáticos, pois bem, eles são representados quase sempre negativamente, como os nerds, os fracos, não atrativos e de pinto pequeno.

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Uma reflexão sobre a universalidade das experiências masculinas nas narrativas

Texto de Milena Barbi para as Blogueiras Feministas.

“Broken man seeks the perfect woman”. Homem “quebrado” busca a mulher perfeita. Ele, franzino e sucumbindo à pressão da vida adulta, de camisa xadrez e óculos de grau. Ouve música alternativa e sofreu bullying na escola. Ela, bonita e inteligente, mas não muito. Usa roupas “vintage” e gosta de quadrinhos e discos. Os dois se encontram e a missão da vida dela passa ser a de levar cor e alegria para a vida dele.

The manic pixie dream girl, ou a “a garota maníaca, fadinha mágica, dos sonhos”, novo (mas nem tanto) estereótipo hollywoodiano, veio para cimentar definitivamente o apagamento das mulheres enquanto sujeitos dotados de sua própria narrativa no cinema e na literatura.

Após o esgotamento da fórmula de vários clichês de personagens femininos, a garota meiga e meio desajeitada passou a ser uma constante nos filmes cujo protagonista é considerado um cara “fofo” à espera da mulher que o salvará do mar de amargura que é a sua vida.

Eu poderia estar falando de qualquer outro lugar-comum do cinema, mas escolhi este. Escolhi este porque no fim da tarde eu vinha pra casa lendo um livro e me deparei com um sentimento de inquietude, provocado pelo autor. Ele é um destes caras “quebrados”. Sofreu muito na vida, é um eterno apaixonado, desengonçado e meio nerd. Ama todas as mulheres e não ama nenhuma. No meio das suas palavras açucaradas e cheias de anseios e sonhos eu encontrei mais daquilo que estou acostumada a encontrar nas palavras dos autores que leio sempre: um vazio e profundo nada.

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