Interseccionalidade na prática: descobertas e táticas

Texto de Debora Albu para as Blogueiras Feministas.

Saindo de uma conferência sobre feminismo e enfrentamento à violência contra a mulher nesse contexto de 21 dias de ativismo só consegui sentir uma felicidade enorme, apesar do peso e da dor que esses temas nos trazem.

A felicidade vinha da materialidade que o conceito de interseccionalidade tinha tomado ali. Uma mesa composta por mulheres de diferentes gerações, cores, territórios, ancestralidades e experiências concretizou aquilo que a teoria, muitas vezes, fica aquém de dar conta.

O conceito de interseccionalidade – palavra que meu Word não reconhece — foi cunhado pela professora e ativista do movimento negro norte-americano Kimberlé Crenshaw, em 1991, no artigo “Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics and Violence Against Women of Color” (Mapeando as margens: interseccionalidade, política de identidade e violência contra mulheres não-brancas; tradução livre*) na Stanford Law Review. A interseccionalidade seria como uma lente, um dispositivo metodológico para ler uma diversidade de opressões incidindo sobre cada pessoa — e cada mulher — de formas diferentes, gerando não um somatório de opressões, mas sim, novas formas de opressão qualitativamente distintas.

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O Coletivo Rubi e o I Congresso Feminista da região de Salto, Itu e Porto Feliz

Texto escrito pelo Coletivo Rubi.

No último domingo, dia 9 de outubro de 2016, aconteceu o I Congresso Feminista da região de Salto, Itu e Porto Feliz, municípios do interior de São Paulo. Sua realização foi uma iniciativa do Coletivo Rubi em parceria com a Prefeitura da Estância Turística de Salto, Secretaria de Ação Social e Cidadania e Coordenadoria da Mulher, Secretaria de Saúde, Secretaria da Educação, Brisa e Onco Itu.

O evento contou com a presença de, aproximadamente, 65 pessoas — mulheres e homens de todas as idades. E, foi realizado no Auditório Paulo Freire, em Salto/SP.

O Coletivo Rubi nasceu de uma roda de conversa sobre feminismo ocorrida na Praça XV, em Salto, no dia 28 de junho de 2015. Naquele dia, nós nos reunimos para conversarmos sobre temas diversos, como, por exemplo, desigualdade de gênero, protagonismo, empoderamento feminino e padrões de beleza. Foram muitas as meninas e mulheres participantes do encontro que se sentiram acolhidas, que viram que não estavam sozinhas diante dessas e de outras questões e que gostariam de abraçar a causa em torno de um objetivo comum: um mundo mais justo e igualitário para as mulheres!

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“Já que não me entendes, não me julgues, não me tentes”: um relato sobre a II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas

Texto de Julia Kumpera e Daniele Biscoito, Mulheres do Grupo Identidade.

Um relato sobre a II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas – 25 de junho de 2016.

Você, sapatona, acha importante pautar a sua lesbianidade politicamente? Ou estamos falando apenas de expressão de um desejo individual?

Na sociedade em que vivemos, ser lésbica significa romper com o pressuposto da heterossexualidade (compulsória) e com o sexo centrado no falo. Ser lésbica escancara que sentimos desejo a partir do nosso próprio corpo e que não precisamos de um homem para ter orgasmos. Quando adentramos neste imenso mar que é a sexualidade lésbica, descobrimos que podem existir mil possibilidades de (re)inventar o sexo e que o desejo brota em qualquer parte do nosso corpo.

Entendendo a importância de valorizar e dar visibilidade às mulheres lésbicas e de escancarar nossa potência juntas, nos reunimos para a construção da II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas/SP. Entendemos que este seria um importante momento para dar visibilidade às questões lésbicas, além de celebrar nossas ferramentas de resistência contra o cis-tema patriarcal. Este ano nossa homenageada foi a sapa-diva Cássia Eller!

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