Estamos exaustas, mas é preciso resistir ao preconceito e ao extermínio

Texto de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Outro dia, uma amiga disse que haviam cinco planetas retrógrados e que isso poderia ser uma razão pela qual vivemos tempos tão turbulentos na política nacional. É tanta coisa ao mesmo tempo que simplesmente não conseguimos acompanhar. Porém, há um sentimento crescente contra o qual lutamos constantemente e tem nos deixado cada vez mais exaustas: o ódio.

Acordar e ler as notícias de que um homem abriu fogo contra pessoas numa boate gay em Orlando, nos Estados Unidos, promovendo a maior matança a tiros no país, cria novos cenários de horror para esse ódio. Pelo menos 50 pessoas morreram e outras 53 ficaram feridas.

Junho/2016. Familiares das vítimas nos arredores da boate Pulse em Orlando, Estados Unidos. Foto de: Steve Nesius/Reuters.
Junho/2016. Familiares das vítimas nos arredores da boate Pulse em Orlando, Estados Unidos. Foto de: Steve Nesius/Reuters.

No Brasil, essa semana tivemos a divulgação de uma matéria com perfis de gays e lésbicas que apoiam o deputado federal Jair Bolsonaro e suas propostas mais excludentes. A polarização política é uma grande arma para os conservadores, para quem defende porte de armas irrestrito, pena de morte, castração química. Para quem acredita que as leis no país são muito brandas, para quem discursa usando chavões perversos como “cristofobia”. Essas pessoas não são ingênuas, nem iludidas. São conscientes de seus atos e estão inseridas nos círculos de ódio e intolerância que tem crescido socialmente. A diferença talvez esteja apenas no fato de que não há mais pudor em dizer, com um megafone nas mãos, que alguém merece ser morto, que a estrutura social precisa ter ricos e pobres e que nem todas as pessoas devem ter os mesmos direitos. Hoje, essas pessoas sentem-se apoiadas a expressar os discursos mais reacionários porque encontram eco, são aplaudidas por outras milhares de pessoas.

Não acredito que isso seja culpa da militância de esquerda, do PT ou de figuras públicas e assumidamente homossexuais como o deputado federal Jean Wyllys. O extremismo tem encontrado ambientes sociais propícios para proliferar em todos os países. O que vejo é mais uma reação violenta ao subalterno que ousou levantar a cabeça e afrontar os alicerces sociais que edificam a desigualdade social. Mulheres, crianças, jovens, pobres, excluídos, pessoas de diferentes raças e etnias, pessoas fora dos padrões corporais e heteronormativos conquistaram espaços e direitos nos últimos anos, é de se esperar que as pessoas fiquem incomodadas com mudanças em regras sociais, que só ocorrem muitas vezes por meio de legislação específica. Esse ódio e violência é a tentativa de nos amordaçar novamente pelo medo.

A militância não é perfeita e nem mesmo suas principais vozes são unânimes. Então, para lutar contra esse ódio e violência não basta estar aberto ao diálogo, é preciso reverberar as diferentes pessoas que estão nesse movimento, por isso recomendo duas listas: 31 militantes dos direitos LGBT para você acompanhar de perto30 personalidades que lutam pelo movimento LGBT que você precisa conhecer. É preciso sempre amplificar o discurso da diversidade, da empatia e da alteridade.

O ódio tem se personificado e conquistado cada vez mais espaço em discursos públicos. Um sentimento de extermínio, intolerância e violência. É preciso não apenas eliminar o Outro, mas também o que ele significa, o que ele representa. As pessoas temem que o mundo que conhecem não seja mais o mesmo, temem dividir irrestritamente o espaço público com quem consideram uma ameaça. Os discursos intolerantes e violentos, sejam religiosos ou não, arrebatam as pessoas. Estão presentes em todas as esferas sociais. Isolados, são apenas palavras, por isso é preciso haver a interpretação do ser humano, o olhar individualista que reduz o Outro a nada. O ato de matar está aliado ao fato de não se reconhecer no Outro. E como sair desse labirinto? Onde ninguém se escuta e o medo permeia as relações? Como pode o amor entre pessoas do mesmo sexo ser uma ameaça?

