Gravidez na adolescência e nossas escolhas

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

A maternidade deveria ser um assunto mais presente nesse espaço já que é algo que impacta diretamente a vida de tantas mulheres, tenham filhos ou não. Ao mesmo tempo que a sociedade exalta o papel da maternidade como sendo algo fundamental para TODAS as mulheres, essa mesma sociedade exige uma perfeição tirânica do que é ser mãe.

No início do mês, publicamos um texto de Lígia Birindelli sobre maternidade: Ser mãe não define o ser mulher. E hoje, vamos falar sobre gravidez na adolescência, pois recebemos um email da escritora Graciela Paciência:

Ano passado eu lancei meu primeiro livro, “Confissões de uma adolescente grávida”, onde eu conto as dificuldades de uma gestante de 16 anos assustada com a gravidez, ansiosa com o vestibular e insegura com o relacionamento. Ela tem ciência de ser uma pessoa privilegiada, pois é uma garota branca de classe média, mas reconhece que isso não resolve todos os seus problemas. Ainda há muito julgamento por parte de pessoas que ela não esperava que iam reagir dessa maneira. Não se trata de um livro autobiográfico e é destinado ao público infanto-juvenil, mas muitos adultos gostaram da leitura.

Gabriela nos enviou um exemplar. O livro é dedicado “aos jovens que precisam de compreensão e de alguém que os ouça”. Sabemos que uma gravidez não é algo simples para uma mulher adulta quanto mais para uma adolescente, mas Mirella é uma personagem que vai nos mostrando que apesar de sua vida ter mudado repentinamente, o mais difícil parece ser o preconceito e o machismo.

No formato de um diário, compartilhamos um pouco de seus medos, angústias, alegrias, saudades. Seus amigos, discos e filmes preferidos. A história cobre da gravidez até o nascimento com muitas surpresas e o que mais chamou atenção é a franqueza com Mirella trata suas escolhas.

Mirella tem 16 anos e engravidou porque a camisinha estourou, como ela mesma diz: “Quando ouvimos que uma adolescente está grávida, é comum ficarmos indignados perante tantos métodos anticoncepcionais disponíveis. Acontece que… Tive a minha primeira relação sexual há pouco tempo. Mesmo já tendo sido apresentada ao ginecologista, achei que não era a hora de tomar pílulas, principalmente porque não sei se é verdade, mas ouvi muita gente dizer, que era difícil uma mulher que tomou pílulas engravidar quando decidisse. Eu fiz as contas: segundo meus planos, eu me tornaria mãe entre os 28 e 30 anos. Só de pensar no efeito que doze anos tomando pílula poderiam causar, eu desisti de começar a tomá-la. Sem contar que o Fabrício e eu não somos dois animais que transam a toda hora. Sinceramente, estamos juntos há quase um ano e transamos menos de dez vezes”.

Leio essas palavras e logo me veem a mente a confusão mental que muitas vezes nos toma quando somos adolescentes. São inúmeras descobertas ao mesmo tempo. Há muita informação disponível, mas qual é a correta? Qual a melhor opção para mim? Há muita ansiedade em querer decidir a vida toda. O fato de a sociedade tratar o sexo como tabu — sendo cada vez mais expulso do ensino regular por medo de que “os adolescentes saiam transando por aí” — só ajuda no fato de que Mirella é uma jovem que toma decisões baseada em informações que não sabe se são verdadeiras ou não.

O livro não trata da questão do aborto. Tanto Mirella como seu namorado Fabrício querem ter a criança e recebem apoio dos familiares. Para nós, que temos como pauta defender a descriminalização e legalização do aborto, a história de Mirella é ótima para mostrar que as pessoas não são perfeitas, elas podem se prevenir mas muitas vezes não o fazem. Portanto, a maternidade não pode ser uma punição, mas sim uma decisão da mulher de querer viver essa experiência.

