Eu me recuso a ser invisível

Texto de Marcielly Moresco para as Blogueiras Feministas.

“Eu tenho tido de lutar por isso a minha vida inteira, pai. A minha vida inteira estranhos, namoradas! Porra, até contra os meus pais! Todos me pedindo para ser algo que eu não sou. Você tem alguma ideia de como é isso? A puta da sua existência ser negada, como: ‘Opa, seria melhor se você fosse invisível?’ ‘sim’. Eu me recuso a ser invisível, papai. Nem por você, nem pela mamãe, nem por ninguém.” – Big “Carrie” Boo (Orange is the New Black – 3×04 – Finger In The Dyke).

A invisibilidade tem algumas facetas. Ela pode ser considerada um poder e uma estratégia ou uma segregação aliada à violência da negação do indivíduo.

Na linguagem popular da ficção científica, da literatura, do cinema e dos quadrinhos o poder de ser invisível serve como proteção às personagens contra perigos e inimigos, ajudados por um objeto que os tornam invisíveis ou não. A invisibilidade pode também ser um instrumento para que se exerça outros poderes sobre os inimigos. Alguns exemplos famosos da temática invisibilidade como poder estão na capa da invisibilidade do bruxo Harry Potter; na Mulher Invisível do Quarteto Fantástico; no Homem Invisível (publicação de 1897); no Um Anel que torna os Hobbits invisíveis na saga do Senhor dos Anéis; nas naves espaciais invisíveis de Star Trek; na personagem Violeta de Os Incríveis; no Gato de Cheshire (personagem de Alice no País das Maravilhas); no filme publicitário “Homem Invisível” de uma marca de cerveja, entre outros.

No entanto, fora do mundo ficcional, a invisibilidade atinge seres socialmente invisíveis pela diferença, pelo preconceito, consistindo em uma forma simbólica de segregação e uma prática que estigmatiza os sujeitos como negados e/ou não aceitos socialmente.

A lesbianidade, de acordo com algumas teóricas feministas, constitui uma das formas mais invisíveis de representação social, pois o senso comum considera as trocas de afetos entre mulheres como práticas comuns do gênero feminino. Embora, contemporaneamente, o que se sente na pele são outras mulheres evitando abraçar, beijar e/ou demonstrar carinho em uma mulher sapatã por medo e vergonha de serem associadas a essa orientação sexual.

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