Ataques extremos contra a população LGBT evidenciam a lesbofobia, homofobia, bifobia e transfobia tão presentes em nosso cotidiano. Qualquer pessoa que se desvie dos padrões heteronormativos recebe uma carga de ódio, reflexo do preconceito arraigado em nossa cultura que tem se mostrado em ações cada vez mais extremas. Diariamente gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans são mortas no Brasil. Com 600 mortes em seis anos, o Brasil é o que mais mata travestis e transexuais. O país sempre está nos primeiros lugares em rankings mundiais de assassinatos homofóbicos, chegando a concentrar, em 2012, 44% do total de mortes de todo o planeta. Esse mesmo Brasil possui 60.000 casais homoafetivos vivendo juntos, a maioria formada por católicos (47,4%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por que essa população não pode viver livremente nas ruas? Por que a resposta as diferentes formas de viver e amar é a violência? Não somos tão diferentes do atirador americano, apenas gostamos de fingir que no Brasil não existe racismo nem outros preconceitos, que somos uma mágica república da diversidade nos trópicos. Vivendo confinados em nossos nichos sociais, não enxergamos a vulnerabilidade que as diferenças enfrentam.

Em meio a comoção pública nos Estados Unidos, milhares de pessoas querem ajudar e se disponibilizam a doar sangue para as vítimas feridas. Logo descobrimos que homens gays tem regras diferentes para realizar uma doação, precisam estar celibatários há um ano para serem aptos. Essa não é a mesma regra para homens heterossexuais, mas essa restrição também é lei no Brasil, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A Portaria do Ministério da Saúde determina que o critério de seleção seja a prática sexual de risco e não a orientação sexual ou identidade de gênero, mas não é isso o que ocorre nos hemocentros do Brasil. A estimativa é que por ano haja um desperdício de 18 milhões de litros de sangue devido ao preconceito. Pequenas regulações como essas, quando não questionadas, também demonstram o quanto não estamos dispostos a mudar nossas relações com o Outro.

No caso do ataque a boate gay em Orlando há outro fator importante, no local se realizava uma festa latina. O atentado também não deixa de lado o componente racial e étnico que estremece as relações humanas em mais um momento de êxodo de refugiados pelo mundo. Quem se beneficia dessas mortes? Quem prefere se colocar contra o islamismo ao invés de combater a homofobia e a xenofobia? Quais discursos justificam a morte dessas pessoas? Segundo esses discursos, quais pessoas não devem existir, muito menos viver?

Como feministas lutamos por um mundo mais igualitário para todas as pessoas, por uma sociedade que reconheça seus preconceitos, privilégios e exclusões. Como ativistas, nos sentimos muitas vezes inertes, vemos companheiras caírem doentes, sentimos uma dor imensa ao ver outras sendo perseguidas. Muitas não estão mais dispostas ao diálogo ou a serem eternas professoras das mentes intolerantes, porque estamos exaustas. Porém, é preciso sempre se colocar como resistência ao extermínio.

+ Sobre o assunto:

[+] Kaique e os rolezinhos: o lugar de cada um. Por Eliane Brum.

[+] Parada LGBT no Rio faz homenagem aos mortos em atentado nos EUA.

[+] Sobreviventes do tiroteio: “Havia sangue por toda parte”.

[+] A Parada do Orgulho Gay mais triste da América com o ataque em Orlando.

Mulheres são sempre vítimas?

Texto de Daniela Andrade.

Quanto a esses discursos teóricos de que as mulheres serão sempre vítimas da sociedade, jamais agentes de opressão, tenho a dizer que:

Minha mãe me bateu a vida inteira para eu virar homem, ela me expulsou de casa por eu ser mulher trans* — ela não tinha qualquer culpa disso?

Mulheres me arrancaram de dentro de um banheiro dizendo que eu não tinha direito de usá-lo pois eu não era mulher, quem teve culpa disso, eu?

Professoras durante a minha vida disseram que jamais iriam me tratar por Daniela na escola, inocentes, de certo!

Mulheres também me impediram de usar banheiros femininos durante 11 anos na escola, logo, desenvolvi incontinência urinária, quem teve culpa já que não foram elas?

Foram também mulheres que me xingaram de toda ordem de nomes pejorativos durante muito tempo pois eu me dizia mulher, Elas eram todas inocentes?

Foram mulheres com a profissão de psicólogas de Recursos Humanos que decidiram que eu não tinha o perfil para a vaga, após descobrirem que eu era uma mulher trans*, curioso, não?!

E no judiciário não há apenas homens, vi sentenças de juízas mulheres que escreveram toda sorte de transfobia e cissexismo para negar direito à mulheres e homens trans* terem a cidadania plena reconhecida pelo estado.

Essa história da mulher sempre vítima e jamais motor de qualquer opressão trata as mulheres todas como se fossem seres sem vontade, sem legitimidade, que nada sabem sobre a sociedade e as violências, sempre fracas demais, sem agência. Portanto, devemos nós que sofremos transfobia considerar que a transfobia é uma opressão imaterial, que não precisa de agentes para acontecer e se tiver algum agente, sempre deve ser apenas e tão somente o homem cisgênero.