Os contraceptivos hormonais precisam ser mais discutidos na sociedade, pois desde sua criação tem inúmeros efeitos colaterais, mas também ajudam muitas mulheres. Os contraceptivos não-hormonais precisam ser mais popularizados, como o DIU, a camisinha feminina e o diafragma. Fora isso, a responsabilidade dos homens na concepção precisa ser exigida. A camisinha masculina é o contraceptivo mais popular, mas vem sendo cada vez menos usada pelos jovens. A única forma de mudar isso é por meio da educação e de campanhas que tratem o sexo como algo que faz parte da vida das pessoas. Pesquisa do IBGE aponta redução no uso de preservativos por adolescentes.

As razões pelas quais adolescentes engravidam são inúmeras. O descuido e a crença de que não vai acontecer podem ser os fatores mais comuns, como no caso de Mirella. Mas, entre essas razões pode estar o machismo. Muitos jovens impõe como prova de amor o fato de não usar camisinha. Muitas jovens vivem em situação de violência e com a gravidez conseguem sair e formar suas próprias famílias. Há motivações religiosas e até mesmo rebeldia. Porém, a principal causa é o fato de que a maioria das pessoas compreendem a sexualidade como sinônimo do ato sexual. A partir disso as únicas medidas que sabem tomar é a proibição do sexo, ausência de diálogo ou ameaças, gerando dificuldades na comunicação efetiva sobre sexualidade com crianças e jovens.

Faz parte do imaginário social acreditar que o simples acesso à informação sobre anticoncepção seria suficiente para garantir práticas contraceptivas consistentes. Mas todos sabemos que até mesmo profissionais da área de saúde engravidam sem querer. O descompasso entre o conhecimento e o comportamento pode ser explicado pelo fato de que a contracepção não é uma prática simplesmente racional, mas, sobretudo, relacional e subjetiva, ou seja, é determinada pelo tipo de relação afetivo-amorosa que se dá entre o par, tanto quanto pelas aspirações dos sujeitos. Por isso, as mulheres não devem ser punidas com uma gravidez que não desejam. E, aquelas que desejam seguir com a gravidez não podem sofrer preconceito ou serem vistas como uma “má influência”, como é o caso de Mirella.

Sempre haverá mulheres engravidando sem querer. Não somos robôs que fazem tudo certinho sempre. Há quem tenha se prevenido a vida toda e há quem tenha vacilado, faz parte do viver. Adolescentes engravidam em todas as classe sociais, mas o enfrentamento da situação é diferente. Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a saúde dos jovens, aponta que a principal causa de morte de adolescentes do sexo feminino entre 15 e 19 anos são complicações na gravidez, como hemorragia, sepse (infecção generalizada), parto obstruído e complicações decorrentes de abortos inseguros. Adolescentes com padrão de vida mais alto podem ter mais possibilidades de interromper uma gravidez com segurança. Portanto, a proibição do aborto também afeta muitas adolescentes que morrem jovens.

No livro, professores e colegas de Mirella não acreditam que ela continuará seus estudos após o nascimento de sua filha. Infelizmente, essa é uma realidade de muitas jovens. No Brasil, 75% das adolescentes que têm filhos estão fora da escola. Como mudar esse cenário?

Para isso é necessário uma mudança estrutural na sociedade. É preciso deixar de enxergar as crianças como responsabilidade apenas dos pais, mas também da sociedade. A criação de creches em instituições de ensino como escolas e universidades é o primeiro passo, mas o cuidado também passa por uma rede ampla de atendimento social e de saúde. Chega de políticas públicas que foquem apenas na criança de forma inócua como o projeto “Criança Feliz”. As políticas públicas precisam enxergar a complexidade presente no universo de cuidados de uma criança e isso inclui enxergar a mulher como cidadã plena de direitos.

Referências

Artigo: Razões e reflexos da gravidez na adolescência: narrativas dos membros da família. De Luiza Akiko Komura Hoga, Ana Luiza Vilella Borges e Luciana Magnoni Reberte.

Serviço

Confissões de Uma Adolescente Grávida. São Paulo: Círculo das Artes, 2016. 120pp. A autora Graciela Paciência também escreve nos sites: Cinema de Buteco e Lado M.

+Sobre o assunto: Confissões de uma adolescente grávida. Resenha do mesmo livro feita pela Paloma nas Valkírias.

Materialidade e subjetividade: o direito ao aborto

Texto de Iara Paiva para as Blogueiras Feministas.

Há pouco menos de 3 meses, eu sofri um aborto. Uma gravidez não planejada, mas muito bem recebida e acolhida. Em uma consulta de rotina, descobri que os dois corações de meus futuros filhos (eram gêmeos) já não batiam. Passei por uma aspiração intrauterina e, fisicamente falando, esse episódio já está superado. Mas ainda estou elaborando tudo o que vivi e desconfio que algumas coisas mudaram em mim para sempre. Uma delas, porém, permanece intacta: a certeza de que o aborto voluntário deveria ser legalizado em todo o mundo.

RJ - Véspera do Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, feministas em ato na Praça XV, defendem a descriminalização do aborto e destaca o alto índice de mortes em abortos clandestinos. Foto de Fernando Frazão/Agência Brasil.
RJ – Véspera do Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, feministas em ato na Praça XV, defendem a descriminalização do aborto e destaca o alto índice de mortes em abortos clandestinos. Foto de Fernando Frazão/Agência Brasil.

Nossas vidas são feitas de materialidade e subjetividade. Ou seja, nós sonhamos, projetamos, reagimos à realidade. E temos que encaixar os nossos sentimentos aos fatos. Já li muito sobre como as mães de recém nascidos têm de dar conta do impacto de ter um bebê real, depois de meses idealizando como seria o bebê que gestaram, por exemplo. Eu não sonhava em ser mãe. Nem agora, nem no futuro, mas há mulheres que sonham com isso a vida toda. Elas, provavelmente, gestam a ideia da maternidade muito antes de estarem grávidas de fato. Eu, não. Não havia essa criança idealizada por anos, mas ela estava sendo gestada junto com as crianças reais. E com certeza seriam diferentes.

Isso tudo pra dizer que há gente que, como eu, não sonha em ter filhos, mas lida bem com uma gravidez real. E gente que diz que jamais faria uma aborto, mas se vê obrigada a interromper uma gestação não planejada, porque a vida real é muito diferente dos nossos sonhos e, por vezes, atropela nossas convicções. Cada gestante é que pode saber se tem condições de se tornar mãe ou não naquele momento.

Os fetos que eu perdi seriam meus filhos. Já tinham um pai orgulhoso, avós, primos, tios, todos sonhando com eles. E todos esses planos eram tão reais quanto o fato de que eles não tinham um sistema nervoso formado ainda e portanto não sentiram dor quando pararam de se desenvolver na nona semana. Quem sofreu foram as pessoas que conferiram subjetividade a eles. E eu, principalmente, que entreguei o meu corpo a todas as mudanças que já estava sofrendo – e continuou a sofrer mesmo depois da gestação interrompida. Independentemente dos sentimentos envolvidos, minhas dores e meu sangramento foram bem materiais…

Internada no hospital concluí que meu sofrimento não me fazia mais digna de um atendimento humano do que uma pessoa que interrompe uma gestação porque quer. Materialmente falando, meus fetos não eram indivíduos ainda, uma vez que eram completamente dependentes do meu corpo – e apenas dele – para se desenvolverem. Levei um susto imenso ao descobrir a gravidez gemelar, não só porque ter dois bebês de uma vez não deve ser fácil, mas porque teria uma gravidez com mais riscos. Porque as pessoas contrárias ao direito ao aborto não gostam de comentar, mas toda gestação implica risco. De morrer, inclusive. E adivinhem? Os riscos são maiores em gestações de múltiplos.