Todas inocentes, mulheres jamais podem causar qualquer mal a ninguém. Que mundo fantástico seria um apenas com mulheres, nenhuma violência por certo existiria! Mulheres não são capazes de causarem violência racista, homofóbica, classista, transfóbica, gordofóbica, capacitista. É tudo culpa dos homens.

Em 1957, nos Estados Unidos, nove jovens negros  foram selecionados pela direção do principal colégio da cidade, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país.  Foto de Will Counts.
Em 1957, nos Estados Unidos, nove jovens negros foram selecionados pela direção do principal colégio da cidade Little Rock, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país. Na imagem, a jovem negra Elizabeth Eckford é hostilizada por mulheres brancas. Foto de Will Counts.

Na hora de sermos agredidas com transfobia e cissexismo, naquele momento em que estamos tendo o respeito à nossa identidade de mulher negado, em que estamos sofrendo violências que nos deixam muitas vezes marcas profundas por muito tempo, não está importando qual a gênese daquela violência, se ela se deu início na Idade da Pedra Lascada, da Pedra Polida ou na Idade Média. O que me importa nesse momento é que uma pessoa, que por um acaso pode ser uma mulher cisgênera, está me desrespeitando e, inclusive, muitas vezes sabendo que está desrespeitando, discriminando pelo sabor de discriminar.

Eu sou feminista mas não sofro de cegueira intelectual. Sou a favor das mulheres mas jamais vou passar a mão na cabeça de mulheres que discriminam pessoas pertencentes à populações historicamente discriminadas e marginalizadas. Todas as vezes que eu me calo, a discriminação não deixa de existir, a violência não deixa de acontecer.

Eu não tenho qualquer problema com nenhum tipo de feminismo realmente libertador e includente, mas tenho todos os problemas do mundo com feminismos transfóbicos — pois eles fazem o que a sociedade inteirinha está fazendo: retirando o meu direito de ser pessoa, pois se eu quero ser tratada como mulher, se eu me reivindico como mulher, isso significa que a minha identidade de gênero faz parte da minha humanidade; e ter minha humanidade respeitada é ter a minha dignidade assegurada.

Não vou respeitar feminismos que me negam o respeito à minha individualidade, à minha dignidade, à minha humanidade.

Não estou isentando aqui as mulheres trans* e demais pessoas trans* dos erros que cometem, jamais corroborarei discursos que dizem que devemos combater mulheres, que devemos atacar mulheres, que devemos odiar mulheres. Mas farei tudo isso contra discursos que pregam ódio contra as mulheres trans*, que inflam e asseguram o combustível da transmisoginia dentro da sociedade.

Minha luta é contra a transfobia também, pois eu sei o que é a transfobia na minha carne, no meu cotidiano: parta de quem partir, venha de onde vier — ainda que camuflada dentro de supostos movimentos libertadores e emancipadores de pessoas oprimidas, movimentos esses que se acham muito corretos ao não pensarem duas vezes para colocar em curso a opressão e marginalização de outras populações oprimidas.

A pessoa que errou precisa ser advertida do seu erro, precisa se conscientizar que quem sofre a transfobia é que tem mais legitimidade e autoridade para anunciar que a transfobia está ocorrendo, e é preciso o respeito à essa pessoa. Transfobia não é violência menor, transfobia retira direitos muito básicos nossos todos os dias, como o direito a ter um nome respeitado. Transfobia mata pessoas, as empurra para o desemprego e para a prostituição, transforma pessoas em cidadãs de segunda classe.

E se a pessoa que errou é advertida e prefere continuar errando — não, não vou apoiar, não há qualquer chance de ter sororidade com quem escolheu a sororidade seletiva, com quem se acha no direito de decidir quem pode se dizer mulher ou não. Com quem tem ou não o selo cisgênero de qualidade para ter o direito de se dizer mulher.

Dizer que mulheres trans* não são mulheres não é divergência teórica, isso é violento, isso é cissexista, isso é discurso de ódio contra a dignidade de seres humanos.

Ninguém precisa ter lido livros de teóricos e teóricas para descobrir que o respeito à individualidade, à intimidade, à privacidade e a dignidade de cada ser humano são pressupostos básicos para que uma sociedade funcione de forma exitosa. Pessoas analfabetas conseguem entender o significado da palavra respeito.

E respeito não é uma escolha, não é você que decide como vai nos tratar para que nos sintamos respeitadas — se a mulher trans* não se sente respeitada sendo tratada como homem, como macho, como XY, RESPEITE! Se você deseja o mesmo respeito para você, coloque em curso o respeito às outras mulheres.