Tenho o privilégio de viver em um país em que o aborto é legalizado e teria acesso ao procedimento com toda a segurança. Se tivesse decidido interromper minha gestação por qualquer motivo, provavelmente passaria pela mesma aspiração uterina, que apesar de ser um procedimento que também implica riscos, pode ser mais seguro do que um parto — sobretudo um parto gemelar. Ainda assim, ciente dos muitos riscos, minha escolha era levar a gestação adiante. Mas pensava todo tempo: e se eu não fosse uma mulher de 35 anos, em uma relação sadia, em um contexto socio-econômico privilegiado, o que eu faria? Aqueles que querem controlar a vida das mulheres dizem que todas deveriam “assumir a responsabilidade” da falha de um anticoncepcional. Mesmo? Não podemos ter vida sexual se não estivermos dispostas a sermos mães de gêmeos? Por que quem disse que o risco é de ter “só” uma criança? Só pode transar quem está disposta a parir, sustentar e educar três crianças de uma vez?

Isso dito, parte da dor da perda gestacional é fruto da sensação de viver um luto sem rosto. Então a minha defesa do direito à escolha não minimiza minha dor e a de tantas outras mulheres que tiveram suas gestações interrompidas contra sua vontade. Meu luto é tão legítimo quanto o direito de outra mulher de viver sua história à sua maneira. Minha inveja — sim, inveja, sou humana — de alguém que está gestando, ainda que contra a vontade, não pode ser maior que o reconhecimento do direito de cada uma de escrever sua própria história, de tomar sua própria decisão.

É perturbador passar pelo que eu passei e eu não desejo isso a ninguém. Como não desejo a ninguém o desespero de ter que buscar um aborto clandestino. Ao aceitar que a minha dor é legítima mas o aborto voluntário não, a sociedade reforça o discurso misógino de que o sofrimento dignifica a mulher.

Na cama do hospital, lembrei de Jandira, Elizângela e tantas outras. Lembrei de minhas amigas que precisaram fazer um aborto clandestino. Lembrei da ex-colega de trabalho que, ao chegar em um hospital com sangramento, foi destratada pelos profissionais de saúde que acharam que seu aborto fora provocado. E no meio da dor e do luto pensava no quanto ainda temos que militar para ter direito a uma atenção à saúde que não nos discrimine, que seja capaz de nos acolher na dor e na escolha com respeito e dignidade.

Se você é contra o aborto, não aborte!

Texto de Elisangela Dalmazo para as Blogueiras Feministas.

Na China há leis rígidas de planejamento familiar e controle de natalidade, a conhecida “política do filho único”. Por causa dessa política de governo, gestantes sem permissão para engravidar podem ser obrigadas a realizar um aborto no caso de uma segunda gravidez ou quando são solteiras, porque o Estado chinês não permite às mulheres solteiras registrarem os seus filhos, negando-lhes acesso à educação, saúde e outros direitos.

O Estado chinês não respeita a decisão das pessoas para que as autoridades consigam atingir as suas metas de controle populacional, sem se preocupar com a vontade das mulheres. Aqui no Brasil “democrático” vivemos uma realidade diferente, mas tanto o Estado como a sociedade intervêm nas escolhas das mulheres, obrigando-as muitas vezes a ter uma gestação indesejada, condenando-as a se arriscarem em abortos clandestinos e até mesmo morrerem por não as darem direito à escolha. Mas o que esses casos distintos têm em comum? A falta de domínio dessas mulheres sobre o próprio corpo.

Marcha das Vadias na praia de Copacabana, Rio de Janeiro. Foto de Júlio César Guimarães/UOL.

A cultura machista é o grande vilão desses abusos contra as mulheres. A luta por espaço, por respeito, por dignidade ainda será árdua para a maioria delas. A discussão contra o aborto é o meio mais direto e ditador da sociedade impor o seu poder de controle sobre a vida das mulheres, determinando como elas devem se comportar, o que podem fazer e como devem se calar. No entanto, o que os “defensores da vida” não percebem é que existem problemas muito mais graves acontecendo em torno desse “crime” que tanto condenam. A negligência está aí o tempo todo, mas somente as grávidas são responsabilizadas por isso.

O governo é negligente quando não dá apoio e estruturas a essas mulheres e suas famílias. A sociedade é negligente quando não faz nada para mudar essa realidade e exigir mais políticas públicas. As pessoas não se importam em saber como essas mulheres engravidaram, como vivem ou porque se arriscam a realizar procedimentos clandestinos colocando em risco a própria vida. Muitos homens são negligentes quando não assumem seu papel de apoiar as mulheres, deixando-as sob a custódia de uma sociedade machista e preconceituosa. Muitas pessoas estão abortando nesse momento, ao condenar uma mulher e decidir o que ela deve fazer com o próprio corpo e com a própria vida.É fácil ser contra, principalmente para os homens, que em sua maioria não passarão pela experiência de engravidar sem querer. Afinal, a culpa é sempre da mulher!

Essas mulheres, vítimas de preconceitos sociais desumanos e de um sistema político patriarcal, precisam ter seus direitos respeitados. Políticas de planejamento familiar, acesso a métodos contraceptivos, atendimento especializado em casos de violência sexual e aborto legal e seguro. Porém, o que ocorre é que são obrigadas a salvar a própria vida dos julgamentos de uma sociedade hipócrita, que ao mesmo tempo que condena o aborto apoia medidas de extermínio da juventude, especialmente negra. Os ditos “pró-vida” vão estar sempre em defesa da “vida” do feto, mas são essas mulheres que estão inseridas na sociedade, são elas que têm família, são elas que têm uma vida real que pode mudar drasticamente, são elas que precisam de defesa.

Mas ai sempre vem aquela pergunta machista: “por que não se cuidou se não queria engravidar?”. E eu respondo: pelo mesmo motivo que você nasceu com esse pré-conceito deformado sobre a vida alheia. Por mais que existam formas de prevenir uma gravidez, elas acontecem, as pessoas são humanas e não seres perfeitos. Acidentes simplesmente acontecem. Isso quando não é um estupro ou outros casos de violência sexual. Ter um filho deve ser uma decisão com ampla possibilidade de escolha, justamente porque isso reforça a responsabilidade das pessoas em relação as crianças.

Defender a vida é um discurso vazio, porque ninguém é a favor da morte. E, em casos como o do Brasil, em que as mulheres são obrigadas a realizar abortos clandestinos, quem morre muitas vezes é uma mulher que tem outros filhos. No que sua opinião contrária a legalização do aborto está ajudando nas vidas das mulheres? No que a criminalização do aborto no Brasil tem ajudado a sermos uma sociedade mais justa e igualitária?

Todos são a favor da vida, por isso que o aborto deve ser legalizado. Isso garante não apenas dados mais confiáveis em relação a prática que geram políticas públicas melhores para evitar que as mulheres cheguem na decisão de fazer ou não um aborto, mas também pode garantir a vida de muitas de mulheres que morrem todos os anos, vítimas de abortos ilegais. Iria garantir o respeito e a liberdade a todas as mulheres.

Pra você que é contra o aborto, não aborte! No Brasil é crime ser obrigada a fazer um aborto e continuará sendo, mesmo com a legalização. Faça o que acha certo para sua vida. Aproveite a liberdade que tem de ter sua escolha. Mas não condene uma vida que desconhece e um corpo que não te pertence.

Autora

Elisangela Dalmazo é estudante de Música na UFPR. Produtora audiovisual desde 2010. Acredita que a conscientização de um mundo melhor pode ser algo levado às pessoas através das palavras e das artes.