Autora

Daniela Andrade é uma mulher transexual que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou. Escreve em seu blog pessoal: Alegria Falhada. Administra a página: Transexualismo da Depressão.

Esse texto foi publicado originalmente em sua página pessoal do Facebook no dia 05/06/2014.

A história do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Texto de Ju Paiva*.

Em 2007 foi sancionada, pelo ex-presidente Lula, a Lei nº 11.635 que faz do 21 de janeiro o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data presta homenagem à Iyalorixá baiana (mãe de Santo) Gildásia dos Santos e Santos, que faleceu na mesma data, em 2000, vítima de enfarto.

Ela era hipertensa e teve um ataque cardíaco após ver sua imagem utilizada sem autorização, em uma matéria do jornal evangélico Folha Universal, edição 39, sob o título “Macumbeiros Charlatães lesam o bolso e a vida dos clientes”. O texto não era menos ofensivo e agredia as tradições de matriz africana, das quais Gildásia era representante. Referência: 21 de janeiro: um dia contra o racismo.

A igreja foi condenada pela justiça brasileira a indenizar os herdeiros da sacerdotisa. A morte de Gildásia dos Santos e Santos não foi uma fatalidade nem tampouco é uma tragédia isolada; é um exemplo das brutalidades cometidas contra adeptos de religiões como umbanda e do candomblé.

Embora nossa Constituição Federal garanta “ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”, não é raro que alguns segmentos cristãos ataquem frontalmente adeptos da umbanda e candomblé promovendo perseguições e destruição a lugares de cultos. Pouco noticiados na grande mídia, esses crimes acabam se tornando invisíveis para a maioria da população brasileira.

Em 2013, a secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Silvany Euclênio, propõe a defesa da ancestralidade africana no Brasil como ação para combater a intolerância às religiões afro-brasileiras.

A temática da ancestralidade africana coloca em evidência os valores civilizatórios africanos que serviram de base para a criação das religiões de matrizes afro. O terreiro é o local sagrado onde as divindades são consultadas e homenageadas. No Brasil, esse espaço sacralizado se constituiu historicamente como lugar privilegiado na transmissão e recriação de filosofias, cosmologias, práticas alimentares, saberes botânicos e redes de solidariedades.

"Não chuta, que é macumba. Respeite a diversidade religiosa". Exposição Holocausto Americano, UNICID, 2011. Foto de Aline Dias.
“Não chuta, que é macumba. Respeite a diversidade religiosa”. Exposição Holocausto Americano, UNICID, 2011. Foto de Aline Dias.

A agência das mulheres

O candomblé foi fudando em Salvador, no século XIX, por lideranças femininas. As mães de santo dos primeiros terreiros eram as mais sábias e poderosas das redes que começaram: o protagonismo feminino na criação das primeiras comunidades-terreiros é inegável. Aquelas Iyalorixás (mães de santo) foram as fundadoras não apenas dos terreiros famosos – e atualmente reconhecidos como patrimônios nacionais – da Bahia, mas também foram as matriarcas espirituais de diversas famílias de santo que hoje estão espalhadas em terreiros de todo o Brasil.

A história das religiões dos africanos e seus descendentes no Brasil é marcada pela resistência incansável de seus devotos. Ao lembrarmos a resistência negra, a referência ao feminino continua sendo central. As Yalorixás negociaram com políticos de alto escalão pelo direito de vivenciar plenamente suas crenças religiosas e também buscaram atrair a atenção e o apoio de intelectuais e artistas, numa tentativa de quebrar estereótipos negativos da religião e cultura negra.

O respeito como desafio

(…) pluralidade vive-se, ensina-se e aprende-se. É trabalho de construção, no qual o envolvimento de todos se dá respeito e pela própria constatação de que, sem o outro, nada se sabe sobre ele, a não ser o que a própria imaginação fornece. Referência: Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : pluralidade cultural, orientação sexual / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.

A defesa à ancestralidade africana requer um conhecimento mínimo da história africana e da história dos africanos e seus descendentes no Brasil. Compreender de quais formas a “África civilizou o Brasil” é fundamental para que possa existir um esforço coletivo de combate ao racismo de nossa sociedade. A lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira, tem como objetivo garantir que não sigamos contando uma única história – branco e androcentrada.

Em paralelo, é preciso seguir no combate diário contra discurso e práticas intolerantes e racistas (que podem vir em forma de violência física, sermão religioso, assédios, piadas etc.).

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Vídeo: Chimamanda Adichie – O perigo de uma única história – Parte 1

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Vídeo: Chimamanda Adichie – O perigo de uma única história – Parte 2

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* Ju Paiva é feminista e historiadora. Gosta de céu nublado, rock, vento e